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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°59 - SETEMBRO DE 2001

Tratos Silviculturais

Tratos Silviculturais na Qualidade da Madeira

De um modo geral, pode-se melhorar, modificar, controlar ou minimizar os fatores que afetam a qualidade da madeira por meio de tratos silviculturais. Os tratamentos silviculturais mais empregados na cultura de Eucalyptus, no Brasil, com o intuito de alterar a qualidade da madeira so o espaamento, fertilizao, controle de pragas e plantas invasoras, desbastes e podas.



A) Fertilizao

As alteraes nas condies de crescimento devido aplicao de fertilizantes ou qualquer outro tratamento silvicultural so freqentemente associadas a alteraes na qualidade da madeira. O mesmo autor afirma que a aplicao de fertilizantes em povoamentos florestais pode acarretar alteraes na densidade da madeira e, consequentemente, nas propriedades fsico-mecnicas. A adubao pode alterar a estrutura anatmica da madeira e a constituio qumica da parede celular. No se encontraram respostas para a densidade da madeira de Eucalyptus grandis, aos seis anos de idade, em decorrncia da aplicao de fertilizantes, mesmo quando foram considerados os materiais lenhosos formados em distintas fases de desenvolvimento das plantas. O mesmo autor observou uma alterao no teor de substncias extratveis.



B) Espaamento

Povoamentos de Eucalyptus grandis e Eucalyptus saligna, com espaamentos de 3,0 x 1,5 e 3,0 x 2,0 m, no estado de So Paulo, j se encontravam em estado de estagnao a partir dos sete anos de idade. O mesmo autor afirma que um menor nmero de plantas por hectare pode levar formao de ramos com maiores dimetros, reduo da desrama natural e do volume a ser obtido no primeiro desbaste, alm de apresentar a primeira tora para serraria bastante cnica; por outro lado, um maior nmero de rvores por hectare pode levar competio entre rvores antes da idade do primeiro desbaste recomendado( 4 anos), com dimetro bastante reduzido das rvores. Se o objetivo do manejo a obteno de madeira para serraria e postes, no se recomendam espaamentos menores que 3,0 x 2,5 m, sugerindo densidades entre 2.000 a 1.200 plantas por hectare. Em experimento com clones hbridos de E. grandis x E. tereticornis, com nove anos de idade, plantados em espaamentos variados, verificou-se que o espaamento altera a proporo de madeira juvenil.. Estudando-se a influncia do espaamento na qualidade e na produo em peso da madeira de Eucalyptus grandis e E. urophylla, verificou-se que o espaamento no afetou significativamente a densidade e o peso da madeira. A definio de um dado espaamento tem um efeito muito forte tanto no crescimento como na formao da madeira, em funo da intensa competio por nutrientes, gua e luminosidade. A variao na densidade fortemente afetada pelo grau de supresso, tendo um efeito inverso bastante pronunciado na uniformidade da madeira. As rvores que crescem em espaamento bastante fechado apresentam um aumento na densidade muito rpido da madeira medida que se afasta da medula e as rvores que crescem em espaamento mais aberto apresentam um padro de densidade mais uniforme, bem como apresentam uma maior proporo de madeira madura, atingindo valores de densidade maiores numa idade mais precoce.



C) Desbastes

A produo tradicional de madeira de eucalipto no Brasil tem-se utilizado do sistema de corte aos 6 ou 8 anos, seguido da conduo de rebrota, por mais uma ou duas rotaes.. O principal mercado dessa madeira so as empresas que a transformam em celulose e papel, chapas e carvo vegetal para uso siderrgico. Produzida em alta escala para atender demanda acelerada desse parque industrial, quase no houve espao para o desenvolvimento de florestas de eucalipto que visassem produo de madeiras para serraria e laminao. Este uso difere bastante daquela produo para a indstria de transformao em mveis, pisos, peas estruturais, assoalhos, painis etc. pelo fato bsico de que a madeira utilizada na sua forma integral, preservando as suas caractersticas de aparncia e versatilidade.

