MENU
Carbono
Colheita Florestal
Construo
Editorial
Financiamento
Mveis & Tecnologia
Mudas Florestais
Pinceas
Pisos
Setor Florestal
E mais...
Anunciantes
 
 
 

REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°112 - ABRIL DE 2008

Construo

Construes em harmonia com a natureza

Adaptar uma casa ao meio ambiente desafia os arquitetos h pelo menos 80 anos. A primeira idia provocadora foi do americano Frank Lloyd, que criou a Casa da Cascata, em 1936. Ela foi erguida em cima de uma cachoeira na Pensilvnia, respeitando a geografia natural do terreno. Logo virou um cone da arquitetura moderna e ecologicamente responsvel.

No Brasil, o arquiteto Oscar Niemeyer fez algo equivalente em 1953 ao projeta uma casa aproveitando a mata nativa e as rochas do terreno, no Rio de Janeiro. A obra, conhecida como a Casa das Canoas, uma referncia na arquitetura brasileira. O auge dessa nova forma de morar aconteceu durante os anos 70, quando a ideologia da contracultura pregava o desligamento da sociedade de consumo e uma vida mais integrada natureza.

Hoje, em tempos de mudanas climticas e escassez de recursos naturais, as casas verdes ressurgiram como uma esperana para reduzir nosso impacto no planeta. So cada vez mais comuns os projetos de residncias divulgados como sustentveis ecolgicos e outros adjetivos "verdes". Mas, muitos profissionais ainda encontram dificuldades em definir se uma moradia causa menos impacto.

Para descobrir isso, um grupo de arquitetos, construtores, acadmicos e empresrios que vendem produtos com selos verdes inaugurou, em So Paulo, o Conselho Brasileiro de Construo Sustentvel. O CBCS uma entidade com viso sistmica e foco no setor da construo civil. Segundo o presidente da associao, Marcelo Takaoka, o papel do CBCS formar redes de parceiros, desenvolverem pesquisas e ser um centro de conhecimento, disseminando esse conhecimento a todos os interessados em construir de maneira mais sustentvel.

A idia do grupo que integra o Conselho Brasileiro de Construo Sustentvel trazer ao pas uma certificao com parmetros mnimos para uma obra poder ser considerada como "menos impactante". Para isso, a idia do grupo criar um selo que identificar as construes sustentveis. "A certificao evitar o oportunismo", afirma Paulo Lisboa, vice-presidente da Associao Brasileira dos Escritrios de Arquitetura (Asbea) e um dos membros do conselho. "Do contrrio podem comear a surgir casas ecolgicas que sejam apenas rtulos e no tenham nada de diferente.

Um dos principais quesitos da futura certificao o uso eficiente da energia eltrica dentro das residncias. Economizar energia importante porque parte dela gerada de forma poluente, em termeltricas. So usinas que queimam combustveis fsseis e emitem gases responsveis pelas mudanas climticas.

O conselheiro do CBCS e ambientalista, Fbio Feldmann, lembrou que o PNUMA - Programa das Naes Unidas para o Meio Ambiente - lanou um relatrio mostrando que, se a construo civil do mundo todo adotar os critrios da sustentabilidade, o efeito na reduo de gases do efeito estufa ser o mesmo do que se pretende no protocolo de Kyoto.

Para o conselheiro do CBCS e diretor do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi, no h uma relao amigvel entre o ambiente natural e o ambiente construdo. Essa uma das razes da insustentabilidade que se configura como desequilbrio social, cultural, econmico e poltico", afirmou. Ele considera que a sociedade est sensibilizada e que j h conhecimento suficiente iniciar a mudana.

Sustentabilidade

As atuais prticas de produo adotadas pelas empresas da construo civil necessitam de ajustes imediatos para que o setor possa contribuir adequadamente para o desenvolvimento sustentvel do pas. So comuns, ainda, processos artesanais nas frentes de trabalho, uso de matrias-primas sem manejo sustentvel e a aplicao de produtos industrializados desconsiderando os aspectos de conservao de gua, energia e a necessria reduo de resduos e desperdcios.

