MENU
Apicultura
Artigo
Caractersticas
Carvo Vegetal
Celulose
Construo Civil
Editorial
Espcies
Eucalipto
Eucaliptocultura
Gesto
Madeira Serrada
Manejo
Meio Ambiente
Mveis
Ns
Nmeros
leos Essenciais
Origens
Pesquisa
Postes
Preservao
Qualidade
Retratibilidade
Secagem
Tratos Silviculturais
Uso Mltiplo
Valorizao
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°59 - SETEMBRO DE 2001

Retratibilidade

A Retratibilidade da Madeira

A retratibilidade da madeira o fenmeno relacionado variao dimensional da madeira, em funo da troca de umidade do material com o meio que o envolve, at que seja atingida uma condio de equilbrio, chamada de umidade de equilbrio higroscpico. As variaes nas dimenses nas peas de madeira comeam a ocorrer quando se perde ou se ganha umidade abaixo do ponto de saturao das fibras, que, de modo geral, situa-se ao redor de 28 a 30% de umidade. A variao dimensional da madeira diz respeito s contraes e ao inchamento da madeira. As caractersticas de retrao da madeira so bastante diferentes entre as espcies, dependendo do modo de conduo da secagem e do prprio comportamento da madeira, o que leva ocasionalmente a alteraes da forma e formao de fendas e empenos. Precaues especiais devem ser tomadas nas situaes em que se exige a estabilidade da madeira. Em edificaes, pisos, esquadrias, portas e mveis em geral, podem ocorrer srios prejuzos, chegando, mesmo, a inviabilizar o produto final se no se faz a correta secagem at a umidade de equilbrio das condies de uso.

Existem vrias explicaes sobre a causa do aumento da contrao com a temperatura. Uma das razes poderia ser a diminuio do teor de umidade de equilbrio, mas tal fator causaria um aumento de contrao menor que 1% e, na realidade, o aumento de contrao muito maior que esse valor. Outros fatores podem contribuir para explicar a contrao da madeira:

presena do colapso da parede celular, devido s foras capilares que excedem a resistncia compresso da madeira no sentido perpendicular s fibras;

uma parte da contrao , na realidade, um compresso residual resultante das tenses desenvolvidas durante a secagem;

h uma degradao trmica parcial do material.

Apesar de a retratibilidade volumtrica expressar a variao total ocorrida na variao higroscpica , as contraes lineares que ocorrem ao longo dos planos de orientao da madeira so, na maioria das vezes, mais importantes e, por serem diferentes, tornam a madeira um material anisotrpico. Ateno maior deve ser dada movimentao transversal das madeiras, uma vez que estas se diferem conforme as direes tangencial ou radial, sendo a primeira maior que a segunda. Os valores da contrao tangencial oscilam em torno do dobro dos valores encontrados na contrao radial, podendo chegar ao triplo, em casos extremos, como no caso da madeira de eucalipto, e so vinte vezes maior que os detectados no sentido longitudinal ou axial. A contrao da madeira deixa de observar as regras normais de anisotropia quando a temperatura aumenta. Segundo tais autores, nem sempre a contrao tangencial sempre maior que a contrao radial; com o aumento da temperatura, a contrao em espessura sempre maior do que em largura, independentemente da orientao( radial ou tangencial). Esse fenmeno se baseia no fato de que as clulas da superfcie de um corpo submetido secagem ficam restritas a contrair em largura pelas clulas do interior( que esto com um teor de umidade acima do ponto de saturao das fibras), enquanto a contrao em espessura se processa livremente.



DESEQUILBRIO



Em se tratando da variao dimensional na direo transversal( radial e transversal), h um desequilbrio entre os valores da retratibilidade. Tal desbalanceamento entre as contraes chamado de fator anisotrpico, ou seja, a relao entre a retratibilidade na direo tangencial dividida pela mesma propriedade na direo radial. A situao ideal seria aquela em que as tenses decorrentes da natureza anisotrpica se anulassem segundo as direes em que a retratibilidade se manifestasse, o que, na prtica, raramente acontece. A grande importncia desse ndice que, quanto maior for o seu distanciamento da unidade, mais propensa a madeira se fendilhar e empenar.

