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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°83 - AGOSTO DE 2004

Doenas

Doenas presentes em pinus

As doenas florestais so responsveis, em parte, pela diminuio da produtividade dos plantios comerciais brasileiros. At o momento, as doenas registradas em plantios e povoamentos florestais tm sido provocadas principalmente por fungos, com alguns registros de ocorrncia de bactrias e sem registros concretos da ao de vrus ou outros microrganismos.



No caso das espcies de Pinus plantadas no Brasil, as principais doenas encontradas e que tm chamado ateno daqueles que trabalham com esta espcie florestal so os problemas de viveiro, a seca de ponteiros e a armilariose, que afetam rvores jovens e adultas.



O sistema de produo de mudas de espcies florestais normalmente favorece a ocorrncia de fungos, pela presena de temperaturas e alta umidade. As condies necessrias para a germinao e desenvolvimento das mudas tambm podem ser as mesmas para que os fungos se estabeleam e se desenvolvam.



O tombamento de mudas uma doena que pode surgir em viveiro e em diferentes essncias florestais. Esta doena tambm pode ocorrer durante a germinao e produo de mudas de pnus. Porm, tem-se tornado uma doena de importncia secundria com o uso da tcnica de produo de mudas em tubetes plsticos. Sua importncia sempre notada quando do uso de sementeiras para a germinao das sementes ou quando algumas medidas sanitrias preventivas no so empregadas, como por exemplo o uso de substrato estril para a produo de mudas.



O controle desta doena normalmente obtido pela aplicao de prticas adequadas na produo de mudas, cuidando-se do uso de sementes com boa qualidade sanitria, de substrato estril, de gua para irrigao de boa qualidade, da limpeza do prprio viveiro e da eliminao de qualquer foco de material doente, fazendo o descarte das mudas afetadas. O emprego de produtos qumicos, como o caso dos fungicidas, s deve ser feito em situaes emergenciais e com o devido respaldo de um tcnico.



A seca de ponteiros foi uma das principais doenas em pnus, limitando os primeiros plantios de espcies como Pinus radiata e P. pinaster na regio Sul do Brasil. Apesar de estar controlada para algumas espcies, ainda inspira cuidados e controle. Esta doena afeta diversas espcies de pnus em todo o mundo, com outros sintomas e causada pelo fungo Sphaeropsis sapinea. Este fungo, ao colonizar os tecidos da rvore, pode causar o secamento dos brotos e de ramos e, se o ataque for contnuo e intenso, provocar a morte da planta. Pode causar, tambm, a morte de ponteiros em mudas, ferimentos na casca e o azulamento da madeira em rvores vivas e em toras, depois do abate da rvore. O controle desta doena em mudas doentes, por meio de fungicidas, somente recomendado em casos especiais. Para que a doena no ocorra a campo, recomenda-se o plantio de espcies mais resistentes, como P. elliottii, P. taeda e P. caribaea. Para evitar o azulamento da madeira, recomenda-se o processamento das toras aps o abate, a secagem da madeira e o uso de preservativos de madeira.



J a podrido de razes causada por Armillaria, ou armilariose, uma doena causada pelo fungo Armillaria sp., conhecida em vrias partes do mundo, afetando principalmente as plantas lenhosas. No Brasil, a doena foi constatada em espcies de pnus (P. elliottii var. elliottii, P. taeda e P. patula) e Araucaria, nos estados da Regio Sul e Sudeste, no tendo sido encontrada em plantios de espcies tropicais de pnus. uma doena importante em plantios de Pinus na primeira rotao da cultura, especialmente em reas onde havia mata natural ou reflorestamento com espcie florestal de reconhecida capacidade multiplicadora de inculo do patgeno.



A doena caracterizada pelo amarelecimento geral da copa, seguido por murchamento, bronzeamento e seca das acculas. Posteriormente, evolui para a morte das rvores, que ocorre quando todo o sistema radicular acha-se comprometido pela ao do patgeno. Nas razes mais grossas e na base do tronco surge intensa exsudao de resina que acumula-se no solo, ao redor das razes ou do tronco. Placas miceliais (desenvolvimento do fungo em forma de mantas) brancas so formadas logo abaixo da casca, que podem se estender no tronco a mais de 1 m de altura. O fungo pode tambm formar rizomorfas (cordes miceliais de colorao marrom-escura) na casca. Eventualmente, as frutificaes deste fungo podem ser observadas, como cogumelos que surgem na casca de plantas doentes ou j mortas.