A presso social por uma melhor qualidade de vida das populaes nas cidades e no campo e a grande apreenso internacional em relao aos impactos ambientais decorrentes das atividades humanas estimu os agentes setoriais a repensarem seus procedimentos e a buscarem alternativas que propiciem a continuidade de suas atividades em um ambiente de desenvolvimento sustentvel e de preservao do ambiente natural e sua biodiversidade.

nesse contexto que algumas das mais importantes lideranas da construo brasileira unem-se para a criao deste Conselho Brasileiro da Construo Sustentvel - o CBCS, com a deciso de integrar, definitivamente, a construo brasileira nos preceitos de responsabilidade social, proteo ambiental e desenvolvimento econmico sustentvel.

O CBCS tem por objetivo promover a melhoria dos padres de produo e a difuso dos conceitos de sustentabilidade entre os agentes setoriais, de modo a viabilizar a reduo de impactos ambientais e sociais decorrentes das suas atividades. O CBCS pretende reunir referncias tcnicas, compilar tecnologias e estimular a colaborao permanente entre universidades, institutos de pesquisa, formadores de opinio, empresas,entidades empresariais e da sociedade civil, em aes de mbito nacional e internacional.

Impactos da Construo

A sustentabilidade do Brasil, mesmo a ambiental, no depende somente da preservao da floresta. A economia urbana. A maioria da populao vive em cidades, um dos produtos da cadeia da construo civil. As prticas atuais de produo adotadas pela cadeia produtiva da construo civil tm importantes impactos no apenas no desempenho econmico do Pas, mas tambm na biodiversidade, desenvolvimento social e na qualidade de vida da populao.

Com a participao de cerca de 15% do PIB, o setor possui impacto ambiental e social compatveis com seu tamanho. Os impactos ambientais so importantes e variados:

A construo e a manuteno da infra-estrutura do pas consomem at 75% dos recursos naturais extrados, sendo a cadeia produtiva do setor a maior consumidora destes recursos da economia;

A quantidade de resduos de construo e demolio estimada em torno de 450 kg/hab.ano ou cerca de 80 milhes de toneladas por ano, impactando o ambiente urbano e as finanas municipais. A este total devem ser somados os outros resduos industriais formados pela da cadeia;

Os canteiros de obras so geradores de poeira e rudo e causam eroses que prejudicam os sistemas de drenagem;

A construo causa a diminuio da permeabilidade do solo, mudando o regime de drenagem, causando enchentes e reduzindo as reservas de gua subterrnea;

A utilizao de madeira extrada ilegalmente, alm de comprometer a sustentabilidade das florestas representa sria ameaa ao equilbrio ecossistmico;

A cadeia produtiva da construo contribui para a poluio, inclusive na liberao de gases do efeito estufa, como CO2 durante a queima de combustveis fsseis e a descarbonatao de calcrio e de compostos orgnicos volteis, que afetam tambm os usurios dos edifcios;

A preocupao com a contaminao ambiental pela lixiviao de biocidas e metais pesados de alguns materiais vem crescendo;

A operao de edifcios no Brasil responsvel por cerca de 18% do consumo total de energia do pas e por cerca de 50% do consumo de energia eltrica;

Os edifcios brasileiros gastam 21% da gua consumida no pas, sendo boa parte desperdiada.

A construo, tambm, precisa se adequar para as conseqncias da mudana do clima, pois as edificaes e as cidades projetadas e construdas hoje estaro expostas a ventos mais fortes (j tivemos o primeiro furaco no Brasil!) e chuvas mais intensas e com maior freqncia. Adicionalmente, o aumento da temperatura mdia afetar o dimensionamento de sistemas de refrigerao e a eficincia energtica, alm de influir na durabilidade da prpria construo.

