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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°133 - DEZEMBRO DE 2012

Biomassa

Mercado e potencial de biomassa para energia

O potencial de aproveitamento de biomassa mundial é suficiente para atender a demanda de energia global em 2050 mas depende da disponibilidade de terra. Atualmente, a quantidade de terra dedicada ao cultivo de biomassa energética é de apenas 25 milhões de hectares ou 0,19% da área terrestre. O Brasil desponta com o maior potencial (fontes de recursos e matéria-prima) de desenvolvimento de projetos sustentáveis de produção de biomassa.

O Brasil possui a matriz energética mais renovável do mundo industrializado, com 46,4% de sua produção proveniente de fontes como recursos hídricos, biomassa e etanol. A demanda por energia no Brasil deverá crescer até 2018, chegando a 681,7 mil gigawatts-hora, amparado nas excelentes perspectivas de crescimento para a economia brasileira no mesmo período e com a forte expansão da demanda. A bioenergia é produzida a partir de uma variedade de fontes de biomassa, incluindo resíduos florestais, agrícolas, industriais e da pecuária; resíduos sólidos urbanos e orgânicos e de plantações florestais e culturas energéticas.

Outro fator positivo, o Brasil apresenta-se como uma das regiões florestais com maior capacidade de produção e biodiversidade do mundo. Segundo dados da ABRAF, em 2012 chegamos a um total de área plantada no Brasil (ha) de 6.516.000.

Entretanto, o setor florestal gera uma série de resíduos não aproveitáveis que podem constituir numa grande fonte de produção de biomassa. Nos dados do IPEA, SAE e ABIB temos a geração de resíduos no extrativismo (FR 65%) e na silvicultura (FR 15%) em total em m3/ano na silvicultura (18.442.217,88) e extrativismo (16.353.680,56) em total de resíduos gerados de 34.795.898,44.

Quantitativo de Resíduo gerado do Processamento Mecânico da Madeira. Nos dados do IPEA, SAE e ABIB temos a geração de resíduos no processamento mecânico da madeira com um fator residual de 45% em total em m3/ano na silvicultura (48.110.133,60) e extrativismo (2.668.432,73) em total de resíduos gerados de 50.778.566,33.

Na geração de resíduo da cadeia florestal – colheita e processamento mecânico têm na silvicultura (66.552.351,48) e extrativismo (19.022.113,28) em total de resíduos gerados de 85.574.464,76. Nos dados do IPEA, SAE e ABIB temos a geração de resíduos no processo de papel e celulose no Brasil em total de 10.916.640. Não estamos computando o uso da lenha na silvicultura (41.410.850) e extrativismo (41.565.728) m3.

BIOMASSA NO BRASIL

Uma alternativa viável para o aproveitamento dos resíduos lenhosos e florestais no Brasil é o desenvolvimento de Centros de Recolhimento e Processamento de Biomassa. Com o objetivo de estabelecer as premissas básicas para a valorização dos recursos endógenos florestais, no sentido de estabelecer uma rede de centros de recolhimento, tratamento e processamento de biomassa florestal residual para o abastecimento aos potenciais consumidores industriais de biomassa para a geração de energia.

O desenvolvimento do Centro de Recolhimento e Processamento de Biomassa Residual ajudar a reduzir a dependência energética nacional aos combustíveis fósseis. Em ajudar o Brasil no cumprimento das metas estabelecidas para a redução da dependência em energias não renováveis e o aumento da eficiência energética. Na valorização dos recursos endógenos nomeadamente, a biomassa florestal residual.
Uma forma de aproveitamento florestal é a produção de Wood chips são cavacos limpos de madeira, ou seja, lascas cisalhadas a partir de uma tora de madeira para processo MDF e Celulose, sempre sendo trabalhados de maneira que as fibras da madeira estejam dentro de uma faixa de medida apropriada.
Importante ressaltar a demanda internacional de consumo de woodchips e biomassa. Países europeus preparam cumprir metas de energia renovável de 20 por cento de 2020, a demanda por biomassa deve aumentar (importação). A demanda adicional de 2020 da biomassa lenhosa varia de 105 milhões de toneladas, com base em projeções de mercado no setor de energia e um crescimento de referência do setor florestal, a 305 milhões de toneladas, com base na demanda máxima em setores de energia e transporte e um rápido crescimento da o setor florestal. Existem doze grandes projetos no Reino Unido com o consumo anual 2012-2020 equivalente a 206 milhões de GJ / y ou cerca de 12 milhões toneladas ano de pellets ou 20 milhões toneladas anos de wood chips.

PRODUÇÃO DE PELLETS

Outra forma de aproveitamento dos resíduos florestais é na produção de pellets. Wood pellets são utilizados na Europa e nos Estados Unidos desde 1930. Tornou-se popular o uso de pellets durante a crise do petróleo de 1973-79, principalmente da necessidade da Europa e dos Estados Unidos (grandes consumidores de combustíveis fósseis). Rapidamente teve uma grande aceitação popular na Europa (em função da alta qualidade e poder de geração de energia) no uso de pellets em residências, escolas e hospitais.

Em 1990 com os incentivos da Alemanha, Áustria, Holanda, Dinamarca e Itália para a produção de energia utilizando as fontes renováveis para a diminuição de emissão de CO2 e dos gases do efeito estufa, aumentou a produção internacional e o consumo interno na Europa. Atualmente na Europa, Canadá e Estados Unidos são utilizados os pellets para a geração de energia térmica, com uma dupla denominação de uso residencial e industrial. No Brasil, a primeira planta de Wood pellets apareceu em 1994 na cidade de Rio Negrinho em Santa Catarina com a empresa Battistella.

