MENU
Editorial
Exportaes
Manejo
Mercado - EUA
Mveis & Tecnologia
Painis
Qualidade
Qualidade
Transporte
Valor Agregado
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°84 - OUTUBRO DE 2004

Valor Agregado

Mercado estimula produtos de madeira com valor agregado

Os produtos de madeiras utilizados no mercado, em especial em alguns segmentos como construo civil, variam desde peas com pouco ou nenhum processamento madeira rolia at peas com vrios graus de beneficiamento, como: madeira serrada e beneficiada, lminas, painis de madeira e madeira tratada com produtos preservativos.

A madeira rolia o produto com menor grau de processamento da madeira. Consiste de um segmento do fuste da rvore, obtido por cortes transversais (traamento) ou mesmo sem esses cortes (varas: peas longas de pequeno dimetro). Na maior parte dos casos, sequer a casca retirada. Tais produtos so empregados, de forma temporria, em escoramentos de lajes (pontaletes) e construo de andaimes.

Em construes rurais, freqente o seu uso em estruturas de telhado. Neste tipo de produto tambm se enquadra a madeira rolia derivada dos postes de distribuio de energia eltrica. Em geral tratada com produtos preservativos e empregada em estruturas de edificaes, assim como a madeira rolia empregada na pr-fabricao das chamadas log homes.

A madeira rolia na regio centro-sul do Pas proveniente de reflorestamentos, principalmente daqueles realizados com as diversas espcies de eucalipto ( Eucalyptus spp.). As madeiras nativas na forma rolia so empregadas somente nas regies produtoras, como na Amaznia, onde se destaca a acariquara ( Minquartia guianensis), pela sua resistncia mecnica e alta durabilidade natural.

A madeira serrada produzida em unidades industriais (serrarias), onde as toras so processadas mecanicamente, transformando a pea originalmente cilndrica em peas quadrangulares ou retangulares, de menor dimenso. A produo est diretamente relacionada com o nmero e as caractersticas dos equipamentos utilizados e o rendimento baseado no aproveitamento da tora.

As diversas operaes pelas quais a tora passa so determinadas pelos produtos que sero fabricados. Na maioria das serrarias, as principais operaes realizadas incluem o desdobro, o esquadrejamento, o destopo das peas e o pr-tratamento.

O pr-tratamento possui carter preventivo e visa proteger a madeira recm-serrada, contra fungos e insetos xilfagos, apenas durante o perodo de secagem natural. realizado, normalmente, por meio da imerso das pranchas em um tanque com uma soluo contendo um produto preservativo de ao fungicida e outro de ao inseticida.

Devido ao mtodo de tratamento e natureza dos produtos preservativos utilizados, o pr-tratamento confere uma proteo superficial madeira, pois atinge somente suas camadas mais externas. O pr-tratamento pode ser dispensado pela indstria quando a secagem da madeira feita em estufas, imediatamente aps desdobro das toras.

As serrarias produzem a maior diversidade de produtos: pranchas, pranches, blocos, tbuas, caibros, vigas, vigotas, sarrafos, pontaletes, ripas e outros. No desdobro, a tora sofre cortes longitudinais resultando em pea com duas faces paralelas entre si, mas com os cantos irregulares (mortos) e com casca.

A prancha deve apresentar espessura de 40 mm a 70 mm e largura superior a 200 mm. O comprimento varivel. O prancho caracteriza-se por espessura superior a 70 mm e largura superior a 200 mm. O comprimento tambm varivel.

As vigas so peas de madeira serrada utilizadas na construo civil. Apresentam-se na forma retangular, com espessura maior do que 40 mm, largura entre 110 e 200 mm e comprimento varivel, de acordo com o pedido do solicitante.

As vigotas ou vigotes so uma variao de vigas, de menores dimenses, apresentando espessura de 40 mm a 80 mm e largura entre 80 e 110 mm.



Tbuas e Caibros

As tbuas do origem a quase todas as outras peas de madeira serrada por reduo de tamanho. Apresentam-se na forma retangular, com espessura entre 10 e 40 mm, largura superior a 100 mm e comprimento varivel, de acordo com o pedido do solicitante. Estes produtos so gerados a partir de toras, pranchas e pranches.

Os caibros, ripas e sarrafos tm mltiplas aplicaes tanto na construo civil como na fabricao de mveis. Os quadradinhos so variaes do sarrafo, com menores dimenses, utilizadas normalmente para confeco de cabos de vassoura e pincis.



