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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°80 - ABRIL DE 2004

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Desdobro tangencial o mais indicado para eucalipto

Uma pesquisa elaborada pelos especialistas da Universidade Federal do Paran, Mrcio Pereira da Rocha e Ivan Tomaselli avaliou dois modelos de corte (radial e tangencial). Foram consideradas toras de duas classes diamtricas nas dimenses de tbuas serradas das espcies de eucalipto grandis e dunni. As tbuas tangenciais apresentaram larguras superiores e comprimentos mais homogneos, com menor variao em espessura. O desdobro radial apresentou maior variao em largura, mas aumentou o nmero de tbuas curtas. A concluso principal de que o desdobro tangencial, nas condies deste experimento, resultou em peas de maior dimenso e, portanto o mais indicado.

A produo florestal no Brasil destaca-se hoje pela utilizao de espcies de rpido crescimento, principalmente dos gneros eucalipto e pinus, nos seus mais variados setores. Espcies deste gnero foram inicialmente implantadas para fornecer matria-prima principalmente aos segmentos de celulose e da siderurgia base de carvo vegetal. No entanto, a evoluo da indstria e o aumento da demanda, associadas falta de uma poltica de utilizao das florestas nativas e a presso ambientalista levaram o setor florestal a uma diversificao no uso destas espcies. Dentre os segmentos que passaram a utilizar pinus e eucaliptus como fontes de matria-prima destacam-se as serrarias.

Ao substituir as espcies nativas tradicionalmente utilizadas em serrarias, por espcies de eucalipto, a indstria passou tambm a utilizar toras de menor dimenso. Para tal necessrio alterar processos, mesmo assim o produto final diferente, no s em termos de propriedades, mas tambm em termos de dimenso.

Como a utilizao da madeira de eucalipto vem se tornando uma alternativa cada vez mais importante para a indstria de serrados, estudar este novo material e os impactos no produto final fundamental.

Dentro deste contexto que foi desenvolvido o estudo cujos resultados so apresentados neste documento. O objetivo especfico deste trabalho foi avaliar o efeito de dois modelos de corte (radial e tangencial) no processamento de toras de duas classes diamtricas de e. grandis e e. dunnii, produzindo tbuas com dimenses usualmente obtidas nas serrarias.



Medio das dimenses

No estudo elaborado por pesquisadores da UFPR, todas as peas serradas tiveram as suas medidas de largura, espessura e comprimento analisadas, a fim de se avaliar as possveis influncias dos principais fatores em anlise (espcie, classe diamtricas e modelo de desdobro) na variao das mesmas.

As dimenses foram medidas ainda verdes, antes de atingir o ponto de saturao das fibras, e aps a secagem a uma umidade de 15%. Em funo da pequena contrao, o comprimento s foi medido na condio verde.

Aps a tomada de medidas na condio verde, as tbuas permaneceram por 15 dias gradeadas e colocadas em um pr-secador. Aps este perodo foi realizada a secagem em cmara convencional, utilizando programa de secagem suave, tendo permanecido neste equipamento por aproximadamente 450 horas. A umidade final mdia foi de 8,4%. Aps a secagem, as tbuas permaneceram armazenadas por dois meses em local protegido, onde atingiram uma umidade mdia de aproximadamente 15%.

A anlise indicou que a largura das tbuas verde foi significativamente afetada pelos fatores modelo de desdobro e a classe diamtrica, e ainda a interao entre modelo de desdobro e classe diamtrica. O mesmo resultado foi obtido na anlise da varincia considerando-se tbuas secas.

Os resultados para e. grandis indicam claramente que as tbuas obtidas pelo desdobro tangencial apresentaram larguras mdias superiores s tbuas obtidas no desdobro radial. Com a secagem a largura das tbuas tangenciais foi reduzida em mdia em 3,25%, enquanto que as radias sofreram uma reduo mdia devido secagem de 2,16%.

