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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°82 - JULHO DE 2004

Incndios

Queimada requer preveno e controle

As causas mais freqentes dos incndios florestais so as prticas agropastoris, resultantes da queima para limpeza de terrenos para fins florestais, agrcolas ou pecurios. Outra das causas o pastoreio, ou seja, o uso milenar do fogo para renovao de pastagens e para o controle fitossanitrio de pragas e ervas daninhas. Independente do objetivo, estas prticas, sem as devidas precaues, tm sido responsvel por incndios florestais, muitas vezes incontrolveis, em vrias partes do mundo.

Ao realizar uma queimada preciso considerar que o fogo afeta diretamente: a vegetao, o ar, o solo, a gua, a vida silvestre, a sade pblica e a economia. Este tipo de procedimento s deve ser utilizado quando no restar outra alternativa. Ao optar pela queimada imprescindvel fazer um planejamento escolhendo o tipo mais adequando para o terreno a ser limpo. Tambm necessrio tomar todas as medidas para garantir que esta queima no vai se transformar em um incndio.

Os incndios florestais constituem um dos fatores mais importantes na reduo de bosques e florestas no mundo, acarretando: destruio da cobertura vegetal; destruio de hmus e morte de microorganismos; destruio da fauna silvestre, especialmente animais jovens; aumento de pragas no meio ambiente; eliminao de sementes em estado de lactncia; debilitao de rvores jovens suscetveis a pragas e doenas; perda de nutrientes do solo ressecamento do solo; destruio de belezas cnicas naturais; acelerao do processo de eroso assoreamento de rios, lagos e lagoas.

Principais conseqncias dos Incndios Florestais para o Solo (perda de macro e micronutrientes por queimadas em kg/ha)

possvel diferenciar trs tipos de incndios florestais: incndios de superfcie, incndios de copa e Incndios subterrneos. Os de superfcie so caracterizados pela queima da vegetao morta e rasteira, como as herbceas; da camada de folhas, galhos e outros, que se misturam com a terra que cobre o solo da mata (serrapilheiras), bem como dos troncos e, especialmente, de material que tenha sofrido decomposio (hmus).

Estes incndios no causam danos significativos em rvores de grande porte, porm so extremamente prejudiciais s vegetaes rasteiras e plantas jovens, principalmente para sua regenerao. Ocorrem em vegetaes variadas e so caractersticos do Brasil e dos pases da Amrica Latina.

Os incndios de copa so aqueles que se desenvolvem nas copas das rvores, onde a velocidade e a intensidade do fogo so maiores e mais rpidas, devido grande circulao do vento nessas reas. Ocorrem com maior freqncia nas florestas de conferas e pinares da Amrica do Norte e Europa.

Por causa de sua rpida propagao, so os incndios que mais causam danos vida humana e silvestre bem como s construes rurais e campestres nesses pases.

Os incndios subterrneos se propagam debaixo da superfcie terrestre, alimentados por matria orgnica seca, razes e turfas _ matrias finas, bem compactadas, de combusto lenta e contnua. Ao contrrio dos anteriores que se multiplicam com maior rapidez devido presena de maior quantidade de oxignio na combusto do material, este tipo de incndio se espalha lentamente.

Os incndios florestais se comportam de acordo com o ambiente em que se desenvolvem. O nmero de fatores externos que influem no comportamento do fogo to grande que impossvel predizer com preciso o que suceder quando se inicia um fogo. Para melhor compreend-los, pode-se classific-los em trs grupos: os combustveis florestais, os fatores climticos e as caractersticas topogrficas.

Os combustveis florestais so materiais disponveis no meio ambiente que podem entrar em ignio e queimar. Quanto mais seco estiver o combustvel florestal, maior a possibilidade de ele queimar mais rpido. Quanto maior a quantidade de material combustvel sendo queimado, maior ser a quantidade de calor desprendido. Quanto mais calor for sendo desprendido, mais se propagar e estender o incndio. Alguns combustveis florestais queimam melhor do que outros porque contm ceras e leos inflamveis. A dimenso e a disposio dos combustveis florestais tambm influenciam no comportamento do fogo.

