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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°77 - NOVEMBRO DE 2003

Mveis e Tecnologia

Madeira de reflorestamento para mveis

Os reflorestamentos em larga escala iniciaram-se em 1966, com o plantio de extensas reas de eucalipto, pinus e pinheiro-do-Paran (Araucria), para produzir madeira para as indstrias de celulose e papel, de chapas de fibras e para produzir carvo siderrgico. Em 1984 registraram-se 5,5 milhes de hectares de reas reflorestadas.

Posteriormente, outros usos, cada vez mais nobres, foram desenvolvidos para estas madeiras, que despontaram finalmente no setor moveleiro, tanto na forma slida, aparente ou revestida, como em painis compensados, chapas de fibra ou mesmo lminas. Podem ser citados desde os mveis de custo relativamente baixo, confeccionado em madeira aglomerada, at seu desenvolvimento posterior, em qualidade, desempenho e design, que caracterizaram os mveis em madeira slida de pinus e araucria, com beleza e linhas escandinavas.

O sucesso da introduo de novas madeiras no setor moveleiro depende do conhecimento sobre suas caractersticas de comportamento e uso, alm do suprimento assegurado com qualidade compatvel ao uso desejado. Estes requisitos de mercado vem sendo atendidos pelas madeireiras de reflorestamento, que certamente passaro a contribuir mais intensamente para suprir o setor moveleiro com matria-prima de tima qualidade, a preos competitivos.

So muitas as espcies reflorestadas com potencial para a fabricao de mveis. Entre elas: araucria ou pinho-do-paran, cinamono, eucalipto, grevlea, pinus e teca.

A araucria uma das madeiras preferidas pela indstria de mveis devido s suas caractersticas de fcil usinagem, cor e peso adequados. Seu crescimento relativamente lento, mesmo em plantaes bem conduzidas. Requer terras frteis, competindo portanto com a agricultura, o que se reflete na sua pouca disponibilidade e preo relativamente altos. A madeira oriunda de plantaes leve, clara e de crescimento uniforme, com excelentes caractersticas fsicas e mecnicas. Suas plantaes concentram-se no Oeste do Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O cinamomo uma madeira de crescimento rpido, leve e clara, da mesma famlia que o cedro e o mogno. Assemelha-se ao cedro embora apresente cor mais clara. Apresenta bons rendimentos na produo de lminas faqueadas e como madeira slida, seca facilmente, e proporciona excelente acabamento. No existem muitas plantaes e o volume de madeira produzido ainda no significativo. Pode ser encontrado no estado do Paran e no Rio Grande do Sul.

O eucalipto a madeira mais estudada atualmente sob todos os aspectos e a mais plantada. At 1996 existiam cerca de 2,92 milhes de hectares de plantaes, com produo de 600 mil m por ano para chapas de fibras e aglomerados. Adicionalmente, outros 50 mil m, por ano, de madeira de alta qualidade para serraria e mveis esto sendo produzidos no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais.

Aproximadamente mais de 80 mil m/ano estaro sendo produzidos no Esprito Santo, alm da produo tambm no Paran.

Uma das espcies mais favorveis para a indstria moveleira o eucalipto grandis, de cor clara, avermelhada e densidade mdia, que necessita cuidados no desdobro e secagem mas proporciona excelente material para mveis. Esta espcie pode ser clonada ou reproduzida vegetativamente, a partir das melhores rvores e assim, pode atingir as caractersticas mais apropriadas para o setor. O eucalipto citriodora a madeira mais pesada, castanha clara, muito resistente, que apresenta excelentes resultados de acabamento em mveis. Pode ser encontrada comercialmente nos estados de So Paulo, Paran e Minas Gerais.

