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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°83 - AGOSTO DE 2004

Produo

Atividades industriais com madeiras de Pinus atualidades e desafios

A movimentao dos mercados de madeira e produtos derivados cresce em termos mundiais, como mostram os nmeros do comrcio entre pases exportadores e importadores. As exportaes mundiais de produtos florestais alcanam o valor total das US$ 98 bilhes por ano (mdia 95-99), dos quais 15% provm de pases em desenvolvimento (FAO, 2004). O aumento do comrcio mundial se d tanto em produtos de menor grau de industrializao (madeira serrada, por exemplo), como nos produtos com mais tecnologia agregada (painis base de madeira). Esta tendncia entretanto, mais evidente nos produtos de maior tecnologia e valor.

A madeira serrada e os compensados so produtos de tecnologia bsica, menor valor unitrio de exportao, mas com grandes volumes comercializados. So estes produtos que representam a base de crescimento para a produo e exportao de pases como o Brasil. Contudo, a crescente escassez em termos mundiais, de florestas produtivas e de matrias-primas tem dificultado grandes expanses da produo. Isto se verifica no Brasil, com a esperada reduo da disponibilidade da madeira de pinus.

Desta maneira, qualquer crescimento da produo base de madeira ser baseada principalmente no aperfeioamento dos processos de industrializao da madeira, com crescentes nveis de tecnologia, produtividade, qualidade de produto e agregao de valor.

Algumas das principais atividades industriais que utilizam a madeira de conferas em geral e Pinus em particular, e geram produtos de valor agregado com tecnologia e qualidade, so atividades tradicionais mas que apresentam grande potencial de aprimoramento. Entre estas, pode-se apontar a madeira proveniente de florestas plantadas, especialmente de pinus, destinada indstria de mveis e de construo habitacional.



Madeira para mveis



A indstria moveleira, em especial a que produz mveis seriados, se caracteriza por alta velocidade e grandes volumes de produo; estas caractersticas garantem sua competitividade. Para tal, a indstria requer matrias-primas com propriedades uniformes, especialmente densidade, cor e propriedades que afetam a produo, tais como trabalhabilidade, colagem, e facilidade de acabamento com tintas e vernizes. Outras caractersticas que so requeridas so o suprimento constante a preos aceitveis. Estas qualidades podem ser encontradas principalmente nas madeiras provenientes de reflorestamento pinus e eucalipto mas tambm em madeiras nativas e nos painis base de madeira.

Conforme informaes recentes, a produo brasileira de madeira serrada tem variado pouco, totalizando cerca de de 20 milhes m por ano nos ltimos seis anos, sendo 22 milhes m produzidos em 2002. O consumo aparente de cerca de 19,7 milhes m e destes, estima-se que aproximadamente 3,5 milhes m de madeira serrada (15%) so destinados s indstrias de mveis, com cerca de um tero deste volume tendo origem em florestas plantadas, especialmente de pinus. O restande da produo, composto de madeira serrada de espcies nativas, com uma pequena mas crescente contribuio da madeira de eucalipto.

Assim, do volume de madeira slida utilizado pelo setor moveleiro, especialmente na fabricao de mveis destinados exportao, cerca de 1,2 milhes de m/ano so de madeira de caractersticas uniformes e mnimos defeitos, principalmente pinus.

O suprimento de madeiras nativas varia em funo da disponibilidade ou escassez das espcies em demanda, resultando em oscilaes de preo. Neste cenrio d-se a introduo de madeiras alternativas, geralmente menos-conhecidas, substituindo as espcies tradicionais e garantindo o suprimento ao mercado.