Os desbastes so cortes parciais feitos em povoamentos imaturos, com o objetivo de estimular o crescimento das rvores remanescentes e aumentar a produo de madeira de melhor qualidade. Entende-se como melhor qualidade rvores de maiores dimenses, possibilitando a utilizao em produtos slidos, como serraria e laminao. As conferas so mais frugais que as folhosas ou as espcies de rpido crescimento do gnero Eucalyptus. Com isso, a capacidade de suporte do stio maior para as conferas em termos de rea basal. O eucalipto mais influenciado pelo micro-stio, havendo uma grande interao com o material gentico, principalmente oriundo de sementes.

Os desbastes tendem a acentuar essa interao gentipo-ambiente, quando so realizados apenas com base no vigor das rvores. H indcios de que se pode aumentar a capacidade de produo de madeira de uma rea de florestas com Eucalyptus, atravs do desbaste. O mesmo autor afirma que a reao da rvore transferir a energia produzida para o crescimento, adaptando-a nova situao ambiental. Com isso, o crescimento inicial logo aps o desbaste lento.

Os desbastes, portanto, devem ser pouco intensos e mais freqentes, levando-se em conta que a intensidade e a freqncia devem ser economicamente viveis. A nvel mundial, as melhores experincias com o manejo de eucalipto para serraria aconteceram na frica do Sul, acumulando uma experincia de mais de setenta anos no manejo das florestas. Resultados conclusivos com vrias espcies evidenciam que uma maior produo volumtrica e madeira de melhor qualidade ocorrem na conduo da rotao de mdia durao, entre 14 e 15 anos. Idades menores no exploram todo o potencial produtivo da floresta e a qualidade da madeira no satisfatria, ao passo que alm dos 30 anos, comeam a surgir srios problemas que prejudicam a madeira, como defeitos e tenses internas, alm da perda de lucratividade pelo tempo demasiado de ocupao da terra.. Para Eucalyptus regnans, um desbaste de 1200 para 150 rvores por hectare, aos sete anos de idade, no ocasionou nenhuma vantagem no crescimento, pelo menos 2,5 anos aps a interveno. O motivo que a reduo de 88% afetou a performance das rvores. Um desbaste para 35o rvores/h, porm, promoveu significativo aumento no crescimento das rvores remanescentes. Trabalhos realizados por vrios pesquisadores, com Eucalyptus grandis, na frica do Sul, demonstraram que os desbastes resultaram numa madeira com maior densidade e menor variao no sentido medula-casca, quando comparado com plantios sem desbastes.

Num regime de desbastes para o Eucalyptus grandis, plantado num espaamento de 3,0 x 2,0 m, no Rio Grande do Sul, previram-se desbastes aos 4, 8 e 15 anos, reduzindo-se a lotao para 950, 475 e 238 rvores por hectare, com um corte raso aos 21 anos. A produo prevista de madeira para o final do ciclo foi de 540 m3/ ha, sendo 275 m3 para serraria, 130 m3 para laminao e 135 m3 / ha para outros usos. Alguns pesquisadores verificaram que as florestas de eucaliptos na frica do Sul com desbastes menos intensos reduziam a formao de madeira juvenil, mas tambm reduziam o crescimento das rvores; por outro lado, os desbastes mais cedo e mais pesados produziam madeiras com maiores tenses de crescimento. Desbastes mais cedo e mais pesados em Eucalyptus grandis iro estimular o crescimento em dimetro; no entanto, a madeira produzida durante os 15 primeiros anos ser de qualidade inferior, com elevada tenso de crescimento, independente do espaamento em que as rvores estejam crescendo.

