MENU
Classificao
Conjuntura
Construo
Construo
Densidade
Desdobro
Doenas
Ecossistema
Editorial
Espcies
Incndios
Manejo
Melhoramento gentico
Mercado
Mercado - Brasil
Monitoramento
Nutrio
Nutrientes
Painis
Postes
Pragas
Pragas
Preservao
Produo
Propriedades
Propriedades
Resduos
Resduos
Resinas
Secagem
Silvicultura
Transporte
Viveiro florestal
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°83 - AGOSTO DE 2004

Conjuntura

O papel das florestas para o desenvolvimento da sociedade brasileira

O setor florestal brasileiro tem como funo induzir o desenvolvimento scio econmico do pas, e contribuir para a manuteno de um alto nvel da biodiversidade e de equilbrio ambiental. Estudos indicam que podem ser especificadas vrias funes do setor de base florestal, como as que seguem:

* funo indutora para o desenvolvimento econmico: para o cumprimento desta funo, de pleno reconhecimento que o manejo e a utilizao correta das florestas brasileiras contribuem para o desenvolvimento econmico do nosso pas. A atividade de base florestal ser realmente indutora de desenvolvimento se, alm de gerar produtos slidos para a construo civil e movelaria, fibras para papis e embalagens, produtos qumicos, alimentcios e energticos, esses bens e servios forem produzidos de forma sustentvel e com o menor impacto possvel sobre o ambiente.

* funo estimuladora do desenvolvimento social: envolve questes complexas e bastante carentes de recursos financeiros e humanos. So temas de grande relevncia e diversidade regional, envolvendo pequenas propriedades, extrativistas, e comunidades dependentes de sistemas naturais.

Alm destes aspectos mais evidentes, so tambm temas sociais o aumento da produtividade do trabalhador florestal, o treinamento para maior mobilidade e ascenso profissional, a educao ambiental para a promoo de uma conscincia conservacionista e voltada para o uso racional dos recursos escassos e substituio de fontes no renovveis, energia e matria-prima;

* funo contributiva para a manuteno da biodiversidade e do equilbrio ambiental:esta funo existe principalmente se atividades de pesquisa e investigao cientfica forem mantidas pela sociedade. A criao de reservas e reas de preservao, com embasamento em planos de zoneamento ecolgico-econmico demandam grande esforo de pesquisa e, maior ainda, ser o esforo requerido quando forem implantadas as aes de monitoramento que essas reas de proteo exigiro.

A base florestal brasileira contempla florestas naturais e plantadas. Da rea total do territrio nacional, cerca de 66% so cobertos por florestas naturais, 0,5% por florestas plantadas e o restante (33,5%) por outros usos, tais como: agricultura, pecuria, reas urbanas e infra-estrutura, dentre outros.

A composio da floresta natural dada pelas florestas densas, florestas abertas e outras formas de vegetao natural.

de pleno conhecimento que por apresentar um melhor potencial econmico, as florestas densas so as mais utilizadas pelas indstrias de processamento mecnico.

Informes tcnicos indicam que estima-se que as florestas densas totalizam 412 milhes de hectares. Entretanto, desse total, somente 245 milhes de hectares so considerados efetivamente disponveis. As reas restantes so compostas por florestas de domnio pblico e de preservao permanente. Do total da rea efetivamente disponvel, cerca de 61% esto concentrados em apenas trs Estados da Regio Norte do Brasil (Amazonas, Par e Mato Grosso).

importante ressaltar, contudo, que a utilizao das matas nativas pela indstria madeireira dever ser efetivada somente quando observadas as recomendaes de manejo tecnicamente sustentvel e em observncia aos regulamentos ambientais vigentes.

Florestas plantadas

Em relao s reas plantadas, as principais espcies so do gnero Pinus e Eucalyptus. Entre as outras espcies plantadas encontram-se Accias, Teca e Araucria.

Atualmente o Brasil possui cerca de 4,7 milhes de hectares com plantios da espcie de Pinus e Eucalyptus. Desse total o Eucalyptus responde por cerca de 64% e o Pinus aproximadamente por 36%. A maior concentrao em termos de rea plantada est em Minas Gerais, seguida por So Paulo e Paran.

Os Estados que mais se destacam em reas plantadas de Pinus so o Paran, Santa Catarina, Bahia e So Paulo. Juntos esses Estados somam aproximadamente 73% do total plantado.

A concentrao de plantios nesses Estados decorrente da vocao destes, para a produo de papel e celulose e de produtos de madeira slida.

O Brasil oferece condies naturais favorveis para as plantaes de florestas, devido ao clima, existncia de extensas reas j desflorestadas, avanada tecnologia disponvel e mo de obra qualificada.

