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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°79 - MARO DE 2004

Economia

Sistema utilizado por laminadoras reduz custos

Um grupo de pesquisadores realizou uma anlise econmica da explorao, transporte e processamento de madeira de florestas nativas, no municpio de Jaru, estado de Rondnia. O objetivo determinar e analisar os custos de explorao, transporte e processamento de madeira de florestas nativas para serrarias e laminadoras do municpio.

Os dados foram obtidos por meio de questionrios especficos aplicados em serrarias e laminadoras que atuam naquele municpio. Os resultados mostram que as serrarias tm custos de explorao e transporte maiores que as laminadoras.

Assim, enquanto as serrarias gastam US$ 21.88/m na explorao e US$16.40/m no transporte, as laminadoras gastam apenas US$15.69/me US$10.05/m nestas mesmas atividades. Os custos mdios de processamento de madeira das serrarias e laminadoras so iguais a US$71.98 e US$48.56 por m, respectivamente. Para a maioria das espcies florestais usadas pelas serrarias e para todas as espcies usadas pelas laminadoras, o preo de compra das toras colocadas nos ptios das indstrias pelos toreiros menor que a soma do preo de compra da madeira em p e dos custos de explorao e transporte florestal. Do ponto de vista econmico, neste caso, mais interessante para as empresas comprar madeira dos toreiros, do que arcar com os custos das atividades inerentes compra, explorao e transporte de toras.

A explorao a atividade florestal que causa o maior impacto ambiental, bem como, uma das de maior representatividade na formao dos custos da madeira serrada de florestas nativas ou plantadas. Na regio Amaznica esta atividade, ainda que caracterizada pelo uso seletivo de poucas espcies florestais por unidade de rea e realizada de forma itinerante, resulta em danos ecolgicos e econmicos relevantes. Tradicionalmente, a explorao tem sido feita de forma inadequada e desordenada. A mecanizao, quando utilizada, prescinde de planejamento e racionalizao das atividades de derrubada, arraste e transporte.

A soluo desta situao implica em treinamento do pessoal envolvido e na substituio do equipamento empregado que, inicialmente, elevar os custos de extrao em funo dos investimentos necessrios.

A rea de estudo o municpio de Jaru, estado de Rondnia, localizado no eixo da rodovia Marechal Rondon (Cuiab - Porto Velho), cerca de 300 Km a sudeste de Porto Velho. A populao de 53.438 habitantes, a precipitao e a temperatura mdia anual so de 2.200 mm e 20C, respectivamente. A vegetao existente no municpio compreende os tipos floresta tropical densa e floresta tropical aberta.

O estudo foi elaborado pelos pesquisadores Antonio Donizette de Oliveira, Jos Roberto Soares Scolforo e Jos Luiz Pereira de Rezende, professores do Departamento de Cincias Florestais - UFLA, de Lavras MG, e pelo engenheiro florestal da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondnia, Eugnio Pacelli Martins.

Custos de explorao e transporte florestal

Entre os itens que compem o custo de transporte, a depreciao o que tem o maior percentual de participao, seguido dos custos de manuteno e de combustveis e lubrificantes. Considerando a soma dos itens de custos de explorao e transporte florestal, a participao da depreciao a maior, com 27,5% nas serrarias e 25,8% nas laminadoras. Deve-se ressaltar que muitas empresas no consideram a depreciao de mquinas, equipamentos e veculos em seus clculos de custos, conforme constatou-se nas entrevistas. Esta atitude pode levar ao sucateamento precoce dessas empresas caso no formem um fundo de reserva que permita a reposio das mquinas e equipamentos no momento em que atingirem o final da vida til.

Algumas indstrias madeireiras do municpio de Jaru no tm estrutura prpria para a explorao e, s vezes, nem para o transporte. A opo dessas indstrias comprar madeira dos chamados toreiros (extratores autnomos responsveis pela explorao e transporte de madeira at o ptio das serrarias e laminadoras), que atuam apenas como fornecedores.

Em relao aos preos de venda da madeira em p na floresta e em toras colocadas nas esplanadas ou nos ptios das indstrias, contatou-se que o cedro e o freij so as espcies mais caras. O preo do metro cbico de cedro passa de US$ 42.11 para a compra da madeira em p na floresta para US$ 105.26 para toras colocadas no ptio de estocagem.

Para todas as espcies a soma do preo de compra de madeira em p e do custo mdio de explorao maior que os preos de compra de madeira em toras colocadas nas esplanadas. Nesse caso, melhor para as serrarias comprar a madeira nas esplanadas.

Das quinze espcies usadas pelas serrarias, onze (angelim, cabriuva, caixeta, cumaru, garapa, garrote, jatob, jit, muiracatiara, roxinho e sucupira) podem ser adquiridas em toras colocadas nos ptios das empresas, por preos menores que a soma do preo de compra de madeira em p e dos custos de explorao e transporte florestal.