Para aumentar a proporo de madeira de qualidade, o primeiro desbaste deve ser leve, preferencialmente quando a madeira tiver dimetro mnimo para utilizao. O mesmo autor recomenda o seguinte manejo para o Eucalyptus grandis: plantio inicial de 1330 rvores/h, baixando para 990 plantas/h entre 6 e 7 anos; baixar em seguida para 74o plantas entre 9 e 10 anos; para 490 plantas entre 12 e 13 anos; para 250 plantas entre 15 e 16 anos; para 150 plantas entre 18 e 20 anos; para 100 plantas entre 20 e 22 anos e corte raso aos 30 anos. Os desbastes podem prejudicar as rvores remanescentes em qualquer idade pela ao do vento; porm, para desbastes de mesma intensidade, plantios mais jovens so menos afetados. Sugerem que os desbastes em Eucalyptus devem ser drsticos, precoces e por baixo.

O primeiro desbaste deve ser cedo e pesado para eliminar rvores dominadas e defeituosas. Os desbastes intermedirios acima de 12 anos devem ser mais leves que o primeiro desbaste para impedir o aparecimento de ramos laterais, o que ocasionaria o aparecimento de grande quantidade de material de baixa qualidade. As bases para conduo dos eucaliptos atravs de desbastes devem apresentar os seguintes aspectos: a) desbastes moderados e freqentes so preferveis aos fortes e espaados, devendo a rea por rvore aumentar mais rapidamente na fase juvenil, pois as respostas sero muito melhores do que no estado adulto; b) desbastes precoces ou exagerados so inconvenientes por prejudicarem a formao da copa, estimularem brotaes laterais indesejveis e sujeitarem as rvores delgadas ao danosa dos ventos, sem permitir adaptao gradativa; c) espaamentos iniciais mais amplos no substituem os desbastes sucessivos, pois a forma das rvores vai piorar, o volume total ser menor e os defeitos da madeira sero mais acentuados e irremediveis.

Atualmente, um dos mtodos mais aplicados com sucesso em todo o mundo o CCT( Tendncias das Curvas de Crescimento Correlacionadas), que permite definir, com relativa preciso, a freqncia e a intensidade dos desbastes. Atravs de parcelas experimentais de acompanhamento, onde so feitas comparaes de desbastes e cujos resultados so extrapolados para todo o povoamento. O princpio bsico evitar que o povoamento entre em competio, permitindo que as rvores cresam livremente, em ritmo acelerado, resultando em madeira mais homognea e mais estvel, alm de maiores volumes finais.

Algumas empresas florestais brasileiras voltadas para a produo de madeira para os tais usos tradicionais atualmente esto vislumbrando a possibilidade de se produzir madeira de maiores dimenses, objetivando a agregao de maior valor matria-prima. O mtodo de explorao com remanescentes consiste em se selecionar as melhores rvores( 50 a 200) rvores por hectare e no derrub-las por ocasio do primeiro corte, aos 7 anos; tais rvores so novamente poupadas no corte da rebrota, aos 14 anos, sendo estas rvores remanescentes retiradas somente aps o terceiro corte da brotao, por volta dos 21 a 23 anos.

A viabilidade desse mtodo comprovada pela obteno simultnea de madeira para os usos tradicionais( rebrota) e a obteno de 50 a 200 rvores de excelente qualidade para serraria e laminao. Alguns autores, no entanto, afirmam que os solos pobres e arenosos no respondem a este tipo de manejo, ficando restrito apenas aos solos de maior fertilidade; alm disso, afirmam que a brotao anula os efeitos do desbaste, aps o 2o ou 3o anos, entrando a floresta em grande competio novamente, aps esse perodo; garantem eles que os benefcios esperados para as rvores remanescentes somente ocorreriam com a eliminao da rebrota.



D) Desrama



A desrama ou poda consiste na eliminao dos ramos laterais do tronco da rvore, com o objetivo de produo de madeira livre de ns. Embora muitas espcies de Eucalyptus apresentem desrama natural, a permanncia dos ramos secos nas idades jovens ou a retirada dos mesmos ocasionam problemas de ns na madeira e a formao de bolsas de resina. Tanto a presena de ns como as bolsas de resina diminuem a resistncia fsica das peas de madeira e prejudicam a aparncia. A poda nas plantaes industriais de eucalipto melhora a qualidade da madeira, livrando-a dos ns e diminuindo a conicidade do tronco.

