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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°112 - ABRIL DE 2008

Colheita Florestal

Anlise da colheita florestal mecanizada

Com o crescimento da economia brasileira a partir da dcada de 90, o setor florestal brasileiro passou por vrias mudanas como a implementao de modernas mquinas e equipamentos para adaptao ao mundo globalizado e abertura do mercado nacional.

Por possuir um imenso territrio, o Brasil detm grande parte dos recursos naturais mundiais, o que contribui para faz-lo destaque neste setor em nvel poltico internacional, gerando diversos empregos e aumentando o faturamento do Pas. O crescimento da demanda dos produtos florestais incentivou o melhor planejamento dos processos produtivos das empresas, valorizando conseqentemente o grau de competitividade das mesmas.

Dentro deste setor, uma das atividades considerada mais importante a colheita florestal, visto ser a mais onerosa em termos de custo de produo.

A colheita florestal representa a operao final de um ciclo de produo florestal, na qual so obtidos os produtos mais valiosos, constituindo um dos fatores que determinam a rentabilidade florestal.

Esta atividade a que tambm mais sofre o processo de mecanizao. As principais causas da crescente mecanizao desta atividade so a busca do aumento da produtividade e a necessidade de reduo dos custos de produo.

Entretanto, este processo de mecanizao requer investimentos iniciais muito altos e, dependendo da forma de conduo do sistema, pode haver grande desvalorizao do produto final.

A reduo dos custos da colheita vital para qualquer empresa, uma anlise detalhada e por partes dos custos nos diferentes mtodos de colheita tem um papel importante no entendimento dos mesmos, alm de facilitar os estudos com o objetivo de reduzi-los.

Logo, o aumento da qualidade, a racionalizao dos processos e a otimizao de custos so itens de suma importncia para um melhor desempenho desta atividade.

Em uma avaliao tcnica e econmica da colheita florestal mecanizada importante:

Determinar os custos operacionais e de produo das mquinas que atuam nas etapas do sistema de colheita florestal;

Identificar e analisar os elementos do ciclo operacional de cada mquina;

Analisar e comparar diferentes mtodos de produo nas etapas de corte, processamento e transporte.

Evoluo da colheita

Os primeiros sistemas de colheita florestal no Brasil eram os manuais, usados em sua maioria na explorao de florestas nativas, sem preocupao com a racionalizao e produtividade das atividades. Atualmente essa forma de produo ainda utilizada, embora em pequena escala, geralmente na obteno de madeira para uso domstico.

O processo de modernizao das operaes teve incio na dcada de 70, quando comeou a produo de maquinrio leve e de porte mdio para fins florestais e de l para c a indstria tem fornecido vrios tipos de mquinas e equipamentos ao setor florestal.

O processo de mecanizao com a utilizao de mquinas de ltima gerao, para teve incio nos anos 90 e hoje muitas empresas j dominam parte deste processo. Mritos devem ser atribudos a todos que, de forma muito rpida, conseguiram introduzir esta tecnologia nas empresas. Os ganhos foram muitos, pois estas mquinas permitem trabalho ininterrupto e fornecem altas produes. Agora, com a segunda gerao de mquinas em operao, percebe-se que necessrio extrair melhores resultados das operaes. Neste sentido, todas as atividades envolvidas esto sempre sendo analisadas.

A colheita florestal compreendida em suas trs atividades bsicas, ou seja, corte, extrao e transporte apresentam-se como o item de maior custo das atividades, podendo representar, aproximadamente, 80% do custo do m de formao da floresta em condies de corte.

No Brasil, a colheita e o transporte florestal so responsveis por mais da metade do custo final da madeira colocada no centro consumidor. A seleo de mquinas e equipamentos e o desenvolvimento de sistemas operacionais constituem o grande desafio para a reduo dos custos operacionais de colheita e transporte florestal.

O custo operacional de uma mquina o somatrio de todos os custos resultantes de sua aquisio e operao. O seu conhecimento uma etapa de fundamental importncia para o planejamento e o controle de sua utilizao. A variao deste custo influenciada, principalmente, pela eficincia operacional e pela jornada de trabalho.

