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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°127 - MARO DE 2011

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Pellets de madeira Expanso e Diversificao

Em tempos de energia limpa e produção de combustíveis derivados da biomassa vegetal, os pellets de madeira estão em alta. Eles são pequenas pelotas cilíndricas de madeira, compactadas e densas que são produzidas com baixo teor de umidade (menor que 10%), permitindo maior eficiência na combustão. Sua geometria regular permite tanto a alimentação automática num sistema industrial quanto a alimentação manual, nos aquecedores residenciais, porque é um produto natural e, em sua maioria, não contém elementos tóxicos na sua composição. Na Europa e América do Norte, sua principal aplicação é no aquecimento comercial e residencial de ambientes, mas também podem ser utilizados como combustível para a geração de energia elétrica em plantas industriais ou, até mesmo, em usinas termoelétricas.

Como forma de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, os governos da Suécia e dos Estados Unidos têm subsidiado a compra de aquecedores movidos a pellets. Na Europa, a meta é reduzir em 20% as emissões até 2020.

Na América do Norte e Europa, em 2010, havia 623 plantas industriais que produziam pellets. No período de 2002 a 2010, este mercado expandiu 890%, mas o ritmo de crescimento vem diminuindo por conta do equilíbrio alcançado entre a oferta e a procura. Em 2003/2004 o número de produtores cresceu 69% enquanto que em 2009/2010 esse crescimento foi de apenas 5,0%.

Devido à crise de energia (supervalorização do barril de petróleo) no final da década de 70, o mercado energético teve como alternativa econômica a produção dos pellets, que, desde então, encontra-se em expansão.

Atualmente, a busca por fontes renováveis de energia é uma tendência global que tem se fortalecido muito mais por questões ambientais do que econômicas, como no princípio. A União Européia se destaca neste cenário por estabelecer metas agressivas para a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis na sua matriz energética e a energia renovável a partir de biomassa vegetal, como os pellets, tem um papel importante neste contexto.

No Brasil, grandes empresas, como a Suzano Energia Renovável, anunciaram volumosos investimentos na construção de indústrias para a fabricação dos pellets de madeira na região nordeste. O projeto audacioso prevê a construção de uma das maiores plantas industriais de pellets de madeira do mundo, com produção estimada de 1 milhão de toneladas ao ano. Atualmente, o Brasil tem poucas empresas atuando neste setor, com baixo volume de produção, o que dificulta o fechamento de bons contratos para a exportação. Além disto, as empresas brasileiras sofrem com o câmbio comercial desfavorável, o custo alto da produção, a lentidão dos portos e, sobretudo, a sazonalidade do mercado que concentra os pedidos somente no auge do inverno europeu.

Enquanto os lucros não vêm, os produtores adquirem know-how objetivando mais competitividade neste mercado.

O desenvolvimento do mercado interno para os pellets já evoluiu bastante e muitas empresas já desenvolveram queimadores e sistemas de aquecimento residencial e comercial, exclusivamente, movidos a pellets.

Por aqui, assim como nos Estados Unidos, as empresas começam a diversificar a utilização deste produto. Pode-se encontrar, por exemplo, nos pet shops, um granulado higiênico de madeira que absorve o cheiro, a urina e aglutina as fezes dos gatos. A utilização dos pellets de madeira para esta finalidade gera bons lucros ao produtor, apesar do uso “pouco nobre” destinado ao biocombustível.

Os investidores reconhecem que os pellets de madeira podem trazer lucros e a sociedade, cada vez mais, exige produtos que não agridam o meio ambiente. Portanto, a expansão do mercado e a diversificação da utilização dos pellets de madeira contribuem para popularizar seu uso e incentivar a utilização dos recursos renováveis como forma de se obter o desenvolvimento sustentável.

Autores:

José Cláudio Caraschi, Professor Doutor da UNESP - Campus de Itapeva

Dorival Pinheiro Garcia, Mestre em Engenharia Mecânica - FEG-UNESP