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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°122 - JANEIRO DE 2010

Economia

Economia projeta crescimento em 2010

A economia brasileira mudou, e para melhor. Os investimentos tem aumentado e comprovam o sintoma de reaquecimento da nossa economia. A estimativa para o desempenho da economia brasileira em 2010 é que o Produto Interno Bruto (PIB) apresente crescimento de 5%, conforme pesquisa da Focus, divulgada pelo Banco Central (BC). No mesmo levantamento, a estimativa para a produção industrial em 2010 é de crescimento de 6,8%.

Para o professor da FEA-USP e ex-ministro da Fazenda. Agricultura e Planejamento, Antonio Delfim Netto, as importações são um fator de produção da mesma natureza que o trabalho e o capital. É essa a razão pela qual o equilíbrio externo, quando há um crescimento interno robusto, exige o crescimento das exportações, com a maior diversificação possível de produtos e destinos. “ Em 2030, seremos 220 milhões de brasileiros com a expectativa de vida ao nascer de 77 anos e teremos de dar emprego para 150 milhões, o que exige um esforço permanente no setor exportador para não perdermos o equilíbrio alcançado” observa.

Com relação ao cambio a expectativa para o fim de 2010 é de que a cotação da moeda norte-americana fique em R$ 1,75. O mercado financeiro também alterou as previsões para o déficit nas contas externas. Para 2010, a previsão de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos é de US$ 35,5 bilhões. Já a estimativa para o saldo da balança comercial está em US$ 13,4 bilhões.

Especialistas confirma que temos hoje ao nosso favor dois motivos que podem facilitar nosso desenvolvimento econômico e social. Um é o fator demográfico: entre 2008 e 2030, nossa população crescerá apenas 0,6% ao ano (0,9% em 2008-14 e 0,4% em 2026-30), começando a diminuir em torno de 2040. O outro é o petróleo do pré-sal que a natureza nos ofereceu. São oportunidades que, se soubermos usar com inteligência, prepararão nosso crescimento, sem problemas de energia ou de conta corrente pelos próximos 25 anos.

O contexto global favorece investimentos em economias emergentes com elevado potencial de crescimento do seu mercado consumidor. Isso pelo fato que o mundo está em busca do consumidor final de última instância, para substituir o americano.

No caso do mercado doméstico o Brasil está sendo impulsionado pelo crescimento da classe média, que tende a ter uma motivaçao maior a consumir.

Outros fatores que irão contribuir, a partir de 2010, a um maior crescimento de nossa economia são a manutenção da tendência de queda dos juros reais, favorecendo o investimento, principalmente no mercado imobiliário; o compromisso com os investimentos necessários para a Olimpíada de 2016. Estima-se que possa acontecer um impacto da Olimpíada em torno de 0,7% do PIB nos quatro anos antes do evento.

Existe ainda os investimentos para o pré-sal (estimamos em torno de US$ 55 bilhões nos próximos dez anos); e os investimentos para a Copa do Mundo.

A perspectiva de elevação dos investimentos no Brasil tem duas consequências importantes. Em primeiro lugar, um maior volume de investimentos deve elevar o crescimento potencial brasileiro para algo próximo de 5% ao ano ao longo dos próximos anos. Este crescimento poderá até ser superado em 2010, já que o Brasil cresceu abaixo do potencial em 2009.

A segunda consequência da elevação do investimento é uma maior necessidade de financiamento (poupança). Inevitavelmente, o financiamento terá de vir de uma combinação dos seguintes fatores: aumento do financiamento externo, pela elevação do déficit nas contas externas; e elevação da poupança doméstica, em função do desejo de substituir, em parte, o financiamento externo por uma elevação da poupança pública (a partir de 2011).

Setor de base florestal

Diante das incertezas trazidas pela crise financeira internacional, é necessários traçar uma estratégia de visando projetar os resultados e investimentos do setor para 2010 e para os próximos cinco anos.

NO caso do setor de papel e celulose, produção de celulose em 2008 atingiu a marca de 12,8 milhões de toneladas, e os empreendimentos anunciados pelas principais empresas do setor, ao final de 2007 e no primeiro trimestre de 2008, previam uma ampliação global de capacidade que atingia 14,3 milhões de toneladas, portanto mais do que dobrando a capacidade atual, e acarretando uma grande expansão das florestas plantadas em áreas novas.