Os fatores climticos tambm so determinantes do comportamento do fogo. Quanto mais forte for o vento, mais rpido o fogo se propagar. O ar seco e a alta temperatura fazem com que os combustveis florestais sequem mais rapidamente, favorecendo sua ignio, ativao e posterior combusto. Os materiais combustveis pr-aquecidos pelo sol queimam-se com maior facilidade do que aqueles que esto frios. A temperatura do solo tambm aumenta a corrente de ar que, aquecida pelo sol, seca o material combustvel, fazendo com que ele se queime mais facilmente. Quanto mais forte for o vento, mais rpido o fogo se propagar.

Com relao umidade os materiais combustveis so afetados tambm pela quantidade de vapor de gua encontrada no ar, pois eles absorvem a umidade existente no ar. Como o ar, geralmente, mais seco durante o dia, mais fcil controlar um grande incndio durante a noite, quando os materiais combustveis tonam-se midos, dificultando a propagao do fogo.

A ausncia de chuvas talvez o fator climtico que mais influi sobre a ocorrncia de incndios florestais porque o ar torna-se mais rarefeito, fazendo com que a vegetao constitua-se no principal material combustvel.

A forma e velocidade de propagao de um incndio florestal so controladas pelo vento. O material combustvel seco queima mais facilmente e com mais fora ao soprar do vento, levando as chamas ou labaredas a passarem de um material combustvel para outro e, assim sucessivamente, transformando-se em um incndio de grandes propores e de difcil controle.

As caractersticas topogrficas so, tambm, fatores decisivos no comportamento do fogo. As caractersticas do terreno onde ele ocorre, ou seja, aquelas relativas superfcie terrestre, em particular posio e configurao das colinas, montanhas, planos, vales, rios e lagos. Deste modo, as barreiras naturais, como rios, crregos, caminhos, terrenos pedregosos impedem e/ou dificultam a propagao do fogo.



Planejamento

O planejamento contra incndios florestais requer a aplicao de tticas variadas e a utilizao de equipes completas com formao pessoal distinta e especfica, e com funes diferentes, formando um todo com um s objetivo. Neste sentido, necessrio preparar as florestas, campos e pastagens com aceiros e outros obstculos contra incndios e instalar sistemas de deteco e comunicao que permitam atacar e extinguir rapidamente o fogo.

ecologicamente correto mesclar espcies vegetais resistentes ao fogo, para dificultar o avano dos incndios; quando possvel, plantar espcies vegetais que tm a capacidade de armazenar gua ou que vivem em lugares midos, como as higrfilas, em reas limtrofes, favorecendo a formao de aceiros naturais, pois essas espcies aumentam a umidade relativa do ar.

Tambm recomendado construir torres de observao em pontos estratgicos, especialmente nas unidades de conservao. preciso desenvolver trabalho educativo para sensibilizar e esclarecer a comunidade sobre a necessidade e importncia da preveno dos incndios florestais e divulgar, atravs dos meios de comunicao, informaes relativas aos perigos dos incndios florestais.

As atividades de preveno comeam com a construo de acessos livres, caminhos, picadas, pontes nas florestas, matas, serras, montanhas para facilitar a segurana e penetrao de brigadas nas reas de ocorrncia dos incndios.

Para a comunicao, deteco, realizao dos primeiros ataques do fogo necessria a construo de cabanas, de barracas e de abrigos, em pontos estratgicos, com equipamentos teis e ferramentas imprescindveis a essas atividades.

Alm disto, a construo de torres de observao em pontos estratgicos permite o mximo de visibilidade ao observador na identificao dos focos de incndios e na comunicao destes ao chefe da equipe. Nas reas de alto risco de incndios, essencial, como medida de preveno, que as autoridades competentes supervisionem as queimas realizadas pelos agricultores.

Por sua vez, o produtor, que pretender fazer queima controlada, necessita preparar o terreno (fazendo aceiros ou corta-fogo) adequadamente, eliminando todo e qualquer material combustvel, como gramneas, herbceas e restos de cultura. importante, ainda, evitar a queima de grandes reas (acima de 10 hectares) ao mesmo tempo para impedir a passagem de fascas sobre os aceiros para outras reas.