Corte

O trator florestal derrubador-embandeirador de disco (Feller-Buncher) utilizado nesta etapa composto de uma escavadeira hidrulica com esteiras e um cabeote de corte acumulador com disco de corte. Inicialmente esta mquina fixa suas garras a uma determinada altura da rvore fazendo um corte raso. Logo aps esta rvore estocada no brao acumulador. Este procedimento se repete at a capacidade total da mquina. Em seguida, as rvores so amontoadas na prpria floresta, em feixes, de forma a facilitar a prxima etapa que equivale extrao.

Extrao

Esta etapa consiste no arraste das madeiras amontoadas na etapa anterior at a margem da estrada. O modo de transporte ocorre com o traamento e arraste do feixe de madeiras pelo Skidder , um trator arrastador projetado com finalidades exclusivas para as operaes de explorao florestal.

Processamento

Nesta fase, a madeira acumulada na beira da estrada transformada em feixes menores e mais padronizada. Para isso a empresa utiliza o Traador florestal que uma mquina de esteiras projetada para trabalhar como retro escavadeira. Houve uma substituio no compartimento de carga posicionado na extremidade do brao por uma grua na qual se adaptou um sabre com corrente na garra do equipamento.

Para padronizao do tamanho das toras a empresa faz uso de uma tora padro que deslocada pelo prprio Traador de acordo com a necessidade. H tambm a utilizao de toras para suporte da madeira que permanecero em estoque at serem colocadas nos caminhes transportadores. Com este procedimento a secagem facilitada, diminuindo-se a umidade da madeira e evitando-se tambm animais peonhentos como cobras e escorpies.

Transporte

Aps o processamento faz-se o empilhamento dos feixes de madeira, atravs de um carregador florestal, em caminhes transportadores. Esses caminhes se encarregam de levar os feixes at a unidade de processamento.

O carregador utilizado nesta etapa tambm uma mquina de esteiras com a funo de trabalhar como retro escavadeira. Houve a substituio do compartimento de carga na extremidade do brao por uma garra.

Custos operacionais

Aps a coleta dos dados, seguido dos clculos dos custos operacionais, verificou-se que o Skidder possuiu o maior custo fixo, sendo que a depreciao foi o que mais se destacou com 66% do total de custos fixos desta mquina. Os custos variveis totais analisados se equipararam numa mdia de 25% para cada.

Com relao aos custos administrativos no houve para as 4 mquinas em estudo diferena estatisticamente significante pelo Teste de Tukey a um nvel de 5% de probabilidade. Os custos de produo, para um custo administrativo de 12% dividiram-se em 33% para o Feller-Buncher, 32% para o Skidder, 24% para o Traador florestal e 11% para o Carregador florestal.

Anlise tcnica

Na anlise dos elementos do ciclo operacional do Feller-Buncher o elemento que gastou mais tempo foi o corte que consumiu 53% do tempo do ciclo operacional. Isto equivaleria a 37,59 segundos em um ciclo unitrio. Para o deslocamento vazio e o descarregamento o tempo mdio foi respectivamente de 6,80 e 4,41 segundos.

Observou-se para o elemento corte que o tempo gasto variava de acordo com o modo de produo dos operadores da mquina. Alguns preferiam acumular um maior nmero de rvores e, conseqentemente aumentavam o tempo gasto. Quando se era feito um menor acmulo de rvores, as manobras para o corte eram facilitadas, entretanto o tempo total do elemento depsito das rvores era maior.

As interrupes observadas foram com relao eliminao de rvores de outras espcies que se encontravam em grandes quantidades em certos talhes prximos a matas nativas. As interrupes mecnicas eram, em sua maioria, causadas pelo vazamento de leo em uma das mangueiras do cabeote da mquina. Geralmente, os problemas mecnicos eram resolvidos nos prprios talhes em que a mquina atuava, o que reduzia o tempo parado do Feller-Buncher.

Anlise da interrupo do funcionamento do motor ou no na hora do abate

No houve diferena estatstica a 5% de probabilidade pelo teste de Tukey entre os subsistemas motor ligado direto e interrupo do motor.

Considerando-se que os dados foram coletados com todos trs operadores desta mquina e que cada um possui diferentes preferncias de modo operacional, percebe-se certa habilidade de cada um em trabalhar com o motor ligado direto ou pausando-o.

