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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°77 - NOVEMBRO DE 2003

Gesto - Manejo

Sistema de Gesto Ambiental no setor florestal

Verifica-se na ltima dcada um aumento na conscincia social com relao necessidade de uma maior racionalidade no uso dos recursos naturais.

Esta conscincia social gerou grande presso sobre o sistema poltico econmico, gerando um processo de adequao do setor produtivo, na busca de uma maior sustentabilidade do sistema de explorao e manufaturao.

Inicialmente, a parcela do setor produtivo que buscou essa adequao, o fez atravs da implantao de equipamentos para tratamento de seus efluentes e gases emitidos. Este tipo de soluo, apesar de j ser considerado um avano, no solucionava a questo da sustentabilidade e acarretava um aumento nos custos de produo, que tornava essa prtica pouco atrativa do ponto de vista econmico, em funo de uma relao custo benefcio baixa. Mas serviu como o incio do processo de busca de novos conceitos de produo.

Se antes o sistema produtivo utilizava-se da explorao sem limite dos recursos naturais, parecendo acreditar que seu estoque era infinito. Hoje ele v na sustentabilidade deste sistema, uma necessidade para sua prpria sobrevivncia. Assim, seja por uma real conscincia ambiental, ou pela conscincia de que a perpetuao da indstria depende da perpetuao dos estoques de matria prima, novos conceitos e tecnologias de produo vem sendo desenvolvidos e aplicados na busca de um sistema sustentvel.

Hoje claro que eficincia ambiental sinnimo de eficincia de produo. E neste sentido, a busca de uma maior produo no mais se faz atravs do aumento na quantidade de entrada de matria prima, mas sim no melhor aproveitamento e utilizao desta, permitindo a sua reduo para a produo de uma mesma quantidade de produto final.

Um primeiro passo nesse sentido foi a criao do conceito de Sistema de Gesto Ambiental nos moldes do j consagrado Sistema de Gesto de Qualidade. Este tipo de sistema, se baseia em uma poltica ambiental definida pela organizao, que obrigatoriamente deve estar de acordo com a legislao ambiental vigente, ser dinmica atravs de um processo de melhoria contnua e teoricamente permitir sociedade visualizar o comportamento ambiental da organizao, atravs da certificao desse sistema.

Apesar da criao do Sistema de Gesto Ambiental SGA ser um avano na busca da sustentabilidade, o mesmo apresenta limitaes que tem o tornado de baixa aplicabilidade.

O SGA com possvel certificao, foi criado para atender uma exigncia de mercado, e no atuar diretamente na melhoria da eficincia ambiental e consequentemente produtiva. A sua estrutura direcionada ao esclarecimento do pblico com relao poltica ambiental da organizao, com pouca aplicabilidade direta no setor de produo da organizao, que onde se encontra geralmente a raiz de qualquer problema ambiental da mesma. Seja atravs do consumo desregrado de matria prima, com altas taxas de desperdcio e no utilizao de resduos, at a emisso de gases e efluentes.

Por isso o prprio setor empresarial enxerga o SGA unicamente como uma ferramenta de mercado, e no uma ferramenta para melhoria efetiva da qualidade ambiental e produtiva da sua linha de processamento.

Outra questo a dificuldade de se estabelecer indicadores confiveis da melhora da sua eficincia, pois o SGA carente de ferramentas que permitam uma anlise completa, que traduza de forma fiel o comportamento ambiental da organizao.

Em paralelo ao conceito de SGA, criou-se o conceito de Ecologia Industrial EI. A Ecologia Industrial estuda o metabolismo industrial, atravs de ferramentas que permitem visualizar o comportamento de uma determinada substncia ou produto, e suas diversas interaes com materiais secundrios. Essas ferramentas geralmente so direcionadas para estudos em escala macro, como relaes intersetoriais, relaes entre os ptios industriais de diferentes pases e outros. Mas passvel de ser aplicado em micro escala, como o estudo de uma organizao especfica.

