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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°72 - MAIO DE 2003

Competitividade

Desafios para a Indstria Florestal Brasileira

A Finlndia o mais importante e competitivo cluster florestal internacionalmente conhecido. O cluster florestal finlands movimenta anualmente US$ 16 bilhes, contribuindo com 12% do PIB nacional.

As operaes florestais, assim como a indstria de produtos de madeira slida e a indstria de celulose e papel esto entre as mais eficientes e rentveis do mundo. Todo o desenvolvimento do cluster florestal ocorreu com base em um modelo exportador, uma vez que o mercado domstico bastante limitado.

Mas como o setor florestal finlands atingiu tal status mesmo operando em condies to adversas? Clima e topografia desfavorveis, baixo IMA das florestas, suprimento de matria-prima baseado em 440 mil pequenos produtores florestais independentes e custo de mo-de-obra extremamente elevado so algumas das condies adversas enfrentadas pelo setor florestal finlands.

Isso tm exercido influncia em diversos componentes de competitividade, notadamente na formao do preo da matria-prima (tora).

Paradoxalmente, a Finlndia um dos pases onde so praticados os mais elevados preos de tora em nvel mundial. Comparando com o Brasil, os preos de tora praticados na Finlndia so, em mdia, 3 a 4 vezes maiores. Essa diferena mostra-se mais acentuada para tora de serraria. O preo da tora de pinus em p para serraria na Finlndia da ordem de US$ 47,00/m3, enquanto no Brasil dificilmente ultrapassa US$ 15,00/m3. No caso de tora de pinus para celulose a diferena do preo tambm bastante significativa. Na Finlndia o preo da tora de pinus em p para celulose atinge quase US$ 15,00/m3, diferentemente daquele atualmente praticado no Brasil (US$ 5,00/m3).

correta a afirmativa de que o preo da tora contribui significativamente para perda de competitividade da indstria florestal? Errado. Na Finlndia ocorreu exatamente o oposto. O elevado preo da matria-prima (tora) praticado na Finlndia exigiu que fossem criadas alternativas para contornar tal situao, constituindo-se ao longo das ltimas dcadas como um instrumento bastante eficiente no desenvolvimento de mecanismos para alavancar e melhorar a competitividade da indstria florestal local. Na realidade, o elevado preo da tora tem servido como incentivo para melhorar a eficincia no processo de transformao da madeira e otimizao de toda a cadeia produtiva.

A lio aprendida com base na experincia finlandesa que os baixos preos de toras representam uma vantagem comparativa (temporria), no podendo ser considerado como vantagem competitiva (permanente).

Solues Adotadas

Colheita Florestal

As solues adotadas pela Finlndia para melhorar a competitividade do cluster florestal contemplaram toda a cadeia produtiva. No caso das operaes florestais por exemplo, praticamente toda colheita e transporte florestal mecanizada, sendo aplicada avanada tecnologia.

Os harvesters e forwarders empregados nas operaes de colheita e transporte florestal so equipados com computadores de bordo integrados com GIS e GPS, proporcionando a localizao exata on-line das mquinas em operao. Isso permite um gerenciamento muito mais apurado das operaes, garantindo um efetivo controle da logstica envolvida, alm de auxiliar os operadores na tomada de deciso durante a colheita e transporte. Todas as instrues dadas aos operadores ocorrem via remota (GSM e satlite).

Os harvesters possuem dispositivos que permitem otimizar, ainda na floresta, o sortimento da tora e medir o volume de madeira colhido simultaneamente ao seu processamento. De acordo com o sortimento adotado, as toras so marcadas (spray) durante o processo de colheita, atravs de um dispositivo incorporado ao cabeote do harvester.

Os forwarders possuem weight scales que permitem a medir com acuracidade os volumes carregados nos caminhes.

Todas as informaes relacionadas com o volume colhido e transportado, produtividade, turnos de operao, manuteno das mquinas e outros so transferidos on-line para um escritrio central, onde as mesmas alimentam os chamados Sistemas Integrados de Planejamento e Controle das Operaes Florestais.

Indstria Florestal

Com relao indstria florestal, as solues adotadas pela Finlndia esto focadas na integrao da produo, o que significa que os estgios sucessivos de produo esto interconectados, buscando basicamente melhorar o rendimento na transformao da matria-prima. A tecnologia desenvolvida para o processamento mecnico de toras de pequenos dimetros, bem como o uso intensivo de biomassa para gerao de energia tem se constitudo em elementos chaves na competitividade da indstria de madeira slida finlandesa.

Atualmente, quase 20% do consumo de madeira para uso industrial na Finlndia proveniente de cavaco produzido pelas serrarias e fbricas de compensado, o que reflete o elevado nvel de integrao da indstria florestal finlandesa. No caso do Brasil, a participao do cavaco no consumo de madeira para uso industrial no ultrapassa 6%.

Sistemas de mecanizao e automao foram amplamente incorporados pela indstria de produtos de madeira slida, aliados a sistemas de otimizao de corte e Tecnologia da Informao (TI). Isso permitiu a reduo de mo-de-obra, aumento nos ndices de rendimento, minimizao dos impactos ambientais e melhoria na qualidade do produto final, impactando obviamente nos custos de produo.

Logstica

Um outro aspecto no menos importante est relacionado com a logstica nas operaes de transporte. A Finlndia desenvolveu com extraordinria competncia solues orientadas otimizao de transporte, tanto de matria-prima como produto acabado. Isso foi fundamental, j que toda a produo da indstria florestal finlandesa est direcionada ao mercado externo.

Equipamentos e Tecnologia

A grande maioria das solues adotadas pela Finlndia ocorreram em paralelo com o desenvolvimento da indstria de mquinas, equipamentos, insumos, servios e outros. Atualmente, a Finlndia lder mundial na fabricao de mquinas e implementos florestais, mquinas e equipamentos para indstria de produtos de madeira, celulose e papel, entre outros. Adicionalmente, empresas especializadas em automao, controle e tecnologia de medio emergiram recentemente na Finlndia, voltadas basicamente a atender a demanda criada pela indstria florestal.

O desenvolvimento da indstria de mquinas, equipamentos, insumos, servios e outros de fundamental importncia para o desenvolvimento de um cluster, particularmente quando se trata do setor florestal.

A STCP (Brasil) tem desenvolvido juntamente com a INDUFOR (Finlndia) vrios estudos e projetos envolvendo uma anlise pormenorizada do setor florestal tanto no Brasil como na Finlndia. Baseado no conhecimento adquirido, identificou-se que o cluster florestal finlands pode ser considerado como um modelo para o fortalecimento do setor florestal brasileiro.

dentro deste contexto que a STCP e a INDUFOR lanaram recentemente um Estudo Multicliente, contemplando um Benchmarking entre as Operaes Florestais Brasileiras e Finlandesas Lies a Serem Aprendidas e Desafios para Indstria Florestal Brasileira Melhorar sua Competitividade.

Marco Tuoto

Markku Simula

Maio/2003