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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°83 - AGOSTO DE 2004

Manejo

Manejo de reflorestamento e custos de operao

O termo manejo pode ser definido como sendo o tratamento dispensado a um povoamento florestal, o qual interfere nas condies ambientais em prol do desenvolvimento da floresta, ou tambm como sendo a administrao de uma empresa florestal.

Assim sendo, o manejo nada mais do que a execuo de operaes durante o crescimento e maturao da floresta com o objetivo de incrementar a produtividade, melhorar a qualidade e agregar valores matria-prima.

A administrao ou planejamento florestal deve considerar:

A definio dos objetivos da empresa.

O planejamento da produo de cada povoamento.

O planejamento da produo total da empresa.

Ao se efetuar um planejamento florestal, a disponibilidade e a qualidade da matria- prima, bem como as operaes a serem realizadas, principalmente a idade da colheita, devem ser bem dimensionadas, pois para cada finalidade emprega-se um manejo diferenciado. Um equvoco muito comum a implantao de reflorestamentos antes da definio do destino e uso final da madeira. Neste caso, ou so executados manejos inadequados, comprometendo a produtividade e a qualidade do produto, ou as prticas excedem aos objetivos da produo, desperdiando-se dinheiro sem o retorno esperado.

Todo manejo causa conseqncias no ecossistema. Interferncias que parecem mnimas podem trazer conseqncias de grande porte para o sistema produtivo florestal. Medidas semelhantes de manejo, em regies diferentes, podem causar conseqncias tambm diferentes ou at contrrias ao seu objetivo.

Os povoamentos florestais devem ser caracterizados sob a tica da produo atual, anlise da produtividade potencial futura e determinao de medidas mais convenientes para gerenciar e atingir a produo potencial.

O manejo de reflorestamento uma das principais tcnicas de manejo que visa a qualidade e a produtividade da matria-prima. Deve ser definido em funo dos objetivos do plantio, considerando-se que a influncia do espaamento mais expressiva no crescimento em dimetro do que em altura. O planejamento da densidade de plantio tambm deve visar a obteno do mximo de retorno por rea. Se, por um lado, a densidade for muito baixa, as rvores no aproveitaro todos os recursos como gua, nutrientes e luz disponveis e, por conseqncia, haver menor produo por unidade de rea; mas por outro lado, se a densidade de plantio for muito elevada, tais recursos no sero suficientes para atender a demanda do povoamento, o que tambm repercutir no decrscimo de volume e na prpria qualidade das rvores.

Normalmente os plantios so executados com espaamentos variando entre 3x2 e 3x3 metros, os quais favorecem os tratos culturais mecnicos. Empresas integradas destinam a madeira dos primeiros desbastes para energia ou celulose, e as rvores remanescentes do povoamento, com porte mais expressivo, so utilizadas para a fabricao de serrados ou para a laminao.



Espaamento

Espaamentos maiores (densidade baixa)

produo em volume individual

menor custo de implantao

maior nmero de tratos culturais

maior conicidade de fuste

desbastes tardios

Espaamentos menores (densidade alta)

produo em volume por hectare

rpido fechamento do dossel (menor nmero de tratos culturais)

menor conicidade do fuste

desbaste precoce

Quanto forma dos espaamentos, os quadrados ou retangulares so os mais indicados e praticados, podendo ser bastante apertados para produo de madeira para fins energticos, ou mais amplos, quando se deseja matria-prima para fins de fabricao de papel e celulose ou serraria e laminados.

A produo de um macio florestal depende dos fatores genticos das espcies e sementes utilizadas, da capacidade do stio e das tcnicas de manejo adotadas. Aps o plantio, a produo florestal pode ser influenciada pelos fatores:

1. Melhoramento das condies ambientais, como adubaes controle de pragas e competio por ervas daninhas.

2. Diminuio da populao original, atravs de desbastes, disponibilizando melhores condies de luz, nutrientes e gua s plantas.

3. Aprimoramento da qualidade das rvores, atravs da poda.

Tratos Culturais

Existem dois problemas imediatos aps o plantio: a mortalidade das mudas e o crescimento extremamente lento ou crescimento travado.