Essas ferramentas tem demonstrado grande eficincia na identificao de indicadores, e na anlise do comportamento ambiental das diferentes organizaes.

Uma tendncia atual a aplicao conjunta destes dois conceitos, em funo dos seus objetivos comuns e complementao.

No setor florestal especificamente, tm-se dado grande nfase na adequao das tcnicas de explorao da floresta, atravs da utilizao de Plano de Manejo Sustentvel. E como forma de satisfao sociedade, criaram-se certificados que comprovam que determinada madeira tem origem de florestas, onde esta tcnica que representa um uso racional em funo de seu carter sustentvel, aplicada.

Apesar do grande avano que este tipo de tcnica representa e respectiva valorizao do produto no mercado atravs de sua certificao. Quando tratamos do setor florestal, devemos lembrar da importncia da adequao da diviso industrial, representada principalmente pela indstria de processamento de madeira slida, como serrarias, movelarias, fbricas de lminados, compensados, aglomerados e chapas de fibra.

Quando tratamos de indstria madereira, o conceito de que eficincia ambiental sinnimo de eficincia produtiva, claro. Otimizar a linha de produo representa a gerao de menos resduos, e reduo da presso sobre as florestas, atravs da diminuio da quantidade de matria prima necessria para produzir uma mesma quantidade de produto. Tambm torna-se claro a aplicabilidade do SGA associado a ferramentas da EI. Onde o SGA tm a funo de ajustar a organizao a legislao ambiental, adequar a estrutura geral da empresa atravs da melhoria do meio ambiente local e no entorno e permitindo empresa atuar em setores mais restritos do mercado.

As ferramentas da EI permitem um melhor diagnstico da linha de produo, atravs de uma anlise detalhada do comportamento da substncia envolvida, no caso madeira. Tanto em termos de massa, como em termos de energia. Permitindo identificar indicadores, que possibilitam a verificao do processo de melhoria contnua, a qual premissa para o SGA. E auxiliando no processo de elaborao e monitoramento (auditoria) do SGA. Dessa forma o SGA, passa a ser mais facilmente visto como uma ferramenta til para a organizao, na busca da melhoria de sua qualidade ambiental e de produo, pelo empresariado. Deixando de ser considerado como apenas uma ferramenta de mercado. E a EI, passa a ter mais uma aplicao, entre as vrias onde j comprova sua utilidade.

Qualquer forma de desenvolvimento econmico ou social depende da biosfera, do espao terrestre e da atmosfera, na qual se desenvolvem os seres vivos. Por outro lado, a estabilidade dos seres vivos e dos ecossistemas mantida por fluxos energticos que em ltima anlise so provenientes do Sol, por fluxos materiais resultantes da reciclagem de nutrientes e de interaes entre os seres vivos e a matria inanimada.

A busca da sustentabilidade funo no somente da manuteno da qualidade de vida no planeta, mas tambm a necessidade de se perpetuar o estoque de matria prima para o sistema industrial, que tem seu incio na explorao e uso de recursos naturais.

Em funo da crescente importncia dos problemas ambientais nos modelos econmicos e de desenvolvimento, se torna importante o estudo do comportamento dos materiais e substncias dentro da economia, pois existe uma relao direta de determinados problemas ambientais com estes fluxos.

As tcnicas de anlise devem apoiar a transio para uma economia guiada pela tecnologia e pela transferncia de informao, na qual notrio a relao eficincia, lucro e proteo ambiental. A noo de que a poluio e os resduos esto associados ineficincia e de que a ineficincia se paga, comea a disseminar-se e a constituir parte integrante da orientao social e poltica. Em uma primeira fase, a indstria procurou utilizar equipamentos para tratamento de seus efluentes, e satisfazer a legislao, o que constitui uma ameaa a sua atividade, por aumentar os seus custos de explorao. Em uma segunda fase, na qual se incluem as empresas de sucesso com maior viso estratgica, a indstria propiciou a investigao e o desenvolvimento de novas tecnologias de produo mais limpa com eco-design, criando oportunidades de negcio com importantes vantagens, as quais so promovidas por um crescente eco-marketing.

