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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°80 - ABRIL DE 2004

Silvicultura

Silvicultura apresenta evoluo

A vocao florestal dos estados do Sul, em especial do Paran, impulsionou a silvicultura nas duas ltimas dcadas, fortalecendo principalmente a cultura de pinus. A silvicultura promoveu, ento, o desenvolvimento de uma cadeia de atividades ligadas madeira que estavam praticamente extintas pela exausto da madeira nativa. Entretanto, foi atravs do aumento da demanda internacional por produtos de base florestal que a silvicultura ganhou um novo impulso. Atualmente vista como um modo concreto de viabilizar a economia rural e de desenvolver uma grande cadeia produtiva nos diferentes segmentos da sociedade.

O reconhecimento da importncia do setor florestal brasileiro na estrutura organizacional do Governo Federal levou a criao na Secretaria de Biodiversidade e Florestas-SBF do Ministrio, em 1999, do Programa Nacional de Florestas PNF. Sua primeira tarefa foi identificar a necessidade urgente de novos plantios florestais, fixados em 630 mil hectares/ano, para os anos de 2002 e 2003. Neste clculo, 80 mil hectares so utilizados somente para atender s necessidades energticas da regio Nordeste, 170 mil hectares para o setor de celulose e papel, 130 mil hectares para uso em mveis e artefatos e 250 mil hectares por ano. O PNF calcula que so necessrios investimentos da ordem de R$ 2,3 bilhes at 2007 para consolidar o setor florestal brasileiro, englobando florestas nativas e plantadas. Esse programa pretende destinar os recursos para a expanso da base florestal plantada, incorporando os pequenos proprietrios rurais com o aproveitamento de reas degradadas e expanso das reas de manejo.

Com a certeza do fim da matria-prima florestal nativa, que inicialmente parecia infindvel, autoridades do setor comearam a buscar um mecanismo tributrio para resolver esse problema. O Sistema de Incentivos Fiscais, inicialmente criado apenas para industrializar o nordeste, foi estendido para gerar florestas plantadas destinadas a suprir o parque fabril em iminncia de colapso. Em 1964 foi a transferida para Curitiba a Escola de Engenharia Florestal, sediada em Minas Gerais, que passou a ter em todo seu corpo docente especialistas provenientes de diversas escolas mundiais. J em 1971, aconteceu importante convnio dessa Escola com a Universidade de Fraiburg Alemanha. Foi a partir desse fato que o Paran passou a formar profissionais florestais com cultura de primeiro mundo.

Atualmente , o estado do Paran, no qual a floresta plantada ocupa apenas 2,8% de seu territrio, considerado o maior produtor de papel fibra longa, grande produtor de celulose e mveis e madeira serrada. O setor florestal paranaense recebe destaque, ainda, por exportar para os Estados Unidos, Comunidade Europia, Oriente Mdio, sia e Norte da frica. Os nmeros abaixo, referentes s exportaes paranaenses, demonstram a expresso do setor de florestas plantadas:



Mudanas no setor

Empresrios do setor e entidades de classe buscam a criao de um ministrio ou secretaria especfica, para coordenar um grande programa florestal para atender, respectivamente, o Paran e o Brasil. Atualmente a agricultura de rvores est vinculada de forma incorreta ao Ministrio do Meio Ambiente. A desburocratizao da atividade outro detalhe a ser amplamente discutido, pois para ela so exigidos cerca de 50 documentos para todas as fases do processo (limpeza do terreno, desbastes, corte, transporte e venda) enquanto nas demais atividades agropecurias tais exigncias resumem-se em quatro documentos.

As rvores ideais para o plantio de florestas produtivas so: pinus e eucalipto (45m/ha/ano), respectivamente. Porm, na Regio Sul, encontra-se com freqncia , mesmo registrando demora em seu crescimento, o Pinheiro do Paran, mais conhecido como Araucria (2,5m/ha/ano), rvore smbolo do Paran.

As duas variedades de pinus mais plantadas no Brasil, elliotti e taeda, foram a melhor soluo encontrada para a falta de matria-prima florestal, que surgiu com o fim extensivo da Araucria no sul do Pas provocada pelo no cumprimento da Reposio Florestal, conforme prev o Cdigo florestal. Por outro lado, todas as polticas dos Governos Federal e Estadual (INCRA e IAP), para a expanso agrcola, induziram os empreendedores a desmatarem ao mximo suas propriedades para alcanarem tal objetivo. Fato este que estimulou o desrespeito ao Cdigo Florestal (manuteno de rea de Preservao Permanente e Reserva Legal).

