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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°77 - NOVEMBRO DE 2003

Construo Civil

Habitao social e design como oportunidades para o setor

O segmento da construo civil de grande importncia para o desenvolvimento da nao. No ponto de vista econmico destaca-se pela quantidade de atividades que intervm em seu ciclo de produo, gera consumos de bens e servios de outros setores e, do ponto de vista social, pela capacidade de absoro da mo-de-obra.

Segundo Sindicato das Industrias da Construo Civil do Estado do Paran o dficit habitacional brasileiro era da ordem de 6.539.528 unidades habitacionais, em 2000. Este dado aponta que no decurso de quase uma dcada, a taxa de crescimento anual foi, em mdia, de 2,2%. As necessidades atuais de incremento e reposio do estoque de moradias possuem incidncia notadamente urbana, que absorvem 81,3% do montante estimado, porm no exclusivamente metropolitana. Estas reas participam com apenas 29,3% da demanda total englobam 1.951.677 unidades.

O conjunto metropolitano apresentou incremento de 34% em suas estimativas de dficit habitacional ajustado no perodo de 1990 a 2000, a uma taxa mdia de crescimento de 3,3% ao ano. As regies metropolitanas representavam 26,1% do total nacional, em 1991, tendo elevado sua participao para 28,9% do dficit brasileiro, em 2000. As mais representativas continuam a ser So Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, h perda de posio relativa do Rio de Janeiro, de 24,9%, em 1991, para 19,6%, em 2000. Este comportamento decorre do reduzido acrscimo relativo de dficit habitacional estimado em 2000 na regio metropolitana do Rio de Janeiro, ao passo que so expressivos os acrscimos ocorridos nas demais regies metropolitanas, principalmente as de Curitiba e Belm.

O Brasil possui a maior e a mais diversificada (em nmero de espcies) floresta do mundo, detentor tambm de um clima e solo apropriado para o plantio de espcies de rpido crescimento. A rea cultivada com espcies de rpido crescimento, com o grande impulso de incentivos fiscais da dcada de 60 para o gnero eucaliptus por exemplo passou de 4.000 mil hectares para 4,8 milhes de hectares. O Brasil o 4o. maior produtor mundial de produtos florestais e no ramo das exportaes apenas o 14o.

No total de madeira produzida 53% destinada a lenha e carvo (baixo valor agregado) e 1,53 bilhes de m so destinados a transformao industrial. Destes 60% vo para o processamento mecnico, 27% para papel e celulose 13% para a fabricao de painis reconstitudos.

Apesar do Brasil ser um pas com evidente vocao florestal e o dficit habitacional constituir um problema social de enormes propores. A tradio construtiva em alvenaria de tijolos, introduzida pelos portugueses na poca da colonizao do pas, utilizando mo de obra escrava, ainda a mais utilizada.

Construo civil e setor florestal

A importncia econmica do setor da construo civil representada pela sua participao no Produto Interno Bruto-PIB. O setor industrial, participou no PIB, no perodo de 1975 1985, com aproximadamente 40% do total, concorrendo, a construo civil, com 6,5%, que corresponde a 16,2% no total das indstrias.

Em 1990, a indstria reduziu sua participao para 34,3%, sendo 6,9% a construo, e em 2000 a construo participou com 9,6% . Desta forma, sua participao no total das indstrias chega a 20,3%. Pode-se observar que isto resultou, em termos relativos, a um crescimento mais acentuado na construo do que na indstria de transformao.

O setor tambm participa na Formao Bruta de Capital Fixo, j que responsvel pela construo de edificaes: indstrias, centros comerciais, escolas e hospitais. Sua participao na Populao Economicamente Ativa (PEA) tambm expressiva: em 1980, a construo foi responsvel pela absoro de 7,3% enquanto que neste mesmo perodo, o total das indstrias absorvia 24,9%. J em 1986, a construo representou 6,5% da PEA.

A construo civil tem um papel social muito importante na gerao de empregos. O setor florestal brasileiro tambm apresenta grande potencial para a gerao de empregos, podendo ainda expandir significativamente.

Dada as vantagens comparativas que o pas possui, a participao de apenas 4% no PIB nacional parece muito pequena. Se for considerada uma rea plantada de 4,8 milhes e os 500.000 empregos gerados, pode-se concluir que o setor florestal altamente mecanizado e eficiente.

No Brasil, apesar da oferta de madeira, das potencialidades de reflorestamento e de uma crescente demanda por moradias, o uso da madeira na produo de habitaes irrisrio quando comparado com a Amrica do Norte e alguns pases da Europa. Restringe-se apenas a produtos de acabamento como pisos, rodaps, meia cana, estrutura do telhado e esquadrias, construo civil um dos principais mercados de produtos madeireiros.

Embora tenhamos tecnologias disponveis para construes de casas de madeira, este conhecimento ainda est restrito s universidades, em funo do pouco dilogo existente por parte dos empresrios, que produzem casas de madeira, com os pesquisadores universitrios.