A grevlea uma madeira de crescimento rpido, densidade mdia, cor castanha clara levemente acinzentada, podendo apresentar efeitos quase prateados. Em planos de corte radiais assemelha-se ao carvalho. A usinagem fcil, conseguindo-se excelentes rendimentos e acabamentos. Apresenta secagem fcil e produz lminas e compensado de boa qualidade. Existem poucas plantaes e portanto ainda h pouca disponibilidade da madeira; encontra-se no Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Pioneira entre as madeiras de reflorestamento usadas pela indstria moveleira, o pinus representa cerca de 30% da madeira serrada produzida no Brasil, em especial nas regies Sudeste e Sul. Vrias espcies esto disponveis, nas formas slidas e em lminas: o pinus elliotti mais comum, amarelado e resinoso, com anis de crescimento bem demarcados, e os pinus oocarpa, patula e caribea, mais claros, poucos resinosos, mais ou menos densos.

As plantaes destas espcies e seu processamento concentram-se nos estados de Minas Gerais, So Paulo, Paran e Santa Catarina. A madeira de pinus taeda mais firme, clara e pouco resinosa, No entanto, pode apresentar muito ns.

A madeira de todas as espcies de pinus de fcil usinagem, apresenta bons rendimentos e excelentes acabamentos, mas tem pouca resistncia mecnica e superficial, devendo ser utilizada com cuidados nas estruturas de mveis e requerendo acabamento superficial protetor. A madeira de pinus deve ser tratada com produtos preservantes que evitem a contaminao por fungos apodrecedores e fungos causadores da mancha azul.

A tea uma madeira nobre, atualmente produzida em plantaes no Mato Grosso, medianamente pesada, com boa resistncia, grande estabilidade, fcil de secar e usinar, proporcionando excelente acabamento. usada em todos os tipos de mveis internos e externos, com excelentes resultados. madeira tradicional no comrcio internacional e muito valorizada. H uma previso do uso crescente desta madeira no mercado moveleiro.



Caractersticas

Entre as rvores, dois grupos recebem nomenclatura diferentes: conferas, para as gimnospermas, como o pinho-do-Paran; e folhosas ou latifoliadas, para as angiospermas dicotiledneas, como o ip e a peroba.

O tronco ou fuste a parte da rvore de maior interesse comercial, pois dele se obtm a madeira. O tronco apresenta, do centro para a periferia, respectivamente, a medula, o cerne, o alburno e a casca.

A medula a parte central do tronco. O cerne e o alburno constituem o chamado lenho. O cerne mais escuro e geralmente mais durvel que o alburno: este ltimo uma madeira suscetvel deteriorao devido sua menor resistncia aos ataques de insetos e fungos. Salvo excees, como a virola, que apresenta cerne e alburno da mesma cor, a parte do tronco de maior interesse comercial o cerne.

Um problema comum, mesmo para tcnicos especializados, a dificuldade para se identificar madeiras. difcil distinguir uma madeira da outra dentro da enorme variedade de espcies encontradas no Brasil.

Para se ter uma idia, o Instituto de Pesquisas Tecnolgicas do estado de So Paulo IPT conta com um acervo de 18 mil amostras de madeiras, pertencentes a 3 mil espcies, 600 gneros e 100 famlias.

A identificao de madeiras tem como objetivo orientar sua comercializao nos mercados interno e externo, evitando enganos e substituio das espcies. Alm disso, assegura a identificao correta constituindo uma base segura para estudos tecnolgicos das madeiras. Para identific-las so utilizados trs planos de observao: a superfcie transversal, a tangencial e a radial.

Superfcie transversal (ou de topo): o plano de caule. Nessa seo, podem ser facilmente observados, com lupa, o cerne, o alburno, os anis de crescimento e os raios da madeira.

Superfcie tangencial: o plano de corte longitudinal, perpendicular aos raios e tangencial s camadas de crescimento.

Superfcie radial: o plano de corte longitudinal, que passa pelo centro do tronco, paralelamente aos raios e perpendicularmente s camadas de crescimento. A identificao das caractersticas sensoriais da madeira, tais como cor, cheiro e sabor, pode dar-se pelo processo macroscpico ou atravs da observao a olho nu. necessrio grande prtica e, mesmo assim, possvel distinguir apenas as poucas espcies que possuem caracteres de identificao muito pronunciados, como, por exemplo, a cor do pau-roxo, o cheiro do cedro, e o sabor do pau amargo.

Para um exame mais preciso, usa-se uma lupa de 10 vezes de aumento, uma navalha para polimento da superfcie da madeiram conhecimento e experincia na comparao entre madeiras.