O Pellet é uma fonte de energia renovável pertencente à classe da Biomassa. O Pellet é um combustível sólido de granulado de resíduos de madeira prensado, proveniente de desperdícios de madeira. O pellet é obtido por trefilação de serragem produzida durante o beneficiamento da madeira natural seca. O mercado oferece várias tipologias de pellet com características que variam conforme os tipos de madeiras a serem utilizado. Sua principal aplicação é no aquecimento comercial e residencial de ambientes. Também é utilizado para a geração de energia em plantas industriais.

Razões para Produção e o Consumo de Wood pellets:

Aumento substancial do poder calorífico (PCI) / volume (aprox. x 2,5 comparado com biomassa ou o Wood chips (madeira); <br>Redução dos custos de transporte; <br>Simplificação na logística e manuseio; <br>Redução da atividade biológica /armazenagem segura; <br>Combustível homogêneo e gerenciável em plantas geradoras; <br>Adaptação fácil e barata em caldeiras existentes de combustíveis fósseis para pellets de bio-combustíveis; <br>Aumento da eficiência térmica em comparação com queima direta de biomassa<br>Co-combustão de pellets de biomassa em termoelétricas queimando carvão.

Por que pellets? Uma maneira atrativa e bem desenvolvida para reduzir emissões de CO2. Matéria prima bem conhecida e abundante, disponível em muitas regiões, e podem aumentar a renda de distritos rurais.: O sistema de queima com pellets proporciona uma importante economia, que pode variar entre 30% a 60%, dependendo do combustível utilizado, por ser uma fonte de calor de alto

As estimativas para a demanda de consumo de pellets na Europa em estudos, variam de 18 milhões de toneladas em 2013, 16,5 milhões de toneladas em 2015, 50 e 80 milhões de toneladas em 2020 e cerca de 28 milhões de toneladas em 2025 .

Segundo a Associação Européia de Biomassa, espera-se que a Europa chegue a um consumo de 80 milhões de toneladas por ano até 2020. O déficit de biomassa é estimado em 60 MT. Principais países importadores serão Reino Unido, Holanda, Bélgica, Alemanha, Itália e Espanha.

O briquete é outra opção. Trata-se de uma lenha ecológica (reciclada) que é resultado do processo de secagem e prensagem de serragem ou pó dos mais diversos tipos de madeira e de resíduos florestais. O Briquete é fabricado através do processo de compactação mecânica e não tem nenhum componente químico ou aglutinante no processo. Os briquetes são blocos cilíndricos ou poligonais de biomassa compactada com volumes geralmente variáveis entre 0,8 cm3 e 30 cm3 cada, e que podem substituir a lenha em instalações que utilizam esta como fonte energética.

O briquete é utilizado na produção de energia, na forma de calor, em caldeiras, fornos, churrasqueiras, lareiras, cerca de 30 kg de briquetes geram energia equivalente a 100 kWh/mês de energia elétrica convencional. O briquete é uma lenha ecológica e também é adequado para uso em, que substitui com grande eficiência a lenha comum o óleo combustível, o gás, a energia e outros. Alternativa atual de energia, com os altos preços dos combustíveis, e a preocupação com o meio ambiente, o briquete se tornou uma solução pratica e viável com um ótimo custo - beneficio, trazendo uma ótima economia, rentabilidade e garantia no fornecimento.

O BioBriquete é um CSR (Combustível Sólido Renovável), produzido a partir da compactação dos Resíduos do setor agroindustrial como resíduos de cacau, bagaço de cana, casca de arroz, resíduos de caroço de algodão, babaçu e resíduos de milho.

Como avaliação geral, em 2010 as energias renováveis respondiam por 5,3 milhões de empregos. Do total, 2,9 milhões estão relacionados à produção de energia de biomassa e bioenergia em apenas quatro países: Brasil, Estados Unidos, Alemanha e China.

O mercado de produtos e serviços verdes do Reino Unido, que vale quase R$ 1 trilhão, já emprega cerca de 900 mil pessoas, diretamente ou na cadeia de oferta mais ampla. O Reino Unido vê a transição para uma economia verde, de baixo carbono, como importante oportunidade comercial e de novos empregos.

As bem sucedidas experiências internacionais mostram que a superação das barreiras econômicas e o desenvolvimento do mercado de renováveis e da biomassa só acontecem com o estabelecimento de regras claras e políticas de longo prazo.

A criação de uma Legislação para Energias Renováveis, Biomassa e Bioenergia no Brasil é o passo mais importante para a estruturação de uma indústria sólida, sustentável e transformadora, capaz de trazer benefícios ambientais, sociais e econômicos.

Com essa abordagem procuramos em identificar, no perfil da matriz energética brasileira, as perspectivas e os principais desafios da gestão socioambiental do aproveitamento e do uso dos resíduos na geração de novos projetos industriais e no mercado internacional de consumo.

O desafio que permanece envolve a necessidade urgente de uma política pública nacional em energias renováveis visando o reaproveitamento de todos os tipos de resíduos de biomassa.

Autor: Celso Oliveira, Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia Renovável Fundou a International Renewable Energy e a Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia Renovável. Membro World Bioenergy Association. Atualmente é Consultor no Desenvolvimento de Projetos Industriais de Bio Wood Pellets