MENU
Adesivos
Biomassa
Carbono
Competitividade
Editorial
Financiamento
Leis Ambientais
Madeira Tropical
Mercado
Mveis e Tecnologia
Painis
Par
Poltica
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°72 - MAIO DE 2003

Par

Par apresenta reservas promissoras

O estado do Par possui 73% de sua cobertura vegetal composta por florestas, caracterstica que define a base econmica do estado, baseada no extrativismo madeireiro, na agropecuria e na minerao industrial. O mogno (Swietenia macrophylla King.), a madeira tropical mais valiosa do planeta (US$ 1.200 por m FOB serrado), uma das espcies tpicas dessas florestas situadas ao sul do Estado. Apesar da reduo significativa de suas reservas florestais, nas ltimas dcadas, o Estado apresenta bom potencial para explorao sustentada.

A rea florestal do Estado composta em 49% por florestas densas, 23% florestas abertas e as estacionais so apenas 1%. Os tipos no florestais, tais como cerrados, campos naturais, reas de transio ecolgica e formaes pioneiras, representam 8%, enquanto as reas desmatadas somam 19%.

As matas densas abrigam rvores altas, de 25 a 35 metros de altura, com dossel fechado e sub-bosques limpos. As florestas abertas possuem rvores de menor porte e dossel mais aberto. Para os bosques abertos foi estimada uma rea mdia de 13,5 m por ha.

As florestas de vrzea ocorrem em reas sujeitas s inundaes. Essas florestas possuem menor valor madeireiro se comparadas s florestas densas de terra firme. Mas, apenas 10% das espcies comercialmente extradas na Amaznia so exclusivas de florestas aluviais.

Cobertura vegetal do Par

A extensa rede de estradas, o relevo suavemente ondulado e as boas condies de navegabilidade dos rios do Par fazem com que 77% das florestas do Estado sejam economicamente acessveis s atividade madeireira. Apenas 23% so florestas consideradas inacessveis por estarem situadas em reas de relevo acidentado, rios no navegveis e uma precria rede de estradas. Essas florestas remotas esto localizadas principalmente no extremo norte do Estado.

No caso especfico das florestas acessveis, quase dois teros so espcies de mdio e alto valor comercial. No trecho restante, somente vivel extrair e transportar espcies de valor econmico muito alto, como o caso do mogno (Swietenia macrophylla K.), cujo preo fica em torno de US$ 1.200 por m (FOB) serrado para exportao.

As caractersticas climticas do Par so favorveis a existncia de florestas. As chuvas so abundantes, com a precipitao anual variando de 1.500 mm, no sul do Estado, a 3.500 mm - 4.000 mm. O alto teor de umidade cria condies para a proliferao das florestas.

Em geral, as condies de solo so mais adequadas atividade florestal do que agropecuria. A maioria (75%) dos solos do Par possui alta acidez e baixa fertilidade natural. Solos frteis e bem drenados so raros e ocorrem em apenas 6% do Estado.

Plos madeireiros

Os plos madeireiros concentram aproximadamente 95% da madeira extrada e processada no Estado. A atividade madeireira est concentrada em 24 plos madeireiros. Os ltimos estudos feitos pelo Imazon demonstram que esses plos abrigavam 676 empresas madeireiras, das quais 602 eram serrarias, 43 eram laminadoras e 31 eram fbricas de compensados. Alm disso, haviam 534 serrarias circulares localizadas principalmente nas regies do esturio e baixo Amazonas. No ano passado, a renda bruta gerada pela atividade madeireira foi aproximadamente US$ 1,026 bilho.

A zona leste uma velha fronteira madeireira coberta originalmente por florestas densas de terra firme. As condies de acesso so boas, com a existncia das rodovias Belm-Braslia e Par 150 e uma intensa rede de estradas. Essa regio, responsvel por aproximadamente 65% da madeira em tora do Estado, tem Paragominas entre principais plos madeireiros. Aps trs dcadas de explorao madeireira intensa, houve uma reduo expressiva dos estoques naturais de madeira. S em Paragominas a reduo foi estimada em 55% na produo de madeira.

A zona sul uma velha fronteira madeireira cuja cobertura vegetal original era dominada por florestas abertas. Originalmente, a zona sul era a principal rea de ocorrncia do mogno, cujos estoques foram praticamente extirpados nessa zona no final dos anos 90.