Do ponto de vista da sustentabilidade social, o setor o maior gerador de empregos diretos e indiretos, no pas. No entanto, a informalidade abrange no somente a auto construo da habitao dos pobres, mas tambm as cadeias de materiais de construo, projeto e desenvolvimento urbano. Boa parte dos operrios do setor se encontra na linha da pobreza. A baixa produtividade em alguns setores da indstria de materiais e, particularmente, nas atividades de construo e manuteno um fator importante para os baixos salrios. Por sua vez, esta baixa remunerao diminui a atratividade de novos talentos, gerando um ciclo vicioso negativo aos processos de desenvolvimento nacional.

Finalmente, preciso reconhecer que um Brasil mais sustentvel do ponto de vista social vai depender de uma significativa expanso do ambiente construdo. Esta expanso, no entanto, no pode ser realizada com os atuais paradigmas de trabalho, pois no seria ambiental e economicamente sustentvel.

As casas amigas do verde

Uma das solues mais baratas e engenhosas construir um sistema que reutilize a gua dos chuveiros e da lavagem de roupas nas descargas de vasos sanitrios. Isso guarda para usos mais "nobres" a gua potvel, mais cara para o consumidor e os rgos pblicos. Essas casas verdes tm medidores de consumo, os relgios de gua, que ainda so incomuns nas construes brasileiras. "Quem controla seu consumo pensa mais antes de desperdiar", afirma Lisboa. Esse foi o tipo de cuidado do arquiteto Jos Augusto Conceio, que consultou uma biloga para projetar uma casa em Ibina, no interior de So Paulo, numa rea de Mata Atlntica. Toda a gua que abastece a casa vem de duas nascentes no local e da captao de gua das chuvas, feita por calhas ao longo do terreno.

A responsabilidade ambiental no aumenta muito os custos de construo. De acordo com os clculos do Conselho, seguir os parmetros mnimos que sero exigidos pela certificao deixa a construo 5% mais cara. Se o construtor seguir todas as exigncias, o preo fica 20% maior.

Nos EUA e em pases da Europa, a certificao j uma realidade h mais de uma dcada. Existem at prdios sendo construdos no Brasil para se adequar a esses parmetros internacionais. "No mais questo de ser politicamente correto. Acredito que teremos leis similares tambm no Brasil", diz Lisboa. Na semana passada, o prefeito de So Paulo props uma lei para exigir energia solar nos imveis.

Esses novos critrios vo ajudar at quem j tem lares com orientao ecolgica. Afinal, construir casas verdes um desafio que ainda confunde at os pioneiros em arquitetura ecolgica, como Fabio de Albuquerque, herdeiro de uma famlia tradicional de construtores, que ergueram, por exemplo, os condomnios de classe alta Alphaville em diversas cidades brasileiras. Quando construiu sua primeira casa em 1997, na cidade paulista de Itu, Albuquerque descobriu que a madeira, alm de baratear os custos da obra, permitia edificar casas com menor impacto no terreno. Isso porque as casas podem ser suspensas em pilares de madeira, dispensando a terraplanagem com tratores. Assim, tambm no interferem no escoamento da gua das chuvas no terreno.

Albuquerque dedicou-se a projetar casas de madeira. Em seguida, passou a questionar a origem do material. Cerca de 87% da madeira que se usa em construes vem de desmatamento ilegal, principalmente na Amaznia. Para contornar isso, Albuquerque criou a Ecolog, uma empresa especializada em produzir madeira de forma no-predatria. De sua rea em Rondnia a empresa s corta o que a floresta consegue regenerar. Com os novos parmetros para construes ecologicamente corretas, a busca por madeira de origem no-predatria dever crescer. E as casas, finalmente, podero ajudar a preservar a floresta.

Moradia Sustentvel

possvel manter uma casa funcionando sem depender de energias no-renovveis ou que prejudiquem o meio ambiente. E o melhor, ela pode ser bonita. A prova est nesta construo mineira em que pedras do local harmonizam-se com madeiras de manejo sustentvel.

