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REVISTA DA MADEIRA - EDIÇÃO N°106 - JULHO DE 2007

Sistema de Corte

Tcnicas de corte ampliam produtividade

Alm dos equipamentos e sistemas de corte adequados, a madeira para ser beneficiada segue alguns passos, que so comuns em todas as indstrias de beneficiamento. Alguns requisitos no so normas obrigatrias, mas a grande maioria das indstrias de beneficiamento de madeira os seguem. Outros so procedimentos obrigatrios, e so fiscalizados pelo Ibama. Para agilizar o processo produtivo preciso estar atento a todas as etapas da explorao.

Para que um projeto de manejo seja aprovado pelo Ibama necessrio que a empresa tome algumas providncias antecipadas. No projeto de manejo deve constar um levantamento de todas as espcies, com o DAP (dimetro na altura do peito) acima de 15 centmetros, e as propostas das reas que sero exploradas durante um ano (talhes).

Baseado no inventrio se faz um clculo estatstico para determinar as espcies e seus volumes. No talho a empresa faz o plano de corte, ou o levantamento das rvores que sero cortadas com um DAP de 45 centmetros. Dentro dos talhes so realizados inventrios a cada 200 hectares para separar uma rea de um hectare, para ser inventariada, e que tambm ser explorada. Neste nico hectare so realizados um levantamento de todas as espcies (de arbustos at rvores), que sero medidos todos os anos.

O objetivo desta medio acompanhar o desenvolvimento e a recuperao da floresta, ou seja a sua sustentabilidade atravs do Inventrio Florestal Contnuo (IFC).

Este inventrio controla o estoque, a composio do povoamento, o aumento volumtrico por espcie e a mortalidade das espcies dentro do talho no Projeto de Manejo. A explorao deve dar tempo natureza para que esta possa se recuperar. Se a influncia do corte destas rvores for muito grande, o Ibama aumenta o perodo de anos para que se possa voltar a explorar.

Alm das medidas convencionais, o Ibama est solicitando das empresas que atuam neste ramo de atividade um projeto de reflorestamento de rvores nativas da regio, um cuidado maior com as sementeiras (rvores que produziro semente nas matas) e com as castanheiras.

A explorao da madeira j passou por diversas fases na histria. Sua utilizao grande para as civilizaes e desde a pr-histria, vem sendo utilizada pelos homens. Em quase todos os objetos, tem madeira ou passou por algum beneficiamento em que tivesse utilizado a madeira. Seus sistemas de explorao variaram durante os sculos, mas os mais conhecidos so:

Serra manual - lmina de ferro em forma retangular e de 2 a 3 metros de comprimento, com 15 cm de largura, com cabos de madeira nas extremidades e com dentes afiados usadas para cortar as rvores e certas formas de beneficiamento da madeira;

Moto-serras - serras motorizadas para corte da madeira com mltiplas finalidades (corte de rvores, corte de pranchas, vigas etc);

Serras a vapor - Serras usadas para beneficiar madeira atravs das caldeiras (ainda muito usadas) movimentam as indstrias no interior do estado onde no existe energia eltrica;

Serras Pica-pau - Podem ser eltricas ou a diesel (com polias ou motor estacionrio). Seu sistema de corte um vai-e-vem contnuo parecido com o movimento de um pica-pau furando uma rvore. Podem ser verticais ou horizontais. um sistema muito lento e poucas serrarias o utilizam. So usados por pequenas empresas que no podem adquirir um equipamento mais moderno;

Serra Fita - Sistema de corte de madeira mais usado atualmente. So serras que podem ser eltricas ou a diesel (motor estacionrio ou a polias). uma serra em forma de uma fita circular que gira em torno de dois eixos. mais rpida no corte da madeira e mais eficaz. Em termos de comparao enquanto uma serra pica-pau corta uma prancha de madeira a serra fita corta uma tora em pranchas;

Serra Induspan - Sistema de corte de madeira com duas serras circulares, uma na horizontal e outra na vertical. Muito usada para cortar peas sob medida.

So as serras que causam maior desperdcio e danos ao beneficiamento da madeira na indstria, quando so utilizadas.

Corte das rvores

O corte das rvores na mata j foi indiscriminado e no se seguia critrio algum para derrub-las at o final dos anos 80. O importante era limpar a rea para a pecuria ou a agricultura. No havia nenhuma anlise do solo para se saber se a rea era propcia para aquela atividade. Mesmo em reas onde no seriam derrubadas todas as rvores a destruio era grande. De acordo com o Ibama as rvores tropicais possuem uma grande massa de galhos e por onde elas passam em sua queda vo quebrando em mdia nove outras rvores menores e a floresta fica toda danificada prejudicando sua recuperao.

Agora com um novo programa de manejo das reas florestais, introduzido pelo Ibama, o corte seletivo. Deve-se lembrar que este procedimento no muito comum entre os madeireiros, pois a maioria o desrespeitam.

