MENU
Apicultura
Caractersticas
Carvo Vegetal
Construo Civil
Desdobro
Dormentes
Espcies
Madeira Slida
Manejo
Melhoramento
Melhoramento Gentico
Mercado
Mveis
Ns
leos Essenciais
Pesquisa
Postes
Pragas
Projeto Genoma
Propriedades
Qualidade
Secagem
Silvicultura
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°75 - AGOSTO DE 2003

Madeira Slida

O potencial do eucalipto para a produo de madeira slida

O gnero Eucalyptus engloba cerca de 720 espcies, originadas quase que exclusivamente da Australia. Diferentemente de suas utilizaes como lenha para queima e membros estruturais durveis, h 200 anos atrs, hoje com o aumento das informaes a cerca das propriedades do gnero, esta madeira vem a cada dia sendo utilizada para fins mais nobres como na construo de edificaes de qualidade, na fabricao de mveis entre outros usos.

Quanto s caractersticas gerais do gnero, destaca-se o alburno delgado, com menos de 3,0 cm de espessura e colorao clara. O cerne por sua vez apresenta cor variando do amarelado at vrios tons pardos, pardo-avermelhados e vermelhos. Sua madeira apresenta pouco brilho, gr direita revessa de textura fina a mdia, sendo macia a moderadamente dura ao corte, com cheiro e gosto indistintos. Quanto a massa especfica aparente, esta varia desde as mais leves, passando a mdia at quelas bastante pesadas, com valores variando de aproximadamente 0,40 a 1,20 g/cm. O gnero se caracteriza por uma constituio anatmica muito homognea, sendo portanto de difcil separao das espcies.

As madeiras produzidas por espcies convencionais se caracterizam pelo crescimento na maioria das vezes lento, e consequentemente na formao de madeira mais estvel. Apesar desta estabilidade quanto formao da madeira, existem problemas relativos s etapas de processamento e posterior usos de muitas espcies nativas.

O uso mltiplo das florestas de eucalipto, somente ser possvel com a concientizao de que rvores destinadas produo de madeira slida devero atingir, no mnimo a idade de maturao para serem abatidas, diferentemente dos usos a que inicialmente foram destinados tais florestas. Esta idade tima ou ideal de abate destas rvores de rpido crescimento, associada a produo de madeira de qualidade, varivel com a espcie em questo e com as condies de crescimento.

As propriedades mecnicas ou relacionadas a resistncia da madeira quando solicitadas por esforos, so requisitos bsicos para a maioria das utilizaes da madeira, principalmente no uso estrutural. A madeira de eucalipto atende s mais diversas exigncias quanto s propriedades mecnicas. Deve-se portanto, levar em considerao a grande variabilidade existente nesta propriedade ao longo do raio ou na direo medula-casca do tronco, alm da presena de madeira juvenil, falhas de compresso e gr espiralada, que podem afetar seriamente s propriedades de resistncia desta madeira.

Um dos principais fatores que contribui para a depreciao da madeira serrada de eucalipto so as tenses de crescimento. Os defeitos como rachaduras e empenamentos, esto associados s tenses internas que se manifestam aps o abate das rvores, com maior intensidade nas idades mais jovens, diminuindo consideravelmente com o amadurecimento da rvore.

Os nveis destas tenses so variveis entre as diversas espcies de Eucalyptus, sendo tambm relacionadas ao tamanho da rvore, idade, dimetro do tronco e taxa de crescimento.

As rvores com elevadas tenses de crescimento desenvolvem fissuras radiais durante e aps o abate, particularmente se esta mantida diretamente em contato com o sol. Estas fissuras de topo, normalmente ocorrem dentro de uma semana aps o abate. Na operao de desdobro poder ocorrer fendilhamento adicional, alm de arqueamento, devido s tenses residuais existentes nas toras. Estas distores se manifestam como torcimento e arqueamento nas tbuas radiais e encurvamento e encanoamento nas tbuas tangenciais, face ao desequilbrio entre tenses de trao na periferia e compresso no centro da tora. Alm destes defeitos, estas tenses so responsveis pelo aparecimento de falhas de compresso nas paredes das fibras mais internas de um tronco de madeira, reduzindo drasticamente a sua resistncia.

