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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°79 - MARÇO DE 2004

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FENAM 2004 estimula negócios no setor madeireiro

Em sua 23ª edição, a Fenam, realizada em conjunto com a ABPMEX (Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Madeiras), reúne, exclusivamente, tecnologia para a área madeireira. Com isso, consolida-se como a maior, mais completa, importante e tradicional feira da área no Brasil.

As mais de 100 empresas - a maioria do Brasil e outras da América, Ásia, Europa e Oceania - abrangerão tecnologia para manejo de florestas; máquinas e equipamentos para extração e beneficiamento da madeira, transporte e armazenagem, equipamentos para poda e desbaste, tecnologia de controle sanitário, controladores químicos para tora e madeira serrada, máquinas e equipamentos para serraria, entre outras áreas.

O foco no setor madeireiro leva também a Fenam a oferecer um fórum técnico, o Seminário de Industrialização e Comercialização de Produtos de Florestas Plantadas e Naturais. Além disso, já está programada a participação de empresas que ajudam na exportação para auxiliar os interessados em levar seus produtos para o exterior. Estas iniciativas, em parceria com a ABPMEX, segundo Carlos Jung, agregarão ainda mais valor à feira.

Em termos de máquinas e equipamentos, o visitante terá exemplares da indústria brasileira, italiana, alemã, coreana, norte-americana, australiana, eslovena e de Taiwan.

Eventos paralelos e simultâneos estão sendo estruturados em encontros regionais que já acontecem em vários estados, promovidos pela ABPMEX, e vão culminar com o grande encontro da classe durante a feira. Além disso, na agenda de rodada de negócios já está prevista a presença dos principais importadores de madeira do continente europeu. "As principais trades estarão ali, representando o mercado madeireiro. Mais de 80% do mercado exportador brasileiro estará ali. Isso representa uma grande oportunidade para os empresários de máquinas para madeira", lembra Roque Zatti.

Para Carlos Jung, a parceria com a ABPMEX e o conseqüente apoio da entidade é fundamental para a realização com sucesso da Fenam.

Curitiba, além de ser conhecida como Capital Ecológica do Brasil por suas ações na área de meio ambiente e gerenciamento de resíduos sólidos, foi eleita, pelo terceiro ano consecutivo, pela Revista Exame, a melhor cidade brasileira para se fazer negócios.

Com uma população de 2,4 milhões de habitantes e gerando um PIB per capta de US$ 7.8 mil, Curitiba possui uma completa infra-estrutura, sendo a 3ª maior do país em estrutura hoteleira. Também disponibiliza serviços como uma diversificada gastronomia e excelentes rodovias, que melhoram o acesso para a capital e para outras localidades como o Porto de Paranaguá, que fica a 95 km da cidade, e aproxima Curitiba, ainda mais, dos principais mercados do Cone Sul. Para aqueles que necessitam de transporte aéreo, a Capital Ecológica tem um aeroporto internacional.

Já o Centro de Exposições de Curitiba/Parque Barigüi, localizado dentro do principal parque da cidade, possui uma larga tradição no mercado de feiras, tendo sediado mais de 420 eventos de negócios.

O pavilhão – com10 mil m2 de área livre para exposição, pé-direito de 6 metros e estacionamento livre para 2.500 veículos - possui toda a infra-estrutura para receber feiras de grande porte.

A ABIMCI, entidade que representa as empresas que atuam no processamento da madeira em diversos segmentos, participa com cerca de 2,0% do PIB, pouco mais de US$ 8 bilhões, com uma arrecadação em tributos superior a US$ 2,1 bilhões. Focada na Floresta Produtiva, a associação está desenvolvendo diversos planos nacionais de qualidade com vistas aos mercados interno e externo, conforme diz o presidente da entidade Odelir Battistella.

Demanda maior que a oferta = aumento de preço e maior aproveitamento da matéria-prima. Esta equação simples resume a tendência do mercado madeireiro para os próximos anos. Segundo Mário Sant'Anna Júnior, da Holtz Consultoria Florestal SC Ltda., se as taxas de crescimento da demanda continuarem nos níveis dos últimos cinco anos, a próxima década será um período de escassez de madeira nas florestas plantadas.