Os resultados obtidos indicam ainda que a classe diamtrica afetou a largura das tbuas, sendo a influncia maior no desdobro tangencial. No desdobro tangencial, a largura mdia seca para a classe diamtrica de 19 a 24 cm foi de 14,85 cm e para a classe de 25 a 30 cm foi superior: 19,85 cm.

No caso do desdobro radial, estas mdias foram substancialmente reduzidas: 7,78 cm para a classe de 19 a 24 cm e 8,07 cm para a classe de 25 a 30 cm.

Os resultados na anlise do efeito dos tratamentos sobre a largura das tbuas obtidas a partir das toras de eucalipto dunnii mostraram a mesma tendncia observada para a espcie grandis.

O desdobro tangencial permitiu a obteno de tbuas de larguras mdias superiores ao desdobro radial. Uma comparao realizada entre as duas espcies indica que o fator espcie no teve efeito significativo na largura das tbuas, tanto verde como secas.

A secagem teve maior efeito na reduo da largura das tbuas de e. dunnii. Esta espcie teve uma reduo na largura das peas tangenciais devido secagem de em mdia 6,35%, e para as peas radiais de 7,94%. O fato do e. dunnii apresentar uma maior perda na dimenso largura das tbuas era esperado uma vez que esta espcie tem coeficientes de contraes maiores que o e. grandis. Por outro lado, no era esperada que a contrao em largura fosse maior nas peas radiais. Isto se deve provavelmente a erros experimentais.

Independente da espcie, mais de 80% das tbuas obtidas atravs do desdobro radial tiveram larguras entre 40 e 100 mm. As tbuas obtidas com o modelo de corte tangencial foram sempre mais largas: 100% na classe de largura compreendida de 100 a 160 mm no caso de toras mais finas e100% na classe de 160 a 230mm largura para toras mais grossas.

Isto indica claramente que a utilizao do desdobro radial em toras com dimetro dentro dos utilizados neste estudo, leva a uma produo de grande quantidade de tbuas com larguras inferiores a 10 cm, o que um fator limitante na comercializao.

Muitos autores recomendam o corte radial com uma forma de reduzir os efeitos das tenses de crescimento, porm estes mesmos autores reconhecem que ao desdobrar toras de pequeno dimetro o resultado uma grande quantidade de peas de pequena largura. Utilizando a tcnica de desdobro radial relataram que tal tcnica facilmente empregada em toras de grandes dimetros (+ 1 m), mas se torna invivel para toras de menores dimetros.



Espessura das tbuas

A anlise estatstica conduzida indicou que para a espessura das tbuas na condio verde, o modelo de desdobro foi altamente significativo.

Aps a secagem das tbuas, pode-se observar que alm do sistema de desdobro ser altamente significativo, o fator espcie e a interao entre sistema de desdobro e espcie tambm exerceram influncia altamente significativa.

O aparecimento da espcie como fator significativo na anlise da espessura das tbuas no estado seco era esperado uma vez que, como j mencionado anteriormente, o e. dunnii, tem coeficientes de contrao mais elevados que o e.grandis.

A anlise dos resultados e dos procedimentos adotados indicou que embora o modelo de corte tenha sido significativo o efeito foi causado pelo tipo de equipamento, preciso dos mesmos e pelas possibilidades de ajustes que estavam disponveis nas condies em que o experimento foi realizado.

Mas, devido a uma srie de variveis que no foram possveis controlar, as diferenas mdias e at mesmo variaes na espessura obtidas neste estudo no devem ser consideradas como relevantes.

Deve ser considerado o fato de que no caso do desdobro tangencial, as variaes na espessura ocorreram em nveis sensivelmente inferiores ao desdobro radial. Isto indica que a serra mltipla de 2 eixos, utilizada no desdobro tangencial, teve menor variao na espessura do que a serra mltipla de 1 eixo, utilizada no desdobro radial. Nota-se tambm, que nos dois tratamentos, as espessuras mdias ficaram abaixo das espessuras nominais previamente definidas.