Madeira beneficiada



A madeira beneficiada obtida pela usinagem das peas serradas, agregando valor s mesmas. As operaes so realizadas por equipamentos com cabeas rotatrias providas de facas, fresas ou serras, que usinam a madeira dando a espessura, largura e comprimento definitivos, forma e acabamento superficial da madeira. Podem incluir as seguintes operaes: aplainamento, molduramento e torneamento e ainda desengrosso, desempeno, destopamento, recorte, furao, respigado, ranhurado, entre outras. Para cada uma destas operaes existem mquinas especficas, manuais ou no, simples ou complexas, que executam vrios trabalhos na mesma pea.

No aplainamento, as sobremedidas e as irregularidades so retiradas deixando a superfcie mais lisa. O molduramento faz os cortes de encaixes tipo macho-fmea, por exemplo, no comprimento para peas destinadas a forros, lambris, peas para assoalhos, batentes de portas, entre outros. No torneamento, as peas tomam a forma arredondada, como balaustres de escadas.



Madeira em lminas



As lminas de madeira so obtidas por um processo de fabricao que se inicia com o cozimento das toras de madeira e seu posterior corte em lminas. Existem dois mtodos para a produo de lminas: o torneamento e o faqueamento. No primeiro, a tora j descascada e cozida colocada em torno rotativo. As lminas assim obtidas so destinadas produo de compensados.

Por outro lado, a lmina faqueada obtida a partir de uma tora inteira, da metade ou de um quarto da tora, presa pelas laterais, para que uma faca do mesmo comprimento seja aplicada sob presso, produzindo fatias nicas. Normalmente, essas lminas so originadas de madeiras decorativas de boa qualidade, com maior valor comercial, prestando-se para revestimento de divisrias, com fins decorativos.



Painis

Os painis de madeira surgiram da necessidade de amenizar as variaes dimensionais da madeira macia, diminuir seu peso e custo e manter as propriedades isolantes, trmicas e acsticas. Adicionalmente, suprem uma necessidade reconhecida no uso da madeira serrada e ampliam a sua superfcie til, atravs da expanso de uma de suas dimenses (a largura), para, assim, otimizar a sua aplicao.

O desenvolvimento tecnolgico verificado no setor dos painis base de madeira tem ocasionado o aparecimento de novos produtos no mercado internacional e nacional, que vm preencher os requisitos de uma demanda cada vez mais especializada e exigente.



Compensado

Os compensados surgiram no incio do sculo XX como um grande avano, ao transformar toras em painis de grandes dimenses, possibilitando um melhor aproveitamento e, conseqente, reduo de custos.

O painel compensado composto de vrias lminas desenroladas, unidas cada uma, perpendicularmente outra, atravs de adesivo ou cola, sempre em nmero mpar, de forma que uma compense a outra, fornecendo maior estabilidade e possibilitando que algumas propriedades fsicas e mecnicas sejam superiores s da madeira original. A espessura do compensado pode variar de 3 a 35 mm, com dimenses planas de 2,10 m x 1,60 m, 2,75 m x 1,22 m e

2,20 m x 1,10 m, sendo esta a mais comum.

Extensamente utilizado na indstria de mveis e construo civil, seu preo varia conforme as espcies e a cola utilizadas, com a qualidade das faces e com o nmero de lminas que o compe. H compensados tanto para uso interno quanto externo. Chapas finas de compensado apresentam vantagens sobre as demais madeiras industrializadas, pois so maleveis e podem ser encurvadas. So encontrados no mercado trs tipos: laminados, sarrafeados e multissarrafeados. Os primeiros so produzidos com finas lminas de madeira prensada. No compensado sarrafeado, o miolo formado por vrios sarrafos de madeira, colados lado a lado.

O multissarrafeado considerado o mais estvel. Seu miolo compe-se de lminas prensadas e coladas na vertical, fazendo um sanduche. Os compensados podem ou no ser comercializados com aplicao de lminas de madeira de uso mais nobre ou mesmo laminado plstico. Nesses casos h sempre a necessidade de revestimento das bordas.



Chapas de fibra

As chapas duras ou hardboards so obtidas pelo processamento da madeira de eucalipto, de cor natural marrom, apresentando a face superior lisa e a inferior corrugada. As fibras de eucalipto aglutinadas com a prpria lignina da madeira so prensadas a quente, por um processo mido que reativa esse aglutinante, no necessitando a adio de resinas, formando chapas rgidas de alta densidade de massa, com espessuras que variam de 2,5 mm a 3,0 mm.