Atualmente, a cobertura florestal est bastante reduzida nas reas privadas, em especial aquelas situadas nos municpios de Redeno e Rio Maria. Os bosques remanescentes esto concentrados nas extensas reservas indgenas estabelecidas nessa regio. Os plos madeireiros dessa regio so responsveis por apenas 10% da produo madeireira do Estado.

A zona do baixo Amazonas responsvel por 12% da produo de madeira em tora do Par. Essa regio largamente coberta por florestas de vrzea. A explorao seletiva vem ocorrendo desde o sculo XVII, mas foi somente a partir da dcada de 1960 que a produo madeireira dessa regio passou a ser significativa. A partir deste perodo, houve um crescimento significativo nas exportaes da virola (Virola surinamensis), uma espcie valiosa para a indstria de compensados. Alm disso, o crescimento populacional da Grande Belm e de Macap elevou significativamente a demanda por madeira de baixo valor para ser utilizada na construo de habitaes rsticas.

As florestas densas de terra firme entremeadas com bosques abertos formam a vegetao tpica da zona central. Nessa regio, a atividade madeireira mais recente. Os plos madeireiros dessa regio extraem e processam apenas 7% da madeira em tora do Estado.

De acordo com estudos realizados em 2002, as 1.210 madeireiras em funcionamento no Par foram classificadas de acordo com o volume de madeira produzida. Desse total, existem cerca de 540 serrarias de porte micro (45%), cujo consumo anual de madeira em tora inferior a 4 mil m. O estudo constatou a existncia de 190 madeireiras de pequeno porte (16%), cujo consumo anual de madeira em tora fica entre 4 mil m e 10 mil m. H tambm 330 indstrias madeireiras (27%) de porte mdio, caracterizadas por um consumo superior a 10 mil m e inferior a 20 mil m em tora. As indstrias processadoras classificadas como grande porte somam 150 (12%) e possuem um consumo anual superior a 20 mil m de madeira em tora.

A atividade madeireira, no total no Estado gera mais de cerca de 55 mil empregos diretos nas atividades de explorao madeireira, transporte de madeira em tora e processamento.



Preos mdios (US$/m)

madeira laminada (US$ 213)

compensado (US$ 332)

madeira beneficiada no esturio mercado nacional (US$ 267)

madeira beneficiada no centro, leste, sul e oeste mercado nacional (US$ 333 a US$ 367)

madeira beneficiada para exportao (entre US$ 650 a US$ 730)

madeira serrada no esturio mercado nacional (US$ 133)

madeira serrada no centro, leste, oeste e sul mercado nacional (entre US$ 167 e US$ 184);

madeira serrada para exportao (US$ 325 a US$ 366).



Plos Madeireiros

No Par, o Imazon estima que a atividade madeireira tenha gerado uma renda bruta de US$ 1,026 bilho. Desse total, a maioria (59%) foi gerada no leste do Par, seguido pelo esturio (15%), sul (10%), centro (10%) e oeste, com 6%.

O consumo mdio anual de uma microempresa madeireira de cerca de 1,3 mil m de tora (serrarias circulares) a 3,8 mil metros cbicos de tora (laminadoras). Por outro lado, as grandes indstrias processadoras de madeira consomem, em mdia, 28 mil m em tora (serrarias) a 78 mil m(fbricas de compensados).

As empresas pequenas consomem entre 5,4 mil m em tora (laminadoras) e 7,7 mil m em tora (serraria); enquanto as indstrias de porte mdio, entre 12 mil metros cbicos em tora (fbrica de compensados) e 14.500 m em tora (serraria).

O Estado do Par est localizado numa rea de 1.247.703 km, representa 15% do territrio nacional. As terras privadas representam pelo menos 18% do Estado, enquanto as reas protegidas totalizam 30% do territrio. As reas remanescentes (52%) so terras. Aproximadamente 1,7% do Estado (20,7 mil km) est coberto pela sobreposio de diferentes tipos de reas protegidas.

O Estado abriga uma populao de aproximadamente 6,2 milhes de habitantes distribudos em 143 municpios, dos quais aproximadamente 67% vivem em reas urbanas.



Matria elaborada a partir de dados pesquisados no livro Plos Madeireiros do Estado do Par. Autores: Adalberto Verssimo e Eirivelthon Lima.

Maio/2003