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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°83 - AGOSTO DE 2004

Monitoramento

Implantao de reflorestamentos no estado do Paran

Na economia brasileira, a madeira sempre foi utilizada tanto como produto quanto como insumo. Assim, at o final da primeira metade do sculo XX, utilizou-se dos recursos florestais nativos como se fossem inesgotveis. Entretanto, na dcada de 70, o Brasil defrontou-se com o consumo crescente de madeira e, conseqentemente, a devastao das florestas nativas. O corte desenfreado e inescrupuloso de madeiras nobres comeava a deixar sinais, chamando a ateno da populao, do governo e, at mesmo, de organismos internacionais.

O advento da lei de incentivos fiscais (Lei n 5.106, de 2 de setembro de 1966) possibilitou que as indstrias de base florestal passassem a investir em plantios florestais, sendo que empresas e investidores individuais puderam deduzir as importncias destinadas a projetos de florestamento e reflorestamento nas declaraes de rendimentos das pessoas jurdicas e fsicas. Desta forma, a poltica de incentivos fiscais, vigente no Brasil no perodo 1966-1987, possibilitou a implantao de macios florestais em condies de fornecer matria-prima para as indstrias, visando programas de substituio energtica para suprir a demanda prevista no Plano Nacional de Siderurgia Carvo Vegetal. A partir da desencadeou-se, no Brasil, um intenso processo envolvendo plantaes florestais principalmente com essncias exticas, tais como Pinus spp e Eucalyptus spp.

Informaes coletadas no portal virtual Ambiente Brasil, em agosto de 2004 relatam que, anteriormente poltica de estmulo ao reflorestamento, as reas reflorestadas para fins industriais no atingiam 600 hectares. Resultado da poltica de incentivos fiscais, as estimativas apontavam, em 1986, uma rea reflorestada no Brasil de 6.252.000 hectares, sendo 1.785.405 ha com o gnero Pinus.

Pode-se afirmar que no existem, no Brasil de hoje, estatsticas oficiais derivadas de levantamentos florestais que dimensionem o total da rea reflorestada no Pas e, em parte, tal situao motivada pelo fato de que nenhum rgo substituiu verdadeiramente o ento IBDF. O Ibama, ao assumir uma misso muito mais ampla que a do IBDF, no conseguiu incorporar seu papel de responsvel pela poltica florestal brasileira, vcuo sentido at hoje, mesmo com a criao do PNF Programa Nacional de Florestas, no mbito do MMA -Ministrio do Meio Ambiente, que est se organizando para liderar iniciativas de porte nacional ou regional. Desta forma, os dados so estimados por iniciativa das instituies estaduais de meio ambiente (por delegao do Ibama) ou ainda pelas entidades de classe s quais as indstrias de base florestal esto associadas. Como conseqncia, as reas plantadas e no vinculadas diretamente reposio florestal obrigatria que no caso do Paran representada pelo Serflor, implantado em 1997 no so incorporadas aos nmeros usados inclusive por rgos oficiais, nem tampouco os realizados em pequenas propriedades.

Ao longo das ltimas dcadas, alguns inventrios florestais, seja em nvel regional ou estadual, tm sido realizados com o objetivo de quantificar reas e estimar a produo das reas florestadas e reflorestadas, envolvendo diversos autores e instituies. No caso do Paran, em 1984, um convnio entre o ento IBDF e a Universidade Federal do Paran possibilitou a execuo do Inventrio Florestal Nacional no Estado. O Estado foi dividido em macrorregies de trabalho para as quais se relacionou a rea projetada de reflorestamentos (obtida via cadastro do IBDF) e as reas de efetivo plantio. O levantamento permitiu concluir que, para o Estado do Paran, do total de reas projetadas para reflorestamento, um percentual mdio de 89% foi executado, ou seja, 446.135,80 ha foram efetivamente executados, at o ano de 1981.

O percentual de 89% foi utilizado no presente trabalho, para corrigir os dados a serem utilizados na srie histrica at o ano de 1981. Estima-se que para o perodo anterior a 1966 at 1993, foram reflorestados no Estado do Paran um total de 600.057,10 hectares com Pinus spp. Verificou-se tambm, junto ao Instituto Ambiental do Paran, dados referentes ao perodo posterior a 1993. O IAP/Serflor contabilizou valores referentes ao perodo de 1997 a 2003 que se referem exclusivamente aos plantios realizados guisa de reposio florestal. Estima-se que a rea efetivamente plantada, envolvendo os outros segmentos, seja aproximadamente 30% maior. .



