MENU
Classificao
Conjuntura
Construo
Construo
Densidade
Desdobro
Doenas
Ecossistema
Editorial
Espcies
Incndios
Manejo
Melhoramento gentico
Mercado
Mercado - Brasil
Monitoramento
Nutrio
Nutrientes
Painis
Postes
Pragas
Pragas
Preservao
Produo
Propriedades
Propriedades
Resduos
Resduos
Resinas
Secagem
Silvicultura
Transporte
Viveiro florestal
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°83 - AGOSTO DE 2004

Pragas

Ocorrncia e controle do pulgo gigante-do-pnus

Para atender a demanda de madeira no Brasil, optou-se, h mais de 70 anos, por projetos de reflorestamento, introduzindo-se sementes e mudas de Pnus e Eucalyptus, existindo atualmente, cerca de 1.840.050 ha plantados com espcies de Pinus em territrio brasileiro

Aps um longo perodo sem a ocorrncia de pragas, os plantios de Pinus sofreram a primeira ameaa com a introduo da vespa-da-madeira, Sirex noctilio, que em 1988 chegou a causar a mortalidade de at 60% das rvores atacadas no Rio Grande do Sul. Devido importncia econmica que a praga representa, a Embrapa Florestas e empresas da iniciativa privada criaram o Fundo Nacional para o Controle da Vespa-da-Madeira - FUNCEMA, implantando o Programa Nacional de Controle Vespa-da-madeira, baseado em controle biolgico. A adoo do controle biolgico, associada s medidas de controle silvicultural, possibilitou a manuteno da viabilidade econmica do cultivo de Pinus no Brasil.

Em 1996, registrou-se pela primeira vez em plantios de Pinus no Brasil o pulgo-gigante-do-pnus, Cinara pinivora, no Rio Grande do Sul; e, em 1998, C. atlntica, associada a C. pinivora, em Santa Catarina. Estes pulges so originrios do leste, sul e sudeste dos Estados Unidos e Canad, mas tambm so encontrados na Jamaica e Cuba. Atualmente no Brasil, C. atlantica ocorre em plantios de Pinus desde Minas Gerais at o Rio Grande do Sul.

Existem aproximadamente 200 espcies de Cinara descritas. Destas, 150 ocorrem na Amrica do Norte, 20 no Japo e regio oriental e 30 espcies so europias ou de origem mediterrneas.

Por serem exticas, as espcies de Cinara apresentam alto potencial para tornarem-se pragas de grande importncia econmica, devido larga extenso de reas plantadas com Pinus no Brasil.

As espcies de Cinara alimentam-se de ramos, brotos e, ocasionalmente, de razes de conferas das famlias Cupressaceae e Pinaceae. A espcie mais importante que ataca Pinus nos Estados Unidos C. atlantica, espcie que se tornou predominante tambm no Brasil.

Facilmente transportado a longas distncias por correntes de ventos, o pulgo-gigante-do-pnus tem provocado a morte de plantas em plantios jovens de Pinus, tendo sido relatada a mortalidade de at 15% das plantas. O dano ocasionado por esse pulgo inicia-se por uma clorose das acculas, com alguns ponteiros ou ramos tornando-se marron-avermelhados, observados entre o outono e a primavera. O afilamento de ramos e o entortamento do caule so outros sintomas de ataque desta praga. Foram tambm observadas mortalidade de plantas em reas adjacentes rea de pesquisa.

O controle biolgico natural dos pulges do gnero Cinara tem sido realizado por insetos predadores das famlias Coccinellidae, Syrphidae, Crhrysopidae, Staphilinidae, Dermaptera e alguns Heteroptera, que ocorrem naturalmente nas condies brasileiras. No entanto, esses predadores, embora importantes agentes reguladores da populao dos pulges, no conseguem mant-los em nveis que no causem prejuzos s plantas de Pinus. Visando otimizar o controle biolgico da praga em questo, a Embrapa Florestas, o FUNCEMA e a EPAGRI implantaram, em 2001, o Programa de Controle Biolgico do pulgo-gigante-do-pnus, com o objetivo de estudar a otimizao das condies que favorecem o desenvolvimento dos predadores e realizar a introduo de parasitides do pulgo na regio de origem dos mesmos. Para tanto, foram realizadas coletas de pulges parasitados nos Estados Unidos em 2001, 2002 e 2003, obtendo-se, aps o perodo de quarentena, o parasitide Xenostigmus bifasciatus (Hymenoptera, Braconidae).

A criao massal, realizada na Embrapa Florestas e as posteriores liberaes em diversas florestas de Pinus dos estados de Santa Catarina, Paran e So Paulo, resultaram numa ampla disperso do parasitide, que se estabeleceu em todos os locais de liberao, dispersando-se, a cada ano, num raio de aproximadamente 80 km, havendo casos de 100% de controle de algumas colnias de pulgo. Esta porcentagem atingida pelo complexo de inimigos naturais, composto por predadores e pelo parasitide.

Como medidas preventivas os produtores devem dispor de mudas de boa qualidade, utilizando-se tcnicas de plantio que facilitem o desenvolvimento radicular e que favoream a presena de vegetao secundria entre as filas de Pinus. Devem ser realizadas apenas roadas na fila e, se necessrio, o coroamento da muda plantada. Estas aes favorecero a ocorrncia dos inimigos naturais dos pulges e permitiro um bom desenvolvimento das plantas de Pinus.



Wilson Reis Filho pesquisador da Epagri/Embrapa Florestas - E-mail: wilson@cnpf.embrapa.br

Edson tadeu Iede - pesquisador da Embrapa Florestas - E-mail: iedeet@cnpf.embrapa.br

Susete do Rocio Chiarello Penteado - pesquisador da Embrapa Florestas - susete@cnpf.embrapa.br