MENU
Adesivos
Certificao
Economia
Editorial
Exportaes
Incndios
Manejo
Marketing
Mercado - ustria
Mercado - ndia
Mveis e Tecnologia
Processamento
Reciclagem
Reflorestamento
Secagem
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°79 - MARO DE 2004

Mercado - ndia

ndia aponta negcios promissores

Ao lado de China, Rssia e frica do Sul, a ndia compe o bloco de naes selecionadas pelo governo brasileiro como estratgicas no campo comercial. No para menos. Quinta maior economia mundial, com PIB de U$S 450 bilhes e crescimento mdio anual de 6,8%, a ndia o segundo pas mais populoso, com 1 bilho de habitantes. Apesar da maior parte da populao viver na pobreza, cerca de 25% do povo indiano 225 milhes de pessoas so de classe mdia. Um universo de consumidores maior que a populao inteira do Brasil, o que representa uma oportunidade promissora para o setor.

Em janeiro deste ano o Brasil e os demais pases do Mercosul firmaram um acordo tarifrio com a ndia que, segundo o ministrio das Relaes Exteriores, o primeiro passo para a formao de uma zona de livre comrcio com o gigante asitico. O acordo preferencial de tarifas fixas com o governo indiano, visa o comrcio de mais de 1,7 mil produtos a partir do prximo semestre. Ainda no foi divulgada a lista dos produtos, mas, estudos da Direo-Geral de Promoo Comercial do Itamaraty identificaram os setores mais promissores para participar do acordo comercial e o setor madeireiro est includo, a princpio com a celulose.

A iniciativa sinaliza uma futura recuperao econmica da ndia, a exemplo do que vem ocorrendo na China. Com a segunda maior populao mundial, o pas aumentar o consumo, inclusive de produtos florestais e a parceria para o comrcio bilateral representa uma oportunidade promissora para o setor.

O governo brasileiro tambm firmou vrios acordos de cooperao bilateral com a ndia que prevem atividades conjuntas de pesquisa espacial, incremento do turismo e intercmbio artstico-cultural e anunciou para breve a assinatura de outros programas de intercmbio nas reas de agricultura, cincia e tecnologia, educao, sade, segurana alimentar e desenvolvimento agrrio.

Mercosul e ndia vo negociar nos prximos meses a lista de produtos que sero beneficiados pelo acordo de tarifas fixas e menores. A expectativa de que as negociaes terminem at junho e que o acordo passe a ser implementado gradualmente a partir do prximo semestre.

Na reunio com o governo indiano, o presidente Luiz Incio Lula da Silva ressaltou que o intercmbio entre Brasil e ndia pode render avanos fundamentais para a sobrevivncia de ambos os pases no contexto global.

Em visita recente a ndia Lula lanou um desafio aos empresrios brasileiros em um seminrio promovido pela Confederao das Indstrias Indianas (CII) em Nova Dlhi. Est na hora de os empresrios brasileiros comearem a garimpar espaos econmicos e a vender seus produtos em outras partes do mundo, disse Lula. preciso parar de reclamar e vender mais.

Na opinio de Lula, os empresrios brasileiros precisam ter mais criatividade, mais ousadia e perder o medo de se transformarem em empresrios multinacionais. Ns temos de ir luta, procurar nossos parceiros e fazer os negcios que precisam ser feitos, afirmou Lula.

O presidente ressaltou que os empresrios indianos j abriram um escritrio comercial no Brasil para explorar as oportunidades de negcio e que o mesmo precisa ser feito pelos brasileiros. Ele tambm frisou que o Brasil ter um pavilho de 5 mil metros na Exposio Internacional de Nova Dlhi em novembro para os empresrios brasileiros mostrarem seus produtos.

Lula disse estar convencido de que Brasil e ndia no atingiram ainda nem 10% do que podem alcanar nas relaes comerciais e que a distncia geogrfica entre os dois pases no um obstculo. As informaes so da Agncia Brasil.