J o sub-setor de produo de mveis de madeira slida de florestas plantadas, especialmente destinados ao mercado de exportao, enfrenta uma escassez de madeira de pinus em idade e dimenses para uso em serraria e mveis. Estudos recentes estimam que j em 2003, tenha havido um dficit aprecivel de toras de pinus, de volumes da ordem de 11,3 milhes m. Este dficit deste poder crescer rapidamente, chegando a mais de 27 milhes m por volta de 2020 (ITTO, 2004). O problema no suprimento de madeira tem afetado o setor - nos ltimos 12 meses, os preos das toras de Pinus aumentaram em cerca de 40% enquanto no mesmo perodo a taxa de inflao cresceu 10%.

Como soluo temporria ao problema de suprimento de madeira, algumas empresas esto importando madeira de outros pases-membros do Mercosul, principalmente Uruguai e Argentina. Uma soluo mais definitiva passa pela necessidade de plantio anual de 600.000 hectares de florestas, pelos prximos 10 anos. (MMA, 2004)

Como h incerteza da disponibilidade de madeira de pinus para a indstria de mveis, verifica-se no mercado alguma disponibilidade de eucalipto serrado, de boa qualidade, a preos relativamente competitivos. Em alguns polos moveleiros, uma certa substituio j verificada, como em Colatina (ES), Ub (MG) e Arapongas (PR), que esto substituindo as madeiras nativas, seja por escassez, preo ou presso de agncias ambientais.



Madeira para construo habitacional



Tanto na regio sudeste como na regio sul do Brasil, a madeira usada na construo habitacional, especialmente em estruturas de telhado, concentra-se em 10 a 12 espcies tradicionais. A escassez crescente destas madeiras e o seu alto preo provocam sua substituio por outras madeiras, mais abundantes e disponveis a preos competitivos.

A demanda de madeiras como material de construo aumenta com a expanso do setor, no s nos usos tradicionais (estruturas, pisos e esquadrias), mas tambm como material principal, tendo o seu uso aumentado em paredes externas e divisrias. Isto visvel tanto nos centros urbanos como tambm nos condomnios rurais. Esta expanso tem requerido matrias-primas de caractersticas uniformes, de amplo suprimento e baixo custo, caractersticas encontradas principalmente em madeiras de florestas plantadas, homogneas e de rpido crescimento.

Usando-se critrios de seleo parmetros como densidade e resistncia mecnica, um nmero crescente de madeiras, tanto nativas como de florestas plantadas se prestam construo, seja como tbuas, vigas, caibros ou ripas. As madeiras de pinus e eucalipto, na forma de vigas laminadas e coladas, tm sido usadas de forma crescente na construo de edifcios multiuso, com estruturas leves, para diversos usos. Com mtodos construtivos modernos, tm-se usado painis pr-fabricados, com montagem rpida no local de construo, e acabamentos modernos, como gesso acartonado, de rpida instalao, de crescente aceitao no mercado.

Outros nichos, mais especficos, podem ser encontrados na rea estrutural, que pode absorver madeiras de menor ou maior densidade e resistncia mecnica, para estruturas de prticos leves, trelias, vigas laminadas e coladas, compostas com painis compensados, componentes estruturais e outros.



Madeira compensada



A produo anual de compensados no Brasil da ordem de 2,6 milhes m. Isto significa cerca de 4,5% do total mundial, sendo a maior proporo destinada exportao. Deste total, aproximadamente 40% so produzidos com madeira tropical, e os outros 60%, com madeira de reflorestamento das regies Sul e Sudeste, principalmente pinus.

Segundo a mesma fonte, as exportaes de compensados tm crescido em mdia 16% ao ano desde 1990. O volume exportado em 2002 alcanou cerca de 1,8 milho m - dos quais 1,06 milhes m de pinus - sendo o Reino Unido, os EUA, a Blgica e a Alemanha, os principais importadores do produto. Os dois mercados primeiros absorveram 46% das exportaes de compensado de pinus em 2002, com preos entre US$150 e 250/m.

Compensados de madeira tropical exportados alcanam a faixa dos 700 mil m por ano. Os ltimos quatro anos mostram um crescimento significativo dos volumes de exportao, bem como os preos mdios do produto. Os principais mercados importadores dos compensados de madeira tropical so os EUA e o Reino Unido, que absorveram 61% do compensado de madeira tropical exportado pelo Brasil em 2002.

