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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°106 - JULHO DE 2007

Bioenergia

Congresso rene especialistas em Bioenergia

O II Congresso Internacional de Bioenergia levantou importantes discusses sobre o aproveitamento racional de resduos, frente ao grande volume produzido pelas indstrias de base florestal, agricultura, acar e lcool, determinando aes para incentivar alternativas viveis e de baixo custo. A discusso tambm girou em torno da produo de energia de forma limpa e renovvel, ao que se tornou urgente nos ltimos tempos, principalmente aps a divulgao, no incio de fevereiro, do relatrio sobre aquecimento global do Painel Inter-governamental de Mudanas Climticas (IPCC, na sigla em ingls). Diante do alarme, o mundo parece querer acordar para o tema e repensar sua matriz energtica. O II Congresso Internacional de Bioenergia que aconteceu de 12 a 14 de junho, em Curitiba,u foi aberto com a palestra de Luiz Antonio Rossafa, diretor de gesto corporativa da Copel (Companhia Paranaense de Energia).

Hoje, mais de 3 bilhes de pessoas no tm acesso energia eltrica no mundo e os novos projetos voltados para o desenvolvimento de fontes de energia limpa e renovvel no Brasil padecem de um grave mal: a absoluta falta de planejamento estratgico para que se estabeleam objetivos mais claros e definidos. Em contrapartida o mundo possui inmeras idias e possibilidades para fontes alternativas de energia a partir de resduos e insumos florestais, agrcolas e qumicos. Ao contrrio do que muitos podem imaginar, o Brasil tem 45% de sua energia proveniente da biomassa, ou seja: bioenergia, embora isso no signifique, absolutamente, que o pas sai na frente quanto ao uso massivo e sustentvel dos seus recursos renovveis.

Durante o Congresso foram apresentadas inmeras opes em bioenergia, desde uma absurda legislao brasileira que define o carvo vegetal como material de combusto espontnea at complexos conceitos de uma biorrefinaria, de onde se poderia aproveitar 100% da biomassa florestal e agrcola. De acordo com o conceito, apresentado pelo pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnolgicas de So Paulo, Antnio Bonomi, existem muitas fontes renovveis de energia. A cana-de-acar, isoladamente, pode produzir ou auxiliar processos de produo de leo diesel, biodiesel, hidrognio, biogs e plstico biodegradvel e outros, alm dos convencionais etanol, cachaa e acar. Entretanto, segundo Bonomi, h muito conservadorismo diante das inovaes, e isso causa um atraso no desenvolvimento de novos projetos.

Um dos mais graves problemas ambientais do Brasil e do mundo quase no se l na imprensa, mas foi enfatizado pelo professor Fabio Poggiani, professor titular e chefe do departamento de Cincias Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de So Paulo em Piracicaba SP. Trata-se do esgotamento do fsforo no solo. A quantidade de nutrientes que entram no ecossistema tem que ser equivalente que sai, para que se possa manter a produtividade, alertou Poggiani. De acordo com o especialista, o fsforo, um dos mais importantes elementos do ecossistema, corre o risco de sumir da face da terra e levar o planeta a um colapso dentro de muito pouco tempo com a retirada inconseqente dos nutrientes do ambiente natural durante o extrativismo.

De trs para frente

De acordo com o diretor de gesto corporativa da Companhia Paranaense de Energia, Luiz Antonio Rossafa, a concessionria de energia quer viabilizar compra de micro-pontos de energia nas reas rurais do Paran e fazer com o que os agricultores gerem a prpria energia. A idia que o excedente de energia seja reenviado linha de distribuio para ser reaproveitada. Ainda est sendo descrita toda a parte tcnica do projeto, disse Rossafa. O ganho ambiental e social muito grande e vai ser convertido em bem estar da comunidade afirmou o diretor.

Cerca de 40% da energia eltrica do mundo depende do carvo mineral, leo mineral e gs natural e que a questo no quantitativa porque, no Brasil, h jazidas de petrleo que nem foram descobertas. O que preocupa o Rossafa que o mundo moderno no abrir mo da linha de conforto conquistada atravs das fontes fsseis de energia.

Outros temas debatidos nas palestras giraram em torno da disponibilidade de resduos no Brasil e suas caractersticas; tecnologias disponveis para aproveitamento de resduos; poltica de incentivos e investimentos em tecnologia; alternativa da biomassa para gerao de energia; relao custo benefcio e investimentos iniciais e sistemas de consrcios ou cooperativas para viabilizar projetos, alm de muitos outros.

O evento foi patrocinado pela Hyva do Brasil, Tractebel Energia, Andritz e Zanella, e contou com a coordenao tcnica do Programa de Ps-graduao em Desenvolvimento de Tecnologia (LACTEC/IEP) e do Programa de Ps-graduao em Engenharia Florestal (UFPR). O Congresso contou ainda com o apoio da Bruno Industrial, Lippel, Latim Equipamentos, Compagas, EMME2, Bricarbras, com organiza da Porthus Eventos e apoio da Revista da Madeira.