O vento e o sol abastecem de fora a casa de campo de 262 m projetada pelo arquiteto Carlos Motta em terreno a 1.850 m de altitude, no sul de Minas Gerais. A estrutura da construo feita com as madeiras aroeira, nos pilares, e itaba, nos vigamentos e nas tbuas de fechamento externo. Somente a parte da casa fisicamente pesada, que a das reas molhadas dos banheiros e da cozinha, toca o terreno. O restante est suspenso em pilotis. Toda a parte hidrulica corre na alvenaria de pedras retiradas do prprio local, tambm usada na estrutura das lareiras e na parede de fechamento da cozinha, que forma curvas onde foram instaladas, de um lado, a estante-despensa e, do outro, a bancada da pia.

As madeiras empregadas na construo so de reas de manejo sustentvel em fazendas de 20 mil alqueires no Mato Grosso e em Gois, divididas em 20 lotes de mil alqueires cada. No primeiro ano, um terreno escolhido para que se retirem as rvores maduras, que j exerceram a funo de colocar sementes e alcanaram a idade para serem abatidas e exploradas comercialmente. No ano seguinte, so derrubadas as de outro lote. E s 20 anos depois, volta-se a mexer no primeiro. "Assim, nunca um lote devastado. As reas se sustentam sem entrar em processo predador", afirma o arquiteto.

O assoalho de madeira cumaru, colocado em todo o piso da casa, e as tbuas de angelim-pedra, que revestem o forro e as paredes internas. "A casa fica em local onde a temperatura sempre baixa. Mesmo no vero, chega a cair para 10C; no inverno, para menos de zero. Seria insuportvel se tivesse outro tipo de revestimento que no fosse a madeira.

O projeto tambm promoveu o menor impacto ambiental possvel no terreno. "Procurei no mexer no solo consolidado h milhes de anos", afirma Motta. Atrs da construo, placas fotovoltaicas e um aerogerador captam as energias solar e elica que abastecem a casa. Funciona assim: acumuladas em oito baterias com corrente contnua de 12 V, convertida em corrente alternada de 110 V, essas energias alimentam os aparelhos eltricos e os pontos de iluminao. Todo esse sistema custa em torno de R$ 40 mil, segundo o engenheiro eltrico Renato Silva Dib, responsvel pela instalao dos equipamentos.

Outra srie de placas de energia solar aquece a gua, canalizada desde as nascentes do terreno e armazenada em um boiler. "Em dias nublados, a gua ainda pode ser aquecida pela serpentina que passa pelo fogo a lenha", diz Carlos Motta, especializado nesse tipo de obra.

Embora os equipamentos de energias alternativas tenham custado caro, o arquiteto afirma que o investimento ser recompensado em longo prazo. "Por muitos anos, o dono da casa no ter de pagar por energia eltrica e, no futuro, no haver custo alto para todo o planeta", diz Motta. Alm disso, o aerogerador, que no muito caro, tem a vantagem de funcionar tambm noite.

Preocupao com o isolamento As paredes externas de madeira itaba so recheadas com manta de isolamento trmico e acstico, que tambm foi usada entre as telhas paulistinhas e o forro de angelim-pedra

Piscina na rocha A piscina tem como fundo a laje da enorme pedra que existe no terreno e revestida nas laterais por pedras menores, tambm do local. A gua corrente de crrego desviado, que depois volta ao curso normal.

Casa arejada e econmica

As construes ambientalmente responsveis viraram o sonho de arquitetos e engenheiros. A arquiteta Alexandra Lichtenberg considerou isso quando projetou sua casa, no Rio de Janeiro. Alm de janelas amplas, para deixar a luz natural iluminar os ambientes, Alexandra fez um jardim sobre a laje do telhado. Isso melhora o isolamento trmico da casa e a absoro da gua das chuvas, reduzindo as enchentes. A casa foi selecionada pela WorldChanging, uma organizao sediada em Seattle, nos Estados Unidos, que destaca projetos ecolgicos.