Com a crise financeira desencadeada ao final de 2008 e 2009, praticamente todos os empreendimentos anunciados foram postergados e até mesmo cancelados, não embora já comecem a surgir sinais de retomada de alguns, a projeção de plantio de florestas destinadas à produção de celulose é ainda muito modesta.

As informações fornecidas pela BRACELPA - Associação Brasileira de Celulose e Papel prevêm um crescimento de 240.000 hectares em áreas novas de eucalipto e pinus até 2014, utilizando-se um fator de consumo de 4,3 metros cúbicos de madeira/ano para cada tonelada de celulose produzida, e um incremento médio anual (IMA) de 40 metros cúbicos de madeira por hectare.ano.

Já o setor de painéis de madeira reconstituída apresentou um grande crescimento nos últimos 10 anos, crescendo de pouco mais de 1,5 milhões de m3/ano em 1999, para cerca de 8,1 milhões de m3/ano em 2009, ou seja um crescimento de 500% no período.

Conforme informações da ABIPA, o setor projeta ainda para os próximos 4 anos novas unidades de produção de MDF (medium density fiberboard) e de MDP (médium density particleboard), crescendo dos atuais 8,1 milhões para 11,7 milhões em 2012, e requerendo um crescimento de 230 mil hectares em novas áreas florestais, utilizando-se um fator médio de consumo variando no período entre 2008 e 2012 de 1,83 a 1,74 m3 de madeira para 1 m3 de painéis (ponderados entre MDP e MDF), e um IMA de 25 m3 de madeira/ha.ano.

O setor de siderurgia a carvão vegetal tem unidades de produção predominantemente em Minas Gerais, mas também no Pará e Maranhão (integrados ao polo siderúrgico de Carajás) e em Mato Grosso do Sul/Corumbá, e apresenta um grande déficit de carvão vegetal originário de florestas plantadas, estimado em 14,7 milhões de metros cúbicos de carvão no período 2005 a 2009.

Todavia, as empresas e a Associação Mineira de Silvicultura (AMS) em conjunto com o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais criaram o “Pacto de Sustentabilidade” que propõe, dentre outras medidas, a utilização de carvão vegetal apenas de florestas plantadas no prazo de 9 anos.

O “Pacto de Sustentabilidade” serviu de base para a aprovação do Projeto de Lei 2771 de 2008 em agosto de 2009 , na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, que será submetido à sanção do Governo de Minas Gerais, e prevê que em 9 anos 95% de toda a necessidade de madeira para carvoejamento seja suprida somente com madeira originada de florestas plantadas.

Segundo dados fornecidos pela AMS e pelas grandes empresas do setor, no período de 2010 a 2014 as empresas siderúrgicas a carvão vegetal deverão ampliar sua demanda de carvão para 35,8 milhões de metros cúbicos de carvão, o que irá requerer uma ampliação de 790 mil hectares de florestas plantadas em novas áreas, utilizando-se um fator de 1,43 metro cúbico de madeira de florestas de eucalipto para 1 metro cúbico de carvão vegetal, e um IMA de 20 m3 de madeira/ha.ano.

Os produtores independentes cultivam florestas plantadas, sem estarem diretamente integrados às indústrias consumidoras da madeira produzida, fornecendo a madeira ao mercado, seja através de contrato de fornecimento ou de outras modalidades. O instrumento que tem apresentado maior crescimento no país são os fundos de investimentos em ativos florestais, oriundos de fundos de pensão e fundos florestais especificamente constituídos para este fim, com diferentes origens, entre capital estrangeiro e nacional, muitos ainda em processo de desenvolvimento e consolidação, e estão voltados principalmente para a formação de ativos florestais de rápido crescimento não necessariamente associadas a projetos industriais.

Os fundos de investimento podem ou não ser geridos pelas chamadas TIMOs (Timberland Investment Management Organizations) ou por empresas especializadas em gestão florestal. Em alguns casos, as TIMOs podem, elas mesmas, dispor de fundos próprios de investimento em florestas, e têm sido uma forma de organização de investidores de êxito no Brasil, principalmente na Região Sul do país, com ativos compostos por florestas plantadas de pinus. A despeito da crise atual, existe a perspectiva de que a atuação destas organizações no Brasil aumente nos próximos anos.

A previsão de crescimento dos produtores independentes nos próximos cinco anos, afetada também pela crise financeira e seus reflexos nos diversos setores consumidores de madeira originada de florestas plantadas, atinge valores acima de 200.000 hectares, tendo sido adotado este valor para o cenário de 5 anos.

Fontes: ABRAF, ABIPA, AMS, BRACELPA