Na ausncia de redues significativas nos fluxos de matria e energia, nas prximas dcadas verificar-se-a um declnio acentuado no consumo per capita de alimentos, energia e produo industrial. Este declnio no no entanto inevitvel. Para o evitar, so essenciais duas mudanas. A primeira consiste numa reviso das polticas e prticas que perpetuam o crescimento material e demogrfico. A segunda consiste num aumento rpido na eficincia com que os materiais e a energia so utilizados.

Outros benefcios associados produo mais limpa incluem a reduo de custos de produo, atravs de menores perdas de energia e matria prima, gerando uma maior racionalidade da produo.

Neste sentido, a busca pela adequao destes sistemas, permitindo a reduo dos seus impactos ao meio atravs de um maior equilbrio, tornou-se um objetivo comum para toda a sociedade. Esta adequao permite ganhos para o meio ambiente, para a sociedade e para a receita gerada pela cadeia de produo, independente da matria a ser trabalhada e qual o produto final desejado.

O sistema scio econmico basicamente possui duas maneiras de contemplar o material antropognico e os fluxos energticos. O primeiro focaliza o social ou o sistema scio econmico como uma unidade de anlise, o segundo, observa este sistema de uma perspectiva ambiental que corresponde a perspectiva do ecossistema na biologia. Neste caso, se observa o sistema maior dentro do qual o sistema scio econmico opera, e relaciona entradas e sadas de recursos aos fluxos do sistema mais abrangente.

Ambos esto ligados ao sistema social humano e o seu equilbrio funo de caractersticas similares existentes entre eles.

Isto pode ser demonstrado dentro de um modelo de simulao das interaes entre o sistema scio econmico e o natural. Ou com uma combinao de tcnicas analticas e normativas usadas freqentemente em projees relativas ao desenvolvimento sustentvel.

Os efeitos colaterais do metabolismo de um sistema social em particular, tal como uma cidade ou um setor econmico, no confinado a um determinado territrio e nem a um ecossistema especfico. Ao analisar o metabolismo de um sistema em termos de energia ou matria, ou o fluxo mssico entre este sistema e seu ambiente pode-se fazer uma reviso geral em termos de matria ou energia (ou ambos), ou selecionar determinados fluxos de materiais ou substancias qumicas de um produto. Normalmente estas anlises se fazem atravs da comparao entre as taxas de produo e as taxas de consumo de determinados recursos dentro do sistema de referncia. Como exemplo, cita-se a anlise de sada de um sistema (emisses e desperdcios) relacionadas capacidade de absoro ou armazenamento dentro do ecossistema.

O clculo do metabolismo total de um material em uma economia nacional requer, uma base de dados, estatsticos e econmicos para todos os materiais, no somente em termos monetrios, mas tambm em termos de massa e energia. Esta totalidade de fluxos de materiais de uma economia nacional particularmente importante como um parmetro que pode ser apresentado em um determinado perodo e ser relacionado ao desempenho econmico em termos financeiros.

A totalidade de fluxos de materiais de uma economia nacional, praticamente impossvel estabelecer um ecossistema correspondente. O total de massa ou o metabolismo energtico de um estado da nao est inserida na biosfera do planeta inteiro como seu ambiente natural.

Para fluxos mssicos especficos, mais fcil definir um ecossistema que seja afetado pelos respectivos processos scio econmicos, mas continua sendo um objetivo difcil. Geralmente os sistemas atmosfricos e aquticos no respeitam limites nacionais, e muitos fluxos de materiais no podem ser confinados aos parmetros territoriais. A nica exceo principal energia armazenada na biomassa da planta que pode ser estabelecida de forma confivel para um territrio nacional e ser relacionado ao consumo humano.