Para as madeiras mais estveis, os ndices variam de 1,3 a 1,4, mas para madeiras de eucalipto, principalmente aquelas provenientes de rvores jovens e de rpido crescimento, os ndices podem chegar a 3, tornando-as extremamente instveis dimensionalmente. Existe um critrio de classificao quanto ao fator anisotrpico: madeiras com fatores entre 1,2 a 1,5 so consideradas excelentes, ocorrendo em madeira de cedro, sucupira e mogno; fatores entre 1,5 a 2,0 so consideradas normais, ocorrendo em ip, pinus, araucria, peroba-rosa e teca; fatores acima de 2,0 so consideradas ruins, ocorrendo em araucria, imbuia, jatob e eucalipto. Coeficientes de anisotropia de contrao baixos, mas com contraes tangencial e radial excessivas provocam a instabilidade dimensional da madeira.



Os valores de retratibilidade obtidos nas direo axial ou longitudinal so muito pequenos e dificilmente ultrapassam 1% para as madeiras comuns, inclusive o eucalipto. A retratibilidade longitudinal da madeira de algumas espcies de eucalipto apresenta os seguintes valores: Eucalyptus paniculata( 0,9), E. urophylla( 1,1), E. tereticornis( 0,9), E. citriodora( 0,8) e E. cloeziana( 0,6%). Os valores mdios para contrao longitudinal total esto entre 0,1 e 0,2% para a maioria das espcies. Valores mais elevados podem ser esperados quando se encontra madeira anormal, como lenho de reao, lenho juvenil e de gr revessa. Tais alteraes na contrao so devidas ao ngulo microfibrilar que aumenta proporcionalmente aos seus valores. A madeira de Eucalyptus grandis, de povoamentos jovens, possui baixa estabilidade dimensional.



Alguns pesquisadores estudaram a variao dimensional de vrias espcies de eucalipto, em diferentes idades, a partir de madeira saturada em gua at atingir a condio seca a 0% de umidade.



No existe um perfil definido de variao da retratibilidade para as madeiras na direo radial, no sentido medula-casca. Existe um padro crescente de retratibilidade na direo medula-casca para a madeira das espcies de Eucalyptus citriodora, E. cloeziana e E. urophylla. Em Eucalyptus pilularis existe uma tendncia decrescente da contrao no sentido medula-casca. Em Eucalyptus camaldulensis, tambm se observa um decrscimo da contrao no sentido medula-casca. H, entretanto, um consenso entre os pesquisadores que existe uma tendncia geral para a maioria de todas as espcies apresentarem valores inferiores de contrao na regio do alburno perifrico, indicando uma elevada estabilidade dimensional dessa madeira nessa regio.

A madeira de eucalipto, por ser de crescimento rpido, est ligada a contraes excessivas, com o aparecimento de defeitos de secagem, como empenamentos e fendilhamentos, que tendem a ser maiores em madeira de densidade mais baixa. Existem diversas maneiras para se melhorar a estabilidade dimensional da madeira. Dentre os mtodos mais simples, destaca-se a proteo das superfcies da madeira com a aplicao de ceras, vernizes, lacas, tintas, parafina e breu, entre outros produtos. Esses produtos devem ser utilizados somente quando a madeira se encontra com a umidade de utilizao ou umidade de equilbrio local, dificultando a soro de umidade, tendendo minorar os problemas causados pela variao dimensional. Tais produtos atuam somente como protetores superficiais, atuando apenas como paliativo para proteger a madeira contra movimentao da umidade.

A impregnao da madeira com substncias preservantes tambm poder reduzir a higroscopicidade da madeira; em se tratando da madeira de eucalipto, tais processos so de reduzida eficcia, uma vez que somente o alburno permevel. Um dos mtodos utilizados com sucesso, como pr-tratamento para melhorar a eficincia da secagem, atravs da reduo das contraes e tambm do tempo, a tcnica do pr-congelamento.



Existe muita controvrsia quanto s possveis correlaes existentes entre a retratibilidade e a densidade da madeira. Alguns pesquisadores afirmam que as duas propriedades esto altamente correlacionadas. Outros pesquisadores encontraram baixa correlao entre retratibilidade e densidade bsica. Em relao posio radial, na direo medula-casca, o mesmo autor verificou correlaes altamente significativas entre densidade bsica e retratibilidade para as espcies Eucalyptus citriodora, E. cloeziana e E. grandis, o que no aconteceu para a madeira de Eucalyptus tereticornis