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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°129 - NOVEMBRO DE 2011

Preservao

Mtodos de tratamento de madeira

Existem vários métodos que visam prevenir a infestação da madeira por organismos xilófagos. No geral englobam produtos químicos e métodos de tratamento com ou sem o auxílio de pressão.

Para o controle da deterioração em toras temos o desdobro rápido, entre 48 e 72 horas após o abate, mostrando baixa incidência de ataque, sempre devendo receber um tratamento superficial posterior.

Já a submersão em água evita o ataque devido a falta de O2. Contudo, por tempo muito prolongado poder haver a infestação por bactérias e fungos de podridão mole.

No caso de aspersão em água deve-se manter as toras armazenadas sob ação de aspersores. Períodos de 6 minutos com intervalos de 10, mostraram ser eficientes no Canadá , não necessitando de uma aspersão constante.

A aspersão de fungicidas e/ou inseticidas é mais comumente utilizado a nível mundial. De preferência aplicar o produto nas extremidades, inserção de galhos, resinagem e onde a casca tenha sido danificada. Quando ocorre a incidência de Coleópteros, aplicar na peça toda.

No caso do controle da deterioração em madeira serrada temos a secagem rápida em estufa, com a temperatura acima de 100 C aplicada a espécies não susceptíveis ao colapso. Além de esterilizar a madeira, também proporciona uma rápida secagem. Algumas serrarias do sul aplicam esta técnica principalmente com Pinus spp.

Neste caso a imersão pode ser manual, semi-automática, onde as peças são levadas por esteiras rolantes até o tanque onde são mergulhadas, sendo retiradas manualmente. Serrarias com grande produção; a imersão automática, com correntes deslizantes sobre roletes que levam as peças de madeira e passam por um tanque em forma de "V", sendo submersas na solução e retiradas automaticamente após o banho. Serrarias com grande produção diária; e a pulverização, indicada para grandes peças de madeira e serrarias com grande produção. Pode ser pulverizador costal ou um sistema automático, onde as peças de madeira são movimentadas por roletes ou esteiras passando por um túnel adaptado com bicas pulverizadoras, banhando as peças completamente.

Mesmo após este pré-tratamento as peças necessitam de outro após o desdobro, pois, o pré-tratamento além de ser de curta duração facilmente eliminada das peças, tanto pela ação da chuva como da evaporação. Além disso, as peças depois de tratadas devem ficar empilhadas sem entabicamento por pelo menos 12 horas para maior fixação do produto.

Entre os produtos químicos utilizados estão os fungicidas, Compostos de mercúrio (abandonados), pentaclorofenol, pentaclorofenato de sódio, bórax e ácido bórico; e os inseticidas, como Organofosforados (Fention, fenitrition, protiofós e phoxim) e piretróides sintéticos (Captafol, Folpet, TCMBT (2-tiociano metiltio benzotiazol), MTB(bis tiocianato de metileno), quazatina e Troysan (3-iodo-2 propinil butil carbamato)

Processo Sem Pressão

São todos aqueles que envolvem de uma maneira geral os fenômenos da Difusão - a diferença do potencial químico entre a solução preservativa e a solução nutriente da madeira. Desta forma só pode se realizar em madeira verde; Capilaridade - é a força de adesão de um líquido às paredes de um material (poros da madeira); e Absorção Térmica - a diferença de temperatura induz a uma diminui o da pressão interna do ar na madeira, a qual responsável pela absorção do preservativo.

O pincelamento ou aspersão são os mais simples e mais baratos. Preservativos hidrossolúveis ou oleossolúveis de baixa viscosidade. Penetra o superficial atingindo poucos mil metros. Aplicado para madeiras secas em regiões de baixa incidência de ataque de organismos xilófagos.

A imersão rápida varia de alguns segundos a minutos. Protege um pouco mais que o anterior.

A imersão prolongada para madeira verde utiliza produto hidrossolúvel e penetra por difusão Para madeira seca é utilizado produto óleossolúvel ocorrendo penetra por capilaridade Segundo Purslow, a absorção igual a raiz quadrada do tempo de imersão. Pode ser de até vários dias sendo que a maior absorção ocorre no primeiro dia diminuindo gradativamente.

A difusão simples é empregado para madeira com elevado teor de umidade. Migrações de íons de solução preservativa para o interior da madeira até o equilíbrio das concentrações dentro e fora da madeira. Após o tratamento recomenda-se um período de 3 a 4 semanas de armazenagem a sombra com pouca ventilação. Ex.: sais de boro, compostos de flúor.

A difusão dupla é a imersão da madeira ainda verde em duas soluções diferentes, objetivando formar uma terceira no interior da madeira altamente resistente a lixiviação.

A substituição da seiva é muito utilizado para moirões e postes recém abatidos. Desloca-se a seiva por meio de uma solução hidrossolúvel com baixa massa molecular (Ex. de produto: CCA), existem dois tipos:

A. Transpiração Radial

Empregado para madeiras roliças com elevado teor de umidade. Utiliza-se solução hidrossolúvel entre 2 a 5% em massa. A penetração ocorre de acordo com a evaporação da seiva das peças colocadas em pé dentro de um tambor. Após o tratamento as peças devem ser armazenadas durante 20 a 25 dias para boa fixação do preservativo. A penetração ocorre tanto por difusão como por capilaridade. Mais ou menos 7 dias numa posição e depois 2 a 3 dias na outra para completar o tratamento.