Evoluo dos reflorestamentos efetivados com Pinus spp., no Estado do Paran no perodo anterior a 1966 at 1993.



Os maiores investimentos em reflorestamento efetivados com Pinus spp. no Estado do Paran foram realizados no perodo do Incentivo Fiscal (1966-1987). De 1987 em diante, houve um grande decrscimo na rea taxa anual florestal plantada, evidentemente concentrada no setor de base florestal. Nos primeiros anos ps-incentivos fiscais, o setor florestal envolvendo plantaes de pnus ainda no se delineava como um mercado promissor para investimentos, a no ser no crculo das empresas de papel e celulose e afins. Esta realidade foi lentamente sendo modificada, e no passado recente estimava-se que o plantio com espcies do gnero Pinus no Estado do Paran estivesse no patamar dos 20 mil ha/ano, envolvendo milhares de empresas e, mesmo assim, com um dficit anual de 47 mil ha. Entretanto, uma situao eminentemente grave para o setor desponta no momento, ou seja, as limitaes defendidas pelo movimento ambiental e o sucesso obtido junto opinio pblica e alguns setores governamentais com relao ao perigo representado pelo gnero Pinus, em termos de contaminao ou invaso biolgica.

Como as sugestes e recomendaes tcnicas que envolvem tcnicas de manejo que minimizam tal problema so, eventualmente, distorcidas, corre-se o risco de se inviabilizar a implantao de novos povoamentos com o gnero Pinus, em determinadas regies do Estado. Deve-se ressaltar que o gnero Pinus importante para o Paran e o estado, em termos florestais, tem um peso indiscutvel com relao sua contribuio para o desenvolvimento florestal brasileiro. De acordo com a Sociedade Brasileira de Silvicultura, aproximadamente 35% de toda a rea plantada com o gnero est no Paran, seguido por Santa Catarina (20,65%) e So Paulo (11,95%).

So vrias as informaes sobre a rea atualmente ocupada pelo gnero Pinus no Paran. Verificou-se que os registros do IAP/Serflor no perodo de 1996-2000 apontavam um estoque de 582.795,00 ha no Paran envolvendo, entretanto, Pinus spp. e Eucalyptus spp, includas as modalidades de reposio obrigatria e incentivados, implantados e protocolados no Ibama at o final de 1996. J o projeto Probio, utilizando imagens Landsat de 1998 e envolvendo a regio de ocorrncia da Floresta com Araucria, totalizou 552.973 ha de reflorestamentos, tambm considerando florestas plantadas de uma maneira geral. Para SBS o Estado teria, em 2000, uma rea plantada com pnus de 605.130 ha.



Mapeamento do gnero Pinus

Pretendeu-se, neste mapeamento, disponibilizar, em formato digital e ambiente de Sistema de Informao Geogrfica (SIG), resultados espacializados referentes rea estadual coberta com plantios de Pinus spp, obtidos pela interpretao digital de imagens orbitais dos anos de 1999 e 2000. O ambiente SIG proporciona, entre outras vantagens, a possibilidade da estruturao de uma base digital de dados, que pode se tornar a base de um sistema de monitoramento dinmico das fontes de matria-prima, sendo atualizada periodicamente e permitindo anlises prospectivas e macroeconmicas.

Na verdade, a necessidade da espacializao dos plantios com o gnero Pinus spp. surgiu como uma estratgia no contexto do Programa de Manejo Integrado de Pragas e Doenas Florestais, desenvolvido pela Embrapa Florestas /Funcema (Fundo Nacional para o Controle da Vespa-da-Madeira), em convnio com o USDA Forest Service. Quatorze cenas do satlite Landsat 7 ETM, tomadas entre os anos de 1999 e 2000, foram utilizadas para discriminar e delimitar povoamentos de Pinus spp com o objetivo de estabelecer a sua distribuio espacial e, assim, formar a base para usos estratgicos posteriores, sendo as informaes disponibilizadas tambm em um SIG. Em funo dos resultados obtidos com a utilizao de classificao digital (por pixel e por regio) em reas testes no terem sido consistentes, optou-se pela interpretao visual, em tela, de cada cena, aproveitando-se do fato que, em composies coloridas 453 (RGB), os povoamentos de Pinus spp. aparecem em tons avermelhados, diferenciando-se da vegetao nativa, que aparece em tons pardacentos e em matizes de marrom.