A desrama deve ser realizada logo aps o fechamento da copa e a uma altura mnima de 2 metros com as seguintes vantagens: a) permitir o acesso ao talho para acesso ao talho para inspeo e marcao do desbaste; b) reduzir o risco de incndios, diminuindo a chance do fogo atingir a copa das rvores; c) facilitar o corta das rvores nas operaes de desbaste e d) produzir madeira livre de ns na base da rvore, onde se concentra a tora de maior dimetro. A poda pode ser feita em todo o talho ou em algumas rvores seletivamente. Em geral, a poda feita nos primeiros anos do plantio de eucalipto e, como ainda na fase jovem no h como selecionar os melhores fentipos, recomenda-se a poda em todas as rvores.

A definio da freqncia e a intensidade da desrama deve seguir algumas premissas bsicas: a) A desrama uma operao de altos custos e deve estar acompanhada ou seguida de desbastes, pois so atividades complementares, quando se busca a qualidade da madeira; b) as desramas devem ser verdes e realizadas o mais cedo possvel; c) no caso de plantaes de eucalipto, a desrama segue o ritmo de crescimento do povoamento e, no necessariamente, a sua idade, que pode variar de 1,5 a 3 anos; d) a primeira desrama feita at 2 ou 3 metros de altura, o que corresponde a cerca de 50% da copa; e) a intensidade da desrama pode envolver at 2/3 da copa, o que no compromete o crescimento das rvores e pode at estimular o crescimento; f) a desrama no deve ultrapassar os 6,5 metros de altura; g) as operaes de desrama devem ser feitas na primavera, a fim de promover a rpida cicatrizao das feridas.Aps analisar os efeitos de poda e desbaste em Eucalyptus, alguns pesquisadores recomendam a poda somente nas melhores rvores, aos dois anos de idade, at a altura mxima de 4 a 5 metros. Acima desta altura, a desrama natural efetiva e no ocasiona a formao de ns mortos.

A primeira desrama para Eucalyptus grandis deve ser feita at a altura de 2,20m, quando a planta estiver com 2 anos de idade e nova desrama, apenas nas melhores rvores, at a altura de 6,0 m, quando a planta estiver com 4 anos, por ocasio do primeiro desbaste. O Departamento Florestal da frica do Sul toma como referncia a altura mdia do povoamento e no a idade para se realizar a poda. Tais podas devem ocorrer at 3,0, 5,0 e 7,5m quando as rvores tiverem, no mnimo, 6,6 , 9,0 e 13,5m de altura , respectivamente. Alguns pesquisadores, estudando a distribuio da podrido causada por podas e tenso de crescimento, em Eucalyptus regnans na Nova Zelndia, verificaram que, quando as podas so freqentes, os dimetros dos galhos so menores, diminuindo o tempo de cicatrizao; consequentemente, o tempo de exposio dos ferimentos infeco menor. A madeira livre de ns( clearwood) no mercado internacional muito valiosa, chegando a valer at 2,25 vezes mais que a madeira com ns.

O manejo propicia uma taxa interna de retorno de 10,58%, um custo mdio de madeira em p de US$ 6,81/ m3 e um custo de explorao de US$ 4,52/ m3. Comparando com o sistema tradicionalmente usado para a produo de madeira para processo em 3 cortes, tem-se 300m3/h aos 7 anos, 245m3/ha aos 14 anos e 161m3/ha aos 21 anos, apresentando uma taxa interna de retorno de 18,74%, um custo mdio da madeira em p de US $4,44/m3 e um custo de explorao de US$ 4,21/ m3. Do ponto de vista econmico, para que as taxas de retorno do manejo com desbastes sucessivos se igualem taxa de retorno com corte raso necessrio que o preo da madeira de serraria seja acrescido de 230%, o que facilmente obtido nas condies atuais de mercado. E concluram que a execuo de desbastes sucessivos em Eucalyptus grandis se mostra como opo mais adequada produo de madeira para serraria do que o antigo sistema de corte seletivo, onde se mantinham as rvores remanescentes.