O pas conta com segmentos industriais altamente competitivos, em funo do rpido crescimento das plantaes florestais, que atingem produtividade cerca de 10 vezes superior observada em pases lderes do mercado internacional.

Enquanto as florestas plantadas da Finlndia alcanam rendimentos de 5 m3/ha/ano, as de Portugal alcanam 10 m3/ha/ano, as dos Estados Unidos 15 m3/ha/ano, as da frica do Sul 18 m3/ha/ano e as do Brasil, em mdia, 25 m3/ha/ano.

H que se ressaltar que empresas florestais j vem obtendo, em escala de produo, rendimentos equivalentes 40-50 m3/ha/ano, com perspectivas de que novos clones de espcies selecionadas, que esto sendo avaliadas pela pesquisa, tenham potencial para alcanar ganhos superiores a 90 m3/ha/ano

As plantaes florestais suprem de matria-prima extensa cadeia de produo, industrializao e comercializao de importncia estratgica economia brasileira, como celulose e papel, siderurgia a carvo vegetal, energia, painis, mveis e madeira slida.

As atividades oriundas de florestas plantadas pode se constituir em importante vetor para promover o desenvolvimento sustentvel do meio rural brasileiro.

Destaca-se, assim, a necessidade de se ampliar as bases cientficas, tecnolgicas e de inovao para que o Brasil possa manter e, principalmente, ampliar esta importante vantagem que decorre de sua base de recursos naturais (principalmente solo e clima) e dos avanos genticos e silviculturais e da indstria de transformao j alcanados.



Madeira Slida

O setor de base florestal vem, historicamente, apresentando um desempenho nico. A medida desse desempenho pode ser compreendida, quando observado o incremento da capacidade de transformao da matria-prima em produtos acabados, e as mudanas incorporadas aos processos, produtos, servios, mercados e principalmente, na rea de gesto. O alcance dessas mudanas e as repercusses experimentadas, por sua vez, causaram reaes na conjuntura econmica que podem ser classificadas como extremamente positivas para o pas.

O Estudo Setorial de Produtos de Madeira Slida apresenta que as atividades relacionadas aos produtos de madeira slida, os compensados e a madeira serrada e produtos de maior valor agregado, as molduras, blocks, blanks, painel colado lateralmente, pisos, portas e outros, tem contribudo com:

US$ 8 bilhes para a composio do PIB Brasileiro (equivalendo a 2% do seu total);

US$ 2,2 bilhes em exportaes (correspondendo a 4% das exportaes brasileiras);

US$ 2,1 bilhes de supervit comercial, que corresponde a 16% do supervit total brasileiro);

2,5 milhes de empregos em sua cadeia produtiva,

Papel e Celulose



de amplo reconhecimento que a indstria brasileira de celulose e papel, desde seu incio, caracterizou-se por realizar um esforo gigantesco para poder operar em condies de concorrer com os grandes produtores dos pases mais desenvolvidos, devido s caractersticas deste mercado, que sempre foi marcado pela competio internacional.

Nos ltimos anos esse esforo tem sido ainda maior, em funo da intensificao do processo de globalizao, tornando-se a industria de papel e celulose muito mais aberta s presses do comrcio e da concorrncia internacionais.

Este segmento tem realizado, de forma continuada, um imenso trabalho adicional de racionalizao, conseguindo alcanar enormes ganhos de produtividade. Alm disso, nas ltimas trs dcadas, o segmento aumentou sua produo a cada ano, em mdia, em mais de 7% para celulose e acima de 6% para papel; e continuou a avanar nos campos da tecnologia e dos cuidados ambientais, que tem assegurado a qualidade de classe mundial dos seus produtos.

As exportaes, que eram de pouco mais de US$ 1 bilho no incio da dcada de 90, ampliaram-se at agora em mais de 100%, alcanando em 2002 US$ 2,1 bilhes e geraram um saldo comercial positivo de US$ 1,5 bilho para o Pas. E para 2003 a meta foi de exportar US$ 3,1 bilhes, atingindo saldo em divisas de US$ 2,7 bilhes.

No ltimo decnio as empresas do segmento aplicaram US$ 12 bilhes na ampliao de sua capacidade. Esses investimentos tm sido, segundo o segmento, indispensveis tambm para que a indstria preserve e melhore as posies do Brasil de stimo produtor de celulose de todos os tipos e 11o fabricante de papel do mundo.

Paralelamente o segmento de papel e celulose continuou a se notabilizar pela responsabilidade social, dedicando aproximadamente US$ 1,5 bilho, a cada ano, ao pagamento de impostos, salrios e contribuies sociais, bem como aos investimentos em preservao, controle ambiental e na sade, alimentao, educao e desenvolvimento profissional de nossos trabalhadores e das comunidades em que atuamos.