Em reas mecanizadas, o uso de mquinas pesadas para fazer aceiros, retirando o material combustvel inflamvel aconselhvel para no permitir que o fogo alcance outras reas.



Queimadas controladas

a aplicao controlada de fogo na vegetao natural ou plantada sob determinadas condies ambientais que permitam ao fogo manter-se confinado em uma determinada rea e ao mesmo tempo produzir uma intensidade de calor e velocidade de espalhamento desejveis aos objetivos de manejo. Existem diversas formas de queima controlada, que podem ser utilizadas de acordo com o tipo de terreno.

A queimada central feita em terrenos planos, colocando fogo em vrios pontos do centro da rea, em forma de crculos. Deste modo, a fora do fogo ser maior na parte central do terreno e facilitar o trabalho do pessoal envolvido nesta tarefa. Na queimada em faixa a favor do vento coloca-se fogo contra o vento, partir da base do aceiro.

A queimada contra o vento a mais comum. O fogo inicia numa extremidade do terreno, de modo que queime ladeira abaixo ou contra o vento. J, nas queimadas em faixas horizontais o fogo colocado contra o vento, a partir da base do aceiro e, em seguida, a favor do vento. Quando a queima feita em faixas verticais o fogo ateado contra o vento, a partir do aceiro-base. Depois inicia-se o fogo a favor do vento, lado a lado com a inclinao do terreno.

A queimada em vegetao dispersa comea com o fogo contra o vento, lentamente, sempre partindo da base do aceiro. Um outro tipo de queima, feito em faixas com fogo contra o vento uma maneira fcil e segura de se limpar terrenos, porm importante observar bem a estabilidade e direo do vento.

Na queimada por pontos o fogo posto contra o vento a partir do aceiro-base. A vantagem de que nenhum fogo vai ser grande nem difcil de se controlar.

Nas queimadas em cunho a favor do vento o fogo colocado, ao mesmo tempo, em vrios pontos da borda do terreno, sempre a partir do aceiro-base. Esta prtica recomendada somente para vegetao leve.

Para realizar uma queima controlada ou prescrita fundamental fazer um estudo prvio para conhecimento das condies ideais para a sua realizao. Tambm fundamental a verificao dos seguintes itens: rea a ser queimada; tipo de vegetao; temperatura local; umidade do ar; pessoal disponvel; queimar, antecipadamente, as acumulaes de materiais combustveis (lenhosos) na linha de controle do fogo; no abandonar rea incendiada at a completa extino do fogo.

A partir de 1990, o PREVFOGO - Sistema Nacional de Preveno e Combate aos Incndios Florestais e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais -INPE, implantaram o monitoramento e controle dos incndios florestais no Brasil.

Utilizando dados dirios coletados pelo INPE, por meio dos satlites NOAA, Land-Sat, Spot. O PREVFOGO monitora o pas durante todo o ano e, mais intensamente, nos meses de junho a outubro, perodo de maior ocorrncia de incndios florestais.

Os dados fornecidos indicam a localizao e a intensidade com que ocorrem os focos de calor e possibilitam uma viso geral do pas, identificando as reas de maior incidncia.

Em 1991, foi estabelecido um acordo de cooperao tcnica internacional entre o IBAMA e o Servio Florestal Americano para intercmbio tcnico-cientfico, que se tem mostrado um importante instrumento para o desenvolvimento de aes relativas aos incndios florestais e queimadas no pas.

Anualmente, o Brasil recebe uma misso de tcnicos e pesquisadores norte-americanos que, em conjunto com tcnicos e cientistas brasileiros de diversas instituies (IBGE, INMEAT, USP, UNB e outras) realizam trabalho de anlises das condies atmosfricas nas reas de concentrao de queimadas e incndios florestais, e pesquisas de novas tecnologias para preveno e preservao ambiental.

Fonte:Romildo Gonalves da Silva - Ibama