Potencial

A ndia possui a segunda maior populao do mundo. Este vasto pas apresenta uma variedade extraordinria de paisagens, climas e recursos naturais. O Himalaia, ao norte, a cadeia de montanhas mais elevada do planeta, com diversos picos com altura superior a 6.000 metros de altitude. As reservas de gua so abundantes por toda a regio e o clima quente. Ao sul da ndia, encontra-se a plancie Indo-Gangtica, que se estende por cerca de 2.500 km no sentido leste-oeste, sendo cortada pelos rios Indo, Ganges e Brahmaputra.

A regio uma das mais frteis do mundo, apesar das constantes inundaes e das fortes secas quando no ocorrem as chuvas de mones, entre junho e setembro. Arroz, trigo, algodo, juta, fumo e acar so os principais cultivos, embora 70% da populao sobreviva da agricultura de subsistncia. O pas ainda conta com imensas reservas naturais de madeira, carvo, minrio de ferro, nquel e petrleo, este ltimo retirado do prprio Oceano ndico. A indstria leve e manufatureira tem se expandido muito nos ltimos anos. O turismo uma fonte cada vez mais rentvel de divisas populao que ainda sofre muito com a misria conseqente antiga ocupao inglesa na regio.

Um dos pases de maior diversidade tnica do mundo, a ndia abriga inmeras castas e tribos, uma multiplicidade de religies e seitas e centenas de grupos lingsticos grandes e pequenos, pertencentes a famlias totalmente diferentes. As tentativas de fomentar o esprito de nacionalidade em to variada populao esbarram quase sempre nas tenses entre grupos vizinhos, que com freqncia explodem em reaes violentas.

A ndia localiza-se no sul da sia e ocupa quase todo o subcontinente indiano, com uma superfcie de 3.165.596km2. Est separada do resto da sia pela cordilheira do Himalaia. Limita-se ao norte com China, Nepal e But; a noroeste, com o Paquisto; a leste, com Myanmar (ex-Birmnia) e o golfo de Bengala; ao sul com o oceano ndico; e a oeste com o mar da Arbia. Bangladesh forma um encrave, dentro da ndia, limitado pelos estados indianos de Bengala Ocidental, Assam, Meghalaya e Tripura, e com o territrio de Mizoram.

Cultura

Poucos pases do mundo podem orgulhar-se de uma herana artstica do porte da indiana, desenvolvida ao longo de mais de quatro milnios, e que abrange manifestaes mltiplas, da pintura rupestre arte popular e s modernas expresses, em todos os campos. Assim, as artes plsticas e a arquitetura, por exemplo, abrangem um perodo vastssimo, que vai do quarto milnio antes da era crist at a poca contempornea, com influncias religiosas diversas, como o hindusmo, o budismo e o islamismo, e modernamente com a cultura britnica. Entretanto, em nenhuma outra arte os indianos conseguiram uma sntese to completa entre a mais ampla liberdade e a mais rgida disciplina como na msica, elemento essencial na vida do pas e do indivduo, expresso de seu mundo espiritual e de seus valores humanos e resultado da fuso de vrios povos, ao longo de seis mil anos de histria.

As vrias filosofias indianas contm uma tal diversidade de pontos de vista, teorias e sistemas que quase impossvel arrolar caractersticas comuns a todas. A aceitao da autoridade dos Vedas caracteriza todos os sistemas ortodoxos (astika), mas no os heterodoxos (nastika), como o Carvaka (materialismo radical), o budismo e o jainismo. Alm disso, mesmo quando os filsofos alegam fidelidade aos Vedas, tal fidelidade no restringe a liberdade com que elaboram suas especulaes.

