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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°79 - MARO DE 2004

Processamento

Tecnologia amplia aproveitamento de matria-prima

O processo de transformao da madeira em novos produtos abrange diferentes etapas e atinge distintos setores industriais, como os de serrarias, laminadoras e fabricantes de compensados, aglomerados e chapas de fibras e outros painis.

Na serraria, onde as peas ganham definio nos quatro lados, importante que as instalaes e equipamentos estejam adequados ao porte e ao tipo de matria-prima a ser processada. A produo de uma serraria est diretamente relacionada ao nmero e ao tamanho do equipamento utilizado, e seu rendimento est baseado no aproveitamento total da tora. Para toras com dimetro acima de 60cm, por exemplo, o aproveitamento de cerca de 60%. No caso de toras mais finas, com dimetro entre 20cm e 40cm, essa cifra abaixa para aproximadamente 40%. Tais ndices so vlidos para serrarias orientadas para a produo de madeiras com comprimentos comerciais, isto , acima de 4 cm. Nas serrarias voltadas para a produo de madeiras mais curtas, a partir de 50cm de comprimento, o volume aproveitado superior a 60%.

As operaes pelas quais a tora passa para gerar os diversos produtos fabricados nesse setor dependem exclusivamente de seu uso final. As principais operaes realizadas na maioria das serrarias, independente do porte incluem desdobro, retirada de constaneiras, esquadrejamento e destopo das tbuas.

Quando o produto exige beneficiamento, sero includos o plainamento, o molduramento e o torneamento das peas serradas. Alm dessas operaes, a secagem da madeira imprescindvel e deve ocorrer ao ar livre ou em diferentes tipos de estufa.

Na produo o equipamento de desdobro corta ou serra a tora no sentido do comprimento, de uma extremidade a outra, retirando suas costaneiras de uma lateral para depois gerar mais peas, dependendo do tipo e do nmero de serras utilizadas e do produto que ir resultar. Depois, as peas passam pela canteadeira (ou refiladeira) para que as outras laterais sejam cortadas.

Quando se quer obter um bloco de madeira macia de forma prismtica, conhecido como tora quadrada ou quadrado de madeira, o desdobro dispensado, sendo necessria apenas a retirada das costaneiras em toda a extenso da tora. O esquadrejamento, por sua vez, d forma regular a cada pea de madeira serrada, deixando todas as quinas com ngulos retos.

O destopo corta os eventuais defeitos e os topos das peas que no esto perpendiculares. Dependendo do produto que se queira obter, as peas de madeira podem passar por vrios outros equipamentos, que reduzir em tamanho.

Beneficiamento

Consiste no processamento das peas de madeira serrada para dar-lhes melhor acabamento, o que aumenta seu valor comercial. O aplainamento, por exemplo, tira as sobre medidas e as irregularidades da pea serrada, deixando-a com superfcie lisa. O molduramento faz cortes de encaixe sistema macho-fmea no comprimento de peas como forros, lambris, tacos para assoalho, batentes de porta, entre outros. O torneamento a operao destinada a deixar as peas com forma arredondada, como o caso de ps de mesas e cadeiras.

Secagem

A secagem necessria quando a rvore derrubada. Assim, em qualquer lugar que fique alojada, a madeira perde a umidade, at atingir o ponto de equilbrio com o meio ambiente. Essa secagem natural, ao ar livre e na sombra, um processo bem lento, mas provoca menos rachaduras nas madeiras. Em geral, leva cerca de seis meses para que atinja o ponto de equilbrio, dependendo da regio e da estao do ano. Por isso, se torna invivel em empresas que dependem de alta produtividade.

A secagem em estufas realizada com o objetivo de acelerar esse processo em funo da demanda do mercado. Existem vrios sistemas de secagem artificial. Entre os mais adotados nas serrarias est a ventilao forada, a secagem a baixa e alta temperatura e as estufas convencionais.

A ventilao forada consiste basicamente em empilhar as madeiras umas sobre as outras, mas separadas por tabiques, dispondo ventiladores de um lado da pilha para que o ar circule entre elas.

A secagem a baixa temperatura, ou desumidificao, feita em uma cmara cuja temperatura raramente atinge os 45C, de onde se retira a umidade da madeira por condensao, atravs de uma bomba de calor.

A secagem a alta temperatura realizada em cmara aquecida por caldeiras, at atingir entre 120C e 130C. As peas de madeira so empilhadas no interior da cmara por tabiques, de forma a permitir a passagem rpida do vapor entre elas. Esse processo faz com que a madeira atinja o teor de umidade desejado em apenas um dia, mas altera a cor superficial da madeira .

A secagem convencional a mais utilizada nas serrarias de folhosas e nas indstrias de mveis. O sistema de funcionamento basicamente semelhante ao anterior mas, opera a uma temperatura varivel entre 80C e 90C.



Madeira serrada



O setor de madeira serrada o que possui a maior diversidade de produtos: pranchas, pranches, blocos, tbuas, caibros, vigas, sarrafos, pontaletes, ripas e outros.