As tcnicas de atenuao das tenses de crescimento so variadas e j utilizadas h bastante tempo nos pases produtores de madeira de eucalipto. O uso da tcnica do anelamento das rvores a uma altura de 20 cm do solo ou acima do local de corte, com profundidade dever variar de um tero metade do raio da rvore. Recomenda-se que o anelamento seja feito durante o inverno e com antecedncia de 6 a 8 meses do abate da rvore. Aconselha-se ainda que as toras sejam esquadrejadas e secas por perodo de 5 a 6 meses antes do desdobro final. Uma tcnica que tambm se recomenda a imerso do bloco de madeira em gua corrente por 3 a 4 meses, seguida da secagem antes do desdobro final. Outras tcnicas ainda so descritas como teis na reduo ou, mesmo, eliminao destas tenses. Estas incluem o desfolhamento das rvores por determinado perodo que antecede o abate, a vaporizao das toras e ainda a sua imerso em gua quente por 24 horas. Com o revestimento das extremidades das toras imediatamente aps o corte com material betuminoso escuro (emulso asfltica) e com armazenagem destas a sombra, os defeitos iniciais de fendas so praticamente desprezveis ou mesmo eliminados at por um perodo de 6 meses. Faz-se uma aplicao imediata aps o corte e outra trs horas aps a primeira, ou quando as primeiras demos j estiverem secas.

Uma vez solucionados os problemas causados pelo aparecimento dos elevados nveis de tenses de crescimento nos troncos de madeira de eucalipto, resolve-se consequentemente, a grande maioria dos problemas relacionados s etapas de processamento da madeira de eucalipto, tanto na fase de desdobro como tambm nas operaes de secagem.

A gr espiralada ocorre devido ao arranjo em espiral das clulas da madeira em relao ao eixo longitudinal da rvore, sendo a magnitude desse desvio altamente varivel. A variao do ngulo formado entre a fibra e o eixo da rvore varia de poucos graus at valores mais elevados, podendo chegar a inclinao de 90, e ser varivel da medula para a casca e da base para o topo da rvore.

Este defeito afeta a madeira, fazendo com que algumas propriedades de resistncia se tornem consideravelmente menor do que o normal, dependendo do ngulo de desvio e do tipo de carregamento. A capacidade de absoro de choque, e outras propriedades mecnicas da madeira so reduzidas. A estabilidade dimensional e as caractersticas de acabamento da madeira, tambm so adversamente afetadas pela ocorrncia do espiralamento da gr.



Secagem da Madeira

Face aos elevados gradientes de umidade no interior da madeira de eucalipto, aliada constituio anatmica desta, que dificulta muito a sada de umidade do seu interior, todo o gnero pode ser considerado de difcil secagem. Devido ocorrncia de pontoaes de pequenos dimetros, h dificuldade ou impedimento do deslocamento de gua por capilaridade ou na forma lquida no interior da madeira. Deve-se tambm levar em considerao a formao de tiloses que obstruem severamente o interior dos elementos vasculares, contribuindo tambm para reduzir ainda mais, a permeabilidade da madeira de eucalipto.

Como conseqncia da dificuldade de movimentao de gua na forma lquida no interior da madeira, as espcies de eucalipto so propcias ao colapso, que comea a ocorrer imediatamente aps o abate da rvore, geralmente sendo considerado como um dos piores defeitos da madeira, resultando frequentemente numa superfcie grosseira e desigual, ou ainda em empenamentos e finalmente fendilhamentos, tanto de topo como nas superfcies das peas de madeira. Estes fendilhamentos so tambm normalmente, conseqncia das diferenas que ocorrem nas contraes entre os planos radiais e tangencial das peas. Quanto maior a diferena de retratibilidade entre os planos, ou seja a relao T/R ou fator anisotrpico, maiores so os problemas de secagem de determinada madeira.

Madeira de eucalipto em geral, deve ser seca em condies suaves tanto de temperatura, quanto de umidade relativa do ar, a fim de proporcionar uma secagem mais lenta e com a menor quantidade de defeitos possveis.

O apodrecimento no o mais grave problema na biodeteriorao da madeira de eucalipto, uma vez que um grande nmero de espcies produzem madeiras de elevada durabilidade natural.

