MENU
Biomassa
Carvo
Editorial
Geoprocessamento
Infraestrutura
Lminas
Mveis & Tecnologia
Preservao
Secagem
Transporte
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°129 - NOVEMBRO DE 2011

Secagem

Armazenamento da madeira

O armazenamento é uma das principais etapas do processamento da madeira. Desde o seu corte até o uso final, a madeira passa por várias etapas de armazenamento. Durante este período, as peças de madeira, sejam elas verdes ou secas, devem receber um cuidado todo especial. O principal deles é o controle do teor de umidade. Mudanças bruscas no TU podem ocasionar sérias perdas originadas de possíveis defeitos ou ainda pelo ataque de microrganismos xilófagos (fungos e insetos).

Como exemplo podemos ter variação rápida e desigual do TU, que pode ocasionar rachaduras e empenos. Se o TU ultrapassar os 22% a madeira estará sujeita a deterioração.

A madeira quando armazenada deve receber alguns cuidados especiais, estando ela verde ou seca, bruta ou beneficiada ou ainda empilhada adequadamente ou não.

Os principais cuidados que se deve ter com a madeira à armazenar são basicamente dois, quais sejam:

1°) Protegê-la contra a ação das intempéries: existem situações em que a madeira é empilhada sem tabiques ou separadores. Nestas situações a água da chuva fica armazenada nos pequenos espaços entre as tábuas, favorecendo o aparecimento de fungos manchadores ou emboloradores.

2°) Protegê-la contra a ação dos organismos xilófagos: Neste caso, independentemente da dimensão e forma da madeira ou ainda da maneira como ela foi armazenada, deve-se, na medida do possível, efetuar um tratamento químico temporário para poder protegê-la contra a ação destes microrganismos.

A escolha do tipo adequado de armazenagem vai depender, dentre outros fatores, do teor de umidade final desejado; das condições climáticas locais e das condições financeiras para investimento da empresa.

Na prática existem vários tipos de armazenagem de madeira serrada, porém os principais são a armazenagem ao ar livre e a armazenagem em galpões.

Para a armazenagem em galpões existem dois tipos de estruturas, os galpões abertos e os fechados, sendo que estes últimos podem apresentar ainda as seguintes características: sem aquecimento, com aquecimento e com ar condicionado.

Na armazenagem da madeira ao ar livre deve-se ter o cuidado de escolher um local bem drenado, ventilado, livre de vegetação ou detritos que possam restringir a movimentação do ar principalmente ao nível do solo e também locais que não apresentem riscos de incêndios. As pilhas de madeira devem ser colocadas sobre suportes a uma distância mínima de 40 a 50 cm do solo.

Preferencialmente, a madeira seca, quando for armazenada ao ar livre, deve apresentar um teor de umidade igual ou superior à umidade de equilíbrio do local ( Temperatura x UR do local).

Se a madeira seca a ser armazenada tiver um TU abaixo da UE local, esta tenderá a absorver umidade. Esta absorção será tanto maior quanto maior for a diferença entre o TU da madeira e a UE local.

Quando o TU da madeira for menor que 20%, deve-se dar preferência ao empilhamento sem tabiques, tendo-se sempre o cuidado de proteger bem a pilha contra a chuva. O acumulo de água pode proporcionar o aparecimento de fungos, por isso, o uso de lonas plásticas ou outro material impermeável é recomendado.

Quando o TU da madeira for maior que 20% é recomendado o empilhamento com tabiques ou separadores, conforme visto na secagem ao ar livre.

Para madeiras secas em estufas com TU acima de 20% é recomendado um empilhamento sem tabiques, também conhecido como pilhas sólidas, pois a tendência é da madeira absorver umidade, principalmente, nos dias frios e nos períodos úmidos. Entretanto, não deve se esquecer de proteger bem as pilhas contra a água da chuva, usando-se lonas plásticas ou outros tipos de plásticos.

A estocagem em galpões promove uma maior e melhor proteção à madeira em relação àquelas estocadas ao ar livre. Além de fornecerem uma maior proteção contra as intempéries, os galpões dispensam gastos extras com lonas para coberturas temporárias e com mão de obra para colocação, retirada e manutenção deste tipo de cobertura.