Relatos de seus importantes dirigentes indicam que alm de atribuir ao segmento de papel e celulose elevada relevncia social, os seus investimentos:

- tm proporcionado ao Brasil uma posio industrial de realce global, que o situa em 11o lugar entre os fabricantes mundiais de papel e em 7a colocao como produtor de celulose;

- asseguram ao Pas essa honrosa posio, na linha de frente dos fabricantes mundiais, com a auto-sustentabilidade que caracteriza o segmento. A proteo ambiental industrial e florestal sempre mereceu intensa dedicao e seriedade das empresas que integram o segmento;

- as empresas do segmento se preocupam igualmente com a preservao e cultivo de florestas nativas, uma vez que utilizam, como matria prima para suas fbricas, exclusivamente eucaliptos e pinus plantados para esse fim que constituem recursos naturais e renovveis.

O segmento pretende construir, em parceria com o governo, uma poltica conjunta de ampliao das exportaes, ajudando nossos clientes a vender seus produtos no exterior com maior valor agregado. Este dirigente indica que ao se preparar para um novo ciclo de investimento, para o perodo 2003-2012, no valor de US$ 14,4 bilhes, a fim de ampliar sua atuao produtiva e assim poder aumentar as exportaes e criar novas oportunidades de trabalho, o segmento comemora o fato de estar em construtiva rota de convergncia com o novo governo brasileiro, sob a liderana do presidente Luis Incio Lula da Silva, cuja meta suprema a incluso social, mediante a criao de empregos e as indispensveis reformas da previdncia, tributria, trabalhista e poltica.

Em sntese, o segmento de papel e celulose indica os seguintes pontos mais relevantes:

- 100 mil empregos diretos nas industrias e florestas

- US$ 2,1 bilhes exportados em 2002, gerando saldo comercial de US$ 1,5 bilho

- US$ 2,7 bilhes de exportao em 2003, gerando saldo comercial de US$ 2 bilhes

- R$ 1,7 bilho em impostos pagos em 2003;

- 9 milhes de toneladas de celulose produzidas por ano (7o. do mundo)

- 7,9 milhes de toneladas de papel produzidas por ano (11o. do mundo)

- Utiliza exclusivamente madeira de florestas plantadas (eucalipto e pinus)

1,5 milho de hectares de florestas plantadas em 11 estados e 394 municpios;

1,5 milho de florestas nativas preservadas e cultivadas/

3 milho de toneladas de papel recicladas anualmente,

- US$ 1,5 bilho com pagamento de impostos, salrios e contribuies sociais, bem como aos investimentos em preservao, controle ambiental e na sade, alimentao, educao e desenvolvimento profissional de seus trabalhadores e das comunidades em que atuam.

Setor de base florestal

Os principais indicadores do setor de base florestal do Brasil contemplam:

Com base nestes indicadores verifica-se a relevncia do setor de base florestal no desenvolvimento nacional. A importncia do setor supera os limites de contribuio para o crescimento da economia brasileira, proporcionando benefcios sociais, principalmente via gerao de empregos, assim como, ambientais, por intermdio da utilizao sustentvel dos recursos renovveis florestais.

Igualmente importante ressaltar que Floresta com tecnologia investimento econmico, promove a segurana social e alimentar, apoia as aes de conservao do meio ambiente e promove a sustentabilidade do agronegcio brasileiro.

Estudos de vrios especialistas de vrias partes do mundo indicam que em virtude de vrios fatores de natureza social, econmica e ambiental, as funes produtivas das florestas tm assumido cada vez maior importncia, devido principalmente ao fato de recursos naturais estarem se tornando cada vez mais escassos, e, tambm o crescimento demogrfico provocar o aumento do consumo de bens, servios e produtos de origem florestal.

As florestas fornecem matria prima para a indstria de um modo geral assim como so recursos importantes na proteo e conservao dos recursos hdricos, manuteno de biodiversidade biolgica, conservao do solo, entre outras funes.

Ao contrrio de outros setores agro-industriais, que exportam seus produtos principalmente na forma de commodities agrcolas, o setor brasileiro de florestas de produo, notadamente as representadas pelas florestas de espcies de rpido crescimento, impulsiona cadeias produtivas que agregam valor aos produtos e trazem reflexos importantssimos para a economia do pas.

A conduo de planos de desenvolvimento para a ampliao da base florestal de espcies de rpido crescimento, implementados com a adequada segurana tcnica e observadas as condicionantes ambientais, servem para atenuar as presses sobre as florestas nativas assim como para a sustentabilildade dos empreendimentos industriais (de madeira slida, papel e celulose, resinagem, movelaria, entre outros) to importantes para o crescimento scio-econmico do pas, e para a ampliao da conservao biolgica e dos recursos naturais em nosso pas.

Vitor Afonso Hoeflich - Pesquisador da Embrapa Florestas, Professor da Universidade Federal do Paran