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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°61 - NOVEMBRO DE 2001

Amazônia

Exploração Madeireira na Amazônia: Situação Atual e Perspectivas

A Amazônia brasileira abriga um terço das florestas tropicais do mundo. As estimativas de estoque mais modestas indicam um valor de 60 bilhões de m³ de madeira em tora de valor comercial, o que coloca a região como detentora da maior reserva de madeira tropical do mundo. Além do valor madeireiro, a floresta tem riqueza muito mais amplas, como óleos, resinas, frutas, fibras e plantas de valor medicinal. A Amazônia contém ainda aproximadamente um terço das espécies de animais, plantas e microorganismos existentes. Mais do que tudo isso, existem os serviços que a floresta presta para o equilíbrio do clima regional e global, especialmente pela manutenção dos ciclos hidrológicos de carbono.

A exploração madeireira na Amazônia começou há três séculos, mas até meados dos anos 70, o volume extraído era modesto. Entretanto, em menos de duas décadas a região assumiu a liderança na produção de madeira do País. Atualmente a Amazônia produz cerca de 25 milhões de metros de madeira em tora, o que equivale a 80% da produção do País. As exportações de madeira da Amazônia representam uma parcela modesta do mercado internacional de madeiras tropicais (em torno de 4%), mas deverão crescer expressivamente na próxima década devido a exaustão em curso dos recursos florestais da Ásia.

O setor madeireiro tem crescido rapidamente na Amazônia por diversas razões. Primeiro, as estradas: o governo brasileiro abriu o acesso à Amazônia nos anos 60 e 70 através de grandes programas de colonização e de construção de estradas. Segundo, o esgotamento dos estoques de madeira dura do sul do Brasil e o crescimento da economia nacional criaram uma grande demanda por madeira da Amazônia. Terceiro, a madeira na região amazônica é abundante e disponível a baixos custos (às vezes até gratuita). Isto, porque muitas das terras onde a exploração madeireira tem ocorrido são terras devolutas.

Na Amazônia, a atividade se concentra ao longo de um arco que vai do estado de Rondônia passando pelo Mato Grosso até o Pará, o principal produtor de madeira da região. Aproximadamente 80% do volume explorado vem das florestas de terra firme, enquanto a produção originária da várzea representa apenas 20%. Nas regiões mais remotas, os madeireiros entram na floresta em busca apenas de espécies altamente valiosas, como o mogno. Nas áreas mais próximas, de fácil acesso, o baixo custo de transporte permite a exploração de mais de cem espécies.

A área afetada por serraria varia de uns poucos 50 hectares/ano, no caso das serrarias pequenas, até áreas de exploração superiores a mil hectares por ano em caso de empresas de grande porte. Quando somadas as áreas exploradas de todas as empresas madeireiras em operação na região, a exploração madeireira afeta uma área de 10.000 km² ao ano. Isso, considerando uma produção de 25 milhões de m³ de madeira em tora na região e um volume médio extraído por hectare de 25 m³. Para efeito comparativo lembramos que a área desmatada para o período 1992-1994 ficou em torno de 15.000 km² ao ano.

Participação

O setor madeireiro tem uma participação modesta no PIB nacional (menos de 2%), mas, em análise regional o setor tem uma participação cada vez mais expressiva na economia. Por exemplo, no estado do Pará a atividade madeireira já representa 13% do PIB do Estado. As projeções indicam que o setor madeireiro deverá crescer a taxas superiores a 10% ao ano nas próximas décadas. A se confirmar essas previsões a exploração madeireira será a principal atividade econômica de uso da terra em toda a Amazônia.

Essa importância econômica se confronta com o fato de que a exploração florestal na Amazônia ocorrer de forma predatória. Um uso que repete a história de exploração das matas do Espírito Santo da Bahia, onde a floresta deu lugar à agropecuária.

As práticas atuais de exploração na Amazônia podem ser caracterizadas como operações de "garimpagem florestal". Inicialmente, os madeireiros entram na floresta para retirar as espécies de alto valor (poucos indivíduos por hectare). Se essa floresta explorada pudesse se recuperar, a cobertura do dossel e o estoque de madeira retornariam naturalmente às mesmas condições de antes da extração. No entanto, os madeireiros normalmente voltam a entrar nas áreas exploradas em intervalos curtos para retirar indivíduos menores de certas espécies de alto valor. Isto resulta na abertura de novas estradas e trilhas de arraste e, conseqüentemente, na deterioração ainda maior da floresta. Os impactos ambientais nas explorações mais intensivas são significativos: aproximadamente 30 árvores com mais de 10cm de diâmetro são danificadas para cada árvore extraída, e a cobertura do dossel da floresta, geralmente reduzida de 80-90% em florestas não exploradas passa para 50% após a exploração.

O fogo é também um impedimento para a recuperação de florestas exploradas. As áreas exploradas são ambientes ricos em combustível (galhos quebrados e danificados). A abertura do dossel e o aumento da quantidade de radiação que atinge o chão da floresta podem fazer este material secar, deixando-o prontos para ignição durante os períodos de seca.

A abertura de estradas pelos madeireiros, especialmente no sul do Pará, tem favorecido a ocupação desordenada dessa região. Áreas de floresta exploradas são convertidas em pastagem sem que antes se faça um estudo para definir qual é a melhor opção econômica para a região.

A exploração madeireira representa riscos e oportunidades sem igual na história de uso dos recursos naturais da Amazônia. Se a tendência de crescimento caótico e não controlado continuar, os madeireiros poderão afetar boa parte das florestas acessíveis da bacia Amazônica. A exploração da madeira neste caso é a primeira etapa da cadeia que acaba resultando em desmatamento. Apesar deste cenário cinzento, existe oportunidades promissoras para o uso sustentável dos recursos florestais na região. As próximas duas décadas vão ser decisivas na história da atividade madeireira na Amazônia. A demanda internacional e nacional de madeira vai se voltar cada vez mais para a região. Se manejada, a floresta pode representar uma fonte de riqueza perene, para os habitantes da Amazônia.
 
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