Algumas semanas aps o plantio, faz-se uma estimativa sobre o nmero das mudas que esto mortas. Por exemplo, em um plantio onde uma em cada 5 mudas est morta, significa que h uma porcentagem de sobrevivncia de 80% ou uma mortalidade de 20%. Se a mortalidade das plantas apresenta-se muito alta, preciso efetuar o replantio nos espaos livres. necessrio tomar cuidado com a demora do replantio, pois certos atrasos podem causar s mudas replantadas desvantagens permanentes, em crescimento e desenvolvimento. So vrios os fatores que influenciam a sobrevivncia das mudas no incio do plantio:

A habilidade dos operrios durante o plantio, a firmeza do solo ao redor das razes e a profundidade das covas.

As condies meteorolgicas aps o plantio.

A qualidade das sementes, mudas com raiz nua ou mudas em embalagem.

Condies desfavorveis do solo, como superfcie alagada ou eroso.

Ataque de formigas, cupins ou fungos.

Competio de ervas daninhas.

Danos causados por animais (criao intensiva, etc.).

As mudas destinadas ao replantio devem ser de boa qualidade, um pouco maior que o normal e com razes bem desenvolvidas.

O crescimento lento e deficiente, mesmo sem a ocorrncia de pragas, pode ocorrer em qualquer perodo. Normalmente acontece antes do fechamento do dossel. Como aspectos visveis: a m formao das acculas ou folhas e um crescimento anual de 1 ou 2 cm; contudo, existem vrios fatores podem causar esta deficincia em crescimento e desenvolvimento:

Seleo errada das espcies.

Deficincia de nutrientes.

Drenagem insuficiente do solo ou lixiviao excessiva.

Problemas no solo, como compactao, eroso.

Deficincia ou ausncia da associao micorrzica.

Capinas insuficientes, criao intensiva de animais, e outras.

Atravs de uma correta adubao, pode-se conseguir melhorar as condies dos solos empobrecidos ou compactados, enriquecer os solos, favorecer o crescimento das mudas, aumentar a resistncia das plantas contra fungos, insetos e doenas. A adubao recomendada, conforme os resultados das anlises de solo realizadas em laboratrio e de acordo com as exigncias da espcie selecionada.

Importncia dos Nutrientes mais utilizados na Adubao em Plantios Florestais

Em relao limpeza do terreno, para evitar a competio de gua, luz e nutrientes pelo mato e por ervas daninhas, h o mtodo manual, atravs de coroamentos e roadas; o mecnico, atravs de gradeao superficial, e o qumico, atravs da aplicao de herbicidas. Sempre que houver a competio por mato ou ervas daninhas, independente da poca, deve-se fazer a limpeza. Principalmente na poca de crescimento (primavera), o plantio deve estar isento destes problemas para facilitar e estimular um bom desenvolvimento, sem a competio.

Desbastes

Os desbastes so executados com diferentes finalidades, entre elas: o aumento da produo volumtrica, a melhoria da qualidade do produto final e para acelerar o retorno dos investimentos, diminuindo os riscos do projeto.

Os mtodos de desbaste so:

Seletivo: tem por objetivo a seleo e a proteo das melhores rvores pela eliminao da competio com as rvores vizinhas. So classificados em:

Desbastes baixos - visam a supresso apenas de rvores dominadas (rvores que apresentam copas raquticas comprimidas ou unilateralmente desenvolvidas), sendo empregados com bastante freqncia em povoamentos de Pinus. a forma mais comum de desbaste seletivo. O resultado um povoamento com um estrato apenas de rvores dominantes e codominantes.

Desbastes altos - visam a retirada principalmente de rvores codominantes (rvores que apresentam copas formadas, mas fracas, em desenvolvimento) dando s dominantes melhores condies de sobrevivncia e crescimento.

Sistemtico: neste desbaste no se leva em considerao a classe da copa nem a qualidade das rvores a serem retiradas. Normalmente so retiradas linhas inteiras de rvores; sendo assim, o peso do desbaste depender do nmero de linhas retiradas.

Seletivo-sistemtico: neste caso corta-se, a cada nmero fixo de linhas, uma linha inteira e nas linhas que ficam faz-se um desbaste seletivo, de onde se retiram as piores rvores (finas, bifurcadas, quebradas).



Graus de intensidade dos desbaste

Outros mtodos de desbastes que so utilizados:

Arruda Veiga: para este mtodo, existe um limite mximo de assimilao dos fatores disponveis como luz, gua e nutrientes em relao rea basal do povoamento.

Deichmann: mtodo desenvolvido especificamente para povoamentos de Araucaria angustifolia. Baseia-se no espao ocupado pelo crescimento.