O resultados da interpretao visual das imagens Landsat 1999/2000 , analisadas pelo presente trabalho, levaram a uma rea de 483.512,03 ha plantados com Pinus spp. importante ressaltar que, durante os trabalhos de identificao dos plantios em tela e em campo, percebeu-se que imagens Landsat, em funo de sua resoluo espacial, no so eficientes na descriminao de povoamentos de Pinus jovens, ou seja, com menos de 4 a 5 anos de idade. Para dirimir parte desta limitao e como um dos resultados dos levantamentos areos expeditos LAE, executados em 5% do Estado, povoamentos de Pinus jovens identificados em vo foram incorporados ao banco de dados espacializados.





Mapeamento das reas plantadas com Pinus spp. no Estado do Paran

Considerando-se que, mesmo com a atualizao efetivada atravs do LAE para a discriminao das diferentes feies, parte daqueles talhes recentemente implantados ainda no tenham sido incorporados base de dados, utilizou-se a estratgia de, eventualmente, acrescentar-se aos valores efetivamente encontrados via SIG os dados obtidos pelo IAP/Serflor, justamente no perodo 1997/2003, ou seja 150.160,00 ha. Desta forma, alm de incorporar valores que corrigem a interpretao visual incluindo a classe de povoamentos jovens, tambm se atualiza os valores obtidos pelo mapeamento, j que os dados disponveis incluem informaes at 2003. Evidentemente tal estratgia embute um certo grau de incerteza porque no considera os plantios no vinculados reposio obrigatria e no reportados ao IAP, assim como no considera as reas em corte final no perodo. Entretanto, so valores bastante prximos da realidade, atualizados para 2003 e que totalizariam 633.672,03 ha, valor que pode ser adotado como a rea com estoque de Pinus spp no Paran.

A acuracidade do mapeamento e o cmputo dos erros foram efetuados por ocasio de levantamentos areos expeditos efetuados nos anos de 2002, 2003 e 2004 sobre regies do Paran afetadas pela vespa-da-madeira (Sirex noctilio), principal praga envolvida no convnio Embrapa Florestas/Funcema/USDA. O levantamento areo expedito (LAE) uma tcnica de baixo custo muito usada nos EUA, recentemente introduzida no Brasil pelo mesmo convnio. Estes vos abrangeram 5% da rea do Estado e permitiram estimar uma acurcia geral mdia do mapeamento em torno de 87%. Ao mesmo tempo a anotao de erros de omisso e comisso (presena efetiva ou ausncia de um talho de pnus) sobre as cartas-imagem utilizadas no LAE possibilitou a edio dos temas gerados no SIG referentes ocupao do solo por Pinus spp, com a incluso e excluso de polgonos. Os vos foram realizados sempre em regies onde havia grandes concentraes de plantios com o gnero que, na realidade, cobrem aproximadamente 3,3% do Estado do Paran.



Os nmeros encontrados para representar a rea plantada com Pinus spp no Paran variam de fonte para fonte, j que no existe estatstica oficial, atualmente no Brasil, que apresente um quantitativo preciso quanto ao total da rea reflorestada no Pas. Apenas alguns Estados, como Rio Grande do Sul e So Paulo, tm envidado esforos no sentido de usar o Inventrio Florestal Contnuo (IFC) como ferramenta gerencial de longo prazo. Nos demais Estados, inclusive no Paran, os dados so estimados por iniciativa das instituies estaduais de meio ambiente (por delegao do Ibama) ou ainda pelas entidades de classe s quais as indstrias de base florestal esto associadas. H, entretanto, que considerar que tais fontes podem no estar computando os plantios no vinculados diretamente reposio florestal obrigatria (no Paran, o SERFLOR - Sistema Estadual de Reposio Florestal Obrigatria, implantado a partir de 1997) ou aqueles efetuados por pequenos proprietrios, que no so obrigados a registrar seus plantios. O trabalho desenvolvido na Embrapa Florestas se beneficia do uso de imagens satlite de 1999/2000 para determinar a rea plantada com Pinus spp no Paran e aborda a estratgia utilizada para a atualizao de tais dados.





Maria Augusta Doetzer Rosot; Yeda Maria Malheiros de Oliveira, Pesquisadoras da Embrapa Florestas

Artur de Almeida, Engenheiro Florestal,Ps-graduando UFPR, Estagirio da Embrapa Florestas

Marlise Zonta, Gegrafa da Embrapa Florestas;



augusta@cnpf.embrapa.br; yeda@cnpf.embrapa.br; arturalmeida8@msn.com