Basicamente existem dois tipos de galpões:

Galpões abertos, como o próprio nome diz, são aqueles que não possuem paredes laterais, entretanto, existem alguns que podem ser abertos em um ou mais lados, permanecendo os demais fechados.

São excelentes para a proteção de madeira verde ou parcialmente seca. Dependendo das condições climáticas locais, podem ser usados inclusive para armazenar madeiras secas em estufas. Porém, não são recomendados para madeiras com TU inferior a 12 ou 15%.

Da mesma forma que nos casos anteriores, se a madeira a ser estocada tiver mais que 20% de TU, esta deverá ser entabicada para dar continuidade ao processo de secagem. Ao contrário, se a madeira apresentar um TU abaixo de 20%, as pilhas sólidas são as mais recomendadas.

Neste caso, como há uma proteção contra as intempéries, os riscos de ocorrerem fendilhamentos ou rachaduras são menores.

Este tipo de galpão deve ser localizado preferencialmente em áreas bem ventiladas e drenadas. O espaço ocupado pelo galpão deve ser grande suficiente para permitir as operações de carga e descarga, e se possível, com beirais bem largos que evitem chuvas de vento e insolação direta nas laterais das pilhas. Além disso, as pilhas devem ficar apoiadas sobre suportes estáveis espaçados pelo menos 30 cm do solo, permitindo uma boa ventilação entre o piso e a base da pilha.

Os galpões fechados são os mais indicados para armazenagem de qualquer tipo de madeira, desde verde ou parcialmente verde, seca ao ar livre ou em estufa. São os que oferecem melhor proteção contra as intempéries.

Madeiras verdes ou parcialmente secas devem ser entabicadas, sendo que nestas condições, os riscos de aparecerem defeitos de secagem são mínimos.

Madeiras com TU superior a 20% devem ser entabicadas, e em caso contrário (menor que 20%), a madeira poderá ser empilhada sem separadores. Caso se queira continuar secando a madeira, deve-se usar os separadores e eventualmente também ventiladores, os quais promoverão a movimentação do ar entre as pilhas.

Madeiras secas em estufas, sujeitas a absorver umidade nos períodos chuvosos, portanto, o uso ou não de tabiques, dependerá do período de estocagem da madeira no galpão. Caso a madeira for empilhada com separadores, isso promoverá uma aceleração na absorção de umidade.

Madeiras com TU em torno de 10 a 12% quando estocadas em galpões com alta umidade relativa, por longo período, poderão apresentar defeitos tais como: inchamento de toda ou parte da peça, empenamentos, rompimento da linha de cola em painéis, dentre outros, mesmo quando empilhados sem separadores.

Este tipo de galpão poderá ainda ser aquecido através de serpentinas a vapor ou resistências elétricas, permitindo a elevação da temperatura que provocará uma diminuição na URA e consequentemente na UE. Neste caso, como a temperatura requerida é de 5 a 10°C acima da temperatura ambiente faz-se necessário o uso de ventiladores para a circulação do ar, porque a quantidade de calor requerida não é muito grande.

Para madeiras secas em estufa até 12% de umidade, os galpões fechados com aquecimento são os mais indicados, pois pode manter-se o TUE do galpão bem próximo ao TU da madeira com uma mínima influência do TUE externo ao galpão.

O uso de aparelhos de ar condicionado em galpões fechados, é outra forma que se dispõem para fixar a UE do galpão bem próximo ao TU da madeira.

Numa situação desta, o ar é resfriado e forçado a passar através de um trocador de calor. Quando o ar é resfriado, ele perde umidade por condensação, desta forma, a UR dentro do galpão baixa, conseguindo-se desta forma, manter um controle quase que preciso da URA dentro do galpão, através da manipulação destes aparelhos (ligando e desligando-os).

Entretanto, a escolha do melhor sistema de armazenagem sempre estará em função dos seguintes fatores: a) TU desejado; b) condições climáticas locais e; c) possibilidades de investimento da empresa.

Autor: Professor Alexandre Floria – Universidade de Brasília