O consumo nacional de compensados de cerca de 880 mil m, destinados fabricao de mveis (45%) e embalagens (17%). No mercado interno os compensados so principalmente de madeira tropical embora o compensado tipo "combi" (face de madeira tropical e miolo de pinus) tenha importncia, principalmente no setor moveleiro. A produo de compensados, seja para a exportao ou consumo interno, especialmente promissora para as madeiras de reflorestamento, principalmente o pinus.



Compensados de pinus



Buscando agregar qualidade e valor ao seu produto, os produtores brasileiros de compensados implementaram o PNQM - Programa Nacional de Qualidade da Madeira, e para manter os mercados europeus, esto envidando esforos para atender aos requisitos dos importadores da Comunidade Europia (CE), adequando-se aos requisitos de uma marca de conformidade. As especificaes da CE Marking (BM TRADA Certification Ltd) j esto sendo aplicadas aos compensados brasileiros de pinus para exportao queles mercados. A conformidade aos padres requeridos pela CE Marking est sendo verificada por meio de ensaios em diversos Laboratrios, ligados a Institutos de Pesquisas e Universidades.

As exportaes de compensados brasileiros de pinus somente no perodo de janeiro a junho de 2004 totalizaram US$ 267 milhes, representando um aumento de 94% em relao ao mesmo perodo de 2003 (US$ 137 milhes). Com estas taxas de crescimento, pode-se estimar que as exportaes do ano de 2004 podero exceder US$ 500 milhes, um aumento de 55% referente ao ano de 2003 (ITTO, 2004).

Em termos de volume, estima-se que as exportaes de compensados de pinus em 2004 possam alcanar 2,5 milhes de m, com um crescimento de 1 milho de m em relao a 2003. Este aumento das exportaes pode ser atribudo principalmente ao crescimento no setor da construo habitacional que se verifica atualmente no mercado residencial norteamericano, que absorveu compensados brasileiros de pinus no valor de US$ 150 milhes.

Segundo a mesma fonte, para o mercado europeu, onde a CE Marking tornou-se obrigatria desde abril de 2004, as exportaes dos compensados de pinus oriundos do Brasil tambm cresceram significativamente na primeira metade de 2004, alcanando um total de US$ 106 milhes.



Produtos de maior valor agregado



A produo de madeira serrada e seu beneficiamento um setor que apresenta as maiores possibilidades de agregar valor aos produtos, especialmente aqueles destinados ao mercado de exportao. Entre estes, destacam-se os blocks & blanks, que so blocos de madeira de pequenas dimenses e sem defeitos, tais como ns e imperfeies visuais, de comercializao bastante recente, que surgiram no mercado quando se iniciaram as exportaes de pinus serrado, por volta de 1994/95. Embora no estejam definidos em normas tcnicas nacionais, so bastante conhecidos no mercado internacional, sendo sua comercializao basicamente para exportao. Destinam-se confeco de molduras, esquadrias, revestimentos, partes e peas aparentes de mveis, ou so vendidos diretamente aos consumidores, para usos do tipo "do-it-yourself" ou bricolagem. Os "blocks" podem ser emendados nos topos por meio de fingerjoint, formando peas mais longas, conhecidas como "blanks".

O mercado de exportao pode requerer peas homogneas e livres de defeitos. Os "blocks" so resultado do rebeneficiamento da madeira serrada, com ajuste de dimenses e eliminao de defeitos. Entre os defeitos proibitivos podem ser apontados os ns, medula, quaisquer variaes acentuadas de cor, empenamentos e rachaduras de qualquer tipo. A secagem em estufa, equalizada em 12% (base seca) de teor de umidade, condio requerida pelo mercado. As peas devem apresentar sobremedida para facilitar o seu ajuste s dimenses finais.