Antes do corte a equipe realiza um planejamento de como far a explorao e s ento entra na mata, corta os cips mais grossos, faz a orientao da colheita sinalizando as estradas com estacas ou fitas plsticas. Este procedimento feito para que depois as mquinas possam realizar a abertura das trilhas com segurana.

A abertura das trilhas e estradas obedecem a alguns critrios como: evitar solos instveis e minimizar a movimentao de terra. Isto facilita a drenagem da gua. Devem ser abertas longe dos leitos de gua, estreitas, limpando o mnimo possvel da vegetao nativa para que a floresta possa se recuperar mais rpido. Posteriormente, limpam uma pequena rea para servir de ptio, onde ficaro as toras evitando que os caminhes faam mais danos mata.

As trilhas se ligam a uma estrada maior que escoar as toras da floresta. As rvores a serem cortadas, marcadas pelo sistema DAP, so demarcadas com uma plaqueta, um "X" bem grande com tinta ou ainda marcadas com cortes de terado (faco). O corte feito de maneira que as rvores caiam do lado que prejudique o menos possvel a floresta evitando as espcies em crescimento, que devero ficar intactas. O corte deve evitar derrubada de rvores nas proximidades dos "igaraps" (riachos), rios e lagos como forma de proteo das margens dos mesmos. Deve-se evitar tambm qualquer tipo de poluio da floresta durante o manejo, no acampamento. Aps o corte feito o desgalhamento e a toragem, deixando os troncos limpos para o transporte. O comprimento das toras depende de como ser utilizada esta madeira e tambm da habilidade do operador de moto serras para aproveitar o mximo do tronco.

O transporte das toras, j cortadas e desgalhadas, de seu local de origem na floresta at o local onde est o caminho feito por um trator chamado "Skidder" (trator para operaes dentro da floresta), que no passado arrastava de qualquer jeito o tronco e por isso vinha quebrando tudo que interrompesse seu caminho. Agora o reboque da tora feito com cautela (por alguns madeireiros), levantando uma das extremidades para evitar destruio na rea de manejo, que fiscalizada pelo Ibama.

A mesma mquina coloca a tora em cima do caminho, que a leva at o ptio da indstria, facilitando e dando rapidez ao transporte.

Aps sua entrada na indstria as toras so colocadas em montes separados por espcies e numeradas, aguardando assim o seu beneficiamento, que pode ser imediato ou demorar algum tempo dependendo do estoque j existente na empresa.

Uma tora transformado em pranchas e outras peas em poucos minutos por uma serra fita e a espessura feita pela medida padro (4cm) ou de acordo com a bitola pedida pelo cliente. O corte feito de forma a aproveitar ao mximo as toras, mas mesmo assim a parte branca ou as costaneiras no so aproveitadas e vo para a carvoaria.

Desdobramento

Transformadas em pranchas as peas vo para a serra circular ou alinhadeira. Nesta etapa do processo, as pranchas so desdobradas ou repicadas para retirar as partes danificadas e o brancal. Geralmente, nesta etapa do processo, se retira as laterais das pranchas. So cortadas, nesta fase, os caibros, vigas, tbuas, ripas, sarrafos, mata-juntas e outras.

Aps o repique, as peas vo para a destopadeira, uma serra circular que corta as pontas das peas no esquadro (ngulos de 90). So eliminadas, nesta fase, as pontas tortas, rachadas, ardidas, podres e as que esto estragadas por qualquer motivo. Geralmente a pea cortada no comprimento correto que se pede.

Acertadas, as peas beneficiadas de madeira so amontoadas em um local seco e plano, para evitar que o sol possa entort-las. Geralmente so colocadas dentro de um barraco pois ainda possuem grande quantidade de gua e podem entortar com a ao do calor solar. Assim, ficam a disposio dos clientes interessados.

Ao longo do processo de explorao da madeira, a indstria de beneficiamento desperdia em vrias etapas. Ao cortar a rvore na mata, raramente se executa o corte rente ao cho. O operador da moto-serra corta a rvore de duas formas: a mais comum feita em uma posio que ele fique confortvel, que no esforce sua coluna (no caso, em p) e que fuja dos cupinzeiros. No caso de uma rvore com muitas razes altas (catanas) se executa o corte mais alto.

Neste processo se perde uma quantidade de metros cbicos j no toco. No repique do tronco da rvore, os galhos com um raio inferior a 20 cm so abandonados na mata e condenados a apodrecerem (a ramagem da rvore no contada neste trabalho).

J, na indstria de beneficiamento de madeira a perda maior. Perde-se a casca, o "brancal" (parte situada aps a casca que na maioria das espcies uma madeira mole) e o miolo da tora (parte central da tora, que varia de 10 cm 35 cm), que rachado, oco ou mole demais.

Alm destas perdas pode-se ainda acrescentar o p da serragem que na maioria das madeireiras so queimados ou abandonados para que apodream.

A checagem deve ser feita no inicio, durante e depois do processo para que a operao de corte resulte um trabalho com o mnimo de desperdcios e o mximo de produtividade.

Fonte: Luiz Carlos de Freitas - Universidade Federal de Santa Catarina UFSC.