No contexto atual, o pinus possui imagem desgastada junto populao. Trata-se de uma espcie extica, constantemente mencionada de forma pejorativa por ambientalistas, que lanaram sobre ele as maiores maldies admitidas para uma rvore. acusada de formar um deserto verde, como se fosse a nica monocultura existente no Brasil. Poucos sabem, mas a espcie tem a seu favor o rpido crescimento, frente ao pouco espao ocupado e ao faturamento proporcionado, alm de ser considerado pelos silvicultores como o maior protetor das matas nativas. Possui, ainda, capacidade de se desenvolver em qualquer tipo de solo, aceitando e recuperando solos degradados por outras atividades. Isso porque toda a floresta, qualquer que seja, uma fbrica de gua por facilitar a absoro da chuva pelo solo, que liberada para as fontes e rios de forma lenta e gradual, mantendo o fluxo regular e contnuo.

A atividade gera um emprego a cada US$ 2mil aplicados ou a cada sete ha plantados. Utiliza, inclusive, a mo-de-obra rural, no habilitada para atividades sofisticadas que caracterizam a indstria e o comrcio. Exatamente o oposto ao custo de um emprego na indstria, que exige um montante de at US$ 100 mil.

O ato de plantar rvores, protege indiretamente a floresta nativa, ao conseguir fornecer matria-prima para as indstrias e consumidores em geral. Tambm garante esse abastecimento de forma sustentvel, conforme prescreve a Agenda 21 (programa baseado em amplo documento, que constitui a mais ousada e abrangente tentativa de promover um novo padro de desenvolvimento, conciliando mtodos de proteo ambiental, justia social e eficincia econmica).



Programa florestal

A Assoflor - Associao dos Reflorestadores de Palmas e a APRE - Associao Paranaense de Empresas de Base Florestal, defendem a criao de um Plano Florestal para o Paran. Para o presidente executivo da Apre, Roberto Gava, o setor florestal paranaense est apenas aguardando uma oportunidade para contribuir ainda mais com a sociedade. Segundo ele, a silvicultura pode criar mais empregos, oferecer mais oportunidades ao homem do campo, proporcionar aumento de renda e gerar produtos para exportao.

Para os associados da Apre a soluo encontrada para viabilizar tantos benefcios a criao de um amplo Programa Florestal Nacional e Paranaense. O modelo usado com sucesso em pases como Sucia, Finlndia, Canad e Estados Unidos. Engana-se quem pensa que a implementao de um Programa Florestal compensaria apenas pelo lado econmico. O patrimnio florestal tambm sair ganhando, pois a silvicultura abastece o grande parque industrial existente e, ao mesmo tempo, desvia a presso sobre as florestas nativas, explica Gava.

A implementao de um Programa Florestal no Paran permitir a gerao de 100 mil empregos diretos e 350 mil indiretos, alm de aumentar o volume das exportaes em US$ 600 milhes. No municpio de Jaguariava, dos 30.737 habitantes, cerca de nove mil dependem do setor florestal. Na regio de Ponta Grossa, cerca de 600 empresas atuam nesse segmento, trabalhando com o mercado internacional.

Em 2003, o agronegcio paranaense bateu recordes de exportao, onde o complexo madeira perdeu apenas para o complexo soja. O Estado tambm considerado o maior produtor nacional de papel fibra longa, grande produtor de celulose e mveis de madeira serrada, tudo isso, ocupando apenas 2,8% do seu territrio ou 560 mil hectares. Nossa meta ocupar at 5% da rea do Estado, declara Gava.

A Associao Paranaense de Empresas de Base Florestal APRE, uma das entidades responsveis por manter o desenvolvimento da Silvicultura no Paran, rene cerca de 40 empresas ligadas ao plantio florestal, das 60 existentes no estado. O Estado possui 5.212 empresas que consomem produtos gerados a partir da floresta plantada e a indstria florestal responsvel pela gerao de mais de 150 mil empregos diretos.

Entidades de classe e empresrios do setor buscam a transferncia da silvicultura para a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paran j que atualmente o setor est vinculado Secretaria do Meio Ambiente. Segundo Gava, essa tem sido uma luta de muitos anos. H tempos ns tentamos convencer o governo de que a silvicultura nada mais do que a agricultura de rvores e que ela deveria ser de responsabilidade da Secretaria de Agricultura. O complexo de madeira a segunda cultura mais importante do agronegcio, conclui o executivo da entidade.