As especificaes dimensionais dos "blocks" so muito flexveis: espessuras entre 33 mm e 38 mm; larguras de 47 mm a 143 mm; e comprimentos acima de 150 mm. Isto resulta em grande rendimento da madeira, em cerca de 75% do volume total seco em estufa. Os "blocks" so produzidos principalmente de madeira clara e leve, e por esta razo o pinus preferido. Consultas feitas a fornecedores e compradores diversos j indicaram que existe no mercado a possibilidade de absoro tambm de "blocks" de eucalipto, leves e claros, desde uque haja uniformidade de cor e de densidade, alm da ausncia de defeitos.

A produo e exportao dos "blocks" est em expanso, j tendo sido alcanados valores de cerca de US$ 390/m (CIF) (Draffan, 2002). Os preos internacionais variam bastante, entre US$ 200 e US$ 300/m (FOB) verificados em 1999, e tambm o volume de exportao do produto tm apresentado oscilaes, mas sua aceitao pelo mercado encorajadora.



Outros produtos de valor agregado



A produo de madeira serrada e seu beneficiamento oferece grandes oportunidades de agregao de qualidade e valor a produtos, especialmente quando destinados ao mercado de exportao. Isto representa especialmente para as madeiras de reflorestamento, um conjunto de nichos de mercado, at agora pouco explorados.

Os mercados esto operando em crescimento para produtos confeccionados com pinus, de maior valor. Os boletins peridicos da ITTO (2004) apresentam frequentemente, valores praticados na exportao desses produtos, tais como as molduras, com preos variveis de US$ 150 a 296/m. Outros produtos so os painis do tipo blockboard exportados a US$ 330 a 340/m, os painis colados lateralmente (edge glued panels) de pinus, exportados a US$ 450 a 490/m (de eucalipto, alcanam valores de US$ 510 a 570/m; tbuas para cercas (fence boards), com preo mdio de US$ 175/m (CIF); decks (decking boards) de cambar a US$ 620/m e de ip a US$ 885/m ; e portas, a cerca de US$ 30/unidade, alm de janelas e esquadrias, vigas laminadas e outros produtos.



Madeira em Pases Selecionados



Os pases que dispem de amplos recursos florestais e que j atingiram um maior grau de desenvolvimento tm nos produtos de madeira com valor agregado um dos principais componentes de suas pautas de exportao. Tais pases apresentam uma gama de produtos incorporando diferentes nveis de tecnologia e de valor agregado, que merecem uma anlise ainda que superficial, pois podem indicar que tipos de produtos poderiam ser ofertados pelo Brasil ao mercado internacional, agregando diversidade e qualidade produo do setor florestal-madeireiro deste pas.



Canad: desenvolvimento de PVA



A indstria de produtos de maior valor agregado na Columbia Britnica um segmento industrial que apresenta rpido crescimento, sendo muito importante para a economia daquela provncia do oeste do Canad. Os produtos incluem:

componentes engenheirados para construo (vigas laminadas, tesouras, vigas I, madeira classificada por resistncia, etc);

produtos remanufaturados (tbuas para cercas, etc);

componentes beneficiados e produtos pr-acabados para construo (portas, janelas, torneados, etc);

armrios/gabinetes acabados e semi-acabados (cozinha, banheiro, portas, tampos, etc);

mveis e partes destes (domsticos, desmontados, comerciais e institucionais, jardim, etc);

pletes e contineres; e

estruturas pr-fabricadas e outros.

Um levantamento recente conduzido pelo governo da provncia registrou cerca de 750 indstrias envolvidas no processamento secundrio da madeira, com 20.200 empregos diretos e faturamento de US$ 4,68 milhes em 1999-2000. Destas empresas, 73% exportavam aos Estados Unidos e 43% ao Japo.

