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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°71 - MAIO DE 2003

Construo Civil

Painis osb e cimento-madeira podero revolucionar a construo civil

A indstria brasileira de produtos em madeira reconstituda, que atualmente se encontra em franca expanso, atenta cuidadosamente quanto a qualidade e aplicabilidade de seus produtos. Outrossim, ressalva-se que este tipo de indstria tem sua matria-prima baseada em plantios silviculturais de Pinus e Eucalyptus, ou seja, possui uma utilizao otimizada dos recursos renovveis, j que o meio ambiente das regies onde atua preservado, no se empregando madeiras nativas.

Com o desenvolvimento tecnolgico e da engenharia gentica, a madeira proveniente de projetos silviculturais tendem a atingir um padro de homogeneidade de caractersticas desejveis inigualveis. Desta forma, tal condio poder propiciar um fornecimento de matria-prima de excelncia, condio fundamental para a obteno de produtos de alta qualidade pela indstria madeireira.

No Brasil, a facilidade na obteno de madeiras nativas a baixos custos ocasionou algumas conseqncias, entre elas, o atraso tecnolgico verificado na indstria de processamento mecnico da madeira por vrias dcadas. O atual encarecimento da madeira nativa, resultado do escasseamento das mesmas, aliado s presses ecolgicas e de legislao mais rigorosa, ajudam na busca de alternativas que, sem dvida, se direcionam no desenvolvimento de plantios silviculturais, que por sua vez vem provocar uma revoluo industrial na indstria madeireira, em particular, na de painis de madeira reconstituda.

Neste contexto, o desenvolvimento dos painis j produzidos, como os compensados e aglomerados, e os recentemente introduzidos no Brasil, como o MDF e o OSB, do um novo horizonte de alternativas e possibilidades para o mercado. importante ressalvar que, mesmo com esses novos produtos, o pas ainda se encontra bastante defasado quanto oferta de produtos de madeira reconstituda em relao aos pases tradicionalmente produtores.



OSB - Oriented Strand Board

OSB, o mais recente painel produzido no Brasil, consiste de um painel estrutural de partculas tipo strand orientadas, utilizando-se de espcies de baixo custo e toras de baixa qualidade, no interferindo no resultado final, uma vez que o determinante da qualidade do painel a tecnologia de produo aplicada. Este produto possui aplicao significativa no setor de construo civil, onde freqentemente empregado nos principais pases produtores, em particular na Amrica do Norte.

Este tipo de painel se enquadra entre os produtos que proporcionam menor desperdcio, permitindo o desenvolvimento de tcnicas construtivas mais eficientes. Trata-se, portanto, de um painel que emprega adesivo fenlico, j que foi desenvolvido para aplicao estrutural. considerado como a segunda gerao do waferboard, j que surgiu como uma evoluo deste. Caracteriza-se, portanto, por apresentar durabilidade, estabilidade e resistncia.

No mercado norte-americano, desde o seu surgimento em 1975, o OSB vem adquirindo utilizaes cada vez mais variadas, ultrapassando em muito quelas originalmente imaginadas. Isto se deve s caractersticas do painel aliado a grande, e at surpreendente, aceitao pelo consumidor final.

No mercado brasileiro, o OSB ainda um painel relativamente desconhecido, faltando melhor divulgao de suas caractersticas e utilizao. Por exemplo, os fabricantes de casas de madeira, que baseiam sua construes em painis de compensado, devem conhecer melhor e analisarem o painel OSB, que pode trazer vantagens ao serem introduzidos em seus processos construtivos. Vale ressalvar que este produto pode vir a suprir lacunas em projetos de casas populares, j que um produto que alia baixo custo, durabilidade e resistncia.

Na Amrica do Norte 51% das aplicaes do OSB correspondem a construo de residncias, sendo seu uso aprovado por normas estabelecidas no Japo, EUA e Europa. Em 2000, nos EUA, 50% do mercado de painis estruturais correspondia ao OSB, demonstrando o seu significativo crescimento neste mercado.

Uso do OSB na Construo Civil

Quanto localizao, de modo geral, a implantao das fbricas so prximas comunidades de maior perspectivas de crescimento, este fato pode ser considerado o grande responsvel pela exploso na comercializao de OSB no incio da dcada de 80 na Amrica do Norte, quando foi reconhecida a superioridade deste painel sobre o compensado tradicional, considerando o relativo baixo custo e caractersticas de resistncia.

Comparando com os painis convencionais, o OSB possui a elasticidade do aglomerado convencional, mas apresenta resistncia mecnica superior, e em relao ao compensado convencional, possui melhor resistncia a umidade, pois em sua produo emprega adesivos fenlicos. Em contrapartida, os preos de mercado entre o compensado convencional e o OSB, no Brasil, so muito prximos, contudo, possui custo muito inferior ao compensado naval.

Inicialmente desenvolvido para aplicaes estruturais, como forros para telhados, paredes, base para pisos, vigas em I, pallets, engradados, estrutura interna de mveis, etc, atualmente, tem-se descoberto por empresas e diversos profissionais, incluindo designers, novas possibilidades para o uso do OSB, a exemplo de floreiras, mobilirio e decorao em geral. Outrossim, em contribuio um aproveitamento ainda mais eficiente, desenvolve-se novos revestimentos que melhoram a durabilidade do painel para uso exterior, adaptando-o aos mais diversos climas aos quais for submetido.

