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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°112 - ABRIL DE 2008

Pisos

Madeira de eucalipto alternativa para piso engenheirado

A produo de pisos de madeira no Brasil vem crescendo expressivamente nas ltimas dcadas. Esse aumento pode ser atribudo principalmente ao crescimento da produo de pisos engenheirados, que passaram a ser difundidos no mercado e amplamente empregados na construo civil. Por sua vez, o piso macio produzido normalmente com madeiras nobres e mantm-se ainda com destaque, porm, com produo menor e sem crescimento significativo nos ltimos dez anos.

O termo piso engenheirado de uso recente, o qual um produto fabricado a partir de painis compensados ou painis de fibras de alta densidade (HDF high density fiberboard) revestidos com lminas decorativas de madeira ou papis melamnicos. No processo de fabricao de pisos engenheirados (laminados), so utilizadas lminas de madeira coladas como em painel compensado, formando a base do piso. Na fase seguinte, o compensado passa por processo de calibrao e lixamento, para ajuste da espessura, e recebe a camada de lminas de madeira decorativa na face. A fase final consiste de cortes longitudinais em larguras finais do piso, perfilamento longitudinal e transversal para encaixes e aplicao de material de acabamento superficial.

Os pisos de madeira, tanto macios quanto engenheirados, so produtos provenientes de recursos naturais renovveis. Ao comparar piso de madeira com carpete, um estudo constatou que necessrio 0,85 megawatts para produo de uma tonelada de pisos de madeira, contra 3,59 megawatts para uma tonelada de carpet, produzido a partir de material sinttico e no renovvel.

Quanto s vantagens em termos de custo-benefcio dos pisos de madeira em relao aos outros materiais, principalmente quanto beleza, variedade de estilos e cores das diferentes espcies de madeira. Por outro lado, os pisos engenheirados, por serem produtos colados de madeira, apresentam uma srie de vantagens em relao aos pisos de madeira macia. A primeira refere-se ao melhor aproveitamento da madeira no processo de obteno de lminas, sem a gerao de resduos, tanto na forma de serragens no processamento primrio quanto na forma de cepilhos no processo de re-manufatura.

A segunda refere-se maior estabilidade dimensional das peas. O princpio de laminao cruzada, aliada restrio imposta pela linha de cola s diferentes alteraes dimensionais das camadas adjacentes, resulta em produto com maior estabilidade dimensional, quando comparado madeira macia sob influncia do fator anisotrpico.

As principais espcies utilizadas na produo de pisos engenheirados (laminados) no Brasil so: amescla (Trattinickia burserifolia), assacu (Hura crepitans), faveira (Parkia spp.), caju-au, caju (Anacardium spp.), ucuba (Virola spp.), entre outras, para miolo ou base do piso, e lminas faqueadas de marfim (Balfourodendrum riedelianum), ip (Tabebuia spp.), angelim (Hymenolobium spp.), sucupira (Bowdichia nitida), muiracatiara (Astronium spp.), entre outras, para capa.

A matria-prima bsica, tradicionalmente oriunda de florestas, est sendo gradativamente substituda por produtos slidos e reconstitudos, provenientes de plantios de espcies arbreas de rpido crescimento, cujas espcies utilizadas apresentam, entre outras vantagens, alta produtividade, reduo da idade de corte, segurana de abastecimento, homogeneidade de matria-prima, custo competitivo, produo regionalizada, alm da possibilidade de mltiplos usos da floresta e seus produtos.

No Brasil, algumas espcies de eucaliptos provenientes de plantios podem ser alternativas promissoras para a produo de pisos engenheirados, em substituio s espcies tropicais provenientes de floresta da regio amaznica. Entre as espcies do gnero Eucalyptus e a do gnero Pinus, a madeira de eucalipto apresenta considerveis vantagens sobre a madeira de pinus (conferas), devido melhor aparncia, maior resistncia e rigidez para usos estruturais, alm da extrema plasticidade do gnero.

Este trabalho teve como objetivo avaliar as propriedades fsicas e mecnicas dos compensadosdo tipo combi, produzidos com lminas de Eucalyptus grandis e Eucalyptus maculata como capa e contracapa e Pinus taeda como miolo, coladas com resina fenol-formaldedo e melamina-uria-formaldedo, visando a sua utilizao como pisos laminados com montagem direta.

Os resultados demonstram uma reduo acentuada na espessura dos painis produzidos com 100% de lminas de Pinus, em comparao aos painis tipo combi, produzidos com lminas de E.grandis e E. maculata nas capas e contracapas, e miolo com lminas de Pinus. Essa diferena pode ser atribuda menor densidade da madeira de Pinus em comparao madeira de E. grandis e E. maculata, e, conseqentemente, menor resistncia oferecida compresso durante o processo de prensagem alta temperatura.

A madeira de E. grandis e E. maculata, com maior densidade, alm de ter maior resistncia compresso, possui maior fora de expanso para retorno em espessura durante o processo de estabilizao dos painis na cmara de climatizao. Esse resultado de grande importncia para a produo de piso laminado com montagem direta, tendo em vista possibilitar o ajuste da espessura final do produto e o acabamento superficial em nica etapa de calibrao e lixamento.

O processo de montagem direta elimina a etapa de colagem de lminas decorativas, posterior s etapas de montagem da base do piso laminado (miolo), calibrao e lixamento do painel compensado.

Fonte: Setsuo Iwakiri, Andra Berriel Mercadante Stinghen, Elenise Leocdia da Silveira Nunes, Esoline Helena Cavalli Zamarian, Mrcia Keiko Ono Adriazola: Depto. de Engenharia e Tecnologia Florestal, UFPR - setsuo@ufpr.br.