Na verdade, essa alegada obedincia autoridade dos Vedas serve para tornar seus pontos de vista mais aceitveis pelos ortodoxos, sobretudo quando se trata de apresentar idias inteiramente novas. O que mostra que os Vedas podem ser citados para corroborar as mais diversas tendncias do pensamento.O cinema indiano surgiu em Bombaim em 1913. Sete anos mais tarde produziu-se em Calcut o primeiro filme em lngua bengali e em 1934 foram inaugurados em Madras os estdios destinados produo de filmes em lngua tmil e telugo. Com uma mdia de 400 filmes por ano, a ndia , ao lado do Japo e dos Estados Unidos, um dos principais produtores mundiais, embora sua distribuio seja virtualmente nula fora do pas.

Quanto ao clima, a ndia tem trs estaes principais: Inverno, Vero e a mono. Os meses de Inverno, de Outubro a Maro, so claros e agradveis; nas montanhas do Norte neva. Os meses de Vero, de Abril a Junho, so quentes na maior parte do pas e nesta altura que as numerosas estncias de montanha oferecem um agradvel refgio. Durante a mono, de Junho a Setembro, chove muito na costa ocidental, e de Outubro a Dezembro, na costa oriental.

Setor florestal

A ndia um pas enorme com grande diversidade de contextos naturais, humanos e institucionais. Este texto apresenta trs exemplos de mudana: o Projeto Florestal de Himachal (HPFP); O Projeto de Meios de Vida Rurais de Andhra Pradesh (APRLP) e o Projeto Florestal de Western Ghats (WGFP), Karnataka.

Crescentemente, os estados indianos vm adotando uma abordagem chamada Manejo Florestal Conjunto, que atende s prioridades estabelecidas no mbito da Poltica Florestal Nacional de 1988. Esse processo promoveu o dilogo e desenvolvimento de parcerias entre um nmero crescente de atores na rea de manejo florestal, embora seja lento o ritmo de mudanas - como se pde observar no exemplo de Karnataka - j que os rgos estaduais so extremamente tradicionais e detm grande fora poltica. O Projeto de Meios de Vidas Rurais Sustentveis est apoiando o governo de Andhra Pradesh a implementar abordagens de meios de vida sustentveis em nvel de bacia hidrogrfica a fim de beneficiar as populaes mais carentes. O governo da ndia adotou uma abordagem de desenvolvimento de bacia hidrogrfica ao longo dos anos 70 para reverter o quadro de degradao dos solos.

Atualmente, alguns Ministrios adotaram uma "abordagem de bacias hidrogrficas" para o desenvolvimento, incluindo os Ministrios de Agricultura, do Meio Ambiente e de Recursos Florestais.

J existem alguns esforos no sentido de aproximar essas experincias.

No setor florestal em Himachal Pradesh (HP) e Karnataka, o marco institucional e de polticas no acompanhou as mudanas econmicas, sociais e ambientais, resultando na falta de sistemas de manejo efetivo e eqitativo de bens e servios florestais. A avaliao do setor florestal de HP foi realizada no mbito de seu Projeto Florestal de HP com o objetivo de examinar trs questes primordiais:

promover aes inter-setoriais e participao popular no manejo florestal de forma a atender s necessidades no que diz respeito aos meios de vida da populao; melhorias no manejo florestal que aumentem a disponibilidade de bens e servios;

coerncia entre os sistemas de governana, leis e polticas relativos ao setor florestal.



Regies Florestais

A ndia possui um dos maiores luxuriantes revestimentos florsticos da Terra. Suas principais regies fitogeogrficas so:

Himalaia Oriental, onde predominam gramneas e orquidceas, mas ocorrem espcie de laurceas no sul do Vale do Bramaputra e pinheiros nas zonas temperadas; nas montanhas de Kashi so comuns os pinheiros de luzon;

Himalaia Ocidental, no qual ocorrem sobretudo gramneas e leguminosas, alm de uma rica vegetao alpina; no noroeste e na poro central, existem florestas de pinheiros, abetos e cedros-do-Himalaia;

Plancie dos Indus onde predomina uma vegetao arbustiva, e esparsa, tpicas das reas semidesrticas;

Plancie Gangtica, que se caracteriza por suas florestas de Shorea robusta, cuja madeira valiosssima;