Novas utilizaes para o OSB

Outra caracterstica interessante se refere ao processo industrial, que praticamente no transfere ao ambiente o formaldedo, visto que a cura finaliza na prensagem devido s altas temperaturas empregadas. Alm disso, a serragem, p ou cinzas do OSB podem ser considerados resduos inofensivos sade, ou seja, no h restries quanto a trabalhos em marcenarias e usinagem. Por estes motivos, dentre outros, o OSB apresenta grande potencial de expanso no mercado de painis em nosso pas, podendo vir a ser considerado como a madeira do futuro.

Painis de cimento-madeira

Inicialmente, pode-se definir o cimento como sendo um material composto de clnquer, gesso, escrias de alto forno, materiais pozolnicos e carbonticos. A nveis mundiais, o cimento comumente empregado na construo civil desde 1845, e muito vem sendo objeto de estudo, incluindo a indstria madeireira.

Estudos desenvolvidos voltados para o setor de painis de madeira reconstituda, apresentam resultados que vm confirmar a capacidade de solidificao do cimento em conjunto com a madeira, dando origem a um painel que poder ser considerado como revolucionrio para o Brasil. Infelizmente, at a atualidade, os mesmos no so produzidos em nosso pas, apenas tendo sido produzido em pequena escala por empresas pequenas, que confeccionaram um tipo de painel de baixa qualidade. Contudo, estudos mais aprofundados esto sendo realizados, principalmente pelas Universidades, que podero dar subsdios uma produo nacional deste tipo de painel com alta qualidade.

As caractersticas apresentadas por este produto permite uma aplicao diversificada, caracterstica que o coloca em posio superior a qualquer outra modalidade de painel. Alm disso, no apresenta restries de ambientes, obtendo bom desempenho em aplicaes internas e externas, mesmo considerando ambientes quentes, frios, secos e midos, superando em muito as aplicaes convencionais do aglomerado convencional.



Aplicaes em paredes exteriores

Neste contexto, pode-se concluir que a versatilidade uma caracterstica significativa do painel de cimento-madeira, pois alm de ser considerado como um material relativamente leve, possui resistncia umidade e ao fogo. Ressalva-se ainda, por apresentar bons resultados em testes de resistncia compresso, flexo, abraso, estabilidade dimensional e trabalhabilidade.

Todavia, um engano ao se imaginar que se trata de um produto recente, j que foi desenvolvido na Alemanha em 1914, e produzido em larga escala pela indstria, principalmente na Europa e Japo, desde o incio da dcada de 60.Desta forma, principalmente ao considerar-se que o Brasil um grande produtor de cimento e possuidor de uma silvicultura avanada, as potencialidades de mercado so grandes, destacando-se paredes de casas pr-fabricadas, bancada de parapeitos, pisos, revestimento de tneis, paredes divisrias, paredes com caractersticas de isolamento trmico e acstico, portas anti-fogo, entre outras aplicaes.

Nota-se, portanto, que as possibilidades de uso no ficam restritas s residncias mas, tambm, pode ser muito prtico e eficiente na construo civil em geral, como pavilhes, estdios, edifcios pblicos, assim como em ambientes com freqente uso de gua como banheiros, lavanderias e cozinhas.

Ultimamente tm se falado muito em projetos sociais, que garantam um modo de vida mais digno, condio que engloba alguns pontos primordiais como educao, sade, segurana, moradia e infra-estrutura. As caractersticas inerentes aos painis de cimento-madeira poderiam, com certeza, contribuir devido a seu baixo custo de produo e todas as caractersticas j citadas. A construo civil poderia focar seus projetos baseando-se no emprego de painis de cimento-madeira, em particular, aqueles voltados para a construo de moradias populares, j que este produto pode oferecer a populao moradias com qualidade a curto prazo e baixo custo.

Construo de Casas Populares

A entrada do OSB em produo em nosso pas, somado a uma provvel produo futura de painis de cimento-madeira e vigas LVL, conjuntamente com o desenvolvimento de bons projetos construtivos de madeira, que reunam qualidade, conforto, baixo custo e rapidez de construo, podero fornecer subsdios suficientes para uma revoluo na construo civil baseada em madeira no Brasil, incluindo, principalmente, as casas populares. Estas ltimas, em particular, objeto de preocupao constante dos governos, visto que a carncia de moradia continua crescente no pas, j atingindo dezenas de milhes de brasileiros, sendo a atual construo de alvenaria cara, demorada e com altos desperdcios, que ultrapassam 30% durante o processo construtivo.

Diante dos novos materiais supra-citados, um bom projeto construtivo direcionado poder permitir uma construo limpa, rpida e com o mnimo de desperdcio, produzindo casas durveis, de qualidade, e com conforto termo-acstico superior s de alvenaria.

Carlos Eduardo Camargo de Albuquerque Prof. Adjunto, D.S. - DPF/IF/UFRRJ

Raquel Oliveira Ferreira Acadmicas Engenharia Florestal - UFRRJ

Bianca Cerqueira Martins Acadmicas Engenharia Florestal - UFRRJ

Clarisse Cavalcanti da Fonseca Acadmicas Engenharia Florestal - UFRRJ

Dbora Oliveira Gripp Acadmicas Engenharia Florestal UFRRJ

Maio/2003