As chapas de MDF (medium density fiberboard) possuem densidade de massa entre 500 e 800 kg/m, so produzidas com fibras de madeira aglutinadas com resina sinttica termofixa, que se consolidam sob ao conjunta de temperatura e presso resultando numa chapa macia de composio homognea, de alta qualidade. Estas chapas apresentam superfcie plana e lisa, adequada a diferentes acabamentos, como pintura, envernizamento, impresso, revestimento e outros. Estes painis possuem bordas densas e de textura fina, apropriados para trabalhos de usinagem e acabamento.

As chapas MDF preenchem grande parte dos requisitos tcnicos que eram demandados mas no supridos pelas chapas de fibras em diversos usos (densidade mdia e maiores espessuras) e pelo aglomerado, boas caractersticas de usinabilidade e de acabamento, tanto com equipamentos industriais quanto com ferramentas convencionais. Este tipo de painel pode ser serrado, torneado, lixado, furado, trabalhado em encaixes, malhetes e espigas e recebe bem pregos, parafusos e colas, desde que seguidas as recomendaes do fabricantes quanto ao uso dos elementos corretos de fixao. Pode ser usado em mveis e na construo civil, com destaque para portas de armrio, frentes de gavetas, tampos de mesa, molduras, pisos e outras aplicaes.

No mercado essas chapas so encontradas em trs verses: natural, revestida com laminado melamnico de baixa presso (BP), de acabamento liso ou texturizado em distintos padres, e revestida com pelcula celulsica do tipo Finish Foil (FF), apresentando superfcies lisas ou texturizadas em vrios padres madeirados.

Devido ao uso relativamente especializado e nobre que se prev para as chapas MDF, a matria-prima preferida para sua fabricao a madeira de florestas plantadas, com caractersticas uniformes e preferencialmente, de baixa densidade de massa e cor clara, sendo favorecido o pinus.



Ainda dentro deste tipo de painel, j so produzidas e utilizadas as HDF (high density fiberboards) que so chapas produzidas pelo mesmo processo a seco, como as MDF, exceto que em um valor mais alto de densidade de massa acima de 800 kg/m. Este tipo de painel, revestido com materiais apropriados, destina-se fabricao de pisos, por exemplo.



Chapas de partculas

O aglomerado uma chapa de partculas de madeiras selecionadas de pinus ou eucalipto, provenientes de reflorestamento. Essas partculas aglutinadas com resina sinttica termofixa se consolidam sob a ao de alta temperatura e presso.

As chapas aglomeradas so encontradas no mercado, na sua aparncia natural, revestidas com pelcula celulsica do tipo Finish Foil FF em padres madeirados, unicolores ou fantasias, ou ainda, revestidas com laminado melamnico de baixa presso BP, que, por efeito de prensagem a quente, funde o laminado madeira aglomerada formando um corpo nico e inseparvel.

So chapas estveis, podendo ser cortadas em qualquer direo, o que permite o seu maior aproveitamento.

O aglomerado deve ser revestido, sendo indicado na aplicao de lminas de madeira natural e laminados plsticos. amplamente utilizado pela indstria de mveis, construo civil, embalagens, entre outros. Algumas operaes como fresagem, fixaes, encabeamentos, molduras, post forming, entre outras, requerem cuidados especiais com ferramentas e equipamentos. Normas e recomendaes devem ser observadas para se obter maior uniformidade e acabamento na instalao do produto final. Os dispositivos de fixao utilizados devem ser aqueles indicados para este tipo de material, sob pena de serem obtidos resultados finais negativos caso estas recomendaes no sejam seguidas.

Por no apresentar resistncia umidade ou gua, o aglomerado deve ser utilizado em ambientes internos e secos, para que suas propriedades originais no se alterem. Os painis de partculas orientadas ou oriented strand boards, mais conhecidos como OSB, foram dimensionados para suprir uma caracterstica demandada, e no encontrada, tanto na madeira aglomerada tradicional quanto nas chapas MDF a resistncia mecnica exigida para fins estruturais.

Os painis so formados por camadas de partculas ou de feixes de fibras com resinas fenlicas, que so orientados em uma mesma direo e ento, prensados para sua consolidao. Cada painel consiste de trs a cinco camadas, orientadas em ngulo de 90 graus umas com as outras. A resistncia destes painis flexo esttica alta, no tanto quanto a da madeira slida original, mas to alta quanto a dos compensados estruturais, aos quais substituem perfeitamente. O seu custo mais baixo devido ao emprego de matria-prima menos nobre, mas no admitem incorporar resduos ou finos, como no caso dos aglomerados.