Pr-selecionado: consiste na seleo de rvores que ficaro para o corte final. O intervalo entre os desbastes, de aproximadamente trs anos, sempre retirando as rvores mais prximas das selecionadas, visa dar melhor condio de luz, gua e nutrientes s selecionadas.

Podas

A poda, que tambm designada por derrama, desrama ou derramagem, a supresso e o corte de galhos ou ramos ao longo do fuste, sendo uma alternativa vivel para obteno de madeira e produtos de alta qualidade, sem ocorrncia de ns.

N o ponto de insero de um ramo no fuste da rvore. Nesse local as fibras sofrem um desvio de direo, afetando o valor tecnolgico da madeira pela sua insero, forma, sanidade e localizao. H vrios tipos de ns, conseqncias da no efetivao da poda, ou de podas bem ou mal conduzidas.

N vivo: aquele que faz parte da madeira em conseqncia de poda bem conduzida. O corte do galho rente casca, permitindo uma boa cicatrizao. A madeira apresentar desenhos caractersticos que agregam beleza e valor comercial.

N soltadio: n aparentemente solto, mas que no possvel retirar com a presso dos dedos. Afeta negativamente a qualidade do produto.

N morto ou solto: pode cair com a presso dos dedos. Restringe o uso da madeira para fins menos nobres.

A poda pode ser natural, ou seja, ao longo do tempo, conforme fatores genticos e densidade do plantio, os galhos secam e caem. A desrama natural, geralmente, bastante eficiente em florestas de eucalipto.

A desrama natural pode ser acelerada pelo manejo da densidade do povoamento, embora com sacrifcio do crescimento em dimetro. O processo mais simples consiste em desenvolver e manter um estoque inicial denso o que, alm de manter os galhos inferiores pequenos, causa-lhes tambm a morte. Geralmente, isso representa o melhor meio para conduo de povoamentos de eucalipto, pois no s estimula a desrama natural, como tambm impede que os troncos se tornem curvos e engalhados.

J a poda artificial vem a ser a operao de corte dos galhos, objetivando a produo de madeira limpa, ou seja, isenta de ns, em rotao mais curta que a exigida com desrama natural, e tambm para prevenir a formao de ns soltos, produzindo madeira com ns firmes, mas no necessariamente limpa.

A poda artificial, alm de evitar a ocorrncia de ns que desvalorizam a madeira, tambm apresenta as seguintes vantagens:

Evitar a presena de ns na madeira.

Beneficiar o controle e combate a incndios.

Facilitar os trabalhos de relascopia e manejo.

H, entretanto, alguns danos causados pela poda artificial: em galhos muito grossos, pode ocorrer a formao de bolsas de resina, prejudicando a qualidade da madeira, e na poda de galhos verdes poder ocorrer o ataque de fungos e bactrias, causando o apodrecimento das pontas dos galhos.

Quando a finalidade da madeira a ser obtida for para laminados, faqueados e serraria, a poda se torna necessria. J para madeiras destinadas para aglomerados e fbrica de papel e celulose, a poda dispensada.

O DAP o fator decisivo para determinar o momento adequado para a execuo da poda. indicado podar as melhores rvores em dimetro, que possuam:

Fuste sem bifurcaes.

Galhos finos.

Copa bem desenvolvida.

Ausncia de doenas ou pragas.

importante ressaltar que a parte mais valiosa da madeira (seu volume) est concentrada na parte inferior do fuste. Portanto, a altura da poda deve ser de no mnimo 5 metros e no mais que 10 metros do solo.

Poda seca: os galhos mortos e secos so eliminados. Pode ser realizada em qualquer perodo do ano.

Poda verde: os galhos vivos, na maior parte da rea com sombra da copa viva, so eliminados. importante ressaltar que esta poda, realizada fortemente, pode provocar perdas de crescimento na altura e no dimetro da rvore; por isso, deve atingir no mximo, um tero da copa viva. A melhor poca para proceder esta poda a de menor crescimento vegetativo, em que a cicatrizao mais rpida.

Em funo dos tipos de equipamentos (poda manual ou com mquinas), uma rvore sempre dever ser podada no sentido horrio, com o intuito de ter o corte mais perto possvel da casca. O corte deve ser em um nico golpe, para no arrebentar o resto do galho.



Custos da Operao

Na ltima dcada, a silvicultura brasileira tem se destacado no somente no cenrio interno como tambm tem sido referncia queles pases cujos produtos florestais contribuem significativamente na gerao de divisas.

A grande evoluo tem sido baseada fundamentalmente pela introduo de novos materiais genticos, expanso das fronteiras e adoo de novos mtodos silviculturais. Dentro desta verdadeira revoluo silvicultural ocorrida e da integrao floresta/indstria, cresceu na mesma intensidade a demanda por matria-prima de alta qualidade e a necessidade de adequao dos custos dentro da nova realidade.

Devido s grandes extenses territoriais onde se localizam os principais povoamentos florestais, muitos so os fatores biodiversos, como solo, clima, materiais genticos, entre outros, que contribuem para o sucesso ou o fracasso de um empreendimento florestal.

Limpeza do Terreno

Estes custos so constitudos basicamente por operaes de roadas, decepas, aplicao de herbicidas ps emergentes, rebaixamento de tocos ou destocas, gradagens para triturao ou incorporao de resduos, enleiramento, combate s formigas e queima (limitada somente a algumas situaes).

A composio destes custos , incluindo insumos, mo-de-obra e horas de mquinas, gira em torno de R$ 250,00/ha.

Preparo do Solo

Os custos de conservao do solo esto relacionados quelas operaes cujo objetivo manter a vida e a integridade deste mesmo solo, principalmente no que se refere a danos provocados por eroses, perdas de nutrientes e degradao da matria orgnica, cuja inobservncia levar a seu empobrecimento e conseqentemente perda da produtividade futura.

J os custos de preparo do solo constituem-se por operaes que antecedem ao plantio, como as gradages leves ou pesadas, gradagem bedding, subsolagem ou ripagem, coveamento e sulcamento>

A soma destas operaes pode ser executada por valores mdios em torno de R$ 130,00/ha.

Plantio e Replantio

Os custos deste item so intimamente dependentes do material gentico usado e do mtodo de formao das mudas, acrescidos do custo da operao de plantio propriamente dito, incluindo-se a mo-de-obra e horas de mquinas para realiz-lo.

A alta tecnologia empregada para produo de mudas, aliada aos sofisticados mtodos de sua produo, confere operao de plantio um dos principais custos da formao florestal. Considerando-se que a maioria das empresas florestais j dominam o processo de produo de mudas pelo mtodo da propagao vegetativa ou micropropagao e que este sistema onera significativamente o custo de formao em relao quelas formadas diretamente a partir de sementes, pode-se considerar para fins desta anlise uma composio de 50% das mudas em cada sistema.

A densidade de plantio, ou espaamento, outro fator que interfere diretamente nos custos; por isso, pode-se adotar o espaamento mdio de plantio entre 3x2 e 3x3m e um ndice de reposio para replantio de 10% da populao original.

Isto posto, os custos de plantio e replantio acarretam um investimento de aproximadamente R$ 350,00/ha.

Em relao adubao, a operao da formao florestal de maior divergncia entre s empresas, devido basicamente as diferentes composies, fontes e dosagens dos insumos utilizados. Os principais insumos so de origem qumica, mineral e orgnica; este, proveniente de material vegetal ou resduo industrial.

Adubaes consideradas padro para uma boa formao florestal acarretam um custo da ordem de R$ 350,00/ha.

Tratos Culturais

Os tratos culturais mais dispensados nos povoamentos florestais na fase da implantao so aqueles voltados eliminao das ervas daninhas, cuja competio por gua, luz e nutrientes compe-se como o principal fator da perda da produtividade florestal.

O uso de herbicidas de uma forma geral tem sido a prtica mais adotada para eliminao da matocompetio, vindo em seguida as capinas manuais ou mecnicas.

Estes custos representam uma parte significativa dos investimentos na formao florestal, girando em torno de R$ 340,00/ha.

Manuteno

So todas as operaes que incidem aps o perodo de implantao florestal. Normalmente ocorrem do segundo ao stimo ano de idade do povoamento, tambm chamado de perodo de maturao florestal.

As principais operaes neste perodo so o controle de pragas, readubaes e controle de incndios florestais.

No perodo de manuteno do povoamento (do 2 ao 7 ano), so investidos cerca de R$ 600,00/ha.

O termo silvicultura traduz perfeitamente seu significado, como sendo o cultivo de rvores, uma vez que para a obteno de uma produtividade florestal satisfatria, devem ser empregadas uma srie de operaes, tambm denominadas de manejo intensivo e materiais genticos de altssimo valor agregado, desta forma nada devendo ao cultivo agrcola.

Percebe-se que so investidos para formao e maturao de um macio florestal cerca de R$ 2.000,00/ha.

Fonte: Ambiente Brasil