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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°77 - NOVEMBRO DE 2003

Madeiras

Manejo alternativa para a floresta amaznica

Apesar de estudiosos apontarem o manejo como soluo para o desenvolvimento sustentvel da Amaznia, a madeira manejada ainda representa menos de 5% da produo regional

Um estudo recente, feito por entidades relacionadas ao setor florestal, constatou que h mais de 200 espcies amaznicas comercializadas no Estado de So Paulo. As vendas so feitas por tipo de madeira e no por espcie botnica. Por exemplo, a madeira denominada cedrinho corresponde a mais de 20 espcies botnicas. Em 2001, foram comercializadas aproximadamente 75 tipos de madeira amaznica. Esta demanda demonstra a necessidade de um plano de manejo sustentado para manter a floresta amaznica conciliando o desenvolvimento da economia nacional.

A mata nativa, se manejada, poder conciliar gerao de renda e emprego e ao mesmo tempo garantir a manuteno da floresta. Somente a rea de florestas existente na Amaznia, em regime de manejo sustentado, pode ampliar a participao do setor dos atuais 4,5% do PIB para mais de 7%, gerando uma receita anual de US$ 43 bilhes. Mas, os esforos para o desenvolvimento de um setor madeireiro social e ambientalmente

responsvel so recentes. At 1994, o manejo florestal era inexistente na Amaznia. Em 2001, a rea manejada j era superior a um milho de ha, dos quais um tero correspondia s florestas certificadas de acordo com os padres do Conselho de Manejo Florestal (FSC), o maior sistema de certificao florestal do mundo. Um avano importante, porm insuficiente, pois a madeira manejada ainda representa menos de 5% da produo regional.

As informaes, contidas no livro Acertando o Alvo 2, o primeiro estudo detalhado sobre o uso de madeira amaznica no mercado nacional tem enfoque no estado de So Paulo, que responde por 20% do consumo brasileiro. Este livro uma extenso do Acertando o Alvo, publicado em 1999, o qual revelou que a grande maioria (86%) da madeira amaznica era consumida no Brasil, enquanto apenas 14% eram exportados. Este estudo foi realizado por uma parceria entre o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaznia (Imazon), Amigos da Terra Programa Amaznia Brasileira e o Instituto de Manejo e Certificao Florestal e Agrcola (Imaflora). A iniciativa contou com o apoio da Agncia Alem de Cooperao Tcnica (GTZ) e da Embaixada do Reino dos Pases Baixos.

No estado de So Paulo, o segmento de indstrias de produtos de madeira (mveis, pisos e esquadrias) que utiliza madeira amaznica formado por cerca de 600 estabelecimentos. A maioria (63%) dessas indstrias se concentram nos plos de Votuporanga, Mirassol, Tiet, Itatiba e So Bernardo do Campo e as empresas restantes (37%) nos outros municpios do Estado. Em 2001, essas indstrias consumiram cerca de 457 mil metros cbicos de madeira amaznica serrada, o que representou 1,3 milho m de madeira em tora.

As indstrias de mveis de madeira usam tanto madeira da floresta amaznica como tambm madeira de reflorestamento (em especial, pinus), aglomerado e MDF (Medium Density Fiberboard). Por outro lado, as indstrias de pisos e esquadrias de madeira preferem a madeira amaznica.

Em 2001, as indstrias de produtos de madeira no estado de So Paulo consumiram aproximadamente 924 mil m, dos quais 457 mil m (49%) eram madeira serrada de origem amaznica. Considerando-se um rendimento mdio de 36% no desdobro da madeira em tora para a madeira serrada, ou seja, 2,8 m em tora para 1 m serrado (Gerwing et al. 2000), a quantidade de madeira em tora necessria foi cerca de 1,3 milho de metros cbicos.

Tipo de madeira utilizado pelas indstrias de produtos de madeira no estado de So Paulo, 2001.

Construo civil

Em 2001, para uma rea construda de cerca de 6 milhes de metros quadrados na cidade de So Paulo, foram consumidos aproximadamente 216 mil m de madeira serrada (equivalente a 0,6 milho de m em tora) originria da Amaznia. Desse total, 80% representam madeiras descartveis (frmas e andaimes) e apenas 20% produtos beneficiados (pisos, esquadrias e mveis).

As incorporadoras e construtoras em operao no Municpio de So Paulo revelaram insatisfao com a qualidade da madeira adquirida na Amaznia. Por exemplo, as peas beneficiadas (pisos, esquadrias, mveis etc.) apresentaram vrios problemas, tais como secagem inadequada e dimenses imprecisas. Alm disso, os fornecedores de madeira amaznica freqentemente no cumprem os prazos de entrega, o que acarreta prejuzos severos no cronograma das construtoras.

Os tipos de madeira mais utilizados para vigamento foram cupiba e garapeira (32%); enquanto cedrinho e cambar foram os tipos preferidos para as tbuas e pranchas (27%). Para os forros das casas, cedrinho foi o tipo preferido; enquanto jatob que a principal madeira amaznica exportada, representou somente 4% do volume total comercializado. Em 2001, havia 15 empresas de casas pr-fabricadas de madeira cujo consumo total em madeira serrada foi cerca de 60 mil m. Expresso em madeira em tora, o volume total consumido por essas empresas foi 168 mil m por ano. Desse total, a grande maioria (98%) era proveniente da Amaznia. Para efeito de clculo total de madeira amaznica consumida, esse segmento contribuiu com aproximadamente 165 mil m de madeira em tora.