Com a troca das telhas pela laje ajardinada, a casa de 288 m, no Rio de Janeiro, ganhou temperatura interna mais amena. Pronta para enfrentar o aquecimento global, conta com sistemas que poupam gua e energia eltrica. Alm de tudo, a casa ecolgica tem uma vista deslumbrante.

Num casaro de 288 m construdo em 1930 no bairro da Urca, no Rio de Janeiro, a arquiteta Alexandra Lichtenberg criou, para si prpria, um modelo de edificao de causar inveja em tempos de mudanas climticas arrasadoras. A casa passou por uma reestruturao radical que a deixou mais econmica, em relao energia eltrica e gua, e com clima mais fresco no interior.

Erguida sobre uma pedra no Morro da Urca, a chamada ecohouse (www.ecohouse.com.br) um sonho da arquiteta de poder um dia ver ao menos parte das construes do pas adaptada a sistemas como o que foi desenvolvido por ela na reforma dos espaos, que durou um ano e foi concluda em maro de 2004.

A casa - trs sutes, escritrio, lavabo, duas salas de estar, sala de jantar, cozinha americana, lavanderia, quarto e banheiro de empregada - chegou a ser citada no World Changing, compilao de projetos sustentveis espalhados mundo afora, prefaciado por ele mesmo, o ex-futuro presidente dos Estados Unidos - como Gore se denomina, num deboche s eleies que deram a vitria a George W. Bush.

A economia que resulta de uma construo do tipo est em quase tudo. Como, por exemplo, na questo do sistema pluvial. No existe abundncia de gua limpa no mundo. Por isso, no faz sentido utilizar gua potvel em coisas que no precisam de uma gua 100% pura, caso do abastecimento de vasos sanitrios, diz a arquiteta. Ela instalou os dois sistemas: um para a gua da chuva e outro para a potvel, que abastece chuveiros, cozinha, banheiros (exceto o vaso) e lavanderia.

Para economizar gs e energia eltrica, Alexandra disps coletores solares nos dois jardins cultivados sobre o telhado. A telha francesa, que aquece mais, foi trocada pela laje. Simplesmente porque eu queria no s amenizar o clima dentro de casa como tambm ter uma estrutura mais segura, que suportasse a circulao de pessoas, afirma.

A madeira do telhado foi reutilizada nos pergolados, bancos e corrimo. No jardim, ervas como manjerico e hortel so as estrelas, alm de plantas como a lgrima-de-cristo e outras espcies encontradas no mato e que no absorvem muito o calor. Portanto, no precisam ser regadas com freqncia. Economizo gua. Sem falar que ficou 6C mais fresco nos ambientes internos.

Na construo, h ainda a preocupao com a reciclagem de lixo. Compartimentos separam, na cozinha americana, produtos reciclveis de no-reciclveis. Onde h madeira - bancada e paredes da cozinha, por exemplo -, ela de reflorestamento e com certificao. Em algumas reas, o piso o mesmo da construo original. Alexandra acredita que pode evitar o uso de madeiras no-reflorestadas quando opta por reformar um imvel.

Fachada viva A frente da casa original foi modificada para receber janelas maiores, proporcionando mais ventilao, j que o vento noroeste, o que faz com que a residncia absorva o forte sol da tarde. Para atenuar o calor, a construo foi coberta com tumbrgia, uma trepadeira.

Casa junto mata

Integrada Mata Atlntica e escalonada em terreno ngreme, esta casa de 190 m em Ibina, SP, preserva a vegetao ao redor. Empregadas na construo, telhas ecolgicas e madeira de reflorestamento tambm revelam boas intenes para com o planeta.