Com a utilizao de cortes simultneos, ocorre uma liberao simtrica

e simultnea das tenses, produzindo tbuas de medidas mais precisas. Mesmo assim neste estudo ambas as espcies, nas duas classes diamtricas e nos dois sistemas de desdobro, produziram tbuas com variaes elevadas em espessura.

Deve-se considerar que quando se desdobra madeira de eucalipto atravs de cortes sucessivos em uma unidade com serra fita e carro, a pea que permanece no carro porta tora sofre deformao por flexo, em funo da nova distribuio da tenso residual ainda presente. Esta deformao pode causar variao na espessura das tbuas.

Na retirada de tbuas em cortes sucessivos utilizando carro porta tora com o empeno do bloco as tbuas podem apresentar espessura irregular, e dependendo da situao apresenta menor espessura nas extremidades e maior espessura no centro. Este no foi o caso dos dois sistemas de desdobro utilizados neste trabalho.

Atravs da anlise estatstica, verificou-se que para o comprimento na condio verde, os fatores espcie, sistema de desdobro, classe diamtrica e todas as interaes, inclusive a interao tripla, tiveram influncia significativa no comprimento das tbuas.

Para um comprimento nominal de 3,07 m, estabelecido para os tratamentos que utilizaram o desdobro tangencial, a mdia de comprimento foi de 3,06 m. Para um comprimento nominal de 3,10 m estabelecido para os tratamentos que utilizaram o sistema de desdobro radial o resultado final foi um comprimento mdio 2,87 m.

As tbuas radiais tiveram uma grande variao no comprimento. Isto indica que o comprimento foi em princpio afetado pelo modelo de corte: o corte radial levou a comprimentos menores.

O fato de o menor comprimento ter sido obtido na produo de tbuas radiais no diretamente ligado ao modelo de corte, mas sim tcnica utilizada na operao de refilo. Como as tbuas radiais apresentavam elevadas flechas de arqueamento, os operadores diminuam seus comprimentos para posteriormente, executarem a operao de refilo. ainda importante mencionar que a operao foi feita em escala industrial, e envolveu trs diferentes equipes. Com isto, embora o princpio tenha sido sempre o mesmo, houve variaes entre os operadores quanto ao critrio para reduzir o comprimento das peas.

A marcante influncia do modelo de desdobro sobre o comprimento mdio das peas tambm foi verificada para o e. dunnii. No desdobro tangencial as duas classes diamtricas no apresentaram variao no comprimento, e todas as tbuas apresentaram um comprimento de 3,07 m.

No entanto, no sistema de desdobro radial, novamente foi notada a variao no comprimento para as duas classes diamtricas, onde foram observados comprimentos mnimos de 0,68 m e 0,66m para toras finas e grossas respectivamente.

O e. grandis, tanto tora fina como grossa em corte tangencial, apresentaram 98% das peas com comprimentos acima de 3,00m.

No caso do e. dunnii 100% das tbuas obtidas tangencialmente tiveram comprimentos superiores a 3,00 m. Porm, nos tratamentos que utilizaram desdobro radial, a freqncia de tbuas com comprimentos inferiores a 3 m foi marcante em alguns casos.

Para o e. dunnii, a variao nos comprimentos das tbuas foi mais marcante. Nos tratamentos com desdobro tangencial, todas as tbuas apresentaram comprimentos superiores a 3 m. Por outro lado no caso de toras finas obtidas radialmente, aproximadamente 31% das tbuas desta espcie tiveram comprimentos entre 1 e 2 m e 48% entre 2 e 3 m.

Os resultados do estudo indicam, portanto, que a forma de desdobro para as duas espcies estudadas, afeta no comprimento das tbuas. Quando se utiliza desdobro tangencial, o comprimento das tbuas mais homogneo, e na mdia superior, que quando se utiliza desdobro radial.