A pesquisa em nvel regional tem a vantagem de que a regio pode ser escolhida de forma que assegure que as caractersticas do sistema biofsico coincidam em sua maior parte com as definies polticas e econmicas, permitindo aproximaes dentro de ambas estruturas. Este pode ser o caso de unidades regionais relativamente pequenas (uma cidade por exemplo). Visto que para cidades e unidades administrativas regionais, os dados estatsticos scio econmicos esto na maior parte disponvel.

Outras unidades a serem consideradas so organizaes individuais. Aparentemente os atributos formais da fsica da constncia da massa e da energia, assim como da anlise de input-output (econmica), esto sendo usados geralmente como uma linha mestra, tendo por resultado a seguinte equao: (1) a soma de entradas (material/ energia) em um sistema se iguala a soma das sadas do mesmo, mais as mudanas no estoque.

Outra equao : (2) o metabolismo do sistema iguala a soma dos metabolismos de seus subsistemas ou compartimentos, mais transferncias internas. Esta equao utiliza a aproximao de sistemas, ao olhar uma economia ou uma sociedade como um todo.

Mas esta igualdade difcil de ser encontrada na prtica, pois diversas vezes no se consideram determinados subsistemas e compartimentos, gerando um diferencial entre a entrada e a sada. E tambm se deve lembrar da Lei da Entropia, e do fato de que estes sistemas quase em sua totalidade so abertos, quando nos referimos ao balano de energia e massa. Por isso, para utilizao da AFM como ferramenta de anlise, deve-se definir os limites da atividade econmica. Onde o incio e o fim do sistema a ser analisado. Tornando este espacialmente e de forma temporal fechado e permitindo uma aproximao das equaes citadas acima.

Conclui-se ento que como indicadores do desempenho ambiental da sociedade, o metabolismo scio econmico e a anlise de fluxos de materiais (incluindo energia) fornecem parmetros importantes para integrar vrios interesses.

Pode se dizer com quase absoluta certeza, que a anlise de fluxo material est se transformando em uma das ferramentas mais poderosas para descrever e analisar problemas ambientais, bem como problemas do desenvolvimento sustentvel em um nvel-macro.

E da mesma forma esta ferramenta pode ser utilizada para obter parmetros no nvel micro, mais especficos desta unidade, para que se trabalhe a melhoria da sua eficincia.

A sustentabilidade est associada ao conceito de ciclos (sistema fechado), onde o processo se auto alimenta. Mas quando tratamos do setor de manufaturao, que so sistemas abertos e por tanto no cclicos, estamos tratando do equilbrio entre a quantidade de matria prima utilizada (entrada) e produto gerado mais resduos descartados no meio (sada), e no em sustentabilidade. O metabolismo industrial um sistema linear e ao mesmo tempo catico, no permitindo a sua auto alimentao, e por tanto no podendo ser considerado sustentvel.

Visando alcanar este equilbrio, surgiram dois conceitos. Um baseado na elaborao e implantao de Sistemas de Gesto Ambiental-SGA especficos, e o outro na utilizao de ferramentas que analisam o metabolismo industrial, encontrados dentro da Ecologia Industrial-EI, como a Anlise de Fluxo de Material e Energia.

A ISO Institute of Standarlization Organization, gerou a padronizao da normalizao no setor de certificao de Sistemas de Gesto Ambiental SGA, como j o tinha feito com os Sistemas de Gesto de Qualidade -SGQ. Mas perceptvel, que ao se criar um padro global, em funo da necessidade de se atender as possibilidades e vontades de todos os pases, e ter a aceitao dos mesmos, alguns pontos do SGA ficaram descobertos. Como a dificuldade em se obter indicadores confiveis, que possam ser usados em diferentes regies e situaes, de forma que se tornem referncia em relao ao comportamento da eficincia ambiental de organizaes similares.

Dessa forma, necessrio a aplicao de uma ferramenta que fornea estes indicadores, e aumente a clareza no processo de elaborao e principalmente monitoramento do SGA.