Em escalas Os trs andares da construo ficam disfarados no terreno ngreme. A boa quantidade de aberturas (janelas e portas sanfonadas) aumenta a ventilao e a claridade dentro da casa

O verde paisagem e inspirao para este projeto sustentvel, em Ibina, no interior de So Paulo. Com madeira reflorestada, telhas feitas de papel descartado, resina e betume e um ciclo permanente de gua que engloba uso e filtragem, a casa integra os 10 mil alqueires do Condomnio Tribo. Assim como as outras onze moradias levantadas no conjunto residencial, a construo foi acomodada em um terreno ngreme, sem intervenes.

A idia do arquiteto Jos Augusto Conceio, autor de todas elas. "Em reas que conservam mata nativa, responsabilidade do arquiteto ocupar sem destruir. Recuperamos reas degradadas e enriquecemos o terreno com 12 mil espcies da Mata Atlntica, sobretudo palmitos-juara", diz Jos Augusto, que teve a colaborao da biloga Cristina Simonetti no manejo das espcies.

Parte da construo foi implantada sobre pilares de eucalipto autoclavado, uma madeira reflorestada e tratada com inseticidas e fungicidas, que a protegem do apodrecimento. "Seu desempenho estrutural melhor que o de algumas madeiras nobres, antigamente usadas para o mesmo fim", afirma Jos Augusto. Formando as paredes externas na rea em que a construo se projeta no cho, os lambris de pinus autoclavado foram a opo alvenaria, pois so mais leves e resistentes a intempries.

O respeito ao meio ambiente chega ao telhado. As telhas, de 2 x 0,95 m, feitas a partir da mistura de fibras vegetais (papis descartados), resina e betume, so certificadas como ecolgicas: no tm amianto e cermica em sua composio e, no processo de fabricao, no liberam gases que agridem a natureza. Outra vantagem do material a leveza. Cada telha pesa apenas 6,4 kg, fator importante para construes suspensas.

A moradia do casal Ligia e Laurent tem 190 m de rea interna, espalhados em trs pavimentos. No piso inferior, esto os quartos das duas filhas e um banheiro, que serve como lavabo. No trreo, a cozinha separada da sala de jantar apenas por um balco de alvenaria, e no h paredes entre o jantar e o estar. Os dois ambientes esto integrados varanda, com 50 m. No andar superior, fica a sute do casal e o futuro ateli de Laurent, com muitas aberturas para a entrada de luz natural, sempre bem-vinda para esquentar o ambiente e, conseqentemente, reduzir o uso de energia eltrica.

Toda a gua que abastece a casa e o condomnio provm de duas nascentes que existem no local e da captao de gua pluvial, feita por trs calhas ao longo do terreno. "A gua mantida na mesma microbacia de onde foi retirada. Ela captada na parte mais baixa e retorna, depois do uso, tratada, ao seu curso normal. Para isso, usamos um sistema de fossa com filtro anaerbio e valas de infiltrao, determinado pelo cdigo sanitrio", diz Jos Augusto.

Mesmo sendo uma casa para passar os fins de semana, os proprietrios, que atualmente moram em Ho Chi Minh, no Vietn, tm boas lembranas do tempo em que a freqentavam. "Para ns, que sempre moramos em cidades grandes e caticas, como So Paulo, Seul, Xangai e agora Ho Chi Minh, estar a 50 minutos de So Paulo e ter a sensao de permanecer longe de tudo, rodeado por mata, sempre foi prazeroso." Melhor ainda saber que a natureza no sofreu qualquer impacto para que esse deleite fosse possvel.

Apoio forte Para sustentar a diferena de inclinao do terreno, parte da casa est suspensa sobre os pilares de eucalipto autoclavado. A soluo permitiu o avano do deque de garapeira. O telhado recebeu telhas verdes Onduline, que no agridem o meio ambiente

rvores preservadas Nem mesmo as rvores mais prximas da construo foram retiradas do lote, a exemplo do coqueiro nativo, frente. A inclinao do terreno esconde parcialmente a entrada principal da casa

Fontes: Conselho Brasileiro de Construo Sustentvel e Ibama