Para o consultor, este fenômeno proporcionará uma tendência na elevação do preço das matérias-primas florestais. "Por conseqüência, abre-se um campo enorme de oportunidades de investimentos industriais - alavancando o setor de máquinas e equipamentos para a indústria madeireira. As empresas vão procurar cada vez mais agregar valor à matéria-prima. Esses fatos justificam uma atenção maior em novos equipamentos e tecnologias, visando o melhor aproveitamento da madeira e a qualificação no processo de beneficiamento, afirma Sant'Anna Júnior.

A área de reflorestamento no país é de 5,4 milhões de hectares. "O Brasil está sendo visto hoje como importante fornecedor de produtos à base de madeiras advindas de lidas de reflorestamento e tem se comportado de maneira competitiva no cenário internacional. O mercado norte-americano é nosso principal destino, seguido do europeu", completa o consultor.

A Fenam 2004 marca os 31 anos de realização da primeira edição da feira. Tudo começou em 1973, quando, aproveitando o fato de Curitiba ser um dos principais centros de extração, beneficiamento e produção de madeira, a Diretriz Empreendimentos S/A promoveu e organizou a 1.ª Feira Nacional da Madeira. Nesses 31 anos, a Fenam integrou-se definitivamente ao processo de expansão e crescimento econômico do Brasil.

Neste tempo, mais do que consolidar marcas como a Fenam - uma das mais importantes feiras de máquinas para madeira do mundo e a mais tradicional da América do Sul, a Diretriz ampliou suas atividades.

Aliás, o sucesso da Fenam é fruto também do sucesso da Diretriz na realização de eventos em seus 36 anos. Sempre de olho no crescimento, a empresa construiu a sua própria área de eventos - o Centro de Exposições de Curitiba/Parque Barigüi - projeto arquitetônico com dez mil metros quadrados, arrojado e construído nos moldes europeus. A obra foi inaugurada em 1975.

Hoje, o Grupo Diretriz - formado pela Diretriz Empreendimentos S/A, Diretriz Feiras e Eventos Ltda. e pela montadora de estandes Prostand Projetos e Montagens Ltda. - é o mais tradicional promotor de feiras do Sul do País, acumulando mais de 420 feiras de negócios.



Negócios futuros

Na medida em que alguns empresários reclamam do momento ruim no mercado, também exaltam que um aliado para se começar a fugir da crise é um evento como a Fenam. Esta é a expectativa, por exemplo, do empresariado do Rio Grande do Sul, um dos grandes pólos madeireiros do Brasil. A hora é de estreitar laços com o mercado. “E nada melhor para isso do que uma feira como a Fenam, que proporciona contatos e desenvolvimento de negócios futuros”, explica o presidente do Sindimadeiras - RS, Edenir Zattis.

Para ele, há uma expectativa de que a baixa de juros volte a aquecer o mercado, como a construção civil, e por conseqüência, melhore o cenário para os madeireiros também. “Por isso é importante estar com máquinas e equipamentos atualizados e os contatos em dia agora para quando a economia retomar o fôlego ter mais chances de negócios”.

Zattis conta que o Rio Grande do Sul não foge à regra quanto à crise. O mercado gaúcho tem cerca de dez empresas trabalhando com maciços, basicamente de pinus, voltados para a exportação e mais de 800 lidando com chapas mais direcionadas ao mercado interno. ”Independentemente da crise, temos que nos manter atualizados, pois o cliente, seja ele do mercado interno ou externo, exige cada vez mais agilidade e qualidade”.

A baixa de juros também alimenta as esperanças do empresariado de Rio Negro. “É um indicativo importante para nos animarmos. Com menos juros, a economia começa a girar e o reflexo vem para o nosso setor com certeza”, diz Milton W. Bueno, presidente do Simovem (Sindicato das Indústrias de Móveis, Marcenarias, Carpintarias, Artefatos de Madeira, Serrarias, Madeiras Laminadas e Compensadas de Rio Negro), que engloba 58 empresas do município e região.

Para ele, o clima de otimismo aliado à realização da Fenam configura um cenário promissor. “Esperamos que antes mesmo da Fenam a situação já esteja melhor, mas mesmo assim se os negócios ainda não forem feitos durante a própria feira, com certeza ela será a impulsionadora, ainda mais se a economia já estiver se recuperando”, aponta Bueno.