Outro fator que contribuiu para esta realidade o fato de que o mercado consumidor brasileiro, no passado, no foi muito exigente em relao aos produtos disponibilizados pela indstria nacional da construo civil. Por outro lado esta situao comeou a mudar com a busca de alternativas construtivas mais rpidas e econmicas. Outro aspecto importante a questo da qualidade, desperdcios e processos construtivos. Os consumidores atingiram uma conscincia e um nvel de exigncias muito maior.

Consumo de madeira

Em 1993 foram realizadas investigaes com diferentes empresas construtoras e profissionais da construo. Foram identificados os volumes de consumo, considerando uma unidade habitacional mdia alvenaria.

Relaciona o setor de uso da madeira e o consumo mdio estimado por m para o sistema construtivo em alvenaria.

O uso da madeira para fins permanentes na construo civil em alvenaria para uma unidade de 50m foi em mdia 3,819m , 3,405m em madeira serrada e aproximadamente 0,414 m em painis para usos no definitivos. Com o desenvolvimento de novos sistemas construtivos, utilizando madeira serrada e painis poderia ser elevado este consumo de madeira serrada em 21,09% e o de painis em 78%.

A tabela relaciona o setor de uso da madeira e o consumo mdio estimado por m para o sistema construtivo utilizando madeira como vedao (painis) e estrutura (madeira serrada) em residncias:

A globalizao vem provocando a mudana de comportamento do mercado consumidor, exigindo das empresas um ajuste no sentido de tornarem-se mais competitivas. Qualidade apenas no mais um diferencial competitivo, para conquistar novos mercados. imprescindvel acrescentar elementos e caractersticas que identifiquem e diferenciem os produtos e servios em relao concorrncia. As estratgias empresariais incluem tambm a inovao tecnolgica, e principalmente o design como fator de valorizao do produto.

O design uma atividade multidisciplinar, envolve conhecimentos que iniciam na etapa de concepo de novos produtos e servios e desenvolvimento de aspectos da produo.

importante tambm para o marketing, porque ao se analisar um determinado produto, pode-se perceber a presena do design no s em sua forma de apresentao e utilizao, mas tambm na embalagem, no manual de uso, nos impressos e materiais promocionais, na forma de venda do produto, na marca e logomarca.

O design, ainda, assume o papel de descobrir novos atributos a serem explorados, simplificao e otimizao do processo produtivo, e barateamento dos custos de fabricao, aumento da qualidade e agregao de valor aos bens e servios.

Segundo a Confederao Nacional da Indstria (CNI), h muitos benefcios econmicos e estratgicos advindos da atividade de design, considera-se que esta absorva em mdia apenas 15% dos custos, mas comprometa cerca de 85% dos investimentos no desenvolvimento de um novo produto.

Outros dados estatsticos recentes apontam que cerca de 90% dos projetos implementados geraram lucros e o perodo mdio de recuperao do investimento realizado foi de 15 meses, a partir do lanamento do produto. Nos casos em que foi possvel fazer comparao com produtos anteriores, as vendas cresceram em mdia 41% e, 25% dos projetos abriram novos mercados domsticos.

Outros benefcios identificados abrangeram desde a reduo dos custos de fabricao at melhorias na imagem externa da empresa e economia de estoques; nos projetos implementados, os riscos financeiros foram baixos para todos os tipos de design.

Na indstria moveleira, onde j existem alguns programas de design como fator de valorizao do produto florestal, as empresas j comeam a ser competitivas inclusive a nvel internacional, a pesquisa de mercado e o planejamento estratgico parte integrante no processo produtivo, o diferencial do design, que neste caso pode valorizar o produto em at 7 vezes mais no mercado.

Segundo relatos do Green Peace , o mogno que sai ilegalmente do pas vendido pelos ndios da aldeia de Kaiaps, por US$ 30,00 o m; e vendido como madeira serrada no mercado internacional por mais de US$ 1.000,00, madeira suficiente para confeccionar 12 conjuntos de mesa de at 12 lugares. Cada conjunto chega ao mercado atacadista a US$ 4.150,00x12= US$ 49.800,00. Na famosa loja Harrods, de Londres , um conjunto em mogno com 12 assentos no sai por menos de US$ 8.500,00 x 12 = US$102.600,00 (equivale a 4.275 rvores).

Ao contrrio do setor moveleiro a construo civil e o segmento de habitao utilizando sistemas construtivos seco ( principalmente em madeira), ainda no projetou a casa como um produto do design, (avanos tecnolgicos, simplificao e otimizao dos processos produtivos, etc.) como um fator de valorizao do produto florestal.

A construo civil tem uma demanda em potencial, possivelmente muito maior que o setor de mveis, em contrapartida as solues que agregam tecnologia ainda no so difundidas. importante criar um programa de marketing em que haja o esclarecimento da opinio quanto utilizao de sistema construtivos a seco, principalmente os que utilizam materiais ecologicamente corretos como painis de madeira reconstituda, e principalmente no vincular a madeira idia de construes de baixo custo e temporrias mas sim a questo da qualidade e produtividade.

Fonte: Cristiane Laroca, Arquiteta; Professora do Centro Federal de Educao Tecnolgica do Paran, Departamento Acadmico de Construo Civil;

Jorge Matos, Prof. Dr. Universidade Federal do Paran, Engenharia Florestal, Tecnologia e Utilizao de Produtos Florestais.