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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°77 - NOVEMBRO DE 2003

Reflorestamento

Aspectos ambientais das plantaes de Pinus e Eucaliptos

No Brasil a implantao de macios florestais puros, na grande maioria formados por espcies exticas, conseqncia da evoluo de toda uma estrutura industrial que tem como objetivo atender a demanda das regies mais desenvolvidas do pas com matria-prima necessria para a produo de papel, celulose, chapas, aglomerados, carvo vegetal, mveis, e outros.

Para o setor industrial, o interessante que a floresta produza a maior quantidade possvel de biomassa no componente madeira. No entanto isto nem sempre possvel, pois dependendo da espcie e das condies de stio, as prioridades de alocao dos carboidratos podero ser alteradas o que por sua vez ter um reflexo na produo de biomassa e acmulo de nutrientes nos diferentes componentes das rvores.

A utilizao de espcies exticas como o Eucalipto e o Pinus, o adensamento de plantas, as tcnicas de preparo do solo bem como a intensidade de colheita florestal so algumas das prticas silviculturais que podem ser controladas atravs do conhecimento da produo de biomassa e distribuio desta nas diversas partes da planta, com vistas a manuteno da produtividade em longo prazo dos ecossistemas.

Atravs da exportao de nutrientes, via colheita florestal, que ocorre a maior limitao com relao manuteno da produtividade dos stios. O sistema de rotaes curtas, sem levar em conta o planejamento de uma reposio nutricional, uma das principais causas da degradao dos solos.

Logo, considerando-se a grande variao de stios onde as florestas so plantadas, de fundamental importncia que estudos de ciclagem de nutrientes e monitoramento nutricional sejam implantados nas diferentes fases de manejo dos povoamentos. Desde os desbastes at o corte final da floresta.

Durante a fase inicial de desenvolvimento de uma floresta, uma grande parte dos carboidratos canalizado para a produo de biomassa da copa e razes. Entretanto com o passar do tempo, quando as copas comeam a competir entre si, produo relativa do tronco aumenta e a das folhas e ramos diminui gradativamente.

Conforme estudo realizado por Schumacher, em 1995, o percentual de biomassa de copa e razes de uma floresta de E. saligna, tende a diminuir com o passar do tempo. O autor observou que o E. saligna, aos 4 anos de idade, teve um produo de biomassa de 94,8 Mg ha-1 distribudas em 9% de folhas, 7% de ramos, 8% de casca, 60% de madeira e 16% de razes. Para a mesma espcie aos 7 anos de idade, a produo de biomassa foi de 158 Mg ha-1 distribudas em 3%, 5%, 7%, 74% e 11% para as folhas, ramos, casca, madeira e razes, respectivamente.

A ciclagem de nutrientes em florestas pode ser avaliada atravs da compartimentalizao da biomassa acumulada nos diferentes estratos ou estgios de desenvolvimento e a quantificao das taxas de nutrientes que se movimentam entre seus compartimentos. Podem ser considerados como compartimentos biomassa area das rvores, a serapilheira acumulada sobre o solo, a biomassa das razes, a vegetao do subosque e o solo.

Os teores de nutrientes so maiores nas partes mais ativas metabolicamente das plantas, como folhas e brotaes, devido aos seus ativos envolvimentos em relaes enzimticas e compostos bioqumicos de transferncia de energia e transporte eletrnico; as menores concentraes de micronutrientes so encontradas na madeira. Contudo, para a maioria dos nutrientes, na madeira que se encontram os maiores contedos dos mesmos, simplesmente devido sua maior massa seca .

A manuteno do estoque de nutrientes minerais no solo bem como da produtividade de biomassa das florestas de rpido crescimento esta ligada diretamente ao processo de ciclagem de nutrientes.

Os percentuais de K, Ca, Mg, Zn e B exportados em desbastes de Pinus taeda so altos e podem limitar o crescimento e produo das futuras rotaes.

Um estudo sobre a produo de biomassa constatou que o acmulo de nutrientes em floresta de eucalipto de diferentes idades, verificou que apesar da madeira apresentar os menores teores de nutrientes, devido a sua elevada biomassa relativa (74,4% da biomassa total ao 8 anos de idade) a remoo deste componente, atravs da colheita florestal, acarreta elevada exportao de nutrientes, sobretudo, se combinada com outros componentes como casca e galhos.

Recomenda-se o descasque da madeira e a permanncia dos galhos e folhas no campo, o que reduz substancialmente a exportao de nutrientes, principalmente do elemento clcio, presente em altas concentraes na casca. Ao avaliar a quantidade de serapilheira acumulada sobre o solo e o estoque de nutrientes da mesma em diferentes idades de Pinus taeda, foi verificada a importncia deste compartilhamento na sustentabilidade.

Verifica-se que com o aumento da idade da floresta h um maior acumulo de serapilheira e logo uma maior oferta de nutrientes para o sistema radicular das rvores de Pinus. As acculas representam a maior quantidade frao da serapilheira, logo esta tende a armazenar mais nutrientes.

Aps a explorao da floresta, em hiptese alguma a superfcie do solo deve ficar desprotegia pois os riscos de eroso e perdas de nutrientes podem ser agravados;

Por ocasio da colheita florestal, todos os resduos, inclusive a serapilheira, devem permanecer no stio sem serem queimados, pois estes representam grande fonte de matria orgnica e nutrientes para as futuras rotaes;

Com a retirada das rvores ocorre uma mudana no microclima do stio o que por sua vez acelera os processos de decomposio da serapilheira que se encontra acumulada sobre o solo e acaba resultando na liberao de CO2 para a atmosfera e perda de nutrientes para as camadas mais profundas do solo.

Ao contrrio das culturas agrcolas, com a colheita florestal a exportao de nutrientes do stio bem menor. As florestas podem ser grande fonte de captura e acmulo de CO2 da atmosfera.



Fonte: Mauro Valdir Schumacher; Prof. Dr. do Dep. de Cincias Florestais da Universidade Federal de Santa Maria-RS