J os preos das espcies cedro (US$ 105.26/m, cerejeira (US$ 73.68/m, cumaru (US$ 105.26/m) e ip (US$ 57.89/m) so mais altos que o total gasto para comprar, explorar e transportar a madeira, sugerindo que as prprias serrarias devem realizar essas atividades.

Geralmente, as serrarias no consideram adequadamente essas situaes pela inexistncia de um valor de mercado dos custos de explorao e transporte florestal na regio. Entre as espcies consumidas pelas laminadoras (bandarra, caucho, pinho cuiabano e sumama), considerando os preos de compra de toras nas esplanadas, s o caucho pode ser adquirido por valor inferior ao da soma do custo mdio de explorao (US$ 15.68 / m) e do preo de compra da madeira em p (US$ 10.53 / m)

Em relao ao preo das toras colocadas nos ptios das empresas, todas as espcies podem ser compradas por valores menores que o total gasto com explorao, transporte e aquisio de madeira em p.

A maioria das laminadoras no terceiriza a explorao e o transporte florestal devido aos entraves burocrticos e estrita vigilncia exercida pelos rgos pblicos sobre os autnomos toreiros com relao s autorizaes de explorao e transporte. Em algumas situaes os toreiros trabalham de forma ilegal, chegando a provocar descontinuidade no suprimento de matria-prima s empresas.

Custo de processamento da madeira

Nas sete serrarias pesquisadas, o volume de madeira serrada varia de 670 m a 7.500 m por ano. Essa grande variao se deve a fatores como o nmero de espcies usadas pelas serrarias, o tipo e a quantidade de mquinas e equipamentos de cada indstria, a fonte de matria-prima (compra de madeira dos toreiros ou compra de madeira em p na floresta).

A serraria VII, por exemplo, tem a maior produo anual de madeira serrada (7.500 m), trabalha com 15 espcies florestais, tem duas serras de fita, um guincho com conjunto de afiao, duas serras circulares (alinhadeiras), duas destopadeiras, duas fitas de desdobro, trs plainadeiras, duas destopadeiras para acabamento, duas taqueadeiras e uma p-carregadeira. Alm disso, compra a madeira em p na floresta e dispe de estrutura prpria para explor-la e transport-la at o ptio de estocagem, o que garante um fluxo contnuo de matria-prima para processamento.

Por outro lado, a serraria I, que tem a menor produo de madeira serrada por ano (670 m/ano), trabalha com apenas 4 espcies florestais, tem uma capacidade de processamento de madeira pequena (uma serra fita, um guincho com conjunto de afiao, uma serra circular, duas destopadeiras, uma plainadeira e uma taqueadeira) e compra madeira de toreiros que em algumas pocas do ano no tm toras disponveis, forando-a a paralisar suas atividades.

Os custos de processamento da madeira variam entre as serrarias em funo do tipo e quantidade das mquinas e equipamentos usados e da quantidade e grau de especializao dos funcionrios. Uma serraria tpica tem serra de fita (24 das 25 serrarias de Jaru possuem este equipamento), um guincho com conjunto de afiao, uma serra circular, duas destopadeiras, uma fita de desdobro, uma plainadeira, uma destopadeira de acabamentos, uma taqueadeira e uma p-carregadeira. Dispe, ainda, de 20 operrios no especializados e de 8 trabalhadores especializados, incluindo operadores de serras de fita e empregados de escritrio.

Os itens do custo de processamento que mais contribuem para a formao do custo total so os salrios (35,05%), os encargos sociais (20,33%) e a depreciao de mquinas e equipamentos (13,73%).

A serraria V tem o menor custo de processamento por m (US$ 46.50/m) e a serraria I tem o maior custo (US$ 164.38/m). O custo mdio de processamento de US$ 71.98/m.

Nota-se que, em mdia, as laminadoras produzem cerca de 11.500 mde lminas por ano a um custo de US$ 48.56/m. Os salrios, os encargos sociais e a depreciao so os itens com maior participao na formao do custo total.

Para as condies especficas em que o estudo foi desenvolvido, pode-se concluir que as serrarias tm custos de explorao e transporte maiores que as laminadoras. Assim, enquanto as serrarias gastam US$ 21.88/m na explorao e US$ 16.40/m no transporte, as laminadoras gastam apenas US$ 15.69/m e US$ 10.05/m nestas mesmas atividades; os custos mdios de processamento das serrarias e das laminadoras so iguais a US$ 71.98 e US$ 48.56 por m, respectivamente; para a maioria das espcies florestais usadas pelas serrarias (angelim, cabriuva, caixeta, cumaru, garapa, garrote, jatob, jit, muiracatiara, roxinho e sucupira) e para todas aquelas usadas pelas laminadoras, o preo de compra das toras colocadas nos ptios das indstrias pelos toreiros menor que a soma do preo de compra da madeira em p e dos custos de explorao e transporte florestal.

Do ponto de vista econmico, mais interessante para as empresas comprar madeira dos toreiros que arcar com os custos das atividades inerentes compra , explorao e transporte de toras.



Maro 2004