Para garantir sua competitividade, o Canad oferece ao setor dos produtos de madeira de valor agregado, um Programa de Pesquisa para o Desenvolvimento de Produtos de Madeira de Maior Valor Agregado. Este programa abrange todos os aspectos da cadeia produtiva, desde o fornecimento da matria-prima, seu beneficiamento e manufatura, at a fase de acesso ao mercado. As fases deste programa so:

desenvolvimento do produto, visando melhorar os produtos quanto ao seu desenho esttico e estrutural, combinando os requisitos do cliente e do uso com os atributos da madeira; desenvolvimento de produtos a partir de resduos de explorao e de processamento da madeira, e compsitos a base de madeira;

avaliao da madeira de diferentes espcies visando identificar oportunidades de fabricao de produtos de maior valor, com base na disponibilidade dos recursos florestais da rea e nos atributos de cada espcie;

otimizao dos processos de produo e manufatura, visando a melhoria da produtividade e da qualidade do produto final; e

estudo do potencial de mercado, visando identificar as vantagens competitivas dos produtos e facilitar sua introduo no mercado internacional.

Este programa oferece, com o trabalho de especialistas, transferncia de tecnologia, incluindo a soluo de problemas em planta e apoio tcnico em relao matria-prima, maquinrio, manufatura e processo, bem como nas normas de desempenho de produto.



Finlndia: a cadeia produtiva



A madeira e seus produtos so o principal item na pauta de exportaes da Finlndia e desta forma, merecem tratamento e cuidados para garantir sua competitividade internacional.

O Programa Tecnolgico de Valor Agregado Cadeia Produtiva da Madeira das agncias finlandesas estimula a indstria local a transformar a matria-prima em produtos de madeira com ampla demanda mundial, especialmente aqueles com alto grau de agregao de tecnologia.

Como os pases da Escandinvia e do norte da Europa concentram 80% do consumo de madeira slida na construo civil, assim como seus parceiros significativos da Comunidade Europia e o Japo, as indstrias finlandesas tm seu foco em produtos que incluem componentes de madeira laminada para construo, madeira com tratamento trmico a altas temperaturas, laminados especiais e componentes para a indstria moveleira.

Os painis e vigas de madeira laminada e colada so utilizados em todo tipo de estrutura, em edificaes ou na construo de pontes rodovirias, mesmo nas estradas principais.

A madeira tratada termicamente, com maior estabilidade dimensional e durabilidade, usada em janelas e esquadrias externas, paredes externas e mobilirio de jardim. Estes usos que requerem madeira com baixo teor de umidade e grande resistncia intemprie, sendo de grande importncia para o mercado local. Este tipo de tratamento tem sido solicitado medida em que se verificam resistncias ao uso de madeira tratada com produtos qumicos, devido aos potenciais impactos ambientais.



Nova Zelndia: aumento das exportaes



O pas busca aumentar o processamento de madeira de conferas, visto que os suprimentos de matria-prima so suficientes para garantir um aumento de 360% nas exportaes de produtos florestais.

A Nova Zelndia produz hoje uma gama de produtos florestais processados (cadeia de valor) que abrange, excluindo celulose e papel:

blocos de madeira serrada e postes tratados;

chapas de fibras, compensados, laminados e aglomerados;

mveis de madeira e partes destes;

produtos engenheirados, como vigas laminadas e LVL; e

moldurados com fingerjoint e painis colados lateralmente.



Com um cenrio de grande aumento nas exportaes, o Ministrio de Agricultura e Florestas daquele pas estima que para processar os volumes de madeira produzidos e manter o mix atual de produtos, o investimento de NZ$ 6,5 bilhes em novas plantas de processamento, incluindo 100 serrarias de porte mdio, 90 unidades de remanufatura e 20 fbricas de painis de madeira.

Adicionalmente, espera-se que o setor:

identifique novos produtos base de madeira e suas respectivas tecnologias de produo;

mantenha a competitividade em custos nos mercados internacionais; e

supere as barreiras tarifrias e no-tarifrias e consiga penetrar novos mercados.