Valores mdios da perda de massa em %, da madeira de sete espcies

de Eucalyptus, quando submetidas ao apodrecimento acelerado de

laboratrio por seis espcies de fungos

A norma ASTM D2017-84, de avaliao do ensaio de apodrecimento acelerado de laboratrio, estabelece critrios que consideram a madeira com perda de massa de at 10% como sendo altamente resistente, e valores de 11-24% com sendo resistentes.

Com relao aos cupins a preocupao dever ser maior, uma vez que apesar de existirem espcies de mais elevada resistncia, algumas madeiras so entretanto bastante susceptveis a tais organismos. Em ensaio de laboratrio com a exposio de madeira seca de sete espcies de Eucalyptus a cupim de madeira seca. Para madeira das espcies de Corymbia citriodora, Eucalyptus paniculata e E. cloeziana, os cupins provocaram um desgaste variando de superficial a moderado, sendo para as madeiras de E. grandis, E. urophylla, E. tereticornis, e E. pilularis, o desgaste foi caracterizado com moderado, tendendo a acentuado.

Quando no apresenta satisfatria durabilidade natural, o uso desta madeira em locais propensos ao ataque de fungos e insetos pode se constituir em srio problema. Isto se deve ao fato do cerne de eucalipto ser praticamente impermevel penetrao de solues preservantes, pelos mtodos convencionais de tratamento sob presso. No se utilizando madeiras de espcies naturalmente durveis ou de maior grau de resistncia aos agentes xilfagos, as madeiras provenientes das rvores jovens podem facilitar a operao de tratamento por apresentar grandes propores de alburno em seus lenhos.

Por outro lado algumas alternativas existem para o tratamento do cerne de eucalipto que merecem serem discutidas. Enfatizan-se a utilizao do sistema LOSP (light organic solvent preservative), onde preservativos como PCP (pentaclorofenol), TBTO (xido tributlico de estanho) e mesmo outros inseticidas a base de piretrides, so dissolvidos em um solvente orgnico leve como o lcool de petrleo, so ento impregnados na madeira por processo industrial, geralmente na forma de duplo vcuo ou vcuo inicial seguido de baixa presso e vcuo final. Este tratamento deve ser realizado em peas usinadas, uma vez que este confere a madeira uma proteo superficial na forma de um envelope, o que torna suficiente para proteo desta para usos nobres como esquadrias e outros que podem estar sujeitos s condies de ataque dos organismos xilfagos. Outro meio alternativo da preservao do cerne da madeira de eucalipto est no processo de difuso, principalmente com a utilizao de substncias altamente difusveis, base de boro (borax, cido brico entre outros). Normalmente se utiliza de processos como do banho quente-frio, imerso a frio em soluo de boro e depois empacotamente das peas por determinado tempo, ou ainda imerso a quente entre outros mtodos, com resultados positivos no tratamento de peas serradas de madeira de eucalipto. Utiliza-se um sistema preservativo denominado ACA (arseniato de cobre amoniacal) no tratamento de E. tereticornis na ndia. Segundo o pesquisador possvel garantir uma boa penetrao e adequada absoro deste produto no cerne de eucalipto, alcanando assim elevada vida til para esta madeira, mesmo em locais de alto risco de ataque por organismos xilfagos.

Madeira Juvenil

Este tipo de madeira formado pelo cmbio ainda no estgio jovem ou juvenil. Pode ser referida com aquela madeira mais prxima da medula, sendo do ponto de vista tecnolgico diferenciada da madeira adulta nas diversas propriedades, como por exemplo apresentar reduzida resistncia mecnica.

As caractersticas envolvidas nas mudanas de madeira juvenil para adultas so: - o comprimento de fibra; - ngulo fibrilar; - propores dos tipos celulares; - dimetro celular; espessura da parede celular; e - constituio qumica. Outros fatores como a massa especfica, resistncia mecnica e retratibilidade, variam em conseqncia das caractersticas anatmicas. Os principais problemas decorrentes da formao de madeira juvenil so excessiva contrao longitudinal, empenamento e resistncia mecnica reduzida.

Observam-se valores da densidade aparente a 12% de umidade bastante inferiores, em boa parte do raio formado por madeira juvenil. V-se que, para um dimetro de aproximadamente 28 cm, a poro de madeira juvenil corresponde a um dimetro de aproximadamente 18 cm. Observa-se tambm no grfico um acrscimo de densidade da ordem de 50% para madeira adulta, em relao juvenil.