Para o Siman-TO (Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Tocantins), junto com a expectativa de dias melhores na economia, também há um anseio por busca de tecnologias. “Temos tido dificuldades, até financeiras, para melhorarmos as nossas empresas. Estamos na busca de treinamentos em programas estaduais e federais e investimentos que possam melhorar as nossas madeireiras para a competição no mercado interno e externo. Neste sentido, participar da Fenam já um grande passo”, conta Célio Batista Alves, presidente do Siman-TO.

Quem também pretende alcançar bons resultados é a Paraná Equipamentos, de Curitiba, que mostrará máquinas florestais. O consultor florestal da empresa, Toru Sato, afirma que já conhece a clientela que visita o estande da Paraná Equipamentos. “A nossa expectativa para a Fenam é fazer novos contatos e marcar presença no mercado”, afirma.

A Lucas Mill apresenta as serrarias portáteis. Estas máquinas são deslocadas de tora para tora, fazendo o desdobro na floresta. Assim fica desnecessário o transporte de toras, uma operação bastante prejudicial ao solo e ao resto da vegetação e que normalmente exige maquinário pesado e caro. A máquina tem como destaque o corte exato, que facilita o beneficiamento econômico das peças em plainas. "Queremos contribuir para uma atividade madeireira que seja sustentável e, ao mesmo tempo, mais lucrativa", diz Heide Seidler, diretora administrativa.

Luís Carlos Mecabô, diretor Comercial da Planalto Indústria e Comércio, de Erval Velho (SC), conta que a empresa vai participar da Fenam porque a feira tem exatamente o público que a Planalto procura. "Como produtor de equipamentos, tenho que ir para a feira que leva o madeireiro como visitante, e não o moveleiro", afirma. No mercado desde 1998, a indústria fabrica picadores de madeira. Na Fenam, a Planalto vai mostrar ao público picadores de madeira fixos e florestais, descascadores de tora e sistemas de alimentação para caldeiras. "Faremos lançamentos de produtos na feira", completa Mecabô.

Elemar Roque Schuck, diretor da Castormaq Indústria de Máquinas Ltda., instalada em Caxias do Sul (RS), afirma que "a empresa tem dois objetivos na Fenam: divulgar o seu trabalho e fechar negócios". Schuck conta que a indústria foi criada em outubro do ano passado. É uma empresa nova, mas com profissionais oriundos de outras empresas fabricantes de máquinas, portanto, que têm "larga experiência", ressalta o empresário.

A Secamaq, de Salete (SC), especializada na construção de estufas para secagem de madeira serrada, vê a Fenam como chance de fechar mais parcerias na busca pelo mercado externo. "Já exportamos para o Mercosul, mas queremos novos mercados, principalmente porque a feira tem o apoio da ABPMEX", diz Raphael Rogério dos Passos Borba, da área comercial.

Para a Masi Máquinas, de Cascavel (PR), a Fenam será a oportunidade de apresentar dois lançamentos para a área de descascadores de toras. "Além disso, estaremos com promoções para comemorarmos os 30 anos da empresa. Será importante porque consideramos a Fenam como o mais completo evento do segmento de madeira", diz Alceu Macedo, diretor da Masi.

A Fenam surge como uma alternativa para os empresários ampliar os negócios e assim, poder investir em tecnologia. Para o presidente do Sindimadeiras - RS, Edemir Zatti é a hora é de estreitar laços com o mercado. “E nada melhor para isso do que uma feira como a Fenam, que proporciona contatos e desenvolvimento de negócios futuros”. Para ele, há uma expectativa de que a baixa de juros volte a aquecer o mercado, como a construção civil, e por conseqüência, melhore o cenário para os madeireiros também. “Por isso é importante estar com máquinas e equipamentos atualizados e os contatos em dia agora para quando a economia retomar o fôlego ter mais chances de negócios”.

Zatti conta que mercado gaúcho tem cerca de dez empresas trabalhando com maciços, basicamente de pinus, voltados para a exportação e mais de 800 lidando com chapas mais direcionadas ao mercado interno. ”Independentemente da crise, temos que nos manter atualizados, pois o cliente, seja ele do mercado interno ou externo, exige cada vez mais agilidade e qualidade”.

