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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°72 - MAIO DE 2003

Biomassa

Uso energtico requer planejamento racional

O uso de madeira para energia vem se mantendo estvel nos ltimos 10 anos, entre 240 e 260 milhes de m anuais. Isto coloca a gerao de energia como um importante componente da utilizao de recursos florestais no Brasil, preferencialmente resduos. Se somente o montante de lenha utilizada pelo setor industrial (40% do consumo global) fosse comercializado, o volume de recursos monetrio ultrapassaria US$ 500 milhes anuais. A utilizao racional de fontes energticas e a otimizao dos suprimentos, dentro de polticas econmicas, sociais e ambientais vigentes justificam um planejamento energtico.

Um estudo feito por especialistas da Arflor (Associao de Reposio Florestal do Vale do Ca, Unicamp e UFPB, constatou que numa rea de 12.680 ha de plantaes de eucalipto com um rendimento mdio de 40 mst/ha/ano e um ciclo de corte de 6 anos, produziro um total de 3,04 milhes de mst de madeira. Considerando a densidade bsica mdia de 500 kg/mst e, que a madeira ser utilizada com um teor de umidade mdio de 18 %, resultando um total aproximado de 6,33 x 1012 Kcal.

Ao substituir o leo combustvel (BPS 1 A) que possui 10.000 Kcal/Kg, por essa madeira evitado o consumo de 6,33 x 108 Kg de leo combustvel, que ao preo de R$ 0,51/Kg correspondem a um total de R$ 322.830.000,00. E em substituio energia eltrica evitado o consumo de 2,02 x 109 Kwh de energia eltrica, que correspondem a um total de recursos de R$ 283.750.000,00.

O custo mdio do mst de lenha de eucalipto para o consumidor de cerca de R$ 18,00, o que corresponde a um total mdio de R$ 54.720 mil e portanto, os custos evitados com as substituies so em torno de R$ 268 mil e R$ 229 mil, para o leo combustvel e energia eltrica, respectivamente.

Segundo o engenheiro florestal Carlos Roberto de Lima, professor do DEF/ CSTR - UFPB, Campus VII, Patos PB, o planejamento energtico regional que considere a biomassa e a reposio florestal obrigatria possibilita reflexos benficos para o meio ambiente e para a economia regional. Entre os benefcios ele cita: aumento da disponibilidade de madeira; a maior oferta fora reduo dos custos; evitam-se os cortes da vegetao nativa; possibilita a gerao de empregos e outros. Lima, que concedeu as informaes citadas acima.

Briquetagem

Existem diversas formas de aproveitar os resduos da madeira, entre elas a briquetagem. A densificao do resduo atravs do processo de briquetagem consiste na compactao a elevadas presses, o que provoca a elevao da temperatura do processo da ordem de 100 C. O aumento da temperatura provocar a "plastificao" da lignina, substncia que atua como elemento aglomerante das partculas de madeira. Isto justifica a no utilizao de produtos aglomerantes (resinas, ceras, etc). Para que a aglomerao tenha sucesso, necessria uma quantidade de gua, compreendida de 8% a 15% e que o tamanho da partcula esteja entre 5 e 10 mm. O dimetro ideal dos briquetes para queima em caldeiras, fornos e lareiras de 70 mm a 100 mm, com comprimento de 250 a 400 mm. Outras dimenses (dimetro de 28 a 65 mm) so usadas em estufas, foges com alimentao automtica, grelhas, churrasqueiras etc.

No equipamento do tipo Prensa Briquetadeira de Pisto, a compactao acontece por meio de golpes produzidos sobre os resduos por um pisto acionado atravs de dois volantes. Do silo de armazenagem (areo ou subterrneo) os resduos so transferidos para um dosador e briquetados em seguida (forma cilndrica). Na Briquetadeira por extruso o produto obtido com 5% de umidade, ou menos.

Quando a matria prima conduzida para a parte central do equipamento, chamada matriz, sofre intenso atrito e forte presso, o que eleva a temperatura acima de 250 C, fluidificando-a. Posteriormente, o material submetido a altas presses, tornando-se mais compacto. No final do processo, o material naturalmente resfriado, solidificando-se e resultando um briquete com elevada resistncia mecnica. A lignina solidificada na superfcie do briquete o torna tambm resistente umidade natural.

Amaznia sustentvel

Nas dcadas de 80/90, reservas gigantescas de gs natural foram descobertas no Estado do Amazonas (Juru e Urucu) que, entretanto, por no terem sido incorporadas ao modelo de produo energia, ainda no so exploradas com essa finalidade. A Amaznia convive, de um lado, com potenciais gigantescos de produo de energia eltrica que certamente precisam ser explorados com tecnologias que respeitem o meio ambiente e o povo amaznico, e, do outro, com ndices de demanda reprimida, que impem sociedade limitaes sua sustentabilidade e desenvolvimento.

Lenha

A lenha provavelmente o energtico mais antigo usado pelo homem e continua tendo grande importncia na matriz energtica brasileira, participando com cerca de 10% da produo de energia primria. A lenha pode ser de origem nativa ou de reflorestamento. Ela chega a representar at 95% da fonte de energia pases em desenvolvimento. Nos pases industrializados, a contribuio da lenha chega a um mximo de 4%.

As novas tecnologias de converso da lenha em combustveis lquidos, slidos e gasosos de alto valor agregado, tm, atualmente, grande interesse mundial e recebem importante quantia de recursos para suas pesquisas e desenvolvimentos. A combusto ou queima direta a forma mais tradicional de uso da energia da lenha.

Cerca de 40% da lenha produzida no Brasil transformada em carvo vegetal. O setor residencial o que mais consome lenha (29%), depois do carvoejamento. Geralmente ela destinada a coco dos alimentos nas regies rurais. Uma famlia de 8 pessoas necessita de aproximadamente 2 m3 de lenha por ms para preparar suas refeies. O setor industrial vem em seguida com cerca de 23% do consumo. As principais industriais consumidoras de lenha no pas so alimentos e bebidas, cermicas e papel e celulose.

A substituio da lenha de mata nativa por lenha de reflorestamento vem crescendo a cada ano, sendo o eucalipto a principal rvore cultivada para este fim. Apresenta mais de 600 espcies, muitas delas foram desenvolvidas e adaptadas no Brasil, onde encontrou condies propcias para o seu rpido crescimento. As rvores de eucalipto podem ser cortadas a partir do sexto ano com produtividade extraordinria.

Na produo de lenha para fins comerciais, uma parte da rvore (troncos e galhos finos) rejeitada constituindo os resduos florestais. Alm disso, as indstrias que usam a madeira para fins no energticos, como as serrarias e as indstrias de mveis, produzem resduos industriais como; pontas de toras, costaneiras e serragem em diferentes tamanhos de partculas e densidade, que podem ter aproveitamentos energticos.

Maio/2003