Regio Malabar, na qual dominam diversas espcies de conferas de grande porte;

Regio do Decan, cuja vegetao caracterstica consiste principalmente em rvores decduas, como as diversas espcies de accias e tecas, que se levam sobre os extensos bambuais.

ndia, democracia federal no sul da sia e membro do Commonwealth; compreende o Paquisto e Bangladesh ou subcontinente indiano. Limita-se ao norte com o Afeganisto, o Tibete, o Nepal e o Buto; ao sul com o estreito de Palk e o golfo de Mannar, que o separa do Sri Lanka e do oceano ndico; ao oeste com o mar da Arbia e o Paquisto; ao leste com a Birmnia, o golfo de Bengala e Bangladesh. Com Jammu e Caxemira (cujo status definitivo ainda no foi determinado), possui uma superfcie de 3.287.263 km2. A capital Nova Dli.

A ndia se divide em quatro grandes regies: o Himalaia, que se estende ao longo das margens norte e leste do subcontinente indiano; as plancies fluviais do norte, uma das maiores plancies fluviais do mundo que compreende a maior parte da rea regada pelos rios Indo, Ganges e Brahmaputra; o Deco, uma meseta rochosa, dividida por baixas cadeias montanhosas e profundos vales; e o Ghates oriental e ocidental. Exceto nas regies mais montanhosas, o clima tropical, dominado pelas mones.

Populao e Governo

A origem exata da maior parte do povo indiano impossvel de ser determinada por conta da grande variedade de raas e culturas que invadiram e foram assimiladas no subcontinente. Aproximadamente 7% do total da populao pertence a mais de 300 tribos catalogadas.

A maior parte dos povos indianos no tribais tem caractersticas caucsicas e mostram uma considervel variao na cor da pele. Entre as tribos das montanhas setentrionais h caractersticas mongis, como no caso dos nagas; e entre os grupos tribais como os santal de Bengala ocidental h caractersticas australides.

A Constituio indiana tentou erradicar o antigo sistema de castas, que tem negado durante sculos a oportunidade de avanar socialmente o estrato mais baixo do sistema: os intocveis (ou harijans).

Na ndia vive 16% da populao mundial; sua populao (1994) de 913.070.000 habitantes, com uma densidade demogrfica de aproximadamente 275 hab/km. Embora as condies de vida tenham melhorado em muitas reas, cerca de um tero da populao vive abaixo do limite de pobreza.

A maior cidade Bombaim, com uma populao (1994, incluindo a rea metropolitana) de 14.500.000 habitantes. Outras cidades com mais de 1 milho de habitantes so Ahmadabad, Bangalore, Calcut, Dli, Hyderabad, Kanpur, Madras, Pune (Poona), Nagpur, Lucknow e Jaipur.

Os grandes grupos religiosos so: hindusmo (83%), islamismo (11%), cristianismo e sikhs (2% cada um). Outras importantes minorias religiosas so: budismo, jainismo e parsis.

So falados mais de 1.600 idiomas ou dialetos, compreendidos em 14 grandes grupos. A constituio estipula que o hindu (falado por 30% da populao) o idioma oficial, embora o ingls seja um idioma associado aos assuntos administrativos. A constituio tambm reconhece 17 idiomas regionais oficiais. Ver lnguas indianas; Arte e Arquitetura da ndia; Literatura indiana.

De acordo com a Constituio de 1949, emendada posteriormente, a ndia uma repblica democrtica soberana dentro do Commonwealth. O governo tem uma estrutura federal e a repblica uma unio de estados e territrios administrados de maneira central.

O poder executivo reside no presidente, que tambm chefe do Estado. Entretanto, o verdadeiro poder executivo se encontra nas mos de um conselho de ministros responsveis perante o Parlamento, formado pelo Rajya Sabha (Conselho dos Estados ou cmara alta) e o Lok Sabha (Cmara do Povo ou cmara baixa).