Indstrias de Mveis



A grande maioria (91%) das 3.500 indstrias de mveis do Brasil utiliza madeira como matria-prima, enquanto apenas 9% usam metal, plstico e outros materiais, segundo a Abimvel. Essas indstrias esto situadas principalmente nos plos moveleiros de: Bento Gonalves (RS), So Bento do Sul (SC), Arapongas (PR), Ub (MG), Linhares (ES) e no Estado de So Paulo, nas cidades de Mirassol, Votuporanga e So Bernardo do Campo.Os tipos de madeira amaznica mais utilizados na fabricao de mveis so garapa, angelim pedra, cedro e cedrinho. A madeira proveniente de reflorestamento principalmente pinus e, em menor proporo, eucalipto.

Na regio de Votuporanga e Mirassol predominam indstrias especializadas na produo de mveis populares, tais como camas, estofados, armrios, mesas e outros. Existem, em mdia, 240 indstrias nesses plos consumindo cerca de 644 mil metros cbicos de madeira, dos quais 36% so madeira amaznica. O aglomerado representa 34% do consumo e a madeira oriunda de reflorestamento, como pinus e eucalipto, contribuiu com 17% da madeira consumida, seguida por compensado e chapa dura (7%) e MDF (6%).

Em Itatiba, onde esto situadas as indstrias de mveis finos (mveis para hotis, restaurantes e lojas de luxo), havia 40 empresas, cujo consumo total foi 9.200 metros cbicos em 2001. Nesse plo, o consumo de madeira amaznica representou 64% da matria-prima utilizada; o compensado representou 26%; o MDF somou apenas 8%; enquanto a lmina de madeira amaznica somou 2%.

Em So Bernardo do Campo concentram-se as indstrias de mveis que utilizam menor proporo de madeira amaznica em relao ao plo de Votuporanga. Existem cerca de 75 indstrias de mveis, entre elas indstrias de peas refinadas (mveis finos), mobilirio para escritrio e mveis populares. As 225 indstrias existentes no restante do Estado utilizaram 168 mil m de madeira. Nessas indstrias, o consumo de madeira amaznica representou 64%, seguido por madeira de reflorestamento (14%), MDF (13%) e compensado e lmina (9%).

Pisos e Esquadrias



A grande maioria (99%) da madeira utilizada nas indstrias de pisos e esquadrias provm da Amaznia. Essas indstrias, concentradas principalmente no plo de Tiet, consumiram cerca de 52 mil m de madeira serrada da Amaznia, o que representou aproximadamente 147 mil metros cbicos de madeira em tora. As principais espcies madeireiras utilizadas eram ip e jatob.

No existem plos de pisos e esquadrias no estado de So Paulo e na regio Sul do Brasil. H somente algumas indstrias dispersas e isoladas nessas regies.

Os preos dos principais produtos florestais comercializados no estado de So Paulo, em 2001, variaram de acordo com o tipo de madeira utilizada e o tipo de industrializao. Por exemplo, o preo de 1 m de cedrinho foi em mdia R$ 925 para forro, enquanto na forma de tbuas valeu apenas R$ 415. Assim, uma mesma espcie pode ter diferentes preos, de acordo com o tipo de acabamento do produto. Os assoalhos de jatob e ip, por exemplo, apresentaram um preo mdio de R$ 1.600 por metro cbico, enquanto as tbuas de cedroarana e cambar alcanaram um preo bem inferior, apenas R$ 390 por metro cbico. Comercializao

Em 2001, a maioria (60%) das vendas dos produtos industrializados de madeira foi realizada por estabelecimentos de revenda de pequeno porte (lojas de mveis, casas de decorao); 24% desses produtos foram comercializados nas grandes lojas varejistas; 10% das indstrias possuam lojas prprias; e, finalmente, 6% dos produtos foram vendidos de vrias formas, tal como venda direta s construtoras e incorporadoras.

No h uma tendncia majoritria para o uso futuro de madeira amaznica na indstria de produtos de madeira. Nos diversos segmentos do setor de base florestal as opinies divergem de acordo com o tipo de indstria.

De acordo com 31% das indstrias entrevistadas, a madeira de reflorestamento dever predominar sobre a madeira amaznica. Essa percepo mais comum nas indstrias de mveis populares. Para esses empresrios, a madeira de reflorestamento (em especial, pinus) possui menor relao custo/benefcio quando comparada madeira amaznica.

Porm, para 30% das empresas, dever haver um aumento da participao de madeira amaznica na composio dos produtos. Os motivos para essa preferncia derivam das vantagens da madeira amaznica como cor, beleza, durabilidade e resistncia mecnica.

Para 39% das indstrias entrevistadas, tanto a madeira amaznica como a matria-prima oriunda de reflorestamento devem continuar sendo utilizadas nas mesmas propores atuais. Os entrevistados revelaram que uma mudana na preferncia ocorreria apenas em funo da expanso ou retrao dos mercados. Por exemplo, o mercado interno prefere madeira oriunda da Amaznia, enquanto o mercado externo tem optado por madeira de reflorestamento, principalmente pinus.