Os ns afetam tanto a aparncia como tambm as propriedades da madeira. Seus efeitos adversos so devido estrutura anormal e elevada densidade, estando tambm associados aos desvios de gr e outros defeitos como fendilhamento. A resistncia da madeira poder ser consideravelmente reduzida, dependendo do tipo, tamanho, localizao e tipo de solicitao. Especificamente na madeira de eucalipto, os ns podem estar associados a descolorao e apodrecimento, uma vez que diferentemente das conferas (pinus), estes no so preenchidos por resinas que atuam como repelentes a gua.

Para produo de madeira para serraria, os ns so indesejveis, devendo ser eliminados por desrama de parte dos galhos logo no incio do crescimento das rvores.

O kino um exudado fenlico escuro, algumas vezes encontrado na casca do eucalipto, chamado incorretamente de goma, sendo frequentemente encontrado nos veios (canais) ou bolsas provenientes das clulas do parnquima epitelial.

A extenso da presena do kino na madeira varivel com as espcies, grau de injria cambial (inseto, fogo, danos mecnicos) durante o perodo de intenso crescimento, vigor da rvore alm de outros fatores genticos e ambientais. bastante comum a ocorrncia desses canais traumticos em madeira de C. citriodora, raramente ocorrendo em E. grandis e E. saligna, no ocorrendo em E. cloeziana.

Um problema tambm reconhecido na madeira de eucalipto o cerne frgil ou quebradio. Ocorre na madeira localizada no centro de uma tora, sendo caracterizado por baixa resistncia mecnica. facilmente levado a ruptura devido s muitas falhas de compresso, localizadas transversalmente nas paredes de algumas fibras. resultante das foras de compresso provocadas pelas tenses de crescimento, agindo frequentemente na regio da madeira de mais baixa densidade. Tais falhas ocorrem quando estas tenses de compresso atuantes so superiores a resistncia da madeira a esse mesmo esforo.

O cerne quebradio, pode ser detectado na madeira pela maior facilidade de serrar, arrancamento de fibras nas superfcies transversais, falha de compresso e densidade relativamente baixa, alm da tonalidade mais clara que a madeira normal.

O deslocamento dos troncos das rvores de sua posio de equilbrio no plano vertical, seja por efeito do vento, ou mesmo como resultado de prticas de desbaste, leva a formao de madeira de reao. Em eucalipto a madeira de reao aquela formada na parte superior dos troncos inclinados, sendo ento denominada de madeira de trao. Esta madeira caracteriza-se pela presena de fibras com uma camada gelatinosa na parede secundria, prxima do lume das clulas, podendo ser reconhecida por uma regio de colorao mais escura nas toras e tbuas. A camada gelatinosa no lignificada, sendo composta principalmente por celulose, apresentando baixo ngulo microfibrilar e tambm pequeno grau de expanso (inchamento). Anatomicamente, este tipo de madeira ainda possui menor freqncia de vasos e densidade mdia mais elevada que a madeira normal. As toras de eucalipto que apresentam medula excntrica devero ser desdobradas de tal forma que as tbuas no apresentem os dois tipos de madeira, ou seja normal e de trao, para evitar o aparecimento de defeitos como empenamentos e fendilhamentos devido s constituies diferentes da madeira.

Experincia Mundial

O Eucalyptus grandis, nativo das regies australianas de New South Wales e Queensland, vem sendo extensivamente plantado nas diferentes partes do mundo, notadamente naquelas regies de clima subtropical a tropical. Outra espcie largamente difundida, principalmente nas regies de clima mais frio o Eucalyptus globulus, que juntamente com a primeira espcie formam a base da eucaliptocultura mundial.

Na Australia, dentre as madeiras provenientes dos bosques nativos, destacam como mais utilizadas as espcies de E. pilularis, Corymbia maculata, C. citriodora, E. saligna e E. tereticornis no Queensland e New South Wales. Os tipos E. regnans, E. obliqua, E. delegatensis, E. nitens e E. globulus em Victoria e Tasmania, alm do E. marginata e E. diversicolor no oeste australiano. O E. grandis na Australia, apesar de ser utilizado, aparece em menor escala que as espcies mencionadas.

