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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°75 - AGOSTO DE 2003

Manejo

Manejo de florestas de eucalipto para usos mltiplos

A produo tradicional de eucalipto no Brasil tem se utilizado do sistema de corte raso aos 6 ou 7 anos de plantio, seguido de conduo da rebrota por mais 1 ou 2 rotaes. O principal mercado dessa madeira so as empresas que a transformam em celulose, chapas e, principalmente, carvo vegetal para uso siderrgico, geralmente em regimes auto-sustentados e verticalizados. Produzida em alta escala para atender demanda acelerada desse parque industrial, essa madeira, destinada a processos transformadores destrutivos, tem como maiores parmetros de avaliao o volume produzido por rea/tempo( produtividade), a densidade bsica e algumas caractersticas tecnolgicas ligadas ao produto final, como teor de carbono fixo( carvo) e dimenses de fibras( celulose).

A potencialidade de uso do eucalipto como madeira serrada no nenhuma novidade, tendo sido bastante enfatizada desde a sua introduo no Brasil. Outros pases, como a Austrlia, Argentina, Chile, Espanha j vm usando a madeira na sua forma slida, com excelentes resultados.

Um dos principais fatores que sempre atrasou o emprego bem sucedido do eucalipto em marcenaria e carpintaria foi a abundncia de madeiras nativas, de excelente qualidade e a preos reduzidos.

A alternativa mais vivel, a curto prazo, para substituir a madeira de espcies nativas e atender demanda sempre crescente o eucalipto. Excelentes produtividades em amplas reas reflorestadas, pleno domnio das tecnologias de produo de sua madeira e a certeza de gerar grandes volumes que atendam s indstrias madeireiras e ao mercado moveleiro, conferem uma posio mpar ao eucalipto.

A grande maioria das florestas com eucaliptos no Brasil manejada para produo de rotaes curtas (sete a oito anos), para a produo de celulose, carvo vegetal e painis. Tais florestas so implantadas, na sua maioria, levando em considerao apenas a produo de biomassa e o rendimento volumtrico. Vrias so as razes para que o eucalipto possa ser indicado como alternativa de oferta de madeira para inmeros usos. Apesar de a maior parte de suas florestas estar comprometida com a produo de madeira para os denominados usos tradicionais: celulose, papel, chapa de fibras, carvo vegetal e lenha, espera-se que uma parcela possa ser destinada a outras aplicaes madeireiras. O potencial do eucalipto, em relao ao nmero de espcies, proporciona tambm um importante leque de alternativas para a obteno de madeiras com diferentes caractersticas tecnolgicas. Por certo, sero encontradas espcies que substituiro, com vantagens, as madeiras atualmente em uso. Vem da o crescimento do interesse pelos conhecimentos existentes sobre o eucalipto diante do chamado uso mltiplo da madeira.

O potencial de utilizao mltipla da madeira de eucalipto cresce sobremaneira se toda a versatilidade do gnero for utilizada. necessrio que os conceitos tradicionais sejam revistos, reavaliando-se as espcies selecionadas e as tcnicas de implantao, manejo, explorao, processamento e uso.

No hemisfrio norte, prtica corrente o uso mltiplo das florestas e da madeira. Numa mesma rea plantada, pode-se ter vrios padres de madeira, com vrios usos. Em geral, so feitos desbastes peridicos, acompanhando o desenvolvimento da floresta. No caso do eucalipto, j aos quatro anos, feita a primeira interveno na floresta, retirando-se grande parte das rvores. As rvores remanescentes produzem madeira de alta qualidade e isto se reveste de importncia estratgica, na medida em quer ocorre uma valorizao da madeira de eucalipto. Simultaneamente, as reas destinadas produo madeireira oferecem outros benefcios, destacando-se a contribuio para melhorar o equilbrio ecolgico, atravs do sub-bosque mais denso e diversificado, alm de uma ciclagem de nutrientes mais efetiva.

Experincias no Rio Grande do Sul propuseram o seguinte regime de desbastes para Eucalyptus grandis, plantado num espaamento de 3,0 x 2,0 m (1667 plantas):

Primeiro desbaste (aos 4 anos ) deixar 950 plantas/ha;

Segundo desbaste (aos 8 anos) deixar 475 plantas/h;

Terceiro desbaste (aos 11 anos) deixar 238 plantas/ha;

Corte final aos 20 anos, com produo prevista de madeira para o final do ciclo de 540 m3/ha, sendo 275 m3 para serraria, 130 m3 para laminao e 135 m3/ha para outros usos.