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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°60 - OUTUBRO DE 2001

E mais

Madeira serrada pode ter melhor aproveitamento

De todos os trabalhos de usinagem de madeira, o desdobro de toras na serra de fita de longe o mais difcil. O corte dever ser organizado de forma a tirar das peas o mximo em rendimento e produtividade, dependendo fortemente do plano de corte definido. Na serragem de madeira tropicais, convm geralmente agrupar a essa complexidade a grande diversidade das espcies. As condies de serragem podem modificar em poucos minutos pela simples rotatividade de essncias desdobradas.

O bom trabalho do dente da serra funo de sua geometria, dos esforos que so aplicados contrrios ao corte, da resistncia da lmina, dos ngulos de ataque, corte e incidncia.

As experincias efetuadas demonstram a existncia de intervalos onde se consegue um desdobro com melhor qualidade de madeira serrada. Esses fatores representam as condies ideais de corte, que devem seguir os fatores:



Parmetros de corte:

A espessura de cavaco obtido no desdobro funo do nmero de dentes agindo durante um intervalo de tempo dado

E do deslocamento relativo da madeira em relao a lmina durante o mesmo intervalo de tempo.



O primeiro parmetro depende essencialmente do passo do dente (distncia entre a ponta dos dentes da lmina) e da velocidade de corte. E o segundo fixado pela velocidade de avano.

O passo do dente depende muito mais da altura de corte a efetuar que da natureza da madeira. preciso escolher uma forma de dente mais resistente possvel, e s ento definir o passo do dente.

Quanto a velocidade de avano, estudos feitos demonstram que o desgaste das lminas de serra-fita no aumentam proporcionalmente em relao a este fator, tornando o aumento um fator desejvel e aceitvel. Outro fator que favorece ao aumento da velocidade de avano o ganho que se tem na espessura de cavaco, o que melhora consideravelmente a evacuao dos cavacos.



Zona de bom corte



Os testes realizados demonstram que para se conseguir uma boa qualidade de corte, alguns aspectos devem ser observados, tais como:

ngulo de ataque 20 a 35

Espessura de cavaco 0,5 a 1,5 mm



3- Evacuao de cavaco

Quando o dente penetrar na madeira, o cavaco obtido dever alojar-se no corpo da lmina at que possa ser livremente evacuado. A garganta do dente deve ter uma rea suficiente para armazenar o cavaco produzido at poder evacu-lo na sada do corte.

A variao na serragem encontrada na maioria das serrarias da regio amaznica, acontece devido a deficincia na evacuao de cavaco, proveniente das grandes alturas de corte e das finas espessuras de cavaco.

A mdia geral de espessura de cavaco dessas indstrias est em torno de 0,3 mm, medida abaixo do limite mnimo aceitvel o que dificulta na evacuao de cavaco.

Para aumentar a espessura de cavaco, pode-se aumentar a velocidade de avano. Aumento que depende da capacidade da mquina e da forma de preparao da lmina de serra-fita. Pode-se, tambm, aumentar o passo do dente que o fator mais susceptvel a modificaes.

Um aumento de ngulo de ataque leva a diminuio do esforo de corte, e o ganho de energia maior quanto maior a espessura do cavaco. Um aumento do ngulo de ataque de 10 para 22 diminui o esforo de corte em 11% para os cavacos de 0,2 mm de espessura e de 20% para os cavacos de 0,8 mm de espessuras. Este resultado confirma o interesse em aumentar sempre a espessura de cavaco.

A prtica utilizada atualmente consiste em reduzir o ngulo de ataque para serrar madeira dura, devido ao sub-dimensionamento da mquina de serra de fita em relao ao grande dimetro das toras de regio amaznica.

A nova geometria dos dentes das lminas de serra-fita, tem como modelo o apresentado a seguir:



Dados da lmina proposta:



ngulo de ataque: 21

ngulo de corte: mnimo 50

passo do dente: varivel de acordo com o tamanho da mquina de serra de fita e especificaes da lmina de serra-fita

altura dos dentes: variando entre 11 a 13 vezes da espessura da lmina de serra-fita



Regio amaznica



A grande maioria das indstrias madeireiras da regio utiliza, em sua mquina principal, lmina de serra com geometria de dente tradicional. Esta ferramenta no possibilita uma boa evacuao de cavaco em funo da pequena da pequena rea da garganta do dente. A lmina tradicional apresenta as seguintes caractersticas:

ngulo de ataque reduzido: 12 a 15

profundidade do dente: 10 a 14 mm

modelo de dente misto ou com arraste

passo do dente: 45 mm para qualquer tamanho de serra

O modelo proposto apresenta variao na serragem (desvio de corte). Devido ao aumento da espessura dos cavacos gerados no processo de desdobro das toras, aumenta-se a eficcia na evacuao dos cavacos. Consegue-se, tambm, o aumento de produtividade atravs da preparao correta do corpo da lmina em conjunto com as mudanas na geometria dos dentes.

As modificaes na geometria dos dentes das lminas de serra-fita visam a reduo dos esforos de corte. Esta reduo leva a um aumento da velocidade de avano no carro porta-tora no momento do corte, propiciando um ganho de produtividade e reduo no consumo de energia.

O formato do dente proposto um misto entre os modelos reto e bico de papagaio. de simples afiao, possui resistncia elevada, permitindo a utilizao para o desdobro de qualquer tipo de madeira e, facilita a evacuao dos cavacos gerados durante o processo de desdobro das toras.

Com os ganhos de qualidade de madeira serrada atravs da diminuio da variao na serragem, consegue-se uma reduo considervel no volume de resduo gerado durante o processo produtivo, em especial na segunda transformao (beneficiamento).

Em pases como Canad, Alemanha e Estados Unidos, as indstrias madeireiras ao comercializar seus produtos se obrigam a deixar sobre medidas para secagem, aplainamento e variao na serragem. Assim, as empresas conhecem bem seus equipamentos e buscam sempre uma qualidade de serragem melhor.

Trabalhos realizados em empresas de Sinop, demonstraram ser esse um fator importante na reduo da variao na serragem. Algumas indstrias apresentam uma margem de variao na serragem na ordem de 5 a 10%, valores que no setor de beneficiamento geram grande volume de resduos. Com as modificaes consegue-se reduzir esta variao para uma margem aceitvel de 1 a 1,5%, baixando o volume de resduo gerado no setor de beneficiamento.

Com este trabalho consegue-se definir com preciso a altura de corte mxima para cada equipamento, permitindo a empresa programar diagramas de cortes que possibilitem a obteno de cortes mais linheiros nas peas desdobradas. A altura mxima garante variao na serragem prxima de zero, proporcionando uma reduo ainda maior na reduo dos resduos gerados.



Fonte: Senai CFP/ Nilza de Oliveira Pipino - Baseada em trabalhos realizados no C.T.F.T Centre Technique Forestier Tropical da Guina Francesa