As pranchas e os pranches so originados de toras de alto valor comercial, como mogno, cerejeira e freij. Os blocos, tambm chamados quadrados, podem ser obtidos de madeiras de maior ou menor qualidade. No primeiro caso, so destinados produo de lminas e tbuas para a fabricao de mveis finos. No segundo, so empregados na produo de tbuas em geral, vigas, caibros e ripas.

No desdobro, a tora sofre cortes longitudinais, resultando numa pea com duas faces paralelas entre si, mas com cantos irregulares e com casca.

A prancha deve apresentar espessura de 4cm a 7cm e largura maior de 20cm. O comprimento varivel. J o prancho deve apresentar espessura maior de 7cm e largura superior a 20cm. O comprimento tambm varivel. No bloco, a tora serrada em todo o seu comprimento, resultando numa pea macia quase quadrada, que mantm o mximo do dimetro da tora.

Das tbuas, derivam quase todas as outras peas de madeira serrada por reduo de tamanho. Apresentam-se na forma retangular, com espessura entre 1 cm e 4cm, largura sempre superiro a 10cm e comprimento varivel de acordo com encomenda. Esses produtos so gerados a partir de toras, pranchas , pranches e blocos. Atualmente, o pinus e o eucalipto tambm vem sendo utilizados na produo de tbuas, de mdias e pequenas dimenses, em serrarias localizadas nos estados onde h grande concentrao de reflorestamentos.

Os caibros, as ripas e os sarrafos tm mltiplas aplicaes tanto na construo civil como na fabricao de mveis. Os quadradinhos so variaes do sarrafo, com menores dimenses, utilizados geralmente na fabricao de cabos de vassoura e painis.

Os tacos, tambm chamados parquetes, so peas dispostas geometricamente no cho, de maneira a formar figuras e desenhos aproveitando-se sua colorao. Considerados um subproduto da serraria, devido a suas pequenas dimenses, os tacos so fabricados a partir de madeiras tropicais duras, como o ip e o roxinho, para resistir ao desgaste causado pelo trnsito de pessoas. Os tacos mais comuns tm 21cm de comprimento, 7 cm de largura e 1,7cm de espessura.

O painel compensado composto de vrias camadas de lminas torneadas, unidas uma perpendicularmente outra com adesivo ou cola, sempre em nmero mpar, de tal forma que algumas propriedades fsicas e mecnicas se tornem superiores s de madeira original (a contrao, por exemplo, quase totalmente eliminada).

Nesses painis, com espessura varivel entre 3mm x 35mm ou mais, as dimenses mais comuns so: 2,10m x 1,60m, 2,20m x 1.10m e 2,44m x 1,22m.

Os maiores consumidores de compensados so os fabricantes de mveis e os consumidores civis. O valor desse produto varia de acordo com as espcies e a cola utilizadas, com a qualidade das faces e com o nmero de lminas que o compe.

Os painis aglomerados so fabricados de partculas de madeira aglutinadas com aplicao de cola, calor e presso. Esses produtos esto classificados em trs tipos, segundo sua densidade: baixa, mdia e alta. s vezes, esses painis, tambm chamados de chapas, so recobertos de papis, plsticos ou lminas de madeiras finas.

Para a produo de painis ou chapas de fibra, que se apresentam no Brasil com vrios nomes comercias, a madeira totalmente desintegrada em seus elementos constituintes, reduzindo-se a fibras. A massa resultante posteriormente prensada a quente.

O MDF um tipo de painel elaborado a partir de fibras de madeira, aglutinados por resinas sintticas sob presso e temperatura, com densidade de 0.50 a 0,80 g/cm, destinados principalmente indstria moveleira. Prestam-se a vrios acabamentos superficiais e usinagem de borda, apresentando resultados muito bons.

Os painis combinados so compostos por um miolo de sarrafos, quadradinhos, tbuas ou ripas coladas em diferentes disposies; esse miolo revestido em uma ou ambas as faces por lminas de madeira, painis aglomerados ou compensados. A vantagem desse produto seu peso reduzido, pois, em geral, o miolo feito com madeiras moles e leves. Sua resistncia e estabilidade dimensional so boas. s vezes, esses produtos passam por um tratamento superficial, que os plastifica com filmes termossensveis, melhorando sua aparncia e aumentando sua resistncia gua e a outros produtos.

Esses painis normalmente so usados para fabricao de mveis, portas, divisrias ou como isolantes trmicos e acsticos. Em geral so produzidos na prpria indstria de compensados, que dispe de matria-prima necessria para fabric-los.

As portas possuem maior valor comercial quando a matria-prima utilizada na sua formao so madeiras macias decorativas de boa qualidade, posteriormente entalhadas, ou quando recebem revestimento de lminas de madeiras nobres.

Os produtos mais populares, de menor qualidade, abrangem maior diversidade em seu processamento, podendo originar-se de madeiras de baixo valor comercial, ou de uma mistura de espcies com diferentes coloraes, ou ainda no serem de madeira macia, revestidos por painis de fibra ou aglomerados. As janelas e venezianas so fabricadas geralmente com madeira macia, alcanando maior valor as originadas de espcies finas.