Os OSB tm a elasticidade da madeira aglomerada convencional, mas so mais resistentes mecanicamente. Os painis OSB tm tido utilizao no exterior, principalmente na construo habitacional. Nos Estados Unidos, a construo de casas apresenta caractersticas de uso intenso de madeira serrada e de painis, especialmente em paredes internas e externas, pisos e forros e, nestes usos, os painis OSB tm tido bom desempenho. Mais recentemente, estes produtos esto encontrando nichos de uso tambm em aplicaes industriais, onde a resistncia mecnica, trabalhabilidade, versatilidade e valor fazem deles alternativas atrativas em relao madeira slida. Entre estes usos, esto mobilirio industrial, incluindo estruturas de mveis, embalagens, contineres e vages.

No Brasil, a demanda pelo uso do OSB est aumentando. Na construo civil, j possvel ver sua aplicao em pisos, divisrias (paredes), coberturas (telhados) e obras temporrias (tapumes e alojamentos). O produto nacional certificado de acordo com as normas americanas, o que permite os usos citados.



Madeira estrutural composta



A madeira engenheirada inclui produtos j comuns em outros pases, especialmente do Hemisfrio Norte, mas ainda relativamente desconhecidos no Brasil ou, no mximo, familiares apenas a uns poucos especialistas.

A madeira serrada classificada eletromecanicamente vem a ser madeira serrada, geralmente de conferas, ensaiada no-destrutivamente (em mquinas de alta velocidade) quanto flexo esttica e identificada quanto sua classe de resistncia mecnica.

Este produto conhecido como machine evaluated lumber - MEL ou machine stress rated -MSR. Este produto no encontrado neste Pas por vrias razes, entre as quais se inclui a falta de normatizao das sees transversais das peas usadas em estruturas, o alto custo do equipamento e da operao, alm da falta de tradio no uso de madeira de conferas para fins estruturais.

Pode compor tambm este grupo a madeira laminada e colada, na qual as tbuas so dispostas e coladas, com as suas fibras na mesma direo, ampliando o comprimento ou a espessura (glulam). Vigas laminadas e coladas, fabricadas com madeiras de reflorestamento pinus e eucalipto preservadas contra ataque de insetos e fungos, alm de protegidas contra fogo e umidade, so um produto j encontrado no setor da construo civil neste Pas.

Entretanto, outros produtos, manufaturados em maior ou menor grau de sofisticao, esto includos no grupo das madeiras estruturais compostas., como: LVL laminated veneer lumber, PSL parallel strand lumber e OSL oriented strand lumber.



A tecnologia tem ampliado a gama de novos produtos derivados da madeira, tanto em diferentes formas como em combinao com outros materiais. A idia sempre melhorar desempenho do produto no fim a que se destina, otimizar o uso da matria-prima e reduzir os custos de processamento. Muitos dos processos desenvolvidos baseiam-se no emprego de matria-prima produzida em florestas de rpido crescimento especialmente para um determinado fim. Isto reflexo de uma demanda especializada, exigente no s em relao ao desempenho do produto, mas tambm em relao sua aparncia.

Alguns exemplos podem ser facilmente apontados, como o caso dos painis MDF produzidos com misturas de espcies, resultando em painis de cor mais escura, logo recusados pelo mercado mais sofisticado. Contudo, uma vertente de interesse crescente tem sido a utilizao de resduos de processamento mecnico ou qumico de madeiras na produo de painis, dentro do princpio de reuso ou mesmo de reciclagem de materiais.

Um exemplo recente o desenvolvimento de painis produzidos com madeira slida e com partculas de madeira tratada com CCA, um preservante de madeira base de cobre, cromo e arsnio. Este material, proveniente de descarte, passaria a constituir-se em potencial contaminante ambiental. Com o reaproveitamento destes produtos na forma de painis, um potencial agente contaminante passou a constituir-se matria-prima, gerando outros produtos de alta durabilidade.

O mercado requer produtos de bom desempenho, menor custo, esteticamente agradveis e, crescentemente ecolgicos.

A preservao de madeiras todo e qualquer procedimento ou conjunto de medidas que possam conferir madeira, em uso, maior resistncia aos agentes de deteriorao, proporcionando maior durabilidade. Estes agentes podem ser de natureza fsica, qumica e biolgica (fungos e insetos xilfagos), que afetam suas propriedades. Essas medidas devem ser discutidas e adotadas na etapa de elaborao dos projetos, tais como:

O uso racional da madeira como um material de engenharia no ambiente construdo pressupe, no mnimo, o conhecimento do nvel de desempenho necessrio para o componente ou estrutura de madeira, tais como vida til, responsabilidade estrutural, garantias comerciais e legais, entre outras.