A Ecologia Industrial-EI, normalmente aplicada para a gesto ambiental de sistemas maiores , como o fluxo de materiais, substncia e produtos entre pases e diferentes setores industriais. O estudo de fluxo, possui estrutura malevel, podendo ser aplicada a diferentes situaes, e fornece uma imagem clara e verdadeira do comportamento do objeto de estudo ao longo do sistema determinado. A interpretao de seus resultados, como um comportamento padro deve ser feita com cautela, por envolver diversas variveis especficas para cada situao, mas permite o reconhecimento de pontos que podem ser usados como parmetro para indicar o nvel de eficincia ou qualidade ambiental.

Em funo dessas caractersticas complementares, e objetivos comuns. A associao destes dois conceitos torna-se de grande interesse. Mas em funo da complexidade dessa ferramenta, a introduo de uma variante, como a Anlise de Fluxo de Massa - AFMs e Anlise de Fluxo de Energia - AFE, envolvendo apenas a substncia principal da linha de montagem, pode ser a resposta para uma anlise mais objetiva, com menor complexidade em sua execuo. Auxiliando as empresas interessadas na melhora de sua eficincia ambiental e de produo, com possibilidade de certificao e aquelas certificadoras, no processo de elaborao, monitoramento e auditoria interna e externa do SGA proposto. E tambm permitindo a estas uma maior clareza na apresentao de seu trabalho a sociedade, quando este se fizer necessrio. Ressaltando que apesar do SGA envolver todos os setores da organizao. o setor de produo, o ponto principal a ser analisado, j que nele que se encontra a raiz, da maioria das variveis ambientais a serem trabalhadas.

Desta forma, busca-se na AFM e AFE, ferramentas que permitam uma resposta com a mesma eficincia, mas com menor custo financeiro e temporal, para elaborao de um SGA. E no caso do setor de processamento de madeira slida, esta caracterstica aparece com maior clareza, devido a caractersticas prprias da substncia madeira, que se trata de biomassa com possibilidade de uso direto para obteno de energia, e ser um dos recursos que maior presso social para reduo de seu uso sofre.

Ao utilizarmos a Anlise de Fluxo de Massa e Energia - AFME para auxiliar na elaborao e implantao do SGA, devemos dividir o processo em trs fases.

Na primeira fase, utilizamos a AFME para visualizarmos e diagnosticarmos o sistema de produo da organizao, tendo como objeto de anlise apenas o material madeira. Assim podemos definir a origem e tipo de matria prima, sua forma de aplicao ao longo da linha de produo, a qualidade dos resduos e poluentes gerados, a destinao destes resduos, quais outras substncias esto envolvidas no processo, como se posiciona a linha de produo dentro do espao fsico total da organizao e as fontes de energia envolvidas e respectivo consumo.

O levantamento do fluxo de massa e energia executado ao longo de toda a linha de produo de forma pontual (por mquina e equipamento). Desta forma pode-se estabelecer o desenho detalhado do fluxo. No caso do fluxo de massa, este obtido atravs da converso do volume (m) e respectiva massa especfica (g/ cm), obtendo-se a massa em Kg.

E o fluxo de energia obtido computando-se o consumo de energia mecnica (eltrica, vapor, calorfica), energia corprea e o equivalente em energia que a massa de madeira pode fornecer, em Kcal.

Em paralelo a aplicao do AFME na linha de produo, executa-se o diagnstico da estrutura fsica da empresa, utilizando o sistema padro de coleta de dados para elaborao de um SGA, que consiste no estudo da qualidade ergonmica do meio de trabalho, verificao da conformidade das atividades da empresa em relao a legislao ambiental vigente, sistema de eliminao de efluentes e lixo (orgnico e inorgnico), e a existncia de programas de carter ambiental, como incentivo ou patrocnio educao ambiental entre outros.