A baixa de juros alimenta as esperanças do empresariado de Rio Negro. “É um indicativo importante para nos animarmos. Com menos juros, a economia começa a girar e o reflexo vem para o nosso setor com certeza”, diz Milton W. Bueno, presidente do Simovem (Sindicato das Indústrias de Móveis, Marcenarias, Carpintarias, Artefatos de Madeira, Serrarias, Madeiras Laminadas e Compensadas de Rio Negro), que engloba 58 empresas do município e região.

Para ele, o clima de otimismo aliado à realização da Fenam configura um cenário promissor. “Esperamos que antes mesmo da Fenam a situação já esteja melhor, mas mesmo assim se os negócios ainda não forem feitos durante a própria feira, com certeza ela será a impulsionadora, ainda mais se a economia já estiver se recuperando”, aponta Bueno.

Para o Siman-TO (Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Tocantins), junto com a expectativa de dias melhores na economia, também há um anseio por busca de tecnologias. “Temos tido dificuldades, até financeiras, para melhorarmos as nossas empresas. Estamos na busca de treinamentos em programas estaduais e federais e investimentos que possam melhorar as nossas madeireiras para a competição no mercado interno e externo. Neste sentido, participar da Fenam já um grande passo”, conta Célio Batista Alves, presidente do Siman-TO.

Falta de matéria-prima também é o problema apontado pelo presidente do Sindusmadeira, de Guarapuava (PR), Pedro Bittencourt. “Sofrem principalmente as pequenas e médias indústrias, que não têm reflorestamento próprio. É preciso se criar novas áreas de reflorestamento para alavancarmos ainda mais este setor, que responde por 75% de todos os empregos formais gerados na indústria em Guarapuava”, comenta Bittencourt.

Este ano, 19 empresas do setor mobiliário de Arapongas se uniram na formação do Conex Furniture Brazil, um consórcio de exportação. A iniciativa tem o apoio do Sima (Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas), que trabalha também num Plano de Negócios para fomentar as exportações. Os primeiros alvos são América Central, África, Médio Oriente e Leste Europeu.

"Os resultados serão muito importantes para o desenvolvimento da indústria nacional do setor", afirma Sebastião Batista, presidente do Sima. Há algumas exceções, no entanto, em relação às exportações. De acordo com o presidente do Simovem, de Rio Negro (PR), Milton Bueno, muitas empresas entraram no boom das exportações atraídas pelo dólar acima de R$ 3,00 e agora estão tendo problemas. “Alguns empresários investiram muito nesse ramo e como o dólar caiu, eles quebraram”, diz Bueno.

A Fenam 2004 vai incrementar ainda mais as possibilidades de negócios para os expositores e visitantes. Pela primeira vez na história do evento, comerciais exportadoras, ou trades, - que atuam como intermediárias entre os maiores madeireiros do país e o mercado externo - participarão do evento.

Dez empresas da área de várias partes do Brasil estarão juntas no estande da ABPMEX (Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Madeiras), a qual são filiadas.

O diretor executivo da ABPMEX, Vasco Flandoli Sobrinho, explica que as comerciais exportadoras participantes foram responsáveis pela maior parte do US$ 1,76 bilhão exportados no ano passado em madeira serrada e beneficiada.

De acordo com ele, as empresas estarão disponíveis na feira para orientar os interessados em exportar produtos de madeira. "Além disso, estarão prontas também para abrir contato comercial e realizar negócios", adianta Vasco.

Para ele, as trades são a melhor solução para as madeireiras que queiram colocar seus produtos no mercado externo e não contam com departamento próprio para exportação. "As trades conhecem os melhores mercados no exterior, produtos que mais agradam e, por isso, têm condições de oferecer o melhor negócio para o empresário".

Vasco ainda comenta que, por representarem no mercado externo os interesses comerciais de madeireiras de todas as regiões, as comerciais exportadoras conhecem os trâmites burocráticos que cercam a exportação. Estas empresas são, portanto, uma opção segura para os exportadores que querem ter a certeza de que a sua mercadoria será entregue no prazo e no local certos e que eles receberão pela venda.



Março 2004