O Estado de Minas Gerais importante para o setor de base florestal brasileiro, uma vez que mais da metade das florestas plantadas com eucalipto encontram-se nesta regio.

Como reflexo da falta de planejamento inicial e tambm devido a finalidade exclusiva de atender as indstrias de celulose e siderrgica, a eucaliptocultura brasileira apresenta padres de qualidade muito aqum daqueles exigidos para utilizaes mais nobres. Apesar dos erros cometidos no incio da implantao das florestas de eucalipto no incio da dcada de 60, cabe destacar o empenho de algumas poucas empresas que iniciaram um trabalho srio desde quela poca. Estas investiram substancialmente em pesquisa, melhoramento gentico e seleo de material, comeando nos dias atuais a despontarem como as principais lideranas na oferta de madeira de eucalipto de qualidade para mercado interno e externo.

O Eucalyptus grandis atualmente uma das espcies mais promissoras para o setor florestal brasileiro, devido sua maior rea plantada em relao s outras espcies comerciais, com disponibilidade imediata de florestas em idade de corte, possuir madeira leve, com boa resistncia mecnica e cor atraente para uma ampla gama de utilizao. Deve-se destacar tambm o intenso trabalho de melhoramento gentico imprimido a esta espcie, o que tem ocasionado a produo de fustes de boa forma, rpido crescimento e com tendncia de reduo dos defeitos de processamento.

Alm do E. grandis, outras espcies promissoras como fonte de matria-prima madeireira na forma slida so o E. saligna, E. urophylla, E. tereticornis, C. citriodora, C. maculata, E. paniculata, E. cloeziana entre outras espcies, que devero ser recomendadas principalmente para utilizaes estruturais na forma serrada ou rolia. A maioria destas madeiras destacam por elevada resistncia mecnica e durabilidade natural, bem como ainda por apresentarem algumas delas nveis inferiores de tenses de crescimento, o que consequentemente poder elevar substancialmente o rendimento durante s etapas de processamento primrio destas madeiras.

As florestas plantadas so consideradas importantes fontes de matria-prima, podendo contribuir de forma decisiva para a reduo ou mesmo superao de um provvel dficit mundial de madeira. O consumo global de madeira estimado em 3,5 bilhes de metros cbicos por ano em 1990, dever atingir por volta de 5,1 bilhes de metros cbicos no ano de 2010.

Os desafios enfrentados pelos exportadores brasileiros de madeira de eucalipto esto em encontrar as vantagens competitivas e como estas podem ser utilizadas. As vantagens competitivas s madeiras convencionais no devem ser baseadas somente em preo, mas acima de tudo na oferta de produtos classificados e de qualidade. Alm da preferncia pela introduo de clones com propriedades superiores quanto durabilidade, aparncia esttica entre outras, o marketing ambiental constitui uma ferramenta efetiva neste processo.

A madeira de eucalipto atualmente vem sendo utilizada em sua forma slida na construo civil, construes rurais, sobretudo na forma rolia, postes de eletrificaes, no setor moveleiro, de embalagens, play-grounds, artefatos de madeira entre outros.

Dentre as formas de utilizao acima citadas, devemos enfatizar o crescente uso do eucalipto na indstria moveleira, que dever se acentuar a cada dia mais devido tanto s restries de uso das madeiras tropicais, como tambm devido a indisponibilidade j sinalizada da madeira de Pinus, conseqncia de reduo dos estoques da regio sul do pas. J o setor da construo civil comea a expandir o uso desta madeira, principalmente na forma de MLC (madeira laminada colada), onde a garantia de propriedades superiores, de menor variabilidade, associadas ao carter esttico e de ilimitada criatividade de concepo arquitetnica, garantem uma agregao de valor provavelmente nica na cadeia de produtos base de madeira.

Face ao avanado estgio evolutivo da silvicultura do eucalipto no Brasil, grande rea plantada, aliada a um desenvolvimento crescente do entendimento dos aspectos tecnolgicos envolvidos no processamento e utilizao da madeira de eucalipto, pode-se concluir que o eucalipto j a madeira do presente e ser sem dvida alguma a base da indstria florestal do futuro.

Jos Tarcsio da Silva Oliveira

Agosto/2003