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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°82 - JULHO DE 2004

Preservao

Madeira preservada boa alternativa para a construo

O crescimento demogrfico nacional pressiona a indstria da construo. crescente a demanda por moradias e tecnologias modernas de pr-fabricados, onde a madeira preservada tem papel relevante, apresentando as respostas de melhor custo/benefcio aos desafios de um futuro que bate nossa porta.

Construes tradicionais em alvenaria tendem a perder a corrida para a crescente demanda de um Pas como o Brasil, em construo acelerada e forte demanda por moradias. Hoje, o dficit habitacional nacional da ordem de 6,6 milhes de moradias, segundo dados da Fundao Joo Pinheiro, referentes ao ano 2000. No s o crescimento populacional, mas tambm os deslocamentos e reassentamentos humanos em funo de trabalho, busca de melhor qualidade de vida, entre outros aspectos, pressionam constantemente por novas moradias. Essa demanda impulsiona a indstria da construo civil em busca de respostas mais rpidas, racionais e tecnologicamente confiveis.

Neste ponto, a construo industrializada tambm chamada construo seca tem pela frente um importante papel um desafio de bom tamanho. Se industrializao a melhor resposta para a construo de moradias, madeira preservada est seguramente entre as melhores respostas para essa indstria. Painis e montantes, estruturas de cobertura, assoalhos, batentes, portas e janelas, entre outros componentes, tm na madeira preservada uma alternativa de excelente desempenho, durvel e competitiva, alm de ecologicamente correta. Alm de um depsito eficiente de carbono seqestrado da atmosfera o vilo do chamado efeito estufa constitui um ativo patrimonial de alto valor agregado.

A demanda de madeira, particularmente a preservada, tem uma curva ascendente nas prximas dcadas no s no Brasil, mas em diversos pases praticamente em todos os continentes. Certamente este um fenmeno mundial e irreversvel, pelo simples fato da madeira cultivada ser o nico material construtivo disponvel em larga escala e que 100% renovvel em ciclo curto.

Estudos demogrficos para prospeco de mercados tm relevncia crescente nas economias modernas. Permitem detectar tendncias da demanda por produtos e servios da populao economicamente ativa, em sua dinmica constante em busca de oportunidades. No mercado norte-americano, o cruzamento dos dados de estudos demogrfico com os da construo forneceram pistas muito interessantes. Foi possvel, por exemplo, detectar o aporte de recursos das populaes de origem latina, que fizeram poupana e em determinado momento aplicaram esses recursos na aquisio da casa prpria.

A demanda por habitao dispensa maiores apresentaes. Para que se tenha uma idia, dados referentes aos Estados Unidos indicam que em 2001, somente na construo de unidades residenciais unifamiliares, foram consumidos 45 milhes de metros cbicos de madeira serrada. Na construo de unidades multifamiliares foram outros 4 milhes de metros cbicos, o que d a medida de que unidades unifamiliares predominam por larga margem. Deste total de 49 milhes de metros cbicos de madeira serrada consumidos anualmente pelo setor da construo, 13 milhes de metros cbicos, ou 26%, so de madeira tratada. No Brasil, o consumo anual de madeira serrada da ordem de 23,5 milhes de metros cbicos, dos quais 6,7 milhes de metros cbicos, ou 28,5%, vo para a construo civil. Apenas 75 mil metros cbicos, que correspondem a 1,1% do total, so madeiras tratadas industrialmente.

Os dois retratos mostram realidades muito distintas, embora em pases com igualmente grandes potencialidades madeireiras. Nos Estados Unidos, a utilizao de madeira em larga escala beneficia amplamente os setores madeireiro e da construo civil.

No Brasil, alm da madeira ser utilizada em menor escala nas construes, a madeira preservada usada em escala ainda menor, tornando os sistemas construtivos menos competitivos tcnica, econmica e ambientalmente falando. Esta situao tem reflexos na qualidade, na durabilidade, na conscincia em relao ao material construtivo, na normatizao, na capacidade local de abastecimento industrial de madeira, entre outros aspectos.

Uma conta simples d a dimenso correta dos fatos. Hoje, o volume total de madeira utilizada em construes nos Estados Unidos sete vezes maior que no Brasil; em volume de madeira tratada, a distncia que nos separa salta para 170 vezes.

O perfil do mercado norte-americano est ancorado num fator muito importante, que a cultura madeireira local. Utilizam-se estruturas de madeira tratada para suportar painis de gesso acartonado, na moderna tecnologia da construo seca, vo ganhando espaos importantes e certamente irreversveis. O sistema construtivo inovador oferece, alm da segurana, durabilidade e conforto a custos substancialmente menores em relao aos da construo em alvenaria.

No Brasil, o sistema construtivo encontra-se numa fase importante de transio. A racionalidade do novo conceito de sistemas construtivos baseados em painis de madeira ou de gesso, que tem dcadas na Europa e Estados Unidos, tambm ganha espao no Pas. Est numa curva ascendente. Ele dispensa de vez atividades tradicionais como virar concreto na obra, assentar tijolos, quebra-quebra para instalaes eltricas e hidrulicas colocando um paradeiro, enfim, no ciclo do desperdcio.

De maneira geral, o sistema da construo seca, ou drywall, tem montantes de madeira preservada ou metlicos. O fechamento das paredes feito com painis de gesso acartonado ou madeira. O desenvolvimento de produtos adequados ao sistema construtivo base painel torna a montagem das instalaes eltricas e hidrulicas semelhante a brinquedos de montar. O servio fica mais fcil, limpo e rpido. Uma verdadeira revoluo no campo da construo civil est a caminho e no tem volta. Face enorme vocao florestal brasileira, essa revoluo dever ser duplamente favorvel tanto para nossa economia, quanto para nossa populao. Para aproveitar da melhor maneira nossas oportunidades, a ABPM defende a normatizao, a capacitao profissional em todos os nveis, a capacitao da indstria, uma legislao abrangente, um programa de estmulo ao reflorestamento, a mudana de padres culturais e investimento em comunicao e marketing.

Flavio Carlos Geraldo

Vice-Presidente da ABPM Associao Brasileira de Preservadores de Madeira