Caractersticas anatmicas

As caractersticas essenciais para a identificao de madeiras so o parnquima, os vasos, os poros e os raios, observveis nos processo macroscpico e microscpico.

Parnquima um tecido todo composto de clulas curtas, de paredes finas, em geral mais claro que a parte fibrosa do lenho. Existem diversos tipos de parnquima: o aliforme (presente no cumaru e na sucupira), o confluente (Angelim-pedra, garapa), o difuso (piqui), em faixa ou linha (cedro, goiabo), o marginal (jatob, mogno) e o vasicntrico (cabreva-vermelha).

Poro a seo transversal de um vaso. A ausncia de poros na madeira indica espcie pertencente ao grupo das conferas, como o pinho-do-Paran, araucria e o pinus elliotti.

A presena de poros classifica a madeira no grupo das folhosas, isto , espcies de madeira provenientes da regio amaznica, como, por exemplo o mogno, o jatob, o ip e a muiratiara.

Os raios dispem-se no sentido radial em relao ao eixo da rvore. Na superfcie do topo da amostra, apresentam-se como abundantes linhas retilneas prximas umas das outras, em geral mais claras. Na superfcie radial, apresenta-se como linhas ou faixas horizontais, observveis a olho nu, como no louro-faia e no carvalho-brasileiro.



Caractersticas Sensoriais

So as caractersticas que podem ser reconhecidas pelos rgos dos sentidos, como cor cheiro, sabor e brilho.

A cor uma das propriedades da madeira diretamente relacionada ao seu uso, principalmente como elemento decorativo. A colorao da madeira origina-se normalmente dos pigmentos e outros materiais, como taninos e resinas, que se fixam principalmente no cerne.

A cor alterada pela incidncia da luz solar, pelo teor de umidade e pela exposio ao ar. A madeira escurece devido oxidao de componentes orgnicos. O aspecto acinzentado da madeira velha ocorre porque as fibras de celulose da superfcie se soltam. Isso acontece principalmente quando a madeira no recebeu verniz, tinta ou outro tratamento superficial preservativo. Para identificao, a cor pode ser observada na superfcie do cerne recm-polido com uma navalha. Madeiras identificveis por sua cor tpica so o pau-roxo, o pau amarelo e a brana-preta.

Quanto ao cheiro, a presena de compostos orgnicos determina esta caracterstica. Estas substncias em geral so encontradas no cerne, onde o odor mais pronunciado. possvel identificar algumas espcies de madeiras apenas pelo seu odor caracterstico.

Alguns exemplos de espcies com cheiro agradvel so os louros e o cedro. A cupiba tem odor desagradvel. O piqui tem cheiro suave de fermento ou vinagre; a cerejeira tem odor agradvel, lembrando baunilha. O cheiro tambm determina o uso da madeira, pois caixas para embalagens de alimento, por exemplo, no podem ter odor algum. O sabor ou gosto da madeira est relacionado com o seu cheiro e em geral mais pronunciado em madeiras verdes ou recm cortadas.

O brilho a propriedade que faz com que as paredes celulares da madeira reflitam luz. Em geral, as madeiras so mais brilhantes nas fases radicais. Espcies consideradas brilhantes so a itaba e a canela.

A textura da madeira a impresso visual produzida pelo tamanho dos poros e raios. O carvalho-brasileiro e o louro-faia, por exemplo, possuem textura grossa. O guatambu e a grumixava, entre outras, so madeiras de textura fina.

A gr refere-se disposio dos elementos fibrosos do lenho, identificados na seo longitudinal da madeira. O angelim-preta, por exemplo, tem gr irregular.

Figura o termo usado para descrever o desenho natural das faces da madeira, que resulta de vrias caractersticas como cerne, alburno, cor, gr e principalmente, de dois elementos estruturais: anis de crescimento e raios. O corte realizado na madeira tambm influencia na figura. A imbuia, por exemplo, tem gr ondulada; o pinus elliotti possui anis de crescimento de cores distintas.



Fonte: Instituto de Pesquisas Florestais IPT-SP .