B. Boucherie

Indicado para postes onde estes são colocados no chão com uma extremidade levemente mais alta. A esta extremidade é adaptada uma capa de borracha que está ligada à solução preservativa hidrossolúvel, colocada em um lugar elevado. A pressão hidrostática da solução força a saída da seiva pela outra extremidade podendo levar até vários dias para que o alburno seja completamente tratado.

Já o banho quente-frio é indicado para madeiras secas com preservativo oleossolúvel ou oleoso ou ainda hidrossolúvel que seja estável quando aquecido. Utiliza-se dois tanques, um para banho quente e outro para banho frio. No banho quente a temperatura gira em torno de 90 a 100ºC dependendo sempre do “Flesh Point” da solução. Período de 4 a 6 horas dependendo das dimensões das peças e o banho frio não deve ser inferior a 2 horas.

Existe experimento em campo de apodrecimento por este método já com mais de 20 anos no IPT em São Paulo.

Processos Com Pressão

Necessitam equipamento adequado, mão-de-obra especializada e investimento inicial elevado, entretanto, são mais eficientes que os sem pressão, podem ser empregados para qualquer espécie de madeira, de preferência seca, e podem ser utilizados preservativos hidrossolúveis e oleossolúveis.

Neste caso existe o processo de célula cheia. O que o distingue dos tratamentos de célula vazia, é a aplicação de um vácuo inicial para extrair, tanto quanto possível, o ar das células, facilitando deste modo, a penetração do preservativo na madeira. Dentre os principais tratamentos de célula cheia, destacam-se:

A. Processo Bethell (John Bethell / Inglaterra / 1838)

B. Processo Burnett: Patenteado por Burnett em 1838, compreendendo as mesmas etapas que o Processo Bethell com uma única diferença, é que o preservativo utilizado é hidrossolúvel e aplicado à temperatura ambiente.

C. Processo Boulton: Submete a madeira a uma secagem sob vácuo na fase inicial na própria solução preservativa oleosa aquecida entre 80˜ 100ºC. As outras fases são idênticas aos outros dois processos.

No processo de célula vazia não há a aplicação do vácuo inicial. Portanto, não ocorre a retirada do ar do interior da madeira. Com a aplicação da pressão há uma compressão deste ar que, após aliviada, expande e expulsa parte do preservativo. Com isso obtem-se uma boa penetração e economia no consumo de preservativo. Por isso é dito de célula-vazia. Os principais são:

A Processo Lowry

B Processo Rueping

Existe ainda o processo de duplo vácuo. Apropriado somente para aplicação de preservativos de solventes orgânicos de baixa viscosidade. Preferencialmente hidrossolúveis. Apropriado para situações onde a penetração limitada é requerida. Muito usado na Europa para tratamento de peças de madeira como armação de portas e janelas (batentes).

O método das pressões oscilantes foi desenvolvido na Suécia e aperfeiçoado no EUA. Consiste na aplicação de ciclos curtos e periódicos de vácuo e pressão.Método semelhante ao de célula cheia. Pressão é de 7,5 atm e Vácuo de 95%. Os ciclos aumentam progressivamente em duração de 1 a 7 minutos. Madeira permeáveis (40 ciclos) Madeiras impermeáveis (400 ciclos)

No processo MSU, após o período de pressão o preservativo é descarregado, mantendo-se a pressão interna da autoclave. As serpentinas da autoclave são cobertas com água, a pressão baixada para 35 psig e a temperatura interna elevada para 100˜ 105ºC; essas condições são mantidas durante 3 horas, sendo este tempo suficiente para que ocorram as reações de fixação no interior da madeira. Posteriormente aplica-se o vácuo final como em qualquer outro processo de tratamento. Como vantagem a madeira pode ser imediatamente manuseada e colocada em uso.

No caso dos jatos de alta energia, este por objetivo efetuar um tratamento no qual utiliza-se alta pressão (30.000˜60.000 psig). Esta alta pressão tem dois objetivos: o de preservação e o de incisamento da madeira Numa mesma operação. Melhores resultados foram obtidos com soluções hidrossolúveis.

O processo “Q” consiste num tratamento com vapor e vácuo, cuja duração depende das dimensões das peças. Após um período de retenção da carga em local coberto o tratamento é complementado através do processo Bethell. Mais utilizado para madeiras verdes.

O método de alta pressão é semelhante aos de célula cheia (Bethell) diferindo apenas na grandeza da pressão aplicada que é da ordem de 10Mpa (100Kgf/cm2). Utilizado primeiramente na Austrália em 1960 para tratamento de eucalipto. Essa madeira lá apresenta muito pouco alburno por isso a única maneira de se conseguir uma penetração no cerne é através de alta pressão.

Autor: Alexandre Florian, professor da Universidade de Brasilia