O desenvolvimento de novos produtos e o aprimoramento das tecnologias associadas so concentrados no Pinus radiata, base do recurso florestal do pas. Com base neste recurso so melhoradas as tcnicas de processamento, visando aumentar as produtividades e reduzir os custos: guias a laser, escaneamento de toras e softwares ligados melhor classificao das peas resultantes tm melhorado rendimentos, qualidade do produto e simplificado o controle de processo.

A base deste desenvolvimento na Nova Zelndia que novas idias e tecnologias, processos eficientes, boa capacitao e bom marketing so imprescindveis para a indstria de base florestal atingir suas metas.



Desafios em tempos de escassez



O setor florestal do Brasil tem se mostrado amplamente capaz de suprir as necessidades das indstrias de base florestal. Isto se deu com a ampliao da base de oferta de matria-prima por meio da implantao de florestas de rpido crescimento e o seu manejo inteligente, com o aperfeioamento dos mtodos silviculturais, enfatizando a produo de madeira de melhor qualidade, com a introduo de prticas destinadas a aumentar a produtividade e a qualidade da madeira produzida, como por exemplo, os desbastes para maximizar o crescimento em dimetro, e a desrama dos fustes para a reduo de ns e outros defeitos.

O desequilbrio entre a rea florestal necessria para fornecer a madeira requerida pela demanda industrial anual e a rea que efetivamente plantada anualmente no pas, tem gerado um dficit de 200 mil hectares por ano (MMA, 2004), responsvel pelo apago florestal.

As metas estabelecidas pelo MMA para Programa Nacional de Florestas (PNF) no perodo 2004 a 2007, prevem aes estratgicas destinadas a eliminar este dficit anual, entre o que plantado - 300 mil hectares/ano - e o que deveria ser cultivado 500 mil hectares/ano: o plantio de 200 mil ha/ano at 2007, em pequenas e mdias propriedades rurais e o plantio de 300 mil ha/ano em programas empresariais, alm da recuperao outros 50 mil ha/ano de reas degradadas.

Estas atividades sero financiadas pelo BNDES para as florestas plantadas, em programas tais como o PropFlora (MA/BNDES), para o pequeno e mdio produtor com crdito de at R$ 200 mil, e o Pronaf Florestal (MDA/BNDES),destinado ao produtor familiar com rea de plantio de 1 a 3 hectares.

A disponibilizao por parte das agncias governamentais de instrumentos e linhas de crdito dever ajudar a diminuir a escassez de florestas plantadas e como consequncia, de madeira como matria-prima industrial.

O temido apago florestal entretanto, faz-se sentir principalmente nas empresas que no dispem de fontes asseguradas de matria-prima, e que dependem de terceiros para o seu suprimento de matria-prima. As empresas verticalizadas, que possuem florestas prprias, suprindo a total ou parcialmente suas necessidades, aparentemente no se ressentem tanto de tal situao.

Em termos mundiais, os mercados para produtos de madeira esto crescendo, especialmente em relao aos produtos com valor agregado. Esta tendncia verificada especialmente nas madeiras de conferas e nos produtos derivados, e no caso dos pases em desenvolvimento, isto significa principalmente as madeiras originrias de plantaes florestais.

No maior importador mundial destes produtos - os Estados Unidos - a demanda por produtos de madeira com valor agregado cresceu em volume nos ltimos dez anos nas seguintes propores: 194% para componentes para a construo (builder's carpentry); 175% para moldurados de madeira de conferas (softwood moldings); e 134% para pisos de madeiras duras (hardwood flooring), sendo que os dois primeiros itens consistem basicamente de conferas.

O comrcio mundial destes produtos tambm encontra-se em crescimento, com visvel aumento de demanda e com isto, diversos pases em desenvolvimento tm conseguido expandir sua participao no comrcio internacional.





Marcio A.R. Nahuz, PhD - Diviso de Produtos Florestais IPT - mnahuz@ipt.br