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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°83 - AGOSTO DE 2004

Preservao

Pinus requer tratamento "personalizado"

Hoje, o tratamento preservativo proporciona a melhor relao custo/benefcio para prevenir a deteriorao de madeiras. Quatro variveis interligadas definem os diferentes nveis de tratamento:

produto

processo

tipo de madeira

situao de risco

A madeira de pinus, alm de ser um produto de exportao com forte demanda internacional, muito verstil e por isso mesmo uma das melhores alternativas em diversas aplicaes que vo desde a produo de embalagens e paletes para movimentao de cargas, passando por mobilirio e painis, at uma grande variedade de componentes para construo civil. Trata-se de um dos maiores insumos geradores de divisas para a economia brasileira.

S para se ter uma idia, em 1990 o consumo nacional de toras de pinus era de 19 milhes de metros cbicos; em 2001 o consumo saltou para a marca de 42 milhes de metros cbicos. A indstria de madeira serrada responde hoje por aproximadamente 50% do consumo de toras de pinus no Pas.

Porm, o uso de madeira de pinus tambm enfrenta desafios muito peculiares. O maior deles , sem dvida, a baixa densidade e resistncia natural dessa madeira que a torna susceptvel aos agentes deterioradores. Levando-se em conta aquelas quatro variveis, as atenes concentram-se em produtos, processos e riscos.

Concorrem para a deteriorao da madeira, basicamente, agentes fsicos, qumicos e biolgicos. Entre os agentes fsicos, o mais importante a luz solar com sua carga de raios ultravioleta. A madeira de pinus num ambiente de forte insolao e baixa agressividade biolgica pode ser tratada com produtos da linha stain. Esta categoria de produto rene em sua formulao filtro solar, resinas hidrorrepelentes e fungicida, alm de ser penetrante, no formando pelicla como os vernizes e tintas convencionais. Est uma caracterstica importante, uma vez que o produto acompanha os movimentos da madeira evitando a ocorrncia de trincas ou bolhas, alm de proporcionar timas condies de manuteno dispensando a necessidade de raspagem ou lixamentos para novas aplicaes. Pelas suas caractersticas o stain tambm importante na preveno aos fungos apodrecedores, especialmente em ambientes midos e agressivos.

No caso da preveno de ataques pelos agentes biodeterioradores como fungos apodrecedores, insetos, brocas e cupins, pode-se utilizar tratamentos no-industriais ou industriais. No primeiro grupo, para situaes de baixa agressividade e risco no uso da madeira, pode-se empregar produtos e tcnicas que conferem penetrao superficial. H formulaes especficas para aplicao por imerso, pincelamento, pulverizao, aditivao na linha de cola (em painis ) ou bastonetes difusveis.

Para situaes de maior agressividade biolgica, como nos casos de madeira em contato direto com o solo e/ou ambientes muito agressivos, como a orla martima, o tratamento mais adequado o industrial. Ao submeter a madeira a processo de vcuo e presso no interior de uma autoclave em Usina de Preservao de Madeiras, a penetrao do preservativo profunda e o nvel de reteno mais elevado, assegurando maior proteo e vida til prolongada favorecendo usos estruturais da madeira de pinus como, por exemplo, na construo civil.

Construes tradicionais em alvenaria tendem a perder a corrida para a crescente demanda de um Pas como o Brasil, em construo acelerada e forte demanda por moradias, com um dficit habitacional nacional da ordem de 6,6 milhes de unidades. Neste ponto, a construo industrializada tem pela frente um importante papel, um desafio de bom tamanho. Se industrializao a melhor resposta para a construo de moradias, madeira preservada, com destaque para espcies cultivadas como pinus e eucalipto, est seguramente entre as melhores respostas para essa indstria.

Painis e montantes, estruturas de cobertura, assoalhos, batentes, portas e janelas, entre outros componentes, tm na madeira preservada uma alternativa de excelente desempenho, durvel, competitiva e ecologicamente correta. Alm de um depsito eficiente de carbono seqestrado da atmosfera o vilo do chamado efeito estufa constitui um ativo patrimonial de alto valor agregado. A demanda de madeira, particularmente a preservada, tem uma curva ascendente nas prximas dcadas no s no Brasil, mas em diversos pases praticamente em todos os continentes. Certamente este um fenmeno mundial e irreversvel, pelo simples fato da madeira cultivada ser o nico material construtivo disponvel em larga escala e que 100% renovvel em ciclo curto.

A demanda por habitao dispensa maiores apresentaes. Para que se tenha uma idia, dados referentes aos Estados Unidos indicaram que em 2001, somente na construo de unidades residenciais unifamiliares, foram consumidos 45 milhes de metros cbicos de madeira serrada. Na construo de unidades multifamiliares foram outros 4 milhes de metros cbicos, o que d a medida de que unidades unifamiliares predominam por larga margem. Deste total de 49 milhes de metros cbicos de madeira serrada consumidos anualmente pelo setor da construo, 13 milhes de metros cbicos, ou 26%, so de madeira tratada. No Brasil, o consumo anual de madeira serrada da ordem de 23,5 milhes de metros cbicos, dos quais 6,7 milhes de metros cbicos, ou 28,5%, vo para a construo civil. Apenas 75 mil metros cbicos, que correspondem a 1,1% do total, so madeiras tratadas industrialmente.

Os dois retratos mostram realidades muito distintas, embora em pases com igualmente grandes potencialidades madeireiras. Nos Estados Unidos, a utilizao de madeira em larga escala beneficia amplamente os setores madeireiro e da construo civil.

No Brasil, alm da madeira ser utilizada em menor escala nas construes, a madeira preservada usada em escala ainda menor, tornando os sistemas construtivos menos competitivos tcnica, econmica e ambientalmente. Esta situao tem reflexos na qualidade, na durabilidade, na conscincia em relao ao material construtivo, na normalizao, na capacidade local de abastecimento industrial de madeira, entre outros aspectos.

Uma conta simples d a dimenso correta dos fatos. Hoje, o volume total de madeira utilizada em construes nos Estados Unidos sete vezes maior que no Brasil; em volume de madeira tratada, a distncia que nos separa salta para 170 vezes.



Flavio Carlos Geraldo

Vice-presidente - ABPM

Gerente da Diviso Osmose da Montana Qumica S.A.