A escolha da espcie da madeira com base nas propriedades intrnsecas de durabilidade natural e tratabilidade. A definio das condies de exposio (uso) da madeira e dos possveis agentes biodeterioradores presentes, ou seja, definio do risco biolgico a que a madeira ser submetida.

A adoo do mtodo de tratamento e produto preservativo de madeira (inseticida e/ou fungicida) em funo do risco biolgico para aumentar a durabilidade da madeira. O tratamento preservativo faz-se necessrio se a espcie escolhida no naturalmente durvel para o uso considerado e/ou se a madeira contm pores de alburno.

A Implementao de controle de qualidade de toda a madeira tratada com produtos preservativos para garantir os principais parmetros de tratamento: penetrao e a reteno do preservativo absorvido no processo de tratamento. A penetrao definida como sendo a profundidade alcanada pelo preservativo ou pelo(s) seu(s) ingrediente(s) ativo(s) na madeira. J a reteno a quantidade do preservativo ou de seu(s) ingrediente(s) ativo(s), contida de maneira uniforme num determinado volume da madeira, por exemplo, expressa em quilogramas

de ingrediente ativo por metro cbico de madeira tratvel (kg/m).



Tratamento preservante

O tratamento preservativo de madeiras obrigatrio, por lei, para peas ou estruturas de madeira, tais como dormentes, estacas, vigas, vigotas, pontes, pontilhes, postes, cruzetas, torres, moires de cerca, escoras de minas e de taludes, ou quaisquer estruturas de madeira que sejam usadas em contato direto com o solo ou sob condies que contribuam para a diminuio de sua vida til.

Esta obrigatoriedade deve ser observada exclusivamente com relao s essncias florestais passveis de tratamento. Precisam ser tratadas as peas de madeira portadoras de alburno ou as que, sendo de puro cerne, apresentem alguma pemeabilidade penetrao dos produtos preservativos em seus tecidos lenhosos.

No caso do uso de madeira de puro cerne, esta deve ser de alta durabilidade natural aos fungos apodrecedores e insetos xilfagos (brocas-de-madeira e cupins) para as condies de uso biologicamente ativa ou agressiva.

Com relao ao tratamento preservativo da madeira, deve-se considerar a busca de produtos preservativos e processos de tratamento de menor impacto ao meio ambiente e higiene e segurana. A disponibilidade de produtos no mercado brasileiro, os aspectos estticos (alterao de cor da madeira, por exemplo), aceitao de acabamento e a necessidade de monitoramento contnuo.

Devem ser utilizados somente os produtos preservativos devidamente registrados e autorizados pelo Ministrio do Meio Ambiente, atravs do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renovveis (Ibama), e pela Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa), que avalia os resultados dos testes para classificao da Periculosidade Ambiental.

Assim como, para o tratamento industrial da madeira, deve-se exigir registro no Ibama das usinas de preservao de madeira e outras indstrias que utilizam esses produtos. A especificao de um tratamento preservativo, baseado nas condies de uso da madeira, deve requerer penetrao e reteno adequadas que dependem do mtodo de tratamento escolhido. As normas tcnicas e a experincia do fabricante podem relacionar estes parmetros de qualidade do tratamento, considerando minimamente:

a diferente durabilidade natural e tratabilidade do alburno e cerne devem ser sempre consideradas;

quanto maior a responsabilidade estrutural do componente de madeira, maior dever ser a reteno e penetrao do produto preservativo;

uma maior vida til est normalmente associada a uma maior reteno e penetrao do produto;

para um mesmo processo de tratamento, diferenas de micro e macroclima entre regies podem exigir maiores retenes e penetraes;

a economia em manuteno e a acessibilidade para reparos ou substituies de um componente podem exigir maiores retenes e penetraes;

o controle de qualidade de toda a madeira preservada dever ser realizado para garantir os principais parmetros de qualidade: penetrao e a reteno do preservativo absorvido no processo de tratamento;

se o risco de lixiviao do produto preservativo existe, considerar a proteo dos componentes durante construo e/ou transporte;

fatores como manuseio das peas tratadas, prticas durante a construo, integridade de acabamentos ou compatibilidade do produto preservativo com o acabamento, podem afetar o desempenho da madeira preservada.



Autores

Geraldo Jos Zenid; Marcio Augusto Rabelo Nahuz ;Maria Jos de Andrade; Casimiro Miranda ; Oswaldo Poffo Ferreira; Srgio Brazolin - Diviso de Produtos Florestais do IPT Instituto de Pesquisas Tecnolgicas do Estado de So Paulo