De posse do diagnstico de toda a estrutura da empresa, inicia-se a segunda fase, onde considera-se trs pontos como principais para definio da poltica e objetivos ambientais da organizao:

O fluxo do material principal, neste caso a madeira.

A conformidade da empresa em relao a legislao ambiental vigente.

Qualidade do ambiente de trabalho e do meio no entorno da indstria.

A anlise do fluxo permite determinar quais os pontos, e em que ordem estes devem ser trabalhados para reduo do impacto da linha de produo sobre o meio. Lembrando-se que as tcnicas a serem consideradas para melhoria da eficincia ambiental, devem se traduzir em aumento da eficincia de produo. Os pontos aqui considerados, alm de auxiliar na definio dos objetivos da empresa, tambm sero utilizados como indicadores do desempenho da organizao ao longo da implementao e execuo do SGA.

O principal objetivo em relao ao fluxo de massa e energia a equalizao deste, que tem como ponto timo a total transformao da matria prima em produto manufaturado, sem a gerao de resduo ou poluente (perda de massa e energia). E o ponto de referncia para este processo deve ser a quantidade de matria de sada, que deve se manter fixa. Pois um melhor aproveitamento da matria com conseqente aumento da taxa de produo, no deve aumentar a taxa de ingresso de recurso no sistema mas sim reduo na quantidade de matria prima explorada. Desta forma um dos objetivos ambientais, j est implcito na prpria utilizao desta ferramenta, que deve ser a reduo da presso sobre os recursos naturais, com manuteno da produo.

A AFME, auxilia a questo da conformidade com a legislao, definindo as massas envolvidas e respectivos meios de explorao, assim como resduos e efluentes gerados. Facilitando a identificao das exigncias legais a serem cumpridas.

Em relao a qualidade do meio de ambiente de trabalho e do entorno da estrutura fsica da organizao, a AFME auxilia identificando a destinao dos resduos gerados, e executando o monitoramento sobre as quantidades geradas e emitidas, que devem ter a sua reduo como outro objetivo da empresa.

Na terceira fase, onde o SGA j deve estar implantado, e permitindo o processo de melhoria contnua, deve-se ter os indicadores de eficincia definidos atravs da AFME. Estes indicadores devem ser representativos da melhoria do sistema como um todo. Ou seja, so pontos que sofrem alteraes em sua eficincia, sob influncia de qualquer outro ponto da linha, e geralmente esto relacionados diretamente com os objetivos implcitos na poltica ambiental definida pela organizao. Assim temos a AFME implantada em carter definitivo na empresa, com uma estrutura mais enxuta, mas que permite o monitoramento constante da qualidade ambiental e produtiva da indstria.

Como exemplo podese citar como indicador a quantidade de matria prima na entrada do sistema, para uma mesma quantidade de produto final gerado, e a emisso de gases e produo de resduos.

No caso de empresas que desejam a certificao, aps a implantao do SGA e para as empresas certificadoras, estes indicadores permitiro extrema praticidade do processo de auditoria, e exposio do comportamento ambiental da empresa.

Ao associarmos a EI com SGA, atravs da utilizao da AFME, durante o processo de elaborao, implantao e execuo do SGA. Esperamos no apenas simplificar o processo de anlise e identificao dos pontos de ineficincia ambiental, mas tambm tornar claro que, a melhoria destes se traduz em melhora da eficincia de produo.

Alguns resultados esperados esto implcitos na prpria utilizao da ferramenta:

Reduo da quantidade de matria necessria, mantendo a produo da indstria.

Reduo da quantidade de resduos gerados.

Reduo na quantidade de energia utilizada.

Aumento da receita, atravs da reduo nos custos de produo.

Melhoria do meio no entorno da indstria.

Os outros resultados so dependentes da poltica ambiental especfica adotada pela organizao dentro do SGA.



Alexander Rudolph Marin Sablowski.



Sablowski, A. R. M. Campus Universitrio Colina UnB, Braslia DF wskibr@yahoo.com.br