A recomendao de controle da armilariose em plantaes de Pinus spp. no Brasil tem sido feita no sentido de minimizar a quantidade do inculo inicial do patgeno na plantao. Recomenda-se que, no preparo da rea a ser reflorestada com Pinus, seja feita uma limpeza da rea recm-desmatada, recolhendo-se restos de razes, tocos e galhos da vegetao nativa anterior, apodrecidos ou no, para a sua queima. Como outras medidas, menciona-se a abertura de trincheiras ou valas, ao redor da(s) rvore(s) atacada(s), para que a doena no atinja as rvores vizinhas ainda sadias. Pouco se sabe sobre a resistncia gentica contra esta doena em pnus. A literatura recomenda que se evite plantar espcies muito suscetveis, como o caso de P. elliottii, em locais onde haja grande probabilidade de ocorrer a armilariose.



Como estratgia para conhecer mais sobre esta doena e o seu controle, estabeleceu-se um projeto de pesquisa tendo como ttulo: Armilariose em Pinus elliottii: etiologia, determinao de danos e de medidas de controle, nos estados do Paran e de Santa Catarina. Este projeto teve como financiadores o CNPq, Embrapa Florestas e empresas florestais que possuem o problema. Como parceria, parte das atividades de pesquisa constituram uma tese de doutoramento no Curso de Ps-Graduao em Engenharia Florestal, da Universidade Federal do Paran. As atividades de pesquisa foram desenvolvidas no Laboratrio de Fitopatologia da Embrapa Florestas e em plantios comerciais de empresas florestais do Estado do Paran. Com o encerramento do financiamento do projeto pelo CNPq, o mesmo encontra-se em fase de negociao com outras empresas florestais que possuem o problema e foram sensibilizadas para participar desta pesquisa.



O projeto comeou em maro de 2001 e teve como objetivos a realizao de um levantamento da ocorrncia da armilariose em povoamentos de Pinus nos Estados do Paran e de Santa Catarina (posteriormente acrescentou-se o estado do Rio Grande do Sul); a identificao correta do fungo; a avaliao dos danos silviculturais e econmicos e o desenvolvimento de medidas de controle, de modo que os novos conhecimentos adquiridos possam minimizar os danos e as perdas provocadas pela armilariose em plantios de Pinus da Regio Sul.



O principais resultados deste projeto mostraram que o agente causal desta doena no deve ser o fungo Armillaria mellea. Possivelmente, mais de uma espcie estaria associada aos problemas em pnus. Outro aspecto relaciona-se com a temperatura tima de desenvolvimento do fungo, que precisa de temperaturas na faixa entre 15 C e 25 C, demonstrando porque tem ocorrido na regio Sul. Quanto aos hospedeiros, existe maior quantidade de registro de doena em P. elliottii em relao ao P. taeda, em concordncia com a literatura.



Quanto s avaliaes dos impactos decorrentes da ao da armilariose, as perdas causadas pela doena so significativas nas reas afetadas, o que contribui na reduo da produo de madeira, bem como da renda dos silvicultores e da regio e uma reduo no potencial de emprego e da renda recebida pelos trabalhadores rurais. A ttulo de exemplo, se considerarmos uma incidncia de mortalidade de rvores em 5,1 %, em uma rea atacada de 10 % da rea plantada da regio Sul (106.200 ha), os produtores de pnus deixariam de colher 189,6 mil m3 de madeira anualmente.



Em relao ao controle, as observaes de campo e experimentais revelam que a prtica de limpeza da rea (destoca e queima dos resduos) antes do plantio mostra-se eficiente para eliminar o inculo da doena. Entretanto, esta prtica pode ser invivel em reas de topografia acidentada e apresenta um alto custo, que podem inviabilizar o seu uso. O controle biolgico da doena com o emprego de fungos antagnicos, preconizado pela literatura como eficiente, tecnicamente vivel em focos presentes em plantios jovens (menos de trs anos de idade). No entanto, os ensaios foram recentemente montados e os resultados esto em fase de coleta, sem que se possa ainda afirmar algo acerca de sua eficincia.



Celso Garcia Auer- Nei Sebastio Braga Gomes- Albino Grigoletti Junior