Aps o clculo do coeficiente linear de regresso, percebe-se que aproximadamente 97% da variao no tempo gasto do elemento arrastem explicado pela distncia percorrida. Os 3% restantes so explicados pelos obstculos naturais presentes no caminho. As interrupes observadas foram poucas consumindo apenas 1% do tempo do ciclo total.

Em sua maioria corresponderam a rearranjos no empilhamento na beira da estrada e de alguns feixes na pina que estavam mal colocados.

Para o Traador florestal o elemento corte das toras e deslocamentos vazios consumiram praticamente o mesmo tempo mdio por ciclo equivalendo a 19,51 e 19,68 segundos, respectivamente. Os ajustes gastaram um tempo mdio por ciclo de 5,54 segundos. J os elementos que ocorriam aleatoriamente aos ciclos correspondentes ao posicionamento para suporte, ao recolhimento das rvores e ao deslocamento da tora padro consumiram respectivamente 9, 5 e 3% do tempo total.

As interrupes corresponderam limpeza do vidro que ficava embaado quando chovia e a manutenes nas mangueiras da mquina onde freqentemente ocorria o vazamento de leo.

Na Anlise da influncia da presso da garra no tempo de corte estatisticamente no houve diferena significante, pelo teste de Tukey a uma probabilidade de 5%, com relao ao tempo de corte nas presses da garra.

Tamanho da carga

Os resultados demonstraram que para completar a carga do caminho apenas com algumas toras foi gasto 23% do tempo de um ciclo total, o que aproxima de 38,05% do tempo de carga com o preenchimento do caminho at sua capacidade considerada normal.

Estes resultados demonstram o grande gasto de tempo para preenchimento com apenas algumas toras, acarretando tambm em um aumento de custo operacional da mquina.

Pode-se afirmar que o maior custo de produo o da mquina Feller-Buncher. Em pesquisa, o Carregador florestal obteve o menor custo de produo, em razo da alta produtividade do mesmo por hora efetiva de trabalho.

Para anlise do Feller-Buncher no houve diferena estatstica entre os subsistemas motor ligado direto e interrupo do motor. Para o Traador florestal estatisticamente tambm no houve diferena entre as duas diferentes presses ajustadas na garra. Entretanto, para o Carregador florestal, houve estatisticamente diferena entre o tempo de preenchimento dos dois tamanhos de carga.

Na anlise do ciclo operacional o elemento que consumiu mais tempo no Feller-Buncher foi o corte, correspondendo a 53% do ciclo total. As interrupes consumiram 32% do tempo. Para o Skidder o elemento que consumiu mais tempo foi o arraste, demandando 34% do ciclo, as interrupes observadas foram poucas influenciando apenas em 1% do tempo total.

Para o Traador florestal o elemento corte das toras e deslocamentos vazios foram os que mais demandaram tempo, consumindo cada um 26% do tempo do ciclo total. As interrupes corresponderam a 24% do ciclo.

O elemento que demandou maior tempo para o Carregador florestal foi o depsito das toras nos caminhes, que utilizou metade do tempo total do ciclo. As interrupes consumiram 8% do tempo total.

Para todas as mquinas, observou-se uma grande influncia do modo de operao dos trabalhadores, o que no significa que no deva existir um modo ideal de operao que otimize as habilidades de cada funcionrio.

Futuras investigaes podero ser feitas com relao aos modos de produo e s respectivas produtividades de cada operador, analisando-se tambm questes ergonmicas do modo de operao de cada mquina.

Percebeu-se um nmero excessivo de interrupes no funcionamento do Carregador florestal devido ao fato do vidro da cabine embaar quando chovia. Logo, o desenvolvimento de um desembaador automtico poderia ser uma soluo para este problema.

Outro aspecto interessante a ser estudado a definio de uma carga ideal para transporte, tendo em vista as necessidades de recebimento da madeira para o processo e os custos de operao para preenchimento de carga. Poderia-se ainda considerar para o Carregador florestal a hiptese de se levantar a cabine do operador melhorando a viso do mesmo para preenchimento da carga nos caminhes.

Autora: Karla Eunice De Freitas Universidade Federal de Viosa