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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°59 - SETEMBRO DE 2001

Celulose

Importncia do Eucalipto para a Indstria de Celulose no Brasil

O setor de celulose e papel no Brasil um dos mais atuantes segmentos industriais de base florestal. Segundo dados da Associao Brasileira de Celulose e Papel BRACELPA - o setor conta, atualmente, com 220 empresas, em 255 unidades industriais, presentes em 16 estados e 180 municpios, gerando cerca de 100 mil empregos diretos e, aproximadamente, 1,2 milho de empregos indiretos. A principal caracterstica do setor a total sintonia com as tendncias mundiais, com escala de produo, equipamentos de ltima gerao, produtos world class e permanente atualizao tecnolgica e controle ambiental. Alm disso, o setor considerado indutor de desenvolvimento scio-econmico, com a fixao da mo-de-obra no campo e da desconcentrao industrial, uma vez que os projetos florestais-industriais so distantes dos centros urbanos.

Com um faturamento total de US$ 6,5 bilhes, em 2000, a produo de celulose/pastas do setor alcanou 7,4 milhes de toneladas, com o nvel da capacidade instalada de 93%, e a produo de papel alcanou 7,1 milhes de toneladas, com o nvel da capacidade instalada de 87%. Com estes nmeros, o Brasil se torna o sexto produtor e o oitavo consumidor mundial de celulose, num mercado que envolve a produo de 30 milhes de toneladas.

O consumo anual per capita de papel de 40,9 quilos, cifra muito distante daquelas registradas nos pases mais desenvolvidos ou de estgio de desenvolvimento comparvel ao brasileiro. O consumo aparente brasileiro de papel atingiu a marca de 6,3 milhes de toneladas . Em 1999, as exportaes do setor somaram US$ 2,1 bilhes, com 3 milhes de toneladas de celulose e 1,4 milho de toneladas de papel.

O uso da madeira de eucalipto como matria-prima produtora de celulose de fibra curta uma evidncia e se reveste de uma grande importncia estratgica para a economia do Brasil. Atualmente, o primeiro produtor mundial de celulose de eucalipto, com um 6,7 milhes de toneladas, em 1999, onde a fibra curta de eucalipto participa com 17% do total mundial.

O mercado de celulose de eucalipto apresenta uma oscilao muito grande dos preos. No perodo de 1995 a 1999, os preos variaram de US$1000 a 400 por tonelada. Em funo da demanda sempre crescente e da inexistncia de investimentos em novas fbricas, os preos tem-se mantido, nos ltimos anos, no patamar de US$600 a 650 por tonelada.

Embora muitas espcies de eucalipto tenham sido testadas e muitas tenham se mostrado viveis, as espcies mais utilizadas no Brasil so Eucalyptus grandis, E. saligna e E. urophylla, bem como os hbridos de E. grandis x E. urophylla(urograndis). A rea reflorestada para abastecer as indstrias de celulose no Brasil bastante expressiva.

Densidade Bsica

Vrios parmetros de qualidade da madeira foram definidos como importantes na fabricao de celulose, sendo os principais a densidade bsica e os relacionados morfologia das fibras. Segundo os especialistas da rea, a densidade bsica da madeira influencia tanto no custo da madeira produzida quanto no rendimento do processo industrial e, sobretudo, na qualidade das polpas e dos papis. Sua influncia no rendimento e nos custos dos processos de produo de madeira e de polpa facilmente entendida em razo do manuseio de menor volume de toras e cavacos, respectivamente, para uma mesma quantidade de massa. Com a elevao da densidade da madeira, a capacidade do digestor, que limitada volumetricamente, aumentada , levando a um incremento do potencial da indstria at o limite de saturao da caldeira de recuperao. O aumento da densidade bsica, no entanto, acompanhado por uma maior dificuldade de picagem das toras, ocasionando maior desgaste das facas picadoras, alm de maior proporo de cavacos de maiores dimenses, dificultando a impregnao destes e levando a uma menor produo de polpa depurada, com um maior teor de rejeitos na polpao. Atualmente, seleciona-se um material que apresente uma densidade bsica por volta de 450kg/m3, com valores limites entre 400 e 550 kg/m3. . A partir desse valor, o teor de rejeitos e o consumo de lcali sempre aumentam. Madeiras com baixa densidade, por outro lado, levam reduo de rendimento de polpa e base/volume de madeira, apresentam maior consumo de reagentes, conduzem a baixos rendimentos de polpao e apresentam elevados teores de rejeitos. Tem-se como consenso, tambm, que os teores de extrativos e lignina da madeira se correlacionam negativamente com o rendimento do digestor e com o consumo de lcali.

Outras caractersticas que tambm se relacionam com o produto final so os relacionados com a morfologia das fibras: ndice de Runkel, frao parede, ndice de enfeltramento, coeficiente de flexibilidade, teor de vasos, teor de parnquima, dimenses dos vasos, teor de cerne/alburno e teor de ns. As fibras de eucalipto tm seu comprimento variando de 0,75 a 1,30 milmetros, mostrando uma mdia prxima de 1mm. So, pois, consideradas fibras curtas, quando comparadas com as fibras de conferas, denominadas de fibras longas, que apresentam comprimento trs a cinco vezes superior. Os parmetros usualmente considerados nos estudos tecnolgicos das fibras so definidos por quatro dimenses fundamentais: comprimento da fibra ( C ), largura da fibra( L ), dimetro do lume da fibra( DL ) e a espessura da parede da fibra( E ). A partir desses valores, podem ser calculados os coeficientes, relacionando as dimenses entre si, com determinaes bastante importantes nas propriedades do papel e da celulose

At h algumas dcadas, o eucalipto era considerado como matria-prima de qualidade inferior pelos pases tradicionais na produo de celulose. Essa situao sofreu uma srie de mudanas decorrentes da crescente demanda de madeiras, coincidindo com um paulatino escasseamento dos recursos fibrosos e desenvolvimento de tecnologia adequada para o aproveitamento das folhosas em geral. No existem dvidas de que a madeira de eucalipto ser, em futuro breve, a fibra dominante no mundo celulsico-papeleiro, dentre as espcies de fibras curtas. E o Brasil dever aproveitar as vantagens competitivas que detm para se consolidar definitivamente como lder mundial na produo de celulose de